TishPereira

[TURNO] Olívia Wayne

Mar 28th, 2016
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  1. <br><center><tbody><tr><table style="font-family:Verdana;width:700px;"><div style="font-family:'Verdana'; letter-spacing: 0px; line-height:12px; color: #000000; width: 650px; font-size:13px;"><div style="text-align:justify;"><center>· <span style="font-size:11px; color:#8b008b;">You're troublemaker,<br>You ain't nothing but a troublemaker girl</span> ·</center><Br><br>ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ<font color="#c6c6c6">■</font> <font color="#9c9c9c">■</font> <font color="#8b008b">■ㅤㅤㅤ<b><i>N</b></i>o princípio eu não havia feito aquilo de propósito</font>, apenas estava cansada de ser saco de pancadas da Catherina Willyard. Não que eu sempre apanhasse dela, mas ela gostava de esfregar na minha cara que todo final de semana os pais dela a visitavam no Colégio Católico de Starcity. Meus pais raramente iam, na verdade, se fossem por dois meses seguidos eu já estava no lucro, porque minha mãe ia uma vez a cada quatro meses e meu pai, quando sobrava tempo, passava por lá. Quem mais ia ao colégio mesmo era o Alfred, o mordomo dos Wayne. Ele era o melhor mordomo do mundo, não só por sempre levar roupas novas, alimentos diferentes e que definitivamente nem deveriam passar pelos portões do colégio, como era um amigo incrível. Alfred já havia me dado algumas broncas por alguns comportamentos inadequados. Acho que o escutava mais do que escutava meu próprio pai, mas eu não era a única já que Dylan fazia o mesmo. Para ser bem sincera, escutávamos mais ao Alfred do que nossos pais porque foi ele quem nos criou praticamente. Moramos sempre com nosso pai, visitando mamãe apenas aos finais de semana sob a desculpa de o papai ter mais condições de cuidar de nós do que ela, mesmo que ela fosse dona de uma joalheria, mas passamos boa parte do tempo com o Alfred cuidando, alimentando e até ensinando algumas coisas como esgrima e alemão. Quando fui enviada ao colégio interno, Alfred se preocupou sempre em me visitar aos fins de semana para trazer algumas coisas e notícias. Mas isso não vem ao caso no momento, porque eu estava sentada do lado de fora da sala da Madre Henrieta, coordenadora pedagógica do colégio, enquanto ela conversava com Catherina que com certeza estava fazendo o maior drama da vida dela. Ela era uma garota do último ano que desde seu ingresso no colégio, dois anos depois de mim, resolveu que implicaria comigo a toda prova. Os únicos momentos em que eu conseguia me ver livre dela eram durante as aulas de hipismo, ginástica e balé – acredite ou não, eu fazia balé. Durante anos aguentei Willyard com suas piadas e provocações, mas eu já estava de saco cheio e nos últimos meses havia começado a dar a resposta. Primeiro numa aula de educação física na qual o professor nos havia colocado para aprender esgrima e, bem, eu já sabia e ela também. Acabamos travando um duelo furioso no qual ela parou no lago dos patos e eu toda enlameada. Frei Joseph chamou meus pais para conversar e, bem, foi até tranquilo porque minha mãe amenizou para o meu lado. Depois, fui pega socando ela embaixo da arquibancada do campo de baseball e, novamente, meus pais foram convidados a conversar com o diretor do colégio. Nas duas vezes seguintes apenas tive que conversar com a Madre, só que desta vez a coisa tinha sido bem pior. Quando Catherine resolveu me provocar no intervalo entre as aulas de ginástica e francês, no pátio, eu estava realmente irritada com o fato de inúmeras provas prestes a acontecer, meus pais havia sumido desde a última convocação e eu estava a ponto de explodir alguma coisa naquele lugar que mais parecia uma prisão luxuosa. Então, quando Catherina veio com a conversa de “esquisita” e “princesinha dos vampiros” eu até tentei conversar, mas com gente burra é difícil manter um diálogo civilizado e foi até que a briga começou. Eu dei um tapa no rosto dela que deixou a marca dos meus cinco dedos da mão direita na bochecha de bulldog dela, o que a deu motivo para me atacar como um animal raivoso. O problema é que ela pode até ser grande e mais velha, mas eu tenho técnicas de artes marciais graças a academia do colégio que oferece técnicas de autodefesa e, bem, acabei arrancando sangue do nariz da garota e, por vingança, esfreguei o rosto dela no cascalho da entrada do colégio. Se isso agradou alguém? Ninguém! Frei Joseph e Madre Henrieta imediatamente surgiram com os rostos parecendo pimentões vermelhos acreditando que a vítima de tudo era Willyard, que era uma ótima atriz. Então, era por isso que eu estava fazendo companhia para o vaso de plantas do lado de fora da sala, largada no sofá azul-marinho sem me importar com nada, muito menos com a saia do uniforme. Quando Willyard saiu da sala com o rosto vermelho e inchado, a Madre praticamente me fuzilou com o olhar e eu tenho certeza de que aquilo era pecado. <font color="#cfb53d">– Senhorita Wayne. Entre.</font> – Ordenou Madre Henrieta e eu simplesmente a obedeci, entrando em passos lentos e arrastados. A sala tinha cheiro de incenso, café e melaço. Era enjoativo. Havia três cadeiras a frente da mesa da mulher e aquilo não era o habitual. Ela sentou-se atrás da mesa unindo as mãos sobre um arquivo à sua frente e não ousava olhar em minha direção. <font color="#cfb53d">– A senhorita foi longe demais. Um comportamento inadmissível para uma jovem do terceiro ano. Seus pais foram chamados, mas infelizmente apenas o Senhor Wayne poderá comparecer.</font> – Por um instante fiquei feliz, afinal, Gotham não era ao lado de Starcity para que meu pai chegasse em poucas horas, mas o sorriso nos lábios da catedrática me fez ter certo medo. <font color="#cfb53d">– E ele informou-me que chegará em breves minutos.</font> – A madre parecia se deleitar com aquela informação. Pior de tudo era ter que ficar olhando para a cara pálida e rósea da mulher enquanto esperava a chegada do meu pai que, no fim das contas, não demorou tanto quanto eu imaginei. Odiava quando ele resolvia usar o jato dele. Pude ouvir a porta sendo aberta e a voz da madre cumprimentando meu pai, o que me fez abaixar a cabeça e jogá-la para trás, tentando evitar cruzar o meu olhar com o do meu pai, que provavelmente estaria uma fera comigo. Mas confesso que era uma tentação olhar para ele naquele momento, só que acabei encontrando Alfred em sua serenidade e desgosto ao mesmo tempo. Droga! Alfred não. Então, me larguei na cadeira, mas não demorou nada para sentir um leve cutucão – discreto por sinal – em meu braço e então me ajeitei, apoiando a cabeça na mão direita. <font color="#cfb53d">– Seria um prazer receber o senhor, senhor Wayne, se as circunstâncias não fossem desagradáveis.</font> – Iniciou a Madre, desviando o olhar para mim com frieza. <font color="#cfb53d">– Nos últimos meses a senhorita Wayne tem se demonstrado uma garota petulante, violenta e desordeira. Além das vezes em que solicitei a presença do senhor e de sua esposa, sua filha causou a maior baderna além de iniciar um pequeno incêndio no banheiro feminino do terceiro andar.</font> – Na pausa da fala da madre tive vontade de retrucar, mas ela notou e me impediu. <font color="#cfb53d">– Senhor Wayne, este colégio segue regras rígidas e atitudes rebeldes de uma adolescente de dezessete anos não serão admitidas. Sua filha não atende aos requisitos do colégio desde que colocou os pés aqui. Gatuna, noturna, desobediente, quebra mais regras do que consegue manter boas notas em química. Por isso, convido o senhor a retirar sua filha do colégio. Enquanto ela faz questão de não querer permanecer aqui, há uma lista de quarenta meninas ansiosas por uma vaga no terceiro ano.</font> – Mantive a mesma expressão de tédio. <font color="#cfb53d">– Senhorita Wayne, aguarde do lado de fora. Conversarei a sós com o seu pai.</font> – Bufei um pouco e me levantei sem olhar direito para o meu pai, enquanto Alfred abria a porta da sala e me acompanhava para fora. Sentei no banco ao lado da porta com Alfred do meu lado; ele sentava tão ereto que eu tinha até inveja já que ele nunca teria problemas de coluna. E olha que ele é velho. <font color="#9c9c9c">– Posso perguntar uma coisa, Olívia?</font> – Olhei para Alfred como quem diz “vai em frente”. <font color="#9c9c9c">– Por que você fez todas essas coisas?</font> – Me mantive calada. <font color="#9c9c9c">– Isso que você se tornou, não se parece em nada com a garotinha curiosa de nove anos atrás. Há alguns anos, um garotinho que conheci tentou provar ao mundo que poderia livrar uma cidade do mal, embora eu achasse que era para chamar a atenção. Mas você não tem nenhum mal para combater. Ou tem?</font> – Alfred Pennyworth era o cara mais sagaz de toda a face da Terra e o máximo que pude fazer foi abaixar a cabeça. Nem eu mesma sabia por que havia feito tudo aquilo. Antes que mais coisas martelassem em minha cabeça, a madre abriu a porta e mandou que eu fosse arrumar minhas malas, pois iria para casa.
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  3. <br><br>ㅤㅤㅤㅤㅤ<b><u><font color="#8b008b">N</font></u></b>ão foi nada difícil arrumar minhas coisas e a sensação me livrar do inferno que era estudar e morar ali. Aquilo não era para mim e nunca foi. Depois de juntar todas as minhas coisas, desci para o hall de entrada com as malas e me despedi da única professora que eu realmente gostava. A Senhora Bucket era a professora de ginástica e a única que parecia gostar de mim, e eu gostava dela no fim das contas. <font color="#8b0000">– Não deixe seu talento de lado na nova escola, Wayne. Você tem a agilidade de um gato e isso te levará longe. Quem sabe não te vejo pela TV ganhando o campeonato de ginástica artística?</font> – Ela me deu um abraço e demorou alguns minutos, até que Alfred surgiu para pegar minhas malas, levando-as para o porta-malas. Quando soltei a professora, dando-lhe as costas, Alfred abriu a porta do carro e foi a hora de encarar meu pai. Era engraçado como meu pai era sempre elegante até mesmo naqueles momentos em que eu parecia decepcioná-lo tanto, mas eu já estava mais do que acostumada com aquilo. Sempre decepcionava meu pai e, até que eu gostava da adrenalina de levar uma bronca do velho morcego. Fiquei ali, encarando meu pai enquanto Alfred começava a dirigir, e eu sabia que meu odiava aquela petulância.<center><br><div style="width:100%;background-color:#871F78;"><div style="padding:1px;font-family:TAHOMA;font-size:5px;color:#871F78;letter-spacing:6px;text-align:CENTER;line-height:25%;text-transform:UPPercase;">.</div></div><font color="#8b008b"><b>♢ ♢ ♢</b></font><div style="width:100%;background-color:#871F78;"><div style="padding:1px;font-family:TAHOMA;font-size:5px;color:#871F78;letter-spacing:6px;text-align:CENTER;line-height:25%;text-transform:UPPercase;">.</div></div>
  4. </div></div></table></tr></tbody><br><br>
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