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- Meu furacão não tem nome de mulher
- Eu ouvi o rádio anunciando que o tempo iria mudar. O desliguei.
- Todas as pessoas ao meu redor avisaram que eu precisaria fugir enquanto era tempo. Não fui.
- Como deixar para trás tudo o que foi construído à custa de tanto esforço de minha parte?
- Eu nunca vi o céu tão escuro e os ventos tão fortes. Eu lutei bravamente contra o abuso do inevitável.
- Quando dei por mim, tudo foi arrancado do chão e reduzido à ruínas. Ajoelho-me sobre os escombros em busca. Em busca de quê? Parece até que meu coração está sufocado sob as cinzas.
- Que horas podemos contar os mortos e feridos? Em qual momento se dá baixa de tudo o que foi destruído e de tudo que restou?
- Eu quero voltar a respirar de novo! Passou da hora de dar um basta e partir.
- Tranco a porta às minhas costas. Tão estúpido se for parar para pensar, visto que o telhado foi levado e não há mais o que se proteger. Porém, ainda há um mínimo de zelo pelas paredes que ecoam histórias e pelo chão que não pisaremos mais.
- Eu tranco a porta e carrego comigo tudo o que sobreviveu. Não em minhas mãos, está tudo vazio. Não. O que importa realmente, resta guardado dentro de mim.
- Vazio. Mas é pelo vazio que a luz passa*. E eu tenho o poder de fazer disso tudo algo bom de novo.
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