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- Eu tranquei a porta. Apaguei as luzes. E subi as escadas. Acendi a luz do quarto. Estendi as cobertas e me ajeitei no canto direito da cama. Observei o celular a última vez antes de fechar os olhos quando vi uma mensagem reacender a tela. Era você. Querendo saber como eu estava. Você sempre soube sem nem ao mesmo perguntar. Mas perguntou. Como quem não quer nada, sempre querendo tudo. E pediu para vir me encontrar. Era final de domingo e eu não tinha nada além da minha própria companhia. Eu aceitei. E você veio. Trouxe você e seu violão. Sentou no sofá e começou a tocar a lista de musicas que só nós entendemos e talvez eu nunca mais consiga escutar outra vez. E você falou. Falou por pouco mais de uma hora sobre nós dois. Sobre o que éramos. Sobre o que somos. E agora- mais do que nunca- sobre o que nunca mais seremos. E eu escutei. Como quem escuta um velho disco repetindo as mesmas frases, mas sempre nos fazendo sentir algo diferente. Então eu me levanto pra pensar. E você fica. Fica para um filme. Fica para pedir a pizza. Fica com a intenção de dividir a vida. Intenção: aquilo que se pretende fazer. E não aquilo que é. E não foi. A noite virou. Você ficou. E eu acreditei. Mais uma vez. E então as horas passaram e você também. Como o segundo que nunca volta, você quase nunca é o mesmo. Quem você é fica pra trás. Quem eu sou, vai junto com você. E você parte. E me parte. Não sobrando nada por aqui. Nem a comida que pediu. Nem a música que escreveu. Nem mesmo eu. E já não me surpreendo por não conseguir encerrar esse texto. Eu nem sequer aprendi encerrar você.
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