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- eu gostaria de saber se tu pensa em mim tanto quanto eu penso em ti.
- provavelmente não, mas queria me certificar só para ter certeza.
- gostaria de saber se sente vontade de dormir comigo no meio da semana, ou se sairia no meio do trabalho só para me ver – porque está morrendo de saudade.
- se você lembra de mim quando brinda a cerveja com qualquer outra mulher sentada no sofá da sua casa, ou se pensa em mim quando olha nos olhos dela enquanto vocês transam no banco de trás do carro.
- ah, esqueci que você não olha nos olhos de ninguém. mas nos meus você olhou. dezenas de vezes. pensei que significasse algo – eu sempre crio expectativas demais, né?
- gostaria de saber se sente minha falta no banco da frente do carro enquanto dirige com pressa para casa. se me deseja quando são quatro e quinze da manhã e você está tão bêbado que nem lembra o próprio nome.
- talvez lembre de mim – porque você costuma ligar a essa hora todo domingo de madrugada depois de uma festa.
- talvez lembre de mim – quando eu não me importar mais, quando eu não chamar mais, quando eu não sentir mais saudade do teu beijo e quando eu me satisfazer em passar a sexta à noite com qualquer outra pessoa que não seja você.
- talvez você lembre da gente fugindo com pressa de se amar, das tardes de domingo que você ia me buscar e parava o carro há uns dez metros da minha casa para que meus pais não te vissem, das vezes que eu te abracei – e te consolei, te fiz cafunés e te amei. sem pedir nada em troca, porque ter você já era o suficiente.
- já dizia o poeta: deixe ir. se quisesse estar com você, estaria.
- você não está aqui agora. amanhã não vai estar também, e nem depois de amanhã.
- por isso estou indo embora. pensando em ti. gostaria de saber o que você pensa enquanto me vê virando as costas.
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