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- <center><div style="width: 700px; margin: 30px 0px 40px 0px;">
- <div style="text-align: justify; font-family: verdana; font-size: 12px; color: #333; line-height: 16px;"><span style="float:left;font-size:140px;line-height:5px;font-family:tahoma; margin-top: 50px; color: #A2B5CD;">❝</span>
- A noite ainda trazia os pesadelos consigo, mesmo depois de meses e da certeza que o Lorde das Trevas havia caído, graças ao Santo Potter. Há meses o Profeta Diário não falava mais mal de Harry Potter e se retratava por todas as mentiras contadas durante o período de dura repressão de um dos bruxos mais temidos da História do mundo bruxo. Não houve meias palavras ou “alívio” em sentenças condenatórias de Comensais da Morte; famílias foram indenizadas, tanto bruxas quanto trouxas já que o Ministro da Magia voltara às relações com o Primeiro-Ministro trouxa. Aos poucos as coisas iam voltando ao normal, tanto quanto era possível, e aqueles poucos que haviam decidido retornar para concluir os estudos em setembro de 1998 encontraram uma Hogwarts completamente nova, embora com os mesmos tijolos e o típico ar escocês em suas paredes. Não havia necessidade alguma de Millicent voltar, afinal, seus sonhos estavam bem além daquelas paredes ou de qualquer parede estúpida no Ministério da Magia, mas sua mãe não aceitava que a filha fosse qualquer coisa no Mundo Bruxo. Uma advogada bruxa seria perfeito, já que sempre tinha ótimos argumentos para o que quer que fosse, menos para tirar da cabeça da mãe aquele casamento idiota com Gregory Goyle para preservar os laços das Sagradas Vinte e Oito, que arrancava de Millicent longos suspiros descontentes quando estava à sós com a matriarca enquanto seu pai tentava se esquivar dos inquéritos do Ministério da Magia por apoiar Lorde Voldemort. Ele não havia sido um comensal, mas não dava para negar o quanto havia apoiado todas aquelas ideias e agora tentava empurrar para a própria filha, o filho de um Comensal da Morte. Nem mesmo nas festas de Natal Bulstrode conseguia escapar de seu pretendente, como era o caso daquela noite de Natal.
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- Os Bulstrode não haviam deixado que os acontecimentos de junho afetassem o jantar do Solstício de Inverno do ano, até porque precisavam agradecer por estarem ali, mesmo que não fossem todos como os senhores Malfoy, Goyle e Crabbe (até porque Crabbe ainda encontrava-se de luto em Azkaban na companhia do Sr. Goyle), mas suas esposas estavam ali e seus filhos, e ter Pansy Parkinson e Daphne Greengrass ali mesmo que bem diferente do que nos outros anos, já era um grande alívio para Millicent que poderia escapar de Gregory. Ou pelo menos foi o que pensou até sua mãe arrumar um jeito de ficarem à sós logo após o jantar, quando os adultos se reuniram para jogar xadrez e conversar; e aquele era um grande problema, porque perto de Gregory era como se toda a razão de Millicent se esvaísse, dando lugar a um instinto primitivo e tão intenso que lhe irritava. Aquele desejo que sentia parecia tão incontrolável e absurdo, nojento, mas intenso demais para que ela pudesse controlar. Nem o banho quente preparado por Dott, a elfo doméstico de sua família, foi capaz de tirar aquela sensação de sua pele e quando ela saiu, agradeceu por Goyle estar capotado de sono em sua cama. Era perfeito para que pudesse escapulir pela janela, em sua vassoura, com a capa longa preta pesada tendo apenas a companhia de Eris, sua gata, pelo céu de densas nuvens de inverno, bem como aquele vento gélido. Não havia perigo sair daquele jeito pelo bairro, que além de residencial luxuoso, onde as casas eram completamente distantes umas das outras, era um bairro totalmente bruxo e, portanto, ninguém se assustaria vendo uma pessoa sobre uma vassoura.
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- Millicent deixou que aquele ar gélido bombardeasse seu rosto enquanto ela se certificava em manter Eris bem firme na vassoura, mesmo que a gata já estivesse mais do que acostumada a voar com sua dona; mas naquele momento, Bulstrode só precisava ficar o mais longe possível de seu destino, ou o pelo menos aquele que seus pais haviam resolvido traçar para si. Ela se permitiu fechar os olhos por um instante. Era somente ela, Eris e o vento do inverno, quem sabe aquele vento precedesse uma noite de muita neve? Poderia acompanhar os flocos de neve caindo. Ah, ali ela estava sendo livre pela primeira vezes em meses, mas ela precisou acordar de seus devaneios ao ouvir o grunhido de Eris, muito embora não tenha sido o suficiente para que ela conseguisse desviar das árvores do bosque, agarrando Eris e sacando a varinha a tempo de lançar um “Arresto Momentum” para amortecer o impacto com o chão – o que não a impediu de colidir com os galhos da árvore antes, envolvendo Eris com a capa – e assim que sentiu segurança, deixou que a gata fosse para o chão. Era estranho estar ali àquela hora (com certeza já havia passado da uma da madrugada) e quase não dava para enxergar nada diante de si, já que não havia lua no céu devido as nuvens. <span style="color: #A2B5CD;">───── Eris! Mantenha-se perto. ─────</span> Ordenou para a gata que logo já estava em seu encalço. <span style="color: #A2B5CD;">───── Accio vassoura! ─────</span> Millicent sacudiu a varinha na direção dos galhos e após as folhas farfalharem, pode ter um vislumbre da própria vassoura, mas a mesma não parecia nada bem já que sua cauda estava danificada. <span style="color: #A2B5CD;">───── Ótimo. Não vai dar para voltar nela desse jeito. Droga. ─────</span> Resmungou enquanto passava as pontas dos dedos por ela, suspirando no fim. Foi quando ouviu o que poderia ser um galho se partindo sobre as folhas secas que cobriam o bosque durante todo o inverno. Aquilo deixou a bruxa em atenção, empunhando a varinha. <span style="color: #A2B5CD;">───── Lummus. ─────</span> Proferiu e um feixe de luz azulada saiu da ponta da varinha que ela apontava para o meio das árvores. <span style="color: #A2B5CD;">───── Tem alguém aí? ─────</span> Questionou, embora cada fibra de seu corpo praticamente implorasse para que aparatasse, mesmo sem ter a licença para tal; seu coração teimava em acelerar. Certamente não era um animal, caso contrário Eris já teria se eriçado por inteira e, no fim, ela era a mais tranquila com a cauda de um lado para o outro. Bulstrode deu alguns passos na direção do barulho, esmagando também um ou outro galho com o coturno, até que a luz da ponta de sua varinha revelou um emaranhado de cabelos alaranjados vibrantes. <span style="color: #A2B5CD;">───── Bones?! O que está fazendo aqui?! ─────</span> Susan Bones, uma lufana de quem, por mais que Millicent jamais admitisse, acabou se aproximando ao retornarem para Hogwarts no Outono já que os salões comunais eram abaixo do piso principal (Hufflepuff estava logo abaixo do Salão Principal enquanto Slytherin era nas masmorras, basicamente o mesmo caminho por um curto tempo) e depois de todos os horrores da Guerra, bem, algumas atitudes por parte de Millicent haviam mudado um pouco. Até com relação aos que não eram de seu círculo comum de amigos.
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