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- eu me apaixonei pela língua portuguesa quando descobri o enumerado de palavras que eu poderia tatear pra descrever minha dor. e tirar ela de mim. eu comecei a escrever sem pretensão, todos os dias, pra arrancar você do meu peito. é tão difícil suportar um mísero amor quando se foi todas as outras coisas que são base para sustentá-lo. eu não vou enfeitar tua ida, eu não gostei de como você reagiu ao fim, na verdade, eu odiei tudo, tudo, tudo que remeteu ao nosso final. eu odiei a sua atitude. o seu jeito de não se importar. a sua frieza, deus, como eu odiei a sua frieza. eu odiei você seguir tão bem e pisar, mesmo que sem intenção, em mim. eu odiei você saber que todo o sentimento de caos por tudo que passou ainda mora em mim. eu não quero que você saiba o que eu sinto. não mais. eu sempre fui tão transparente com você. mas não importa mais saber o que eu sinto. não é mais importante pra você.
- eu poderia ter morrido no dia em que sai da sua vida. morrer por que era mais fácil. qualquer coisa era mais fácil do que suportar todo esse remorso que a gente sente por amar demais. eu pedi isso. semanas depois eu chorei como uma criança síria choraria ao se deparar sendo abandonada pela sua mãe. é assim que os que amam se sentem, né? eu me sinto assim. eu sempre me senti alguém que foi deixada por que a tortura era maior que toda a persistência de ficar. você me fez sentir assim. e não ria do meu jeito de transcrever como me sinto. o que eu posso fazer se tudo o que eu sinto é grandão assim? eu juro que queria sentir menos, não por você, mas por que as vezes sentir pouco poupa a gente da dor. eu chorei em cada canto dessa cidade procurando uma forma de tentar te entender. entender como é possível você amar e não ser como eu: febril e pascácia. eu fui tão inútil por você. eu peguei cada ponto da nossa história e fui tentando descobrir aonde é que tínhamos errado. você nunca cedeu. você nunca foi atrás. você nunca quis que eu realmente ficasse. apesar de me amar. o seu amor foi tão estranho. tudo isso foi o que você me fez pensar. e eu, eu tão pascácia, quantas vezes ainda rezava bem baixinho com o meu peito entorpecido de dor:
- por favor...
- por favor...
- por favor...
- volta.
- eu suportaria a dor. eu suportaria o seu mau humor. eu suportaria todos os seus defeitos. eu faria de tudo pra amar cada um deles. mas com calma. não com pressa como você queria. nós aprenderíamos nos amar aos poucos, por que de amor já tinhamos de monte. amar é que era processo difícil pra gente. mas você se cansou rápido, e eu também. fim. fim!. doeu. ainda dói.
- doeu tanto que eu jurei que nunca mais ia te encontrar. nunca mais ia ter nenhum amigo em comum. nunca mais ia visitar o seu perfil ou falar pros outros o quanto sinto sua falta. é mais fácil fingir que a gente não existiu, mas isso é ridículo. só que quer saber de outra coisa? é assim que eu me sinto em relação a você. parece que a gente nunca teve nada. soube até que você vem sorrindo pra outra pessoa. tudo bem. tudo bem nada. isso me doeu demais. mas nem foi tão forte, sabe? sinto que fui muito significante na sua vida. você não vai me esquecer. não pensa que pode me trocar como um objeto por que não vai. as entidades não permitem que eu te esqueça. elas também não permitirão que você me deslembre.
- eu prometi não me tornar o que me feriu.
- mas eu me apaixonei por cigarros desde quando me apaixonei por você. foi o meu refúgio achar que posso me matar aos poucos toda vez que você me mata com sua frieza. ok, não vou te culpar mais. vou deixar você ir. agora sim é um adeus. nós queríamos isso. mas eu faria de tudo pra você ficar. pra nada disso acontecer. pra minha dor por amar demais não existir. pra eu não criar tanto mecanismo de defesa por não querer acreditar mais no amor e me fechar no meu próprio casulo. sem vontade de tentar outra relação e afins. eu faria de tudo pra ser mais feliz. mas a vida não é composta por passado e eu tô cansada de passar os minutos carregando essa dor. vai demorar tanto pra passar. e eu vou fumar, escrever, gritar e chorar até essa dor sair. e eu vou torcer por você. mesmo nunca mais te tocando. nunca mais te vendo. ainda vou torcer por você. por que eu fiz isso durante muito tempo antes de realmente estar proporcionado a coexistência contigo; eu torci por você. e vou continuar. vai doer todo esse processo. cada vez em que eu me afasto dos meus amigos. cada vez que eu me sinto menor em ver que toda a felicidade se concentrou em você e me sentir num redemoinho de pessoas que se divertem com a minha dor. e eu me sinto tão pequena. e isso dói tanto. e isso ainda vai doer. e você vai me ver assim: fraca. mas eu sou forte e ainda vou ser mais forte por que eu vou suportar todo esse caos com uma esperança enorme de voltar a ser eu.
- eu voltarei.
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