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- Sentei aos pés da cama de minha mãe e tentei mostrar uma tese sobre a depressão
- O primeiro texto que fiz para ela contava como eu me deslocava pela escola e logo após o sinal sentava atordoada no banco, me perguntava se me sentir daquele jeito era normal para minha idade
- Novamente sentei aos pés da cama de minha mãe e tentei mostrar o parágrafo de um livro de psicologia
- Eu tinha 10 anos e escrevia como me sentia, escrevi que eu era um pássaro tentando voar pela primeira vez mas cai e quebra as asas, ela não entendeu
- Ela ainda não entende
- Eu queimei as folhas do meu diário e prometi a mim mesma que toda a minha dor cotidiana ficaria somente na minha cabeça
- Eu tinha 13 anos e me machuquei de propósito, queria ver a ferida exposta da dor que eu sentia
- Eu sentei aos pés da cama de minha mãe e dei o nome dela a uma das minha borboletas<br>
- Ela sorriu
- Porque ela não entende?
- Eu tinha 14 anos e queria acreditar que amar o menino desconhecido de olhos verdes faria a dor parar
- Eu ainda tinha 14 anos quando partiram meu coração
- E todo meu corpo frágil ficou a mostra, e jurei a mim mesma que nunca mais deixaria aquilo acontecer
- Novamente sentei aos pés da cama de minha mãe e me recusei usar qualquer carapaça, deitei ao lado dela e chorei sobre seus braços, sentir ela perto foi reconfortante
- Eu tinha 15 anos e me sentia como um refugiado voltando a sua pátria e encarei meus destroços pós-guerra, meu peito vazio com as costelas trincadas
- Olhei para as pequenas casas em construção,
- Eu poderia ser um lugar novo afinal?
- Eu tinha 16 anos e novamente me machuquei e as borboletas viraram fantasmas pairando sobre mim e o som que faziam era ensurdecedor, era a culpa
- Novamente sentei aos pés da cama de minha mãe, como conserto algo que nasceu com o risco eminente?
- Eu farei 17 anos
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