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- I PARTE — TROTSKY E O TROTSKISMO — TEXTOS E DOCUMENTOS
- No decurso dos quarenta anos da sua vida política, o acordo e a colaboração de Trotsky com Lenine e o Partido Bolchevique foram apenas excepcionais e acidentais, a regra foi, pelo contrário, a sua oposição ao leninismo. A Revolução de Outubro arrastou no seu turbilhão muitos elementos incertos, a que emprestou um pouco da sua glória e da sua auréola, e que a deixaram quando o seu fluxo passou e as primeiras dificuldades da construção do mundo novo surgiam. Trotsky foi o mais típico destes «companheiros de viagem», chegados tarde e apeados cedo.
- Quarenta anos de atividade política, dez anos apenas (1917-1927) no Partido Bolchevique, e dois terços desta década ocupados em lutas fraccionistas incessantes contra a maioria do Comité Central do PC da URSS. Estes números são sugestivos.
- Não se pode reprovar a Trotsky uma falta de constância. Na realidade, há nele uma persistência singular no erro, que sempre o afastou do marxismo consequente, e depois do movimento operário revolucionário.
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- No decurso do movimento revolucionário na Rússia, as divergências entre, por um lado, os bolcheviques, por outro, os mencheviques e Trotsky, acentuaram-se. Em 1905, como contrapeso à linha revolucionária de Lenine e à sua teoria da transformação da revolução democrática-burguesa em revolução socialista, Trotsky desenvolveu a sua famosa teoria sobre a «revolução permanente«, teoria que, de resto, tinha tomado do pseudo-marxista alemão Parvus, que depois se tornou chauvinista e agente do imperialismo alemão. Esta teoria aventureirista, que negava o papel dirigente do proletariado face ao campesinato e afirmava que este último era incapaz de se aliar à classe operária para a lute contra a autocracia, ameaçava de morte a revolução russa. Esta teoria semeava a divisão na frente comum das forças motrizes da revolução, afastava da luta revolucionária as inumeráveis massas do campesinato russo, condenava a classe operária ao isolamento na luta revolucionária e servia assim a causa da reacção.
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- Os dez anos que se passaram entre 1905 e 1915 demonstraram a existência de duas linhas de classe na revolução russa. A diferenciação do campesinato reforçou a luta de classes nos campos, despertou numerosos elementos indiferentes para a vida política, aproximou o proletariado rural do proletariado das cidades (os bolcheviques, desde 1906, não cessaram de reclamar a organização especifica do proletariado rural e inseriram esta reivindicação na resolução do congresso menchevique de Estocolmo). Mas o antagonismo do «campesinato» e dos Markov—Romanov—Khvostov foi crescendo e revestiu uma forma aguda. Isto é uma verdade evidente que Trotsky, mesmo com milhares de frases e dezenas de artigos, não conseguirá refutar. Trotsky ajuda de fato os politiqueiros operários liberais da Rússia, que, por «negação» do papel do campesinato, compreendem a recusa de impulsionar os camponeses para a revolução.
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- Não nos deteremos na posição do camarada Trotsky em 1905, quando «simplesmente» esqueceu o campesinato como força revolucionária, propondo a palavra de ordem «Abaixo o tsar, governo operário», isto é, a palavra de ordem de revolução sem o campesinato. O próprio camarada Radek, esse defensor diplomata da «revolução permanente» é agora obrigado a reconhecer que a «revolução permanente» em 1905 significava um «salto no ar», um desfasamento da realidade. (Pravda, 14 de Dezembro de 1924). Hoje, toda a gente reconhece, visivelmente, que não vale a pena ocupar-se com este «salto no ar».
- Tão pouco nos deteremos na posição do camarada Trotsky no período de guerra, em 1915, por exemplo, quando, partindo do fato de que «nós vivemos na época do imperialismo», que o imperialismo «opõe não a nação burguesa ao antigo regime, mas o proletariado à nação burguesa», chega à conclusão, no seu artigo «A luta pelo poder», que o papel revolucionário do campesinato deve decrescer, que a palavra de ordem da confiscação da terra já não tem a importância que tinha outrora (Ver 1905). Sabe-se que Lenine, analisando este artigo do camarada Trotsky, o acusava, então, de «negar o papel do campesinato» e dizia que
- Trotsky ajuda de fato os politiqueiros operários liberais da Rússia, que, por «negação» do papel do campesinato, compreendem a recusa de impulsionar os camponeses para a revolução.
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- Lenine fala da direção pelo proletariado das massas trabalhadoras e exploradas. Ora, segundo Trotsky, são as «contradições que dominam a situação de um governo operário num país retardatário, em que a «maioria esmagadora da população é composta por camponeses.»
- Segundo Lenine, a revolução tira as suas forças, em primeiro lugar, de entre os operários e os camponeses da própria Rússia. Ora, segundo Trotsky, unicamente se podem tirar as forças indispensáveis «na arena da revolução mundial do proletariado».
- Mas como fazer se a revolução mundial se encontra atrasada? Haverá então algum laivo de esperança para a nossa revolução? O camarada Trotsky não nos deixa nenhum raio de esperança, porque «as contradições que dominam a situação de um governo operário... poderão encontrar a sua solução unicamente... na arena da revolução mundial do proletariado».
- Segundo este plano, só resta uma perspectiva para a nossa revolução: vegetar nas suas próprias contradições e apodrecer de pé na expectativa da revolução mundial.
- O que é, segundo Lenine, a ditadura do proletariado?
- A ditadura do proletariado é o poder que se apoia na aliança do proletariado e das massas trabalhadoras do campesinato para «o derrubamento completo do Capital», para «a instauração definitiva e a consolidação do socialismo».
- O que é, segundo Trotsky, a ditadura do proletariado?
- A ditadura do proletariado é um poder que entra em «colisões hostis» com «as grandes massas do campesinato» e que procura a solução das «contradições» unicamente «na arena da revolução mundial do proletariado».
- Em que é que esta «teoria da revolução permanente» se distingue da famosa teoria do menchevismo que nega a ideia da ditadura do proletariado?
- Em nada, quanto ao fundo.
- Não há dúvidas possíveis. A «revolução permanente» não é uma simples subestimação das possibilidades revolucionárias do movimento camponês. A «revolução permanente» é uma subestimação do movimento camponês que conduz à negação da teoria leninista da ditadura do proletariado.
- A «revolução permanente» do camarada Trotsky é uma variedade do menchevismo.
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- Arrebatado pela sua critica da teoria leninista da revolução proletária, o camarada Trotsky, inadvertidamente, bateu com toda a força em si mesmo, na sua brochura Programa da paz, aparecida em 1917 e reeditada em 1924.
- Mas talvez esta brochura do camarada Trotsky tenha igualmente envelhecido e não corresponda já, por qualquer razão, às suas actuais concepções? Vejamos as obras mais recentes do camarada Trotsky, escritas após a vitória da revolução proletária num só país, na Rússia. Vejamos, por exemplo, o posfácio do camarada Trotsky à nova edição da sua brochura Programa da paz, posfácio escrito em 1922. Eis o que ele escreve neste posfácio:
- A afirmação de que a revolução proletária não pode concluir-se vitoriosamente no quadro nacional, afirmação que se encontra várias vezes repetida no Programa da paz, parecerá, talvez, a certos leitores, desmentida pela experiência quase quinquenal da nossa República Soviética. Mas uma tal conclusão não seria fundamentada. O fato de o Estado operário num só país, para mais num país atrasado, ter resistido ao mundo inteiro, testemunha a força colossal do proletariado que nos outros países mais avançados, mais civilizados, será capaz de realizar verdadeiros prodígios. Mas se nos mantivemos política e militarmente enquanto Estado, por outro lado não chegámos à criação de uma sociedade socialista, nem sequer nos aproximámos dela... Enquanto a burguesia estiver no poder nos outros Estados europeus, seremos obrigados, na luta contra o isolamento económico, a procurar acordos com o mundo capitalista; ao mesmo tempo, pode dizer-se com toda a certeza que estes acordos podem, no melhor dos casos, ajudar-nos a curar estas ou aquelas feridas económicas, a dar este ou aquele passo em frente, mas que o verdadeiro desenvolvimento da indústria na Rússia só será possível após a vitória(6) do proletariado nos principais países da Europa.(7)
- Assim se exprima o camarada Trotsky, que peca manifestamente contra a realidade e se esforça obstinadamente por salvar a «revolução permanente» do naufrágio definitivo.
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- É claro que não há, nem pode haver, conciliação possível. A «revolução permanente» do camarada Trotsky é a negação da teoria leninista da revolução proletária e vice-versa — a teoria leninista da revolução proletária é a negação da teoria da «revolução permanente».
- Ausência de fé nas forças e nas capacidades da nossa Revolução, ausência de fé nas forças e nas capacidades do proletariado da Rússia, tal é o reverso da teoria da «revolução permanente».
- Até agora, assinalava-se ordinariamente apenas um lado da teoria da «revolução permanente»; a ausência de fé nas potencialidades revolucionárias do movimento camponês. Hoje, para ser justo, é necessário completá-lo com um outro lado: a ausência de fé nas forças e capacidades do proletariado da Rússia.
- Em que é que a teoria do camarada Trotsky se distingue da teoria vulgar do menchevismo, segundo a qual a vitória do socialismo num só pais, para mais num país atrasado, é impossível sem a vitória prévia da revolução proletária «nos principais países da Europa Ocidental»?
- Em nada, quanto ao fundo.
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- E Lenine prossegue:
- Além disso, declaramos, em nome de todo o Partido, que Trotsky conduz uma política hostil ao Partido, que destrói a legalidade do Partido, que se embrenha na via das aventuras e da cisão. Idem, p. 65.)
- Tal é a característica autêntica de Trotsky, dada por Lenine.
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- Compreende-se a apreciação prática que deriva desta «apreciação do momento» feita por Trotsky e por lonov. Não se produziu nada de particular, apenas uma querela da fracção. Instalam-se novas alcoviteiras e o golpe está dado. A diplomacia de capelinha explica tudo. Fornece todas as receitas práticas. De um lado, homens que ardem por se bater, do outro, partidários da conciliação; então basta aqui suprimir toda a alusão à «base», ali não referir esta ou aquela instituição, acolá fazer uma concessão aos formalismos no tocante aos modos de convocação da conferência... é a história velha mas sempre nova das capelinhas no estrangeiro...
- É por isso que os esforços de Trotsky e de lonov com vista à reconciliação são agora tão lamentáveis como ridículos. Só uma incompreensão total dos fatos pode explicar esses esforços, que são agora inofensivos, porque ninguém os apoia, a não ser os diplomatas de círculos no estrangeiro... Os conciliadores à Trotsky e lonov enganaram-se tomando as condições particulares que permitiram à diplomacia conciliadora instalar-se na assembleia plenária pelas condições gerais da vida atual do Partido. Graças à existência de tendências profundas para a reconciliação (para a unificação do Partido) nas duas facções principais, esta diplomacia desempenhou um certo papel na assembleia plenária, mas enganaram-se tomando-a por um fim em si, por um instrumento que lhes permitiria navegar constantemente entre pessoas, grupos e instituições...
- Tendo sido impelidos para o primeiro plano na assembleia plenária(4), tendo obtido a possibilidade de desempenhar um papel na qualidade de intermediários e de juízes para pôr fim à divisão, para dar satisfação às pretensões dirigidas contra o bureau central, os conciliadores à Trotsky e lonov imaginaram que, enquanto existissem as pessoas, os grupos e as instituições em questão, poderiam brincar aos intermediários. Erro ridículo. Os intermediários sáo necessários quando é preciso determinar a medida das concessões necessárias para obter o entendimento...
- Agora os intermediários já não são necessários, já não têm qualquer papel a desempenhar porque já não se trata da medida das concessões, e isso porque todas as concessões (mesmo as mais excessivas) foram feitas na assembleia plenária...
- Se Trotsky e lonov tivessem agora a ideia de querer reconciliar o Partido com as pessoas, os grupos e as instituições em questão, seriam para nós, bolcheviques e mencheviques partiitsi,(5) apenas traidores ao Partido e nada mais...
- Todos os conciliadores sem carácter, como lonov e Trotsky, que defendem ou justificam estas pessoas, perdem-nas na realidade ligando-as ainda mais fortemente à tendência liquidadora, e esse é o seu maior crime...
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- A resolução Trotsky convidando as organizações locais a preparar uma «Conferência de todo o Partido» fora do Comité Central e contra ele apenas exprime o objetivo prosseguido pelo grupo do Goloss: aniquilar as instituições centrais, odiosas a todos os liquidadores e acabar ao mesmo tempo com o Partido enquanto organização. Não basta esclarecer estas manobras dirigidas contra o Partido pelo grupo do Goloss e por Trotsky, é preciso também combatê-las. Os camaradas que prezam o Partido e desejam a sua restauração devem pronunciar-se categoricamente contra aqueles que, guiados por considerações de fracção e de capelinha, se esforçam por destruí-lo...
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- A razão essencial por que este novo bloco está votado ao fracasso, seja qual for o seu sucesso junto de elementos rotineiros e quaisquer que sejam as bases que Trotsky consiga reunir por intermédio dos extremistas e de Potressov, é que ele é absolutamente desprovído de princípios. A teoria do marxismo, os princípios de toda a sua filosofia, de todo o nosso programa a de toda a nossa táctica estão agora no primeiro plano na vida do Partido... É preciso expor de novo os princípios do marxismo às massas, é preciso pôr de novo na ordem do dia a defesa da teoria marxista. Declarando que a aproximação dos mencheviques partlitsi e dos bolcheviques é efémera e desprovida do fundamento político, Trotsky mostra a profundidade da sua ignorância e o vazio das suas próprias concepções. Foram precisamente os princípios do marxismo que triunfaram na luta dos bolcheviques contra as ideias anti-sociais-democratas, na luta dos mencheviques partiitsi contra os Potressov e os golossistas...
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- A teoria que vê na luta do bolchevismo contra o menchevismo uma luta para influenciar um proletariado ainda pouco amadurecido politicamente não é nova. Encontramo-la desde 1905 (ou desde 1903), numa multidão de livros, de brochuras, de artigos da imprensa liberal.
- É verdade que o proletariado russo é, no tocante a maturidade política, inferior ao proletariado ocidental. Mas, de todas as classes da sociedade russa, foi precisamente o proletariado que deu provas da maior maturidade política. A burguesia liberal, que se conduziu entre nós de forma tão baixa, tão cobarde, tão ridícula a tão traidora como a burguesia alemã em 1848, detesta o proletariado precisamente porque este se mostrou, em 1905, suficientemente maduro do ponto de vista político para lhe arrancar a direção do movimento e desmascarar impiedosamente a duplicidade dos liberais.
- É uma Ilusão acreditar, declara Trotsky, que o menchevismo e o bolchevismo lançaram raízes profundas nas profundezas do proletariado.
- Eis um espécime das frases sonoras e vazias na arte das quais o nosso Trotsky se tornou mestre. Não é «nas profundezas do proletariado», mas no conteúdo económico da revolução russa que é necessário procurar as raízes do desacordo entra bolcheviques e mencheviques. É por ignorarem este conteúdo que Martov e Trotsky não viram o sentido histórico da luta interna do Partido russo. O essencial não é saber se as fórmulas teóricas das nossas dissensões penetraram profundamente nesta ou naquela camada do proletariado; o importante é que as condições económicas da revolução de 1905 conduziram o proletariado a tomar uma atitude hostil à burguesia liberal, não só na questão da melhoria das condições de existência dos operários, mas também na questão agrária e em todas as questões políticas da revolução. Falar das diferentes correntes em luta na revolução, limitando-se a colar-lhes as etiquetas de «sectarismo» ou de «grosseria», e não dizer uma palavra sobre os interesses económicos fundamentais do proletariado, da burguesia liberal e do campesinato democrático é rebaixar-se ao nível dos jornalistas dos boulevards...
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- Quando Trotsky fala em detalhe aos camaradas alemães da inépcia do otzovismo, que descreve como a «cristalização» de uma tendência para o boicote, natural em todo o bolchevismo, e quando, a seguir, em duas palavras, recorda que «o bolchevismo não se deixou abater pelo otzovismo», mas que o combateu resolutamente, ou melhor, com frenesi, o leitor alemão não pode aperceber-se da sábia perfídia de semelhante exposição. A «restrição mental» jesuítica de Trotsky consiste em calar um pequenino, um pequeníssimo «detalhe». «Esquece-se» de referir que, desde a Primavera de 1909 a fracção bolchevique, numa assembleia oficial dos seus representantes, rejeitou, excluiu os otzovistas. Mas precisamente este «detalhe» embaraçava Trotsky, que queria a todo o custo falar da «desagregação» da fracção bolchevique (e em seguida do Partido) e não da decadência dos elementos não sociais-democratas.
- Vemos agora Martov como um dos chefes dos liquidadores, chefe tanto mais perigoso visto ser habiIíssimo a defender os liquidadores com expressões quase marxistas. Mas Martov expõe abertamente concepções que influenciaram correntes inteiras do movimento operário de massa de 1903 a 1910, enquanto que Trotsky representa apenas as suas próprias flutuações e nada mais. Em 1903, era menchevique; afastou-se do menchevismo em 1904, para aí regressar em, 1905 fazendo alarde de uma fraseologia ultra-revolucionária; afastou-se de novo em 1906; em fins de 1905 preconizava acordos eleitorais com os cadetes (isto é, estava realmente de novo com os mencheviques) e, na Primavera de 1907, declarava no congresso de Londres que se diferenciava de Rosa Luxemburg «mais por nuances individuais do que por tendências políticas». Hoje, Trotsky plagia a ideologia de uma fracção, amanhã a de uma outra e, por esta razão, proclama-se acima das fracções. Em teoria, Trotsky não está de acordo em nada com os liquidadores e os otzovistas, mas, na prática, está de acordo em tudo com os golossistas e o grupo Vpériod.
- É por isso que, como Trotsky diz aos camaradas alemães que representa a «tendência geral do Partido», eu tenho de declarar que ele apenas representa a sua fracção e apenas goza de uma certa confiança junto dos otzovistas e dos liquidadores. Eis fatores que mostram a exactidão da minha afirmação. Em Janeiro de 1910, o nosso Partido tinha estabelecido uma ligação estreita com o jornal de Trotsky, a Pravda, delegando um representante do CC para o conselho de redação. Em Setembro de 1910, o órgão oficial central do Partido publica um artigo no qual se diz que o representante do CC teve de romper com Trotsky porque este conduzia uma política contrária ao espírito do Partido, Em Copenhague, Plekhanov, na qualidade de representante dos mencheviques partíitsi e de delegado da redação do órgão central, o autor destas linhas, na qualidade de representante dos bolcheviques, e um camarada polaco ergueram um protesto categórico contra a forma como Trotsky relata, na imprensa alemã, os assuntos do nosso Partido.
- Que o leitor julgue agora se Trotsky representa a «tendência geral do Partido» ou se representa uma tendência da social-democracia russa geralmente hostil ao Partido.
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- Todos os que se interessam pelo movimento operário e pelo marxismo na Rússia sabem que em Agosto da 1912 se constituiu um bloco composto pelos liquidadores, por Trotsky, pelos letões, pelos bundistas e pelos caucasianos...
- Desde então, passou-se exatamente um ano e meio. Ora, em Fevereiro de 1914, Trotsky, o «verdadeiro» defensor da plataforma de Agosto, funda uma nova revista que, desta vez, «nada tem de fraccionista» e que se propõe como objetivo a «unificação» do Partido...
- Como então dissemos, o bloco de Agosto de 1912 tinha como único fim mascarar os liquidadores. Ei-lo dissolvido. Nem mesmo os seus amigos russos puderam permanecer unidos. Os unificadores não conseguiram unir-se entre si e daí resultaram duas tendências «de Agosto»: os partidários do Loutch (Nacha Zaria e Journal Ouvrier du Nord) e os trotskistas (Borba). Os dois campos brandiam cada um, um farrapo da bandeira do bloco de Agosto e gritavam com toda a força; «Unidade!»
- Qual é a tendência da Borba?
- Os liquidadores têm uma fisionomia especial: são liberais e não marxistas. Trotsky não tem fisionomia nenhuma, nem nunca a teve; limita-se a andar de cá para lá, entre os liberais e os marxistas e a lançar palavras de efeito e frases sonoras.
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- Os velhos militantes marxistas russos conhecem bem Trotsky e é inútil falar-lhes dele. Mas a jovem geração operária não o conhece e é necessário falar-Ihe dele, porque ele é uma figura típica dos cinco grupos estrangeiros que flutuam entre os liquidadores e o Partido.
- No tempo da velha Iskra (1901-1903), estes elementos hesitantes que iam continuamente dos economistas para os iskristas e vice-versa, eram denominados «equilibristas».
- Nós entendemos por «liquidacionismo» uma corrente ideológica que tem a mesma fonte do menchevismo e do economismo, que se desenvolveu no decurso dos últimos anos e cuja história se ligou intimamente à política e à ideologia da burguesia liberal.
- Os «equilibristas» proclamam-se acima das fracções, pela simples razão de que tomam as suas ideias emprestadas, agora a uma fracção, logo a uma outra. De 1901 a 1903, Trotsky foi um Iskrista fogoso e, no congresso de 1903, foi. segundo Riazanov, o «cacete de Lenine». Em fins de 1903, torna-se menchevique encarniçado, isto é, troca os iskristas pelos economistas e declara que existe um abismo entre a antiga e a nova Iskra. Em 1904-1905, afasta-se dos mencheviques, sem todavia se conseguir fixar, colaborando agora com Martynov (economista), proclamando logo a doutrina ultra-esquerdista da «revolução permanente». Em 1906-1907, reaproxima-se dos bolcheviques e declara-se solidário com a posição de Rosa Luxemburg.
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- A Paz de Brest-Litovsk
- Em 1918, durante as conversações de paz em Brest-Litovsk, os «comunistas de esquerda», dirigidos por Bukharin e Piatakov, ergueram-se com violência contra a justa política de Lenine, preconizando, sob a palavra de ordem de «guerra revolucionária», que a fraqueza militar do jovem poder dos Sovietes tornava impossível, uma tática de aventuras que teria conduzido à ruína o governo operário e camponês.
- Trotsky, uma vez mais, adoptou uma posição conciliadora, que se opunha de fato à posição leninista e servia os «comunistas de esquerda». A palavra de ordem trotskista era «nem guerra nem paz», isto é, cessar a guerra, mas não assinar a paz! O que apenas podia lançar a confusão entre as massas operárias e camponesas e o que foi utilizado pelo imperialismo alemão para continuar as operações militares e conquistar novos territórios soviéticos.
- Durante as conversações com o comando alemão, Trotsky violou conscientemente as instruções de Lenine e do Comité Centrai, recusando-se à conclusão imediata da paz, o que acarretou para a República dos Sovietes condições de paz ainda mais desvantajosas. Só a firmeza de Lenine e da maioria bolchevique assegurou então a salvação do poder dos Sovietes.
- Eis alguns breves extractos em que Lenine mostra a inconsciência da posição trotskista:
- A Falsa Tática de Trotsky
- A tática de Trotsky tornou-se falsa quando se declarou findo o estado de guerra, sem que a paz fosse assinada. Eu propus categoricamente que se assinasse a paz. Nós não podíamos obter uma paz melhor que a de Brest-Litovsk... Quando o camarada Trotsky formula novas reivindicações: «Assumam o compromisso de não assinar a paz com Vinnichenko» — eu digo que não desejo, de forma nenhuma, assumir esse compromisso... Isso seria, em vez de seguir uma linha clara que consiste em manobrar — recuando e, por vezes, quando isto é possível, passando à ofensiva — amarrar novamente as mãos, por meio de um compromisso puramente formal...
- O camarada Trotsky diz que a paz seria uma traição no sentido pleno do termo. Eu afirmo que esse é um ponto de vista absolutamente errôneo. Para o mostrar concretamente, tomarei um exemplo. Dois homens passeiam. Dez homens atacam-nos. Um defende-se e o outro escapa-se. Isto é uma traição, mas se dois exércitos de 100 000 homens estiverem frente a cinco exércitos, e se um deles for cercado por 200 000 homens e o outro, que o deveria socorrer, souber que 300 000 homens lhe preparam uma emboscada, poderia, a partir deste momento, ir em socorro do primeiro? Não, não poderia. Isto não é uma traição, nem é covardia. Uma simples mudança de número modificou todas as noções, qualquer militar sabe, não se trata aqui de ideias pessoais; poupo o meu exército; que o outro seja feito prisioneiro, seja, eu reconstituirei o meu, tenho aliados, esperarei, eles chegarão. Só se pode raciocinar deste modo, mas quando às considerações de ordem militar vêm acrescentar-se considerações de outra ordem, já não há senão frases, nada mais. Fazer política assim não é possível.
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- Durante os anos da guerra civil, o Partido levantou-se muitas vezes contra Trotsky.
- Todas as-operações decisivas do Exército Vermelho que levaram à derrota de Koltchak, Denikine e outros guardas-brancos, foram conduzidas contra os planos de Trotsky. Só se esmagou Koltchak desde que a proposta de Trotsky de suspender a ofensiva contra Koltchak foi rejeitada e que o CC, com Lenine à cabeça, tomou a resolução de mobilizar as forças necessárias para atacar os guardas-brancos na frente oriental.
- Do mesmo modo, só desde que Lenine confirmou, no Outono de 1919, o plano de operações contra Denikine, proposto por Staline, e que se afastou completamente Trotsky da direção das operações na frente Sul, é que Denikine foi derrotado.
- O mesmo se passou em numerosas outras questões relativas à luta armada do proletariado da República Soviética. A criação de um poderoso Exército Vermelho, as vitórias heroicas deste exército, a derrota dos guardas-brancos, tudo isso se deve à direção de Lenine e de Staline, à sua luta contra o trotskismo.
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- Após a sua exclusão do Partido, os trotskistas-zinovievistas passaram a novos métodos de luta. Trotsky revelou-se um encarniçado inimigo; tentou desenvolver uma grande atividade ilegal contra o Partido e os Sovietes, tentou criar as suas próprias organizações contra-revolucionárias. As suas manobras foram descobertas e reprimidas. O governo soviético pô-lo fora do país como anteriormente se tinha feito, por proposta de Lenine, aos dirigentes dos partidos contra-revolucionários menchevique e socialista revolucionário.
- No estrangeiro sentiu-se como em sua casa. O seu ódio encarniçado à República Soviética deixou de conhecer limites. Pôs a nu tudo o que tinha velado ou escondido quando ainda estava nas fileiras do Partido. Passou a atacar declaradamente o leninismo, o bolchevismo. opondo-lhe a sua própria concepção contra-revolucionária em todas as questões da revolução. A partir daí, caíram todos os retalhos da capa com que Trotsky se envolvia quando estava na URSS. Face ao mundo inteiro, aos olhos de classe operária e das pessoas honestas, apareceu, desprovido de quaisquer escrúpulos, o inimigo encarniçado do povo soviético, da revolução proletária e do Partido Bolchevique.
- Trotsky pôs-se a colaborar nos jornais mais reacionários. Tomou-se o fornecedor dos artigos mais imundos e mais odiosos contra a União Soviética. Não houve baixeza ou calúnia que Trotsky não utilizasse contra o Estado proletário e os seus dirigentes. Todas as suas manobras provavam para o futuro que «o trotskismo se tinha transformado em vanguarda da contra-revolução.»
- Trotsky procurou juntar à sua volta a escória dos diferentes grupos rejeitados pela Internacional Comunista. A única razão da junção dos grupos trotskistas, o seu único fundamento «ideológico», era o ódio ao comunismo, à Internacional Comunista e ao pais da ditadura do proletariado.
- Toda a atividade de Trotsky e dos seus agentes tinha por objetivo organizar uma luta infame contra a URSS e semear a divisão no movimento operário internacional. Os objetivos e as tarefes de Trotsky confundiam-se estreitamente com as do inimigo mais feroz do proletariado — o fascismo. De resto, a sua organização num único bando de inimigos mortais do socialismo, da democracia e do povo trabalhador, cedo se tornou um fato consumado.
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- Certos bolcheviques pensam que o trotskismo é uma fracção do comunismo, que, é certo, se engana, faz muitas asneiras e por vezes é mesmo anti-soviética, mas que é, mesmo assim, uma fracção do comunismo. Daí um certo liberalismo face aos trotskistas e às pessoas de espírito trotskista. É apenas necessário demonstrar que um tal ponto de vista sobre o trotskismo é profundamente erróneo e nefasto. Na realidade, o trotskismo é um destacamento de vanguarda da burguesia contra-revolucionária, que conduz à luta contra o comunismo, contra o Poder dos Sovietes, contra a edificação do socialismo na URSS.
- Quem é que deu à burguesia contra-revolucionária uma arma espiritual contra o bolchevismo, sob a forma de tese sobre a impossibilidade de construir o socialismo no nosso país, sobre a degenerescência inelutável dos bolcheviques, etc...? Esta arma, deu-lha o trotskismo. Não se pode considerar como um acaso o fato que todos os grupos anti-soviéticos na URSS nas suas tentativas de justificar a inevitabilidade da luta contra o Poder dos Sovietes, tenham invocado a conhecida tese trotskista sobre a impossibilidade da construir o socialismo no nosso país, sobre a degenerescência inelutável do poder dos Sovietes, sobre o retorno provável ao capitalismo.
- Quem é que deu à burguesia contra-revolucionária da URSS uma arma tática sob a forma de ações declaradas contra o Poder dos Sovietes? Esta arma, deram-lha os trotskistas, que tentaram organizar manifestações anti-soviéticas em Moscovo e em Leningrado a 7 de Novembro de 1927. É um fato que as manifestações anti-soviéticas dos trotskistas tornaram a dar coragem à burguesia e puseram em movimento a sabotagem dos especialistas burgueses.
- Quem é que deu à burguesia contra-revolucionária uma arma de organização sob a forma de tentativa de constituir organizações anti-soviéticas clandestinas? Esta arma, deram-lhe os trotskistas, que organizaram o seu próprio grupo ilegal anti-bolchevique. É um fato que a ação anti-soviética clandestina dos trotskistas facilitou a cristalização orgânica dos agrupamentos anti-soviéticos na URSS.
- O trotskismo é um destacamento de vanguarda da burguesia contra-revolucionária.
- Eis porque é que o liberalismo em relação ao trotskismo, mesmo que aniquilado e camuflado, é inconsequência que confina com o crime, com a traição para com a classe operária.
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- Os factos estão aí para provar, escreve mais longe a revista, que o trotskismo actual é o inimigo jurado do movimento revolucionário da classe operária e dos povos, e uma arma perigosa nas mãos da burguesia e do imperialismo, a fim de semear neste movimento a confusão e a divisão, e de o sapar. Por consequência, a luta que visa desmascarar e destruir a corrente trotskista é, nas condições actuais, uma necessidade indispensável para desenvolver com sucesso o movimento revolucionário da classe operária, e uma tarefa actual de todos os marxistas-leninistas.
- O esmagamento da corrente trotskista é inseparável da luta dos partidos marxistas-leninistas contra o revisionismo moderno, o revisionismo soviético em primeiro lugar, a fim de pôr um termo à desagregação e à confusão que causou no movimento revolucionário actual, que criou as próprias condições da reanimação do trotskismo, a fim de fazer compreender aos trabalhadores e aos povos o fosso profundo que separa os revisionistas do marxismo-leninismo e do verdadeiro socialismo, para tirar ao trotskismo a possibilidade de especular.
- Mas a condição determinante para conduzir com sucesso a luta contra o trotskismo é o desenvolvimento do próprio movimento marxista-leninista, a elaboração por este movimento, em cada país, de um verdadeiro programa de luta revolucionário, a extensão e o aprofundamento dos partidos marxistas-leninistas nas massas, a fim de lhes dar uma clara orientação e de libertar das influências trotskistas os elementos revolucionários sinceros, desorientados pelo trotskismo.
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