Kustapassaessa

Citações Stalin 1

May 25th, 2020 (edited)
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  1. Stalin - Como a Social-Democracia Considera a Questão Nacional?
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  3. Mas que vêm a ser o " espírito nacional e suas características"? A ciência, por meio do materialismo dialético, demonstrou há muito tempo que não existe nem pode existir nenhum "espírito nacional". Alguém já terá, por acaso, refutado essa tese do materialismo dialético? A história nos diz que ninguém fêz essa refutação. Por conseguinte, devemos concordar com o citado parecer da ciência, devemos repetir com a ciência que não existe e nem pode existir nenhum "espírito nacional". Assim sendo, se não existe nenhum "espírito nacional", é evidente que toda defesa daquilo que não existe é uma estupidez lógica, que inevitavelmente arrasta atrás de si as correspondentes conseqüências históricas (indesejáveis). Falar dessas tolices "filosóficas" condiz só, talvez, com o Sakartvelo, "órgão do Partido Revolucionário dos Social-Federalistas Georgianos" (Vide Sakartvelo, n.° 9)(7).
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  6. Carta de Kutais
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  8. Portanto, se Plekhánov tivesse apresentado de modo tão claro tais questões, que, pela sua simplicidade e seu caráter tautológico encerram em si mesmas a própria solução, talvez se assustasse com seu propósito e não tivesse atacado Lênin tão ruidosamente. E, por não ter feito isso e ter embaralhado as questões com frases sobre "os heróis e a multidão", desviou-se para o oportunismo tático. Confundir as questões é o traço característico dos oportunistas.
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  12. Stalin - Algumas Palavras Sobre as Divergências no Partido
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  14. Que faziam os "social-democratas" de então (os chamados "economistas")'? Queimavam incenso ao movimento, espontâneo, e sustentavam com desenvoltura que a consciência socialista, não é assim tão necessária ao movimento operário; que este atingirá com sucesso sua meta mesmo sem essa consciência, que a essência da questão está no próprio movimento. O movimento é tudo; a consciência é ninharia. O movimento sem o socialismo, eis para que tendiam eles.
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  17. Era necessário exprimir publicamente o pensamento de que o movimento operário espontâneo, sem o socialismo, é um tatear no escuro; que, mesmo podendo, às vezes, conduzir ao objetivo, ninguém sabe quando o alcançará, e ao preço de que sofrimentos; que a consciência socialista, por conseguinte, tem uma importância enorme para o movimento operário.
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  20. Assim, o movimento operário espontâneo, o movimento operário sem o socialismo, inevitavelmente se empobrece e adquire um caráter tradeunionista, submetendo-se à ideologia burguesa. Daí se pode deduzir que o socialismo é tudo e o movimento operário nada? Não, por certo! Assim falam somente os idealistas. Um dia, dentro de muito, muito tempo, o desenvolvimento econômico levará inevitavelmente a classe operária à revolução social e por conseguinte a obrigará a romper todos os laços com a ideologia burguesa. O que acontece, porém, é que e esse caminho será muito longo e penoso.
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  23. O socialismo utópico desse gênero freqüentemente adquire — continua Kautsky — um caráter anárquico, mas, "como é sabido... onde quer que o movimento anarquista (subentende-se o utopismo proletário. C. Kautsky) tenha penetrado efetivamente nas massas e se tenha tornado classista, cedo ou tarde, apesar de seu radicalismo aparente, sempre acabou por transformar-se no mais restrito movimento puramente sindical."
  24.  
  25. Em outros termos, se o movimento operário não se une ao socialismo científico, inevitavelmente se torna mesquinho, adquire um caráter "estreitamente sindical" e, por conseguinte, submete-se à ideologia tradeunionista.
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  27. "Esta é uma subestimação dos operários, uma exaltação dos intelectuais!" — exclamam o nosso "crítico" e o seu Sotzial-Demokrat... Pobre "crítico", infeliz Sotzial-Demokrat.... Julgam que o proletariado seja uma senhorita caprichosa, a quem não se deve dizer a verdade, à qual é necessário fazer eternamente elogios, a fim de que não fuja! Não, egrégios senhores! Estamos certos de que o proletariado mostrará mais firmeza do que acreditais. Estamos certos de que ele não terá medo da verdade! Mas vós... Que dizer, quanto a vós? Apenas isto: também agora tivestes medo da verdade e em vosso artigo não destes ao conhecimento do leitor o verdadeiro pensamento de Kautsky...
  28.  
  29. O socialismo científico sem o movimento operário é, portanto, uma frase vazia, sempre fácil de dissipar-se ao vento.
  30.  
  31. Por outro lado, o movimento operário sem o socialismo é um andar às cegas tradeunionista que, cedo ou tarde, é certo, levará à revolução social, mas ao preço de longos sofrimentos e dores.
  32.  
  33. Qual a conclusão?
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  35. "O movimento operário deve unir-se ao socialismo"; "a social-democracia é a união do movimento operário com o socialismo".
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  37. Assim diz Kautsky. teórico do marxismo.
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  39.  
  40. Os redatores em greve ofenderam-se, sentiram-se em posição incômoda — na realidade, acontecera que tinham começado a luta para reaver os postos — atraíram para seu lado Plekhánov(42) e começaram sua heróica empresa. Era-lhes necessário descobrir qualquer divergência maior entre a "maioria" e a "minoria" e demonstrar com isso que não lutam por lugares. Procura daqui, procura dali, e encontraram uma passagem de Lênin, em torno da qual é efetivamente possível fazer chicana se ela for tirada do texto e interpretada isoladamente. Idéia feliz — pensaram os chefes da "minoria" — Lênin é o dirigente da "maioria", difamaremos Lênin e assim faremos com que o Partido penda para o nosso lado. Desse modo começaram as declamações ocas de Plekhánov, segundo as quais "Lênin e seus partidários não são marxistas". Na verdade, defendiam ontem ainda esse mesmo pensamento do livro de Lênin, contra o qual arremetem hoje, mas — que fazer? — o oportunista chama-se oportunista justamente porque não tem o mínimo respeito aos princípios. Eis por que eles se sujam de lama; eis onde se esconde a origem da falsidade.
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  42.  
  43. O fato é que esses chefes singulares trazem no bolso certo número de "princípios" e os tiram para fora quando deles precisam. Como se diz em russo, eles são desses que têm sete sextas-feiras na semana!
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  46. Então, por que em algumas cidades os operários estão de nosso lado? — perguntam-nos os mencheviques.
  47.  
  48. Sim, é verdade, em algumas cidades os operários estão ao lado da "minoria", mas isso não demonstra coisa alguma. Os operários, em algumas cidades, também seguem os revisionistas (oportunistas da Alemanha), mas isso ainda não significa que a posição destes últimos seja proletária, isso ainda não significa que eles não sejam oportunistas. Certa vez também um corvo encontrou uma rosa, mas isso ainda não quer dizer que o corvo seja um rouxinol. Não é à-toa que se costuma dizer: Quando o corvo acha uma rosa já se julga um rouxinol.
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  50.  
  51. Para falar a verdade, os nossos marxistas de fancaria gritam muitas vezes que são contra a "psicologia dos intelectuais"^ tentam finalmente culpar a "maioria" de "instabilidade própria de intelectuais", mas isso faz lembrar o caso do ladrão, que depois de ter roubado o dinheiro, começou a gritar: "Pega ladrão"!
  52.  
  53. Ademais, é coisa sabida: A língua bate onde o dente dói.
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  55.  
  56. Se na França a burguesia, estando à frente da revolução, colheu seus frutos, deverá ela colhê-los também na Rússia, embora o chefe da revolução aqui seja o proletariado? Sim, dizem os nossos mencheviques, o que aconteceu lá, na França, deve acontecer também aqui, na Rússia. Estes senhores, como fabricantes de caixões funerários, medem o que de há muito está morto e querem aplicar essa mesma medida aos vivos.
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  59.  
  60. Stálin - Resposta ao "Sozial Demokrat"!
  61.  
  62. Em verdade, no primeiro número do Sozial-Demokrat nosso crítico fez declarações bastante ousadas; falava então, claramente, na linguagem dos "economistas". Mas que fazer? Naquele momento ele era orientado de um modo, agora é de "outro", e em vez de criticar, deixa as questões de lado, talvez por estar convencido de seu erro; mas não se decide a reconhecê-lo abertamente. Nosso autor, em geral, fica entre dois fogos. Não sabe com quem marchar. Se marchar com os "economistas", deverá então romper com Kautsky e com o marxismo, o que não lhe convém; se romper com o economismo e marchar com Kautsky, deverá, então, inevitavelmente, subscrever aquilo que diz a "maioria", mas falta-lhe coragem para isso. Assim, continua entre dois fogos. Que resta ao nosso "crítico"? Aqui é melhor calar, decide ele, e de modo realmente vil deixa de parte a questão acima referida.
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  64.  
  65. Deixo de lado as pequenas mentiras com que, além dessas, o autor encheu fartamente o seu folheto. Deve-se reconhecer, entretanto, que, apesar de tudo, o autor disse uma única verdade. Ele nos disse que "quando qualquer organização começa a se ocupar de mexericos, seus dias estão contados."
  66.  
  67. Como se vê, é uma pura verdade. A questão é apenas apurar quem faz esses mexericos: o Sozial-Demokrat, com seu estranho paladino, ou o Comitê da União? O leitor decidirá.
  68.  
  69. Uma questão ainda, e com ela concluiremos. Tomando ares de importância, o autor afirma:
  70.  
  71. "O Comitê da União censura-nos por termos repetido a opinião de Plekanov. Consideramos uma honra repetir Plekanov, Kautsky e outros marxistas tão afamados" (pg. 15).
  72.  
  73. Assim, considerais uma honra repetir Plekanov e Kautsky. Muito bem, senhores; escutai, então: Kautsky diz que "a consciência socialista é um elemento introduzido na luta de classe do proletariado de fora e não uma coisa que nele surja espontaneamente" (Vide a citação de Kautsky em Que Fazer?, pg. 48).
  74.  
  75. O próprio Kautsky diz que "cumpre à social-democracia levar ao proletariado a consciência de sua situação e de sua missão" (Idem).
  76.  
  77. Esperemos que o senhor crítico repita sempre as palavras de Kautsky, dissipando nossas dúvidas.
  78.  
  79. Passemos a Plekanov. Diz Plekanov:
  80.  
  81. "...Não compreendendo, em suma, porque consideram que o projeto de Lênin(9), uma vez aprovado, fecharia as portas de nosso Partido a muitos operários. Os operários que desejam entrar no Partido não terão medo de entrar na organização. A disciplina não os assusta. Muitos intelectuais é que terão medo de entrar, imbuídos até à medula de individualismo burguês. Mas isto constitui um benefício. Esses individualistas burgueses são também, habitualmente, os representantes de toda sorte de oportunismo. Devemos afastá-los de nós. O projeto de Lênin pode servir de barreira à invasão do Partido por esses oportunistas, e ainda que só por isso, devem votar pelo projeto todos os adversários do oportunismo" (Vide Atas, pg. 246).
  82.  
  83. Esperamos que vós, senhor «critico», arrancareis a máscara, repetindo, com retidão proletária, essas palavras de Plekanov.
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  85. Se não o fizerdes, isso significará que vossas declarações na imprensa são levianas e irresponsáveis.
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  89. Stalin - A Todos os Operários
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  91. O proletariado não pedirá ao governo pequenas concessões, não lhe pedirá o fim do "estado de sítio" e das "execuções" em algumas cidades e aldeias; o proletariado não se rebaixará a tais mesquinharias. Quem pede concessões ao governo não crê na morte do governo, e o proletariado vive dessa fé. Quem espera "favores" do governo 'não crê na força da revolução, e o proletariado vive dessa fé. Não! O proletariado não gastará suas energias em reivindicações insensatas. Ele só tem uma reivindicação a respeito da autocracia tzarista: abaixo a autocracia, morte à autocracia!
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  94. Mas permanece o fato de que o povo não pode contar com a promessa do tzar; deve contar apenas consigo mesmo, e deve confiar apenas em suas próprias forças; a libertação do povo deve ser realizada pelas mãos do próprio povo. Somente sobre os cadáveres dos opressores é que se poderá erigir a liberdade do povo, somente com o sangue dos opressores é que se poderá adubar o terreno para a soberania do povo! Só quando o povo armado atacar, tendo à frente o proletariado, levantando a bandeira da insurreição geral, só então poderá ser derrubado o governo tzarista, que se apóia nas baionetas. Nada de frases vazias, nada de um imenso "auto-armamento", mas o armamento efetivo e a insurreição armada; eis para onde se dirigem hoje os proletários de toda a Rússia.
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  99. Stalin - "Do Partido"
  100. A denominada “construção de deus”, como corrente literária e, de um modo geral, como portadora de elementos religiosos ao socialismo, é o resultado de uma interpretação não científica das princípios do marxismo, e por isso prejudicial ao proletariado. O Comitê de Baku sublinha que 0 marxismo formou-se e elaborou-se como uma concepção científica do mundo não graças à união com elementos religiosos, mas em consequência de uma luta implacável contra estes elementos.
  101.  
  102. Ódio e desprezo a todos os que não trilham o caminho do proletariado; eles estão traindo vilmente a revolução! Infâmia àqueles que trilharam de fato esse caminho, mas em palavras se exprimem de modo diferente: esses pusilânimes temem a verdade!
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  106. Stalin - Cidadãos!
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  108. A insurreição armada de todo o povo, eis a conclusão fatal a que conduz com inelutabilidade histórica todo o conjunto dos acontecimentos desenrolados na vida social e política do nosso país nestes últimos tempos! A insurreição armada de todo o povo, eis a grande tarefa que se apresenta hoje perante o proletariado da Rússia e imperiosamente exige solução!
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  110. Cidadãos! Para a eliminação de um punhado de aristocratas das finanças e da terra, é do vosso interesse unir-vos ao grito de incitamento do proletariado, e, juntamente com ele, apressar essa insurreição salvadora de todo o povo.
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  112. A criminosa autocracia tzarista conduziu nosso país à beira do abismo. A ruína de uma massa de cem milhões de camponeses da Rússia, a condição de opressão e de miséria da classe operária, as enormes dívidas estatais e os pesados impostos, a população inteira privada de direitos, os infinitos arbítrios e a violência que reinam em todas as esferas da vida, finalmente, a absoluta precariedade da vida e dos bens dos cidadãos: eis o quadro terrível que a Rússia hoje nos oferece! Não é possível continuar assim por muito tempo! A autocracia, que criou todos esses horrores tenebrosos, deve ser destruída! E será destruída! A autocracia está consciente disso e quanto mais consciente vai ficando, mais tenebrosos se tornam esses horrores, mais pavorosa se faz a dança infernal que ela organiza em torno de si. Além das centenas e dos milhares de pacíficos cidadãos que ela assassinou nas ruas da cidade, além das dezenas de milhares de operários e de intelectuais – os melhores filhos do povo – que definham nos cárceres e na deportação, além dos assassinatos e das contínuas violências que os esbirros do tzar cometem nos campos, entre os camponeses, em toda a extensão da Rússia, a autocracia inventou por fim novos horrores. Começou a. semear a inimizade e o ódio o próprio povo e a lançar umas contra as outras camadas inteiras do povo e nacionalidades inteiras. Armou e açulou arruaceiros russos contra os operários e os intelectuais russos, as massas obscurantistas e esfomeadas dos russos e dos moldávios na Bessarábia contra os judeus e, finalmente, a massa ignorante e fanática dos tártaros contra os armênios. Servindo-se dos tártaros, destruiu um centro revolucionário da Rússia, o centro mais revolucionário do Cáucaso, Baku, e conservou longe da revolução toda a província armênia. Transformou todo o Cáucaso, com seus habitantes de origens diversas, num campo de batalha, onde a população espera ataques a cada instante, não só por parte da autocracia., mas ainda por parte dos habitantes vizinhos, vítimas infelizes da autocracia. Continuar assim não é mais possível! E só a revolução é que pode dar fim a isso!
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  116. Stalin - Tíflis
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  118. O tzar e o povo, a autocracia do tzar e a soberania do povo são dois princípios hostis, diametralmente opostos. A derrota de um e a vitória do outro só podem ser conseqüência de um conflito decisivo entre um e outro, de uma luta desesperada, de uma luta de morte. Ainda não houve essa luta. Ela ainda está para vir. E o poderoso titã da revolução russa, o proletariado de toda a Rússia, prepara-se para ela com todas as suas forças, com todos os seus meios.
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  122. Stalin - Dois Choques
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  124. É nossa tarefa multiplicar os destacamentos vermelhos, instruí-los e ligá-los intimamente uns aos outros, é nossa tarefa conseguir armas com armas, estudar a localização dos organismos centrais, calcular as forças do inimigo, estudar os seus lados débeis e os fortes, elaborar de acordo com isso o plano da insurreição. É nossa tarefa realizar uma agitação sistemática no sentido da insurreição no exército e no campo, particularmente nas aldeias situadas nas imediações das cidades, armar os elementos seguros dessas aldeias, etc, etc....
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  128. Stalin - Sobre a Questão Agrária
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  130. Certamente, depois que o capitalismo estiver bastante reforçado no campo, então a repartição das terras tornar-se-á uma medida reacionária, porque será dirigida contra o desenvolvimento do capitalismo, mas então a social-democracia também não a apoiará. Atualmente a social-democracia defende com ardor a reivindicação da república democrática, como medida revolucionária, mas depois, quando a questão da ditadura do proletariado se apresentar praticamente, a república democrática já será reacionária e a social-democracia esforçar-se-á para derrubá-la. O mesmo deve dizer-se sobre a repartição das terras. A repartição das terras e a economia pequeno-burguesa em geral são revolucionárias quando se dirige a luta contra os restos do feudalismo, mas a mesma repartição das terras é reacionária quando é dirigida contra o desenvolvimento do capitalismo. Este é o ponto de vista dialético sobre a evolução social. De modo idêntico Carlos Marx considera dialeticamente a economia agrícola pequeno-burguesa quando no terceiro volume do O Capital a chama de progressista em confronto com a economia, feudal.
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  133. Bem, responderá o companheiro, suponhamos que a repartição das terras seja revolucionária. É evidente que nós nos esforçaremos para apoiar este movimento revolucionário, mas isto não significa em absoluto que devamos introduzir em nosso programa as reivindicações deste movimento; para tais reivindicações não há lugar no programa, etc. Evidentemente o autor confunde o programa mínimo e o programa máximo. Ele sabe que no programa socialista (isto é, no programa máximo) devem existir somente as reivindicações proletárias, mas esquece que o programa democrático (isto é, o programa mínimo), e com maior razão o programa agrário, não é socialista, e, consequentemente, neste figurarão sem reservas as reivindicações democrático-burguesas, que apoiamos. A liberdade política é uma reivindicação burguesa, e não obstante ocupa o lugar de honra em nosso programa mínimo. Mas por que ir tão longe? Examinai o segundo artigo do programa agrário e lede: o Partido exige "... a supressão de todas as leis que limitam o direito de o camponês dispor da sua terra"; lede tudo isso e respondei: que há de socialista neste artigo? Nada, direis, porque este artigo pede a liberdade da propriedade burguesa e não a sua destruição. Apesar disso este artigo figura em nosso programa mínimo. Portanto, de que se trata? Somente do fato de que programa máximo e programa mínimo baseiam-se em dois conceitos distintos, que não devem ser confundidos. É verdade que os anarquistas não ficarão satisfeitos, mas que fazer? Nós não somos anarquistas!...
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  137. Stalin - O Momento Atual e o Congresso de Unificação do Partido Operário
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  139. Os débeis já tomam habitualmente o caminho da conciliação, mas se ainda por cima não têm orientação revolucionária, precipitam-se mais rapidamente no sentido da conciliação.
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  143. Stalin - Prefácio à edição georgiana do Folheto de C. Kautsky - As Forças Motrizes e as Perspectivas da Revolução Russa
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  145. A primeira questão que cinde em duas partes a social-democracia russa diz respeito ao caráter geral da nossa revolução. Que a nossa revolução é democrático-burguesa e não socialista, que acabará destruindo o feudalismo e não o capitalismo, é coisa clara para todos. Mas, perguntam-nos, quem dirigirá essa revolução e quem agrupará em torno de si os elementos descontentes do povo: a burguesia ou o proletariado? O proletariado marchará a reboque da burguesia, como sucedeu na França, ou será a burguesia a seguir o proletariado? Eis como se coloca a questão.
  146.  
  147. Os mencheviques dizem pela boca de Martínov que a nossa revolução é burguesa, que é a repetição da Revolução francesa, e como a Revolução francesa, na qualidade de revolução burguesa, foi dirigida pela burguesia, assim também a nossa revolução deve ser dirigida pela burguesia.
  148.  
  149. “A hegemonia do proletariado é uma utopia danosa...” “O proletariado deve seguir a oposição burguesa mais radical” (vide Duas ditaduras, de Martínov).
  150.  
  151. Os bolcheviques, ao invés, dizem: é verdade que a nossa revolução é burguesa, mas isso não significa absolutamente que ela seja uma repetição da Revolução francesa, que deva necessariamente ser dirigida pela burguesia, como aconteceu na França. Na França, o proletariado era uma força pouco consciente e desorganizada, de modo que a hegemonia na revolução permaneceu com a burguesia. Entre nós, pelo contrário, o proletariado é uma força incomparavelmente mais consciente e organizada, que não se contenta por isso com a função de apêndice da burguesia, e, uma vez que é a classe mais revolucionária, põe-se à frente do movimento atual. A hegemonia do proletariado não é uma utopia, é um fato real: o proletariado, de fato, agrupa em torno de si os elementos descontentes. Aconselhar o proletariado a “seguir a oposição burguesa” significa, no caso do proletariado da Rússia, privá-lo de sua independência e transformá-lo num instrumento da burguesia (vide Duas táticas, de Lênin)(2).
  152.  
  153.  
  154.  
  155. Stalin - Anarquismo ou Socialismo
  156.  
  157. A ditadura socialista do proletariado, a conquista do poder pelo proletariado — eis por onde deve começar a revolução socialista.
  158.  
  159. E isto quer dizer que, enquanto a burguesia não esteja completamente vencida, enquanto não lhe seja confiscada a riqueza, o proletariado deve indefectivelmente ter à sua disposição uma força militar, deve indefectivelmente dispor de sua própria "guarda proletária", com a ajuda da qual desbarate ataques contra-revolucionários da burguesia agonizante, exatamente como o fez o proletariado de Paris durante a Comuna.
  160.  
  161. A ditadura socialista do proletariado é imprescindível, para que com sua ajuda o proletariado possa expropriar a burguesia, confiscar de toda a burguesia a terra, as florestas, as fábricas e oficinas, as máquinas, as estradas de ferro etc.
  162.  
  163. A expropriação da burguesia — eis ao que deve conduzir a revolução socialista.
  164.  
  165. Tal é o meio principal e decisivo, graças ao qual o proletariado derrubará o regime capitalista contemporâneo.
  166. ______________________
  167.  
  168. Como se vê, na opinião dos social-democratas, a sociedade socialista é uma sociedade na qual não haverá lugar para o chamado Estado, para o Poder político com seus ministros, governadores, gendarmes, polícias e soldados. A última etapa da existência do Estado será o período da revolução socialista, em que o proletariado conquistará o Poder do Estado e criará seu próprio governo (ditadura) para a destruição definitiva da burguesia. Mas, quando for destruída a burguesia, quando forem destruídas as classes, quando se consolidar o socialismo, não fará falta nenhum poder político, e o chamado Estado será relegado aos domínios da história.
  169.  
  170.  
  171.  
  172.  
  173. Stalin - Os Nossos Palhaços Caucasianos
  174.  
  175. Em vão vos consolais, companheiros amedrontados. De há muito respondemos a essa pergunta: a Duma atual e mais incolor porque o proletariado hoje é mais consciente e coeso que no período da primeira Duma, e isso impele a burguesia liberal para o lado da reação. Tende em mente de uma vez por todas, camaradas liberalóides: quanto mais conscientemente o proletariado luta, tanto mais a burguesia se torna contrarrevolucionária. Esta é a nossa explicação.
  176.  
  177. E como explicais vós, egrégios camaradas, que a segunda Duma seja tão incolor?
  178.  
  179. Vós, por exemplo no n.° 4 do Lakhvari, escreveis que são culpados da debilidade da Duma e da sua ausência de cor “a inconsciência e a desorganização do povo”. A primeira Duma, como vós mesmos dizeis, era mais “audaz”; por conseguinte, o povo estava ainda “consciente e organizado”. A segunda Duma é mais incolor: por conseguinte este ano o povo é menos “consciente e organizado” que no ano passado, por conseguinte a causa da revolução e o desenvolvimento da consciência do povo marcharam para trás! Não é isso que desejais dizer, camaradas? Não é com essa explicação, egrégios camaradas, que desejais justificar a atração que sobre vós exercem os cadetes?
  180.  
  181. Tristes de vós e de vossa confusa “lógica” se pensardes em permanecer palhaços também para o futuro...
  182.  
  183.  
  184.  
  185. Stalin - O Congresso de Londres do Partido Operário Social-Democrata da Rússia
  186. (Apontamentos de um delegado)(1)
  187.  
  188. Seguiram-se as emendas. Foram propostas cerca de oitenta, que se referiam sobretudo a dois pontos do projeto: ao primeiro ponto, o proletariado como cabeça da revolução; e ao outro ponto, os cadetes como força anti- revolucionária. Foi a parte mais interessante dos debates porque nestes revelou-se de maneira particularmente nítida a fisionomia das frações. A primeira emenda importante foi proposta pelo camarada Mártov. Queria ele substituir as palavras: “o proletariado, como cabeça da revolução”, pelas palavras: “o proletariado, como vanguarda”. Fundamentou ele esta sua proposta dizendo que a palavra “vanguarda” exprime com maior precisão a ideia. O camarada Alexinski objetou-lhe que não se tratava de precisão, mas de dois modos de ver opostos, expressos nesse ponto, uma vez que “vanguarda” e “cabeça” são dois conceitos completamente diversos. Ser a vanguarda (destacamento avançado) significa bater-se nas primeiras fileiras, ocupar os pontos mais expostos, derramar o próprio sangue, mas ao mesmo tempo ser dirigido por outros, no caso presente pela burguesia democrática: a vanguarda não dirige nunca a luta geral; é sempre dirigida. Pelo contrário, ser a cabeça significa não só bater-se nas primeiras filas, como também dirigir a luta geral, dirigi-la no sentido do seu próprio objetivo. Nós, bolcheviques, não queremos, que o proletariado seja dirigido por democratas burgueses; queremos que ele mesmo dirija a luta de todo o povo e a dirija no sentido da república democrática.
  189.  
  190. O resultado foi que a emenda de Mártov não passou.
  191.  
  192. Todas as outras emendas do mesmo tipo foram também rejeitadas.
  193. ______________________
  194.  
  195. Em segundo lugar, com essa votação se teve uma estatística mais precisa da distribuição dos delegados operários por fração: resultou que na fração bolchevique havia não 38, mas 77 operários (38 mais 27 poloneses e 12 letões) e na menchevique não 30, mas 39 operários (30 mais 9 membros do Bund). Verificou-se que a fração menchevique é uma fração de intelectuais.
  196. ______________________
  197.  
  198. Enquanto, entre os mencheviques, alguns insistem em que o congresso operário seja convocado imediatamente, outros propõem que se lhe adie a convocação para data indeterminada, limitando-se por ora a promover uma agitação em favor da convocação do próprio congresso.
  199.  
  200. Porém, que fazer do Partido Operário Social-Democrata, que existe e que já faz muitos anos dirige a luta do proletariado, reúne em suas fileiras 150.000 aderentes e já realizou cinco congressos, etc., etc.? “Mandá-lo ao diabo”, ou o que, então?
  201.  
  202. A estas perguntas, todos os mencheviques, desde Axelrod até Lárin, respondem unanimemente que entre nós não existe um partido proletário. “O problema está todo aqui, entre nós não existe o Partido — diziam-nos os mencheviques no Congresso — entre nós existe somente uma organização de intelectuais pequeno-burgueses”, que é preciso substituir por um partido através do congresso operário. Isso declarou ao Congresso do Partido o relator dos mencheviques, o camarada Axelrod.
  203.  
  204. Mas, permiti-me que o indague, como é possível? Então, todos esses congressos do nosso Partido, do primeiro (1898) ao último (1907), em cuja organização os camaradas mencheviques tomaram parte com a maior energia; todo o dispêndio de dinheiro e de energias proletárias, dispêndio necessário para a organização de congressos pelos quais são responsáveis tanto os mencheviques como os bolcheviques, tudo isso então era somente ilusão e farisaísmo?!
  205.  
  206. Todos os apelos à luta que o Partido dirigiu ao proletariado, apelos assinados também pelos mencheviques; todas as greves e as insurreições de 1905-1906-1907, desencadeadas sob a direção do Partido e muitas vezes por iniciativa do Partido; todas as vitórias alcançadas pelo proletariado, guiado pelo nosso Partido; todos os milhares de vítimas proletárias, tombadas nas ruas de Petersburgo, Moscou, etc., deportadas para a Sibéria, arruinadas nas prisões em nome do Partido, sob a bandeira do Partido, tudo isso então não é senão comédia e ilusão?
  207.  
  208. Entre nós, então, não existe o Partido? Entre nós existe somente uma “ organização de intelectuais pequeno- burgueses”?
  209.  
  210. Tratava-se, naturalmente, de uma mentira aberta, de uma mentira revoltante, descarada.
  211.  
  212. Essas na verdade são provavelmente as considerações que podem explicar o ilimitado desdém suscitado entre os delegados operários de Petersburgo e de Moscou pelas supramencionadas declarações de Axelrod. Pondo-se imediatamente de pé, responderam com energia ao relator Axelrod: “Fala por ti, burguês, que andas pelo estrangeiro, e não por nós; somos operários, temos o nosso Partido Social-Democrata e não permitiremos que seja vilipendiado ...
  213.  
  214.  
  215.  
  216. Stalin - Ainda sobre a Conferência com Garantias
  217.  
  218. À declaração dos dachnaktsakani, segundo os quais não deveremos comparecer à conferência porque é uma instituição burguesa, a tal declaração absurda não se pode em absoluto prestar atenção, uma vez que a vida social atual é também uma “instituição” burguesa; as fábricas, as oficinas, os poços, não são talvez todas essas “instituições” organizadas “à imagem e semelhança” da burguesia, para vantagem da burguesia? Boicotaremos talvez tudo isso, somente porque é burguês? Onde deveremos estabelecer-nos então em tal caso, nos planetas Marte, Júpiter ou talvez nos castelos no ar dos dachnáki e dos social-revolucionários?...
  219.  
  220. Não, camaradas. Não devemos voltar as costas às posições da burguesia, mas atacá-las! Não devemos deixar à burguesia suas posições, mas expugná-las passo a passo, e delas expulsar a burguesia! Somente homens que constroem castelos no ar não podem compreender esta simples verdade!
  221.  
  222.  
  223.  
  224. Stalin - É Preciso Preparar-se!
  225.  
  226. Nem a filosofice desfibrada sobre a “concretização” dos pontos das garantias (vide Promislóvi Viéstnik(2) e nem os clamores imprudentes sobre a “chegada da primavera” (lembrai-vos dos social-revolucionários), mas o trabalho tenaz no sentido de elaborar as reivindicações operárias: eis, antes de mais nada, de que nos devemos ocupar na previsão dos acontecimentos que se aproximam.
  227.  
  228.  
  229.  
  230. Stalin - A Imprensa
  231. A falta de caráter político dos oportunistas não cai do céu. Deriva da irrefreável aspiração de adaptar-se às preferências da burguesia, ao gosto dos “senhores”, de arrancar-lhes um elogio. Essa é a base psicológica da tática oportunista da adaptação. E eis que, para fazerem-se belos perante os “senhores”, para agradá-los, para evitarem pelo menos sua cólera provocada pela morte do exarca, os nossos oportunistas mencheviques entregam-se a mesuras servis diante deles, assumindo o papel de investigadores da polícia!
  232.  
  233.  
  234.  
  235. Stalin - "Do Partido"
  236. A denominada “construção de deus”, como corrente literária e, de um modo geral, como portadora de elementos religiosos ao socialismo, é o resultado de uma interpretação não científica dos princípios do marxismo, e por isso prejudicial ao proletariado. O Comitê de Baku sublinha que o marxismo formou-se e elaborou-se como uma concepção científica do mundo não graças à união com elementos religiosos, mas em consequência de uma luta implacável contra estes elementos.
  237.  
  238.  
  239.  
  240.  
  241. Stalin - Cartas do Cáucaso - Tiflís
  242.  
  243. Mas o nosso autor toma das armas não só para combater contra a “parte social” do programa: não poupa nem sequer a parte política, se bem que não o faça de maneira tão direta e aberta. Ouçamo-lo:
  244.  
  245. “A luta do proletariado sozinho ou da burguesia sozinha(1*) não despedaça em caso algum a reação... É claro que a união das suas forças, esta ou aquela combinação delas e sua vontade de atingir um objetivo comum único constituem a única via (o grifo é nosso) da vitória sobre a reação”... “A derrota da reação, a conquista da constituição e a aplicação desta última dependem da união consciente das forças da burguesia com as do proletariado e da sua vontade de atingir um objetivo comum”... Ademais “o proletariado deve agir de maneira que sua intransigência não debilite o movimento geral”. Mas uma vez que “a reivindicação imediata da burguesia pode ser somente uma constituição moderada”, é evidente que o proletariado tem o dever de renunciar à sua “constituição radical”, se não quiser “debilitar com a sua intransigência o movimento geral” e desviar a “vontade consciente das forças da burguesia e do proletariado de atingir uma única meta comum”, em suma, se não quiser preparar a vitória da contrarrevolução (vide Dassatskissi, n.° 4, 1908).
  246.  
  247. A conclusão é clara: abaixo a república democrática, viva o “movimento geral” e a... “constituição moderada”, naturalmente “no interesse da vitória” da revolução. ..
  248.  
  249. Temos diante de nós, como vedes, uma repetição medíocre do artigo, publicado pelo ex-social-democrata Vassíliev no Továrichtch de 1906, sobre a “união das classes”, sobre o abandono temporário dos objetivos de classe do proletariado, sobre o abandono da república democrática, etc. A única diferença é que Vassíliev falava de maneira aberta, clara, ao passo que o camarada An envergonha-se de falar demasiado claramente.
  250.  
  251.  
  252.  
  253. Stalin - Carta de Solvitchegódsk ao Comitê Central do Partido
  254.  
  255. O bloco de Trotski (este último diria “síntese”) é pútrida falta de princípios, é um pastiche à Manílov de princípios díspares, é a nostalgia de um homem impotente, sem princípios, por um “bom” princípio. A lógica das coisas tem, por sua natureza, princípios rigorosos e não tolera pastiches.
  256. ______________________
  257. Não falarei dos vperiodistas, porque hoje interessam menos que os liquidacionistas e os plekhanovistas. Se de quando em quando se arrependerem, naturalmente será um bem, do contrário, que deus os abençoe: deixemo-los cozinhar no próprio caldo.
  258.  
  259.  
  260.  
  261. Stalin - A Vida Vence!
  262.  
  263. Mas eis que, nas minas do Lena, desenrolou-se um drama sangrento; a vida viva, com suas inexoráveis contradições, entrou em cena, e a tática liquidacionista dos requerimentos dissipou-se em fumaça. A greve legal, os requerimentos, os pedidos, tudo deu em nada. O regime "renovado” mostrou sua verdadeira face. E o representante desse regime, o ministro Makárov, como que para esclarecer melhor as coisas, declarou que a matança de 500 operários ainda não era tudo, era só o início, que em seguida também, com a ajuda de deus, aconteceria a mesma coisa...
  264.  
  265.  
  266.  
  267. Stalin - Como se Preparam para as Eleições
  268.  
  269. O ministro do interior já enviou circulares aos governadores, nas quais recomenda que tomem “medidas para garantir que nas circunscrições sejam eleitos como delegados homens absolutamente seguros e não de esquerda”. E a que na realidade se reduzem essas medidas, sabemo-lo por experiência: eliminação, da chapa, dos candidatos de esquerda, processos movidos artificiosamente contra estes, prisão, deportação: eis o que são tais “medidas”! Por outro lado, o santo sínodo aconselha os bispos das dioceses a participarem ativamente das eleições iminentes, a fazerem eleger à Duma tenazes defensores dos interesses da igreja e, para esses objetivo, a convocarem congressos pré-eleitorais do clero da diocese, a publicarem jornais especiais pré-eleitorais, etc.
  270.  
  271. Vão mal, muito mal as coisas para os partidos do governo, se até mesmo os padres da igreja são obrigados por causa deles a preterir os “assuntos celestes” pelos “assuntos terrenos”!
  272. ______________________
  273. É verdade que ainda há um outro meio: pôr o rótulo do apartidismo e, após haver engambelado os eleitores, infiltrar-se de qualquer maneira na Duma para depois tirar a máscara. Justamente a isso tendem os nacionalistas de Kovno, que há poucos dias entraram em cena com a máscara do apartidismo. Mas esses é um meio sutil e, talvez, não condiga com os nossos canhestros bisões reacionários...
  274.  
  275. Outra coisa são os liberais russos: os cadetes, os renovadores pacíficos, os progressistas. Trata-se de gente que se presta e talvez pudesse explorar até ao fundo o rótulo do apartidismo... E os cadetes, que a esta altura perderam sua cor, têm necessidade desse apartidismo, têm necessidade dele como do pão.
  276.  
  277.  
  278.  
  279. Stalin - Nossos Objetivos
  280. Mais ainda: pensamos que não se possa conceber um movimento poderoso e cheio de vida sem que haja divergências: só no cemitério é possível a “plena identidade de opiniões”! Mas isto ainda não significa serem mais numerosos os pontos de divergência que os de acordo. Estamos bem longe de dizê-lo! Os operários esclarecidos, embora discordem entre si, não podem esquecer-se de que todos eles, sem distinção de frações são igualmente explorados; que todos eles, sem distinção de frações, estão igualmente privados de direitos.
  281.  
  282.  
  283.  
  284. Stalin - Os Extravagantes Apartidistas
  285.  
  286. O progressismo apartidário virou moda. Nada se pode fazer, tal é a natureza do intelectual russo: tem necessidade de uma moda. Sentiu-se atraído pelo saninismo(1), ocupou-se com o decadentismo; hoje chegou a vez do apartidismo.
  287.  
  288. Que é o apartidismo?
  289.  
  290. Na Rússia existem os latifundiários e os camponeses, cujos interesses são opostos; a luta entre eles é um fenômeno inevitável. Mas o apartidismo transcura esses fato, propende a silenciar sobre o antagonismo de interesses.
  291.  
  292. Na Rússia existem os burgueses e os proletários; a vitória de uma dessas duas classes significa a derrota da outra. Mas o apartidismo dissimula a oposição dos interesses, fecha os olhos diante da luta de classes.
  293.  
  294. Toda classe tem o seu partido com um programa particular e uma fisionomia particular. Os partidos dirigem a luta das classes: sem os partidos não haveria luta, porém caos, falta de clareza, mistura dos interesses. Mas o apartidismo não ama a clareza e a precisão, prefere a nebulosidade e a ausência de programa.
  295.  
  296. A dissimulação das contradições de classe, o silêncio sobre a luta das classes, a ausência de fisionomia, a luta contra os programas, a tendência ao caos e à mistura dos interesses: tal é o apartidismo.
  297.  
  298. A que visa o apartidismo?
  299.  
  300. A união do que não se pode unir, à realização do irrealizável.
  301.  
  302. Unir em aliança os burgueses e os proletários, lançar uma ponte entre os grandes latifundiários e os camponeses, pôr em movimento um cargueiro com o auxílio de um cisne, de uma lagosta e de um lúcio: eis a que tende o apartidismo.
  303.  
  304. O apartidismo sente que é impotente para unir o que não se pode unir, e por isso suspira:
  305.  
  306. “Ah! se... se... se...
  307. Cogumelos na minha boca brotassem!”.
  308.  
  309. Mas os cogumelos não brotam na boca, e todas as vezes o apartidismo fica com um punhado de moscas, de boca aberta.
  310.  
  311. Um homem sem cabeça ou, mais precisamente, com um nabo sobre os ombros no lugar da cabeça: eis o apartidismo .
  312.  
  313. Justamente essa é a posição da revista “progressista” Zapróci Jízni(2).
  314.  
  315. “Os partidos de direita já tomaram a sua decisão — diz essa revista — e unem-se numa só massa reacionária para lutar contra toda a oposição progressista... Ao bloco das direitas deve portanto ser contraposto o bloco das esquerdas, um bloco que abarque todos os elementos sociais progressistas” (vide Zapróci Jízni, n.° 6).
  316.  
  317. Mas quem são esses “elementos progressistas”?
  318.  
  319. São os renovadores pacíficos(3), os cadetes, os trudovikí, os social-democratas. Isto é, os burgueses “progressistas”, os latifundiários liberalóides, os camponeses que têm fome das terras dos grandes proprietários, os proletários que lutam contra os burgueses.
  320.  
  321. E as Zapróci Jízni esforçam-se por obter a união desses “elementos”!
  322.  
  323. Muito original e... pouco inteligente, não é verdade?
  324.  
  325. E esse periódico de homens sem princípios prepara-se para dar lições aos social-democratas sobre a tática a seguir nas eleições para a quarta Duma?
  326.  
  327. Extravagantes!...
  328.  
  329.  
  330.  
  331. Stalin - Viva o Primeiro de Maio!
  332.  
  333. Todas as classes têm as suas festas preferidas. Os nobres instituíram suas festas em que proclamavam seu “direito” de espoliar os camponeses. Os burgueses têm as suas, em que “justificam” o “direito” de explorar os operários. Também os padres têm suas festas, e exaltam nelas a ordem social existente, pela qual trabalhadores morrem na miséria e os mandriões rebolcam-se no luxo.
  334.  
  335.  
  336.  
  337. Stalin - Os Resultados das Eleições na Cúria Operária de Petersburgo
  338. A prática do movimento reduz a cacos o plano pueril de Trotski que deseja unir o que não se pode unir.
  339.  
  340. Há mais. De pregador de uma unidade fantasiosa, Trotski transforma-se num serviçal dos liquidacionistas, cuja obra redunda em vantagem para estes últimos.
  341.  
  342. Trotski fez tudo para que tivéssemos dois jornais, duas plataformas em concorrência recíproca, duas conferências em recíproca contradição e agora esses atleta dos músculos postiços canta-nos, justamente ele, a canção da unidade!
  343.  
  344. A sua unidade não é unidade, mas uma simulação digna de um comediante.
  345.  
  346.  
  347.  
  348. Stalin - As Eleições em Petersburgo
  349. o boicote passivo é índice indubitável de debilidade e depressão.
  350. ______________________
  351. Os diplomatas burgueses quando preparam uma guerra começam a lançar altos gritos de “paz” e de “relações amistosas”. Se algum ministro do exterior começa a desdobrar-se para convocar uma “conferência de paz”, sabei que o “seu governo” já ordenou a construção de novos encouraçados e novos aeroplanos. Para os diplomatas as palavras devem contrastar com os atos: senão, que diplomatas são? Uma coisa são as palavras e coisa bem diferentes os fatos. As boas palavras são uma máscara para ocultar os negócios escusos. Um diplomata sincero é raro como a água enxuta e o ferro de madeira.
  352. ______________________
  353. Diz-se que Trotski, com a sua campanha de “unificação”, tenha trazido uma “nova corrente” para os velhos “assuntos” dos liquidacionistas. Mas não é verdade. Não obstante os seus “heroicos” esforços e as suas “terríveis ameaças”, Trotski revelou-se afinal de contas um simples atleta vanglorioso, de músculos postiços, não tendo conseguido em cinco anos de “trabalho” unir ninguém, exceto os liquidacionistas. Barulho novo, assuntos velhos.
  354.  
  355.  
  356.  
  357. Stalin - O Marxismo e o Problema Nacional
  358. A autonomia nacional de Springer e Bauer é uma variedade sutil do nacionalismo.
  359.  
  360. E não é por acaso que o programa nacional dos social-democratas austríacos obriga a velar pela '‘conservação e o desenvolvimento das peculiaridades nacionais dos povos”. Fixai bem o que significa “conservar” tais “peculiaridades nacionais” dos tártaros da Transcaucásia, como a da auto-flagelação na festa do “Shajsei-Vajsei", ou “desenvolver tais peculiaridades nacionais dos georgianos, como o direito de vingança”!...
  361.  
  362. Este ponto estaria no seu perfeito lugar num programa raivosamente burguês-nacionalista, e se figura no programa dos social-democratas austríacos, é porque a autonomia nacional tolera formulações dessa ordem e não está em contradição com elas.
  363.  
  364. Mas a autonomia nacional, inaceitável para a sociedade atual, é mais ínaceitável ainda para a futura, para a sociedade socialista.
  365.  
  366. A profecia de Bauer sobre o “desmembramento da humanidade em comunidades nacionalmente delimitadas”(60) é refutada por toda a trajetória do desenvolvimento da humanidade moderna. Os tabiques nacionais, longe de fortalecer-se, se desmoronam e caem por terra.
  367.  
  368. Já na década de 40 (século 19) Marx dizia que o
  369.  
  370. “isolamento e os antagonismos de interesses entre os povos tendem já a diminuir cada dia mais e mais” e que a “dominação do proletariado há de fazer que desapareçam ainda mais depressa”.(61)
  371.  
  372. O desenvolvimento ulterior da humanidade, com o crescimento gigantesco da produção capitalista, com a sua mistura de nacionalidades e a unificação dos indivíduos em territórios cada vez mais vastos, confirma plenamente a ideia de Marx.
  373.  
  374. O desejo de Bauer de apresentar a sociedade socialista sob a forma de “um quadro compacto de uniões nacionais pessoais e corporações territoriais” é um tímido intento de suplantar a concepção marxista do socialismo pela concepção reformista de Bakunin. A história do socialismo revela que cada um desses intentos leva sempre no seu seio os fatores de inevitável bancarrota.
  375. ______________________
  376.  
  377. Mantendo-se, porém, em tal posição diante do problema nacional, o Bund naturalmente tinha de preferir também em matéria de organização o caminho do isolamento dos trabalhadores judeus, o caminho das cúrias nacionais dentro da social-democracia Tal é, pois, a lógica da autonomia nacional.
  378.  
  379. E, com efeito, da teoria da “representação única” o Bund passa para a teoria da “divisão nacional” dos trabalhadores. O Bund exige da social-democracia da Rússia que “introduza na sua estrutura orgânica uma divisão por nacionalidades”(82). E da “divisão” dá “um passo adiante” para a teoria do “isolamento”. Não em vão na VIII Conferência do Bund ressoaram discursos sustentando que “no isolamento está a existência nacional”.(84)
  380.  
  381. O federalismo na organização abriga no seu seio elementos de decomposição e de separatismo. O Bund marcha para o separatismo.
  382. ______________________
  383.  
  384. Comecemos pela “experiência extraordinariamente instrutiva da social-democracia da Áustria”. Antes já de 1896 existia na Áustria um partido social-democrata único. Nesse ano os tchecos pela primeira vez reclamam e obtêm no Congresso internacional de Londres uma representação à parte. Em 1897, no Congresso de Viena (Wimberg), liquida-se formalmente o partido único e se forma em seu lugar uma união federativa de seis “grupos social-democratas” nacionais. Mais adiante esses “grupos” se convertem em partidos independentes. Pouco a pouco os partidos vão rompendo os vínculos que existiam entre si. Atrás dos partidos cinde-se a fração parlamentar e se formam clubes nacionais. Depois vêm os sindicatos, que se desintegram também por nacionalidades. E por fim são atingidas as cooperativas: para o fracionamento delas os separatistas tchecos chamam os trabalhadores.(92) E não digamos nada de como a agitação separatista amortece nos trabalhadores o sentimento de solidariedade, empurrando-os não poucas vezes para o lado dos fura-greves.
  385.  
  386. Vemos, pois, que a “experiência extraordinariamente instrutiva da social-democracia da Áustria” fala contra o Bund e em favor da velha Iskra. No partido austríaco o federalismo conduziu ao separatismo mais vergonhoso e à destruição da unidade do movimento operário.
  387. ______________________
  388. Completo isolamento, completo rompimento: eis o que é posto à mostra pela “experiência russa” do federalismo.
  389.  
  390. Não é estranho que este estado de coisas provoque nos trabalhadores um enfraquecimento do sentimento de solidariedade e um debilitamento da moral, e isto atinge também o Bund.
  391. ______________________
  392. Não se pode ir mais adiante no caminho da “divisão” e do “isolacionismo”. O Bund alcançou os seus objetivos: dividiu os trabalhadores de diversas nacionalidades até chegar à pendência, até fazer deles fura-greves. E não pode ser de outro modo: “se não tomamos este assunto nas nossas mãos, os trabalhadores irão atrás de outros” ...
  393. ______________________
  394. No programa dos social-democratas figura um ponto sobre a liberdade religiosa. De acordo com ele, um grupo qualquer de pessoas tem o direito de professar uma religião qualquer: o catolicismo, a religião ortodoxa, etc. A social-democracia lutará contra toda opressão religiosa, contra as perseguições a ortodoxos, católicos, protestantes. Quer isto dizer que o catolicismo, o protestantismo, etc., “não se chocam com o sentido preciso” do programa? Não, não quer dizer isto. A social-democracia protestará sempre contra as perseguições que tenham por objetivo os católicos e os protestantes, defenderá sempre o direito das nações à prática de qualquer religião, mas, ao mesmo tempo, partindo de uma compreensão acertada dos interesses do proletariado, fará agitação contra o catolicismo, o protestantismo e a religião ortodoxa, com o fim de assegurar o triunfo da concepção socialista no mundo. E assim o fará porque o protestantismo, o catolicismo, a religião ortodoxa, etc., sem dúvida alguma, “vão de encontro ao sentido preciso” do programa, isto é, da compreensão acertada dos interesses do proletariado.
  395. ______________________
  396. As nações têm o direito de organizar-se de acordo com os seus desejos, têm o direito de conservar as instituições nacionais do seu agrado, as perniciosas e as úteis: ninguém pode (ninguém tem o direito!) imiscuir-se pela fôrça na vida das nações. Mas isto não quer dizer ainda que a social-democracia não tenha de lutar, não tenha de fazer agitação contra as instituições nocivas das nações, contra as reivindicações não convenientes das nacionalidades. Pelo contrário: a social-democracia tem a obrigação de manter essa agitação e de influir na vontade das nações de tal modo que estas se organizem da forma que melhor corresponda aos interesses do proletariado.
  397. ______________________
  398. Não há transigência com a lógica ...
  399.  
  400.  
  401.  
  402. Stalin - Informe Sobre o Problema Nacional
  403.  
  404. Numa palavra: quanto mais democrático é o país tanto mais débil é a opressão nacional, e vice-versa. E como por democracia entendemos a presença de determinadas classes no Poder, podemos dizer, dentro deste ponto de vista, que quanto mais perto está do Poder a aristocracia agrária, como acontecia na antiga Rússia czarista, tanto mais forte será a opressão e mais monstruosas suas formas.
  405.  
  406. A opressão nacional não é, contudo, mantida só pela aristocracia agrária. Junto dela existe outra fôrça, os grupos imperialistas, que trasladam para o seu país os métodos de sujeição dos povos, ensaiados por eles nas colônias, e desta maneira se convertem em aliados naturais da aristocracia agrária. Atrás deles vão a pequena burguesia, parte dos intelectuais e parte da aristocracia operária, pois também eles se aproveitam do produto da rapina. Assim o que resulta é todo um coro de fôrças sociais que sustentam a opressão nacional, e à frente dele se acha a aristocracia agrária e financeira. Para instaurar a ordem autenticamente democrática é preciso, antes de tudo, limpar o terreno e retirar esse coro do cenário político.
  407. ______________________
  408. Primeira questão: como há de organizar-se a vida política das nações oprimidas? A esta pergunta se deve responder dizendo que é preciso outorgar aos povos oprimidos, que começam a fazer parte da Rússia, o direito de decidirem eles mesmos a questão de se desejam continuar permanecendo dentro do Estado russo ou se querem sair dele e constituir-se em Estados independentes. Atualmente temos diante de nós um pleito concreto, levantado entre o povo finlandês e o Governo provisório. Os representantes do povo finlandês, os representantes da social-democracia, exigem do Governo provisório a devolução ao povo dos direitos de que gozava antes de sua incorporação à Rússia. O Governo provisório se nega a atendê-lo, não reconhecendo a soberania do povo finlandês. Ao lado de quem devemos colocar-nos? Evidentemente ao lado do povo finlandês, desde que é inconcebível o reconhecimento do direito de reter pela fôrça um povo, qualquer que ele seja, dentro dos limites de um Estado. Ao expor o princípio do direito dos povos à autodeterminação, elevamos a luta contra a opressão nacional ao nível da luta contra o imperialismo, nosso inimigo comum. Deixando de fazê-lo, podemos encontrar-nos na situação de quem leva água ao moinho dos imperialistas. Se nós, os social-democratas, negamos ao povo finlandês o direito de expressar sua vontade de separação e lhe negamos o direito de levá-la à prática, colocamo-nos diante dele na situação de continuadores da política do czarismo.
  409. Não é possível confundir a questão do direito das nações à livre separação com a questão da separação obrigatória da nação em tal ou qual momento. O Partido do proletariado deve resolver essa questão de maneira completamente independente em cada caso particular e de acordo com a situação. Ao reconhecer aos povos oprimidos o direito da separação, o direito de decidir dos seus destinos políticos, não resolvemos a questão de se tais nações devem separar-se do Estado russo, num momento dado. Posso reconhecer a uma nação o direito da separação, mas isto não significa que a obrigue a separar-se. O povo tem o direito de separar-se, mas pode, segundo seja a situação, não usar desse direito. Conosco fica, desse modo, a liberdade de agitação a favor da separação ou contra ela, sujeita aos interesses do proletariado, aos interesses da revolução proletária. Desta forma a questão da separação se resolve de modo independente em cada caso particular e de acordo com a situação; e é precisamente por isso que a questão do reconhecimento do direito de separação não deve confundir-se com a conveniência da separação nestas ou naquelas circunstâncias. Pessoalmente, eu me manifestaria, por exemplo, contrário à separação da Transcaucásia, levando em conta o desenvolvimento geral da Transcaucásia e da Rússia, certas condições da luta do proletariado, etc. Mas se, apesar de tudo, os povos da Transcaucásia exigissem a separação, naturalmente se separariam sem encontrar oposição da nossa parte.
  410.  
  411.  
  412.  
  413. Stalin - Resposta aos Camaradas Ucranianos da Retaguarda e da Frente
  414. Segunda questão. O conflito, que se originou das ordens de Petliura, aguçou-se com a política da Secretaria Geral da Rada, que começou a desarmar os Soviets dos Deputados da Ucrânia. Destacamentos da Secretaria Geral assaltaram à noite em Kiev as tropas soviéticas e as desarmaram. Tentativas semelhantes verificaram-se em Odessa e Khárkov, mas fracassaram devido à resistência encontrada. Todavia, sabemos seguramente que a Secretaria Geral está reunindo tropas com o propósito de desarmar as forças soviéticas em Odessa e Khárkov. Sabemos seguramente que em diversas outras cidades de menor importância as forças soviéticas já foram desarmadas e "mandadas para casa". A Secretaria Geral da Rada traçou-se desse modo a tarefa de realizar o programa de Kornílov e de Kalédin, de Alexéiev e de Rodzianko em torno do desarmamento dos soviets. Mas os soviets são o baluarte e a esperança da revolução. Quem desarma os soviets desarma a revolução, compromete a causa da paz e da liberdade, trai a causa dos operários e dos camponeses. Os soviets salvaram a Rússia do jugo da camarilha de Kornílov. Os soviets salvaram a Rússia da ignominiosa política de Kerenski. Os soviets conquistaram para os povos da Rússia a terra e o armistício. Os soviets, e somente eles, estão em condições de conduzir a revolução popular à completa vitória. Por isso, quem ergue a mão contra os soviets ajuda os latifundiários e os capitalistas a sufocarem os operários e camponeses de toda a Rússia, ajuda os Kalédin e os Alexéiev a fortalecerem o seu "férreo" poder sobre os soldados e sobre os cossacos.
  415.  
  416. Não venham dizer-nos que na Secretaria Geral têm assento socialistas e que eles por isso não podem trair a causa do povo. Também Kerenski se diz socialista; não obstante isso, conduziu os exércitos contra Petrogrado revolucionária. Socialista se diz Gotz; não obstante, lançou os alunos da escola militar e os oficiais contra os soldados e marinheiros de Petrogrado. Socialistas se dizem Sávinkov e Avkséntiev; não obstante, decretaram a pena de morte para os soldados da frente. Os socialistas devem ser julgados não segundo suas palavras, mas segundo suas ações. A Secretaria Geral desorganiza e desarma os soviets da Ucrânia, facilitando a Kalédin a tarefa de consolidar seu sanguinário regime no Don e na bacia carbonífera: isto é um fato que não pode ser escondido sob nenhuma palavra de ordem socialista.
  417. ______________________
  418. Diz-se que é necessário chegue o Conselho dos Comissários do Povo a um acordo com a Secretaria Geral da Rada. Mas acaso será difícil compreender que um acordo com a atual Secretaria Geral equivale a um acordo com Kalédin e com Rodzianko? Será acaso difícil compreender que o Conselho dos Comissários do Povo não pode seguir o caminho do suicídio? Não iniciamos a revolução contra os latifundiários e os capitalistas para concluí-la com uma aliança com carrascos da espécie de Kalédin. Os operários e os soldados não derramaram o seu sangue para caírem sob o arbítrio dos Alexéiev e dos Rodzianko.
  419.  
  420.  
  421.  
  422. Stalin - O Que é a Rada Ucraniana
  423. Agora sabemos por que motivo a Rada concentra as unidades ucranianas na frente romeno-sul-ocidental: sob a palavra de ordem da "nacionalização" do exército, a Rada tenta ocultar seu acordo com a missão francesa sobre o adiamento do armistício para a primavera.
  424.  
  425. Agora sabemos por que a Rada não deixa passarem os exércitos soviéticos enviados contra Kalédin: sob a palavra de ordem da "neutralidade" no que se refere a este, ela procura esconder a aliança que concluiu com Kalédin para combater os soviets.
  426.  
  427. Agora sabemos por que a Rada protesta contra a "ingerência" do Conselho dos Comissários do Povo na vida interna da Ucrânia: com as tagarelices em torno da não intervenção, a Rada procura ocultar a ingerência efetiva do governo francês na vida da Ucrânia e de toda a Rússia para liquidar as conquistas da revolução.
  428.  
  429. Os camaradas ucranianos muito freqüentemente fazem-me a pergunta: o que é a Rada? Eis a minha resposta.
  430.  
  431. A Rada, ou, mais precisamente, a sua Secretaria Geral, é o governo dos traidores do socialismo, que se dizem socialistas para enganar as massas. Exatamente como faziam os governos de Kerenski e de Sávinkov, os quais também se diziam socialistas.
  432.  
  433. A Rada, ou, mais precisamente, a sua Secretaria Geral, é um governo burguês aliado a Kalédin, que luta contra os soviets. Antes era o governo de Kerenski, que, aliado a Kornílov, desarmava os soviets da Rússia. Agora é o governo da Rada que, aliado a Kalédin, desarma os soviets da Ucrânia.
  434.  
  435.  
  436.  
  437. Stalin - A Independência da Finlândia
  438. Se examinarmos mais atentamente o modo como a Finlândia obteve sua independência, veremos que de fato o Conselho dos Comissários do Povo, a contragosto, deu a liberdade não ao povo, não aos representantes do proletariado finlandês, mas à burguesia finlandesa, a qual, por um estranho concurso de circunstâncias, se .apoderou do Poder e recebeu a independência das mãos dos socialistas da Rússia. Os operários e os social-democratas finlandeses se encontraram na situação de dever receber a liberdade não diretamente das mãos dos socialistas russos, mas por meio da burguesia finlandesa. Embora reconhecendo nesse fato uma tragédia para o proletariado finlandês, não podemos deixar de salientar que os social-democratas finlandeses, somente por causa de sua irresolução e de sua incompreensível covardia, não deram com decisão os passos necessários para tomarem eles próprios o Poder e arrancarem das mãos da burguesia a sua independência.
  439.  
  440.  
  441.  
  442. Stalin - A "Armênia Turca"
  443. Os armênios, heróicos defensores de sua pátria, porém muito longe de serem políticos de amplas perspectivas, os quais por mais de uma vez se têm deixado enganar pelos saqueadores da diplomacia imperialista, não podem agora deixar de constatar que o velho caminho das combinações diplomáticas não é o caminho da libertação da Armênia. Já agora tornou-se claro que o caminho da libertação dos povos oprimidos passa através da revolução operária, iniciada na Rússia em outubro. Agora é evidente para todos que os destinos dos povos da Rússia e em particular os destinos do povo armênio, ligam-se estreitamente aos destinos da Revolução de Outubro.
  444.  
  445.  
  446.  
  447. Stalin - Intervenção na Reunião do Comitê Central do POSDR Sobre a Questão da Paz com os Alemães
  448. O camarada Stálin entende que adotando a palavra de ordem da guerra revolucionária faremos o jogo do imperialismo. A posição de Trotski não pode nem sequer ser chamada de posição. Não há no Ocidente um movimento revolucionário, não há fatos que provem a existência de tal movimento revolucionário; ele existe apenas em estado potencial, mas nós, em nossa atuação, não podemos confiar só nisso. Se os alemães começarem a ofensiva, isto conduzirá a um fortalecimento da contra-revolução em nosso país. A Alemanha está em condições de atacar, pois tem suas tropas kornilovistas, a "guarda". Em outubro falamos numa guerra sagrada contra o imperialismo porque então se dissera que a palavra "paz" seria suficiente para fazer rebentar a revolução no Ocidente. Isto não aconteceu. O fato de que entre nós se estejam realizando reformas socialistas põe em agitação o Ocidente, mas para pô-las em prática necessitamos de tempo. Se aceitássemos a política de Trotski criaríamos péssimas condições para o movimento revolucionário no Ocidente. Por isso o camarada Stálin propõe que se aceite a proposta do camarada Lênin de conclusão da paz com os alemães.
  449.  
  450.  
  451.  
  452. Stalin - A Rada Burguesa de Kíev
  453. Os jornais burgueses insistem em difundir rumores sobre um pretenso "início de negociações entre a Rada e o Conselho dos Comissários do Povo." Os círculos ligados aos contra-revolucionários ampliam por todos os modos esses rumores, acentuando o seu "particular" significado. Chegou-se a tal ponto que muitos camaradas não estão longe de crer na fábula das negociações com a Rada de Kiev e muitos já se dirigiram a mim por escrito, pedindo dizer-lhes até que ponto merece fé essa fábula.
  454.  
  455. Declaro publicamente que:
  456.  
  457. — O Conselho dos Comissários do Povo não efetua nem se prepara para efetuar negociações de espécie alguma com a Rada de Kíev.
  458. — Com a Rada de Kíev, que se ligou completamente a Kalédin e que traiçoeiramente trata com os imperialistas austro-alemães pelas costas dos povos da Rússia, com uma Rada de tal espécie o Conselho dos Comissários do Povo julga que só será possível conduzir uma luta implacável até à vitória completa dos soviets da Ucrânia.
  459. — Só a completa liquidação da Rada burguesa de Kíev e sua substituição por uma nova Rada socialista, soviética, cujo núcleo já se formou em Khárkov, poderão trazer a paz e a tranqüilidade à Ucrânia.
  460.  
  461.  
  462.  
  463. Stalin - Discursos no III Congresso dos Soviets dos Deputados Operários, Soldados e Camponeses de Toda a Rússia
  464.  
  465. Concluindo, o informante detém-se mais uma vez no exame da divergência fundamental existente entre a ala direita e a ala esquerda da democracia. Enquanto a ala esquerda luta para obter uma ditadura apoiada na base, um poder exercido pela maioria sobre a minoria, a ala direita aconselha voltar atrás, ao estádio já superado do parlamentarismo burguês. A experiência do parlamentarismo na França e na América mostrou à evidência que um governo exteriormente democrático, nascido do sufrágio universal, é na verdade um governo de coalizão com o capital financeiro, muito afastado da verdadeira democracia, estranho à democracia. Na França, nesse país de democracia burguesa, os deputados são eleitos por todo o povo, mas quem nomeia os ministros é o Banco de Lião. Na América, também o sufrágio universal existe, mas no Poder estão apaniguados do multimilionário Rockefeller. Não é isso um fato? — pergunta o orador. Sim, o parlamentarismo burguês foi sepultado por nós, e em vão os Mártov tentam arrastar-nos para o período martoviano da revolução. (Risos, aplausos). Para nós, representantes dos operários, é necessário que o povo não só tenha a possibilidade de votar, mas também possa dirigir. Não governam os que votam e elegem, mas os que dirigem. (Aplausos tempestuosos).
  466.  
  467.  
  468.  
  469. Stalin - Mensagem Por Fio Direto à Secretaria Popular da República Soviética Ucraniana
  470. A situação presente, tendo-se em conta que os alemães estão em ofensiva e nossas tropas batidas, é avaliada por nós do seguinte modo: depois de havermos derrotado os nossos imperialistas, nós, devido ao lento ritmo do movimento revolucionário no Ocidente, à instabilidade das nossas tropas e ao inaudito espírito de rapina dos imperialistas alemães, temporariamente caímos nas garras do imperialismo estrangeiro, contra o qual devemos agora preparar as forças para organizar a guerra patriótica na esperança de que se desencadeiem as forças revolucionárias no Ocidente, o que, segundo nos parece, é inevitável. Para realizar esses preparativos é necessário um mínimo de trégua, que poderia ser-nos dada mesmo com uma paz duríssima. Em nenhuma hipótese devemos alimentar ilusões. É preciso ter a coragem de olhar a realidade de frente e de reconhecer que temporariamente caímos nas garras do imperialismo alemão. São essas as considerações que teve presente o Comitê Executivo Central dos Soviets de Toda a Rússia, o qual, hoje, às três horas da madrugada, decidiu concluir a paz, aceitando as duríssimas condições e encarregou o Conselho dos Comissários do Povo de enviar uma delegação a Brest-Litovsk, o que se fez hoje. O Comitê Executivo Central decidiu que só por esse preço será possível salvar o Poder Soviético. Por ora, é necessário prepararmo-nos para organizar a guerra sacrossanta contra o imperialismo alemão.
  471. ______________________
  472. Nós todos julgamos que vossa Secretaria Popular deve enviar delegação a Brest-Litovsk para declarar que se os austro-alemães não apoiarem a aventura de Vinnitchenko, a Secretaria Popular não se oporá à efetivação dos princípios do tratado da velha Rada de Kíev. Tal passo de vossa parte em primeiro lugar poria em relevo a fraternidade de idéias e política dos soviets do sul e do norte; em segundo lugar, salvaria o Poder Soviético na Ucrânia, o que constituiria enorme vantagem para toda a revolução internacional. Desejamos ardentemente vossa compreensão e concordância conosco sobre as questões fundamentais desta paz infeliz.
  473.  
  474. Espero uma resposta imediata a estas duas perguntas. Primeiro: se hoje enviareis delegados a Petrogrado, ou, ainda mais simplesmente, diretamente a Brest-Litovsk, para conduzir em comum as negociações com os alemães. Segundo: se concordais com o nosso ponto de vista sobre a oportunidade de aceitar o tratado de Vinnitchenko sem Vinnitchenko e sua camarilha. Espero uma resposta a estas perguntas para preparar a delegação e organizar a vossa viagem a Brest-Litovsk.
  475.  
  476.  
  477.  
  478. Stalin - Os Contra-Revolucionários da Transcaucásia Sob a Máscara do Socialismo
  479. Esse é o "quadro".
  480.  
  481. É difícil declarar se esse comissariado contra-revolucionário, cuja sentença de morte já foi pronunciada pela história, continuará a existir por muito tempo. De qualquer maneira, isto se verá em futuro próximo. Mas uma coisa é fora de dúvida: os últimos acontecimentos arrancaram definitivamente a máscara de socialismo dos social-revolucionários e mencheviques e hoje todo revolucionário tem a possibilidade de verificar com os próprios olhos que no Comissariado Transcaucásico e em seu apêndice, a "Dieta Nacional", teremos que ajustar contas com o mais fraudulento bloco contra-revolucionário dirigido contra os operários e camponeses da Transcaucásia.
  482.  
  483. Estes são os fatos.
  484.  
  485. E quem não sabe que as palavras e as pequenas coisas se desvanecem, mas os fatos e as ações ficam?
  486.  
  487.  
  488.  
  489. Stalin - A Organização da República Federativa da Rússia
  490. Será preciso, ao mesmo tempo, abandonar para sempre o preconceito burguês da infalibilidade do "princípio" do sufrágio universal. O direito de voto será, ou deverá ser, concedido só àquelas camadas da população que são exploradas ou que, de qualquer modo, não exploram o trabalho alheio. Este é o resultado natural da situação criada pela ditadura do proletariado e das massas camponesas pobres.
  491.  
  492.  
  493.  
  494. Stalin - (Projeto aprovado pela Comissão do Comitê Executivo Central de Toda a Rússia para a elaboração da Constituição da República Soviética
  495. A tarefa fundamental da Constituição da República Socialista Federativa Soviética da Rússia, prevista para o atual momento de transição, consiste em instaurar a ditadura do proletariado das cidades e do campo e dos camponeses pobres, representada por um forte Poder Soviético de toda a Rússia, com o objetivo de esmagar completamente a burguesia, de destruir a exploração do homem pelo homem e de instaurar o regime socialista no qual não haverá divisões em classes, nem poder estatal.
  496.  
  497.  
  498.  
  499. Stalin - Intervenções na Conferência Para a Convocação do Congresso Constituinte da República Soviética Tártaro-Bachkíria
  500. De todas as formas de opressão hoje existentes, a mais sutil e perigosa é a opressão nacional. Ela é sutil pelo fato de que serve para cobrir comodamente a fisionomia rapace da burguesia. É perigosa pelo fato de que, fomentando os conflitos nacionais, desvia habilmente da burguesia a tempestade. Se os saqueadores europeus conseguem jogar os operários uns contra os outros nas carnificinas mundiais, se além disso ainda conseguem alimentar essa carnificina, isso entre outras coisas acontece porque a força do nacionalismo burguês, que ofuscou a mente dos operários europeus, ainda não se esgotou. O nacionalismo é a última posição da qual é necessário desalojar a burguesia para vencê-la completamente. Mas descurar a questão nacional, ignorá-la e negá-la, como fazem alguns camaradas nossos, ainda não significa derrotar o nacionalismo. Absolutamente não! O niilismo nacional não faz senão prejudicar a causa do socialismo, porque faz o jogo dos nacionalistas burgueses. Para derrotar o nacionalismo é necessário antes de mais nada colocar e resolver a questão nacional. Mas para resolver a questão nacional abertamente e segundo os princípios socialistas, é necessário conduzi-la pela estrada soviética, submetendo-a em tudo e por tudo aos interesses das massas trabalhadoras organizadas nos soviets. Assim, e só assim, é possível arrancar à burguesia a sua última arma moral.
  501.  
  502.  
  503.  
  504. Stalin - Carta a V. I. Lênin 10 de Julho de 1918
  505. Se Trotski continuar a distribuir delegações a torto e a direito, sem pensar, a Trifónov (região do Don), a Avtónomov (região do Kuban), a Koppe (Stávropol), aos membros da missão francesa (que merecem ser presos), etc., pode-se dizer com certeza que dentro de um mês no Cáucaso Setentrional tudo desmoronará e perderemos definitivamente essa região. Com Trotski acontece o que sucedeu há tempos a Antónov. Inculcai bem na cabeça dele que não se pode dar tarefas a pessoas não provadas em seus postos, porque do contrário poderá vir à baila um escândalo para o Poder Soviético.
  506. ______________________
  507. No sul há muito trigo, mas para se poder consegui-lo é necessário ter um aparelho bem organizado, que não encontre obstáculos da parte dos trens militares, dos comandantes de exército, etc. É, além disso, necessário que os militares ajudem os que estão encarregados de recolher víveres. A questão dos aprovisionamentos alimentares está naturalmente ligada à militar. Para levar a bom termo o assunto, necessito de plenos poderes militares. Já escrevi a esse respeito, mas não tive resposta Muito bem. Nesse caso destituirei por mim mesmo, sem formalidades, os comissários e comandantes de exército que comprometam o nosso trabalho. É o interesse da causa, que me sugere a assim proceder, e, naturalmente' não será a falta de papéis assinados por Trotski que me impedirá de fazê-lo.
  508.  
  509.  
  510.  
  511. Stalin - Telegrama a Svérdlov
  512. O Conselho Militar do distrito do Cáucaso Setentrional, tendo recebido a notícia do infame atentado consumado por sicários da burguesia[N31] contra a vida do maior revolucionário do mundo, chefe provado e mestre do proletariado, camarada Lênin, responderá a esse vil e traiçoeiro atentado com o terror aberto, de massa e sistemático, contra a burguesia e seus agentes.
  513.  
  514.  
  515.  
  516. Stalin - Telegrama a Vorochílov
  517. Segurai bem alto as bandeiras vermelhas, levai-as avante intrèpidamente, extirpai sem piedade a contra-revolução dos latifundiários, dos generais e dos kulaks, e mostrai ao mundo inteiro que a Rússia Socialista é invencível.
  518.  
  519.  
  520.  
  521. Stalin - A Lógica das Coisas
  522. Seria lícito supor que depois de tal reconhecimento dá parte do C.C. menchevique não deveria mais haver lugar para sérias divergências. E assim teria acontecido se tivéssemos que lidar não com o C.C. menchevique e sim com revolucionários conseqüentes, capazes de levar até ao fim seus raciocínios, deles tirando as necessárias conclusões. A desgraça é que neste caso lidamos com um partido de intelectuais pequeno-burgueses, eternamente hesitantes entre o proletariado e a burguesia, entre a revolução e a contra-revolução. Daí as inevitáveis contradições entre as palavras e os atos, a eterna incerteza e a instabilidade de suas idéias.
  523. ______________________
  524. Há mais. O C. C. menchevique pede, nem mais nem menos,
  525.  
  526. "a abolição dos órgãos excepcionais de repressão policial e dos tribunais extraordinários" e "a cessação do terrorismo político e econômico" (vide Teses e resolução).
  527.  
  528. Por um lado se reconhece a "necessidade histórica" da ditadura do proletariado, que tem a função de destruir a resistência da burguesia, por outro se pede a abolição de alguns importantes instrumentos do poder, sem os quais essa destruição é inconcebível! Que fim levarão em tal caso as conquistas da Revolução de Outubro, contra a qual a burguesia luta com todas as forças, chegando até a organizar ações terroristas e complôs de banditismo? Como se pode reconhecer a "necessidade histórica" da Revolução de Outubro, se não se reconhecem os resultados e as conseqüências que inevitavelmente dela derivam?
  529.  
  530. Conseguirá o C. C. menchevique sair de uma vez por todas dessa incrível confusão pequeno-burguesa ?
  531. ______________________
  532. Eis tudo. Mas a experiência ensinou-nos a não acreditar nos homens através de palavras; habituamo-nos a julgar os partidos e os grupos não só por suas resoluções, mas sobretudo por seus atos.
  533.  
  534. E como agem os mencheviques?
  535.  
  536. Na Ucrânia os mencheviques até agora não romperam com o governo contra-revolucionário de Skoropadski, que luta com todas as suas forças contra os elementos soviéticos locais e que, assim fazendo, favorece a dominação dos imperialistas internos e estrangeiros no sul.
  537.  
  538. No Cáucaso os mencheviques já de há muito aliaram-se aos latifundiários e aos capitalistas e, declarada a guerra santa contra os homens da Revolução de Outubro, pediram ajuda aos imperialistas alemães.
  539.  
  540. Nos Urais e na Sibéria, os mencheviques, solidarizando-se com os imperialistas anglo-franceses, de fato contribuíram e continuam contribuindo para a supressão das conquistas da Revolução de Outubro.
  541.  
  542. Em Krasnovodsk os mencheviques abriram aos imperialistas ingleses as portas da região transcáspia, facilitando-lhes a tarefa de derrotar o Poder Soviético no Turquestão.
  543.  
  544.  
  545.  
  546. Stalin - A Rússia Meridional
  547. Em Que Consiste a Força do Nosso Exército?
  548. Os êxitos do nosso Exército antes de mais nada se explicam por sua consciência e por sua disciplina. Os soldados de Krasnov distinguem-se por sua surpreendente obtusidade e por sua ignorância, por seu completo alheamento do mundo exterior. Não sabem por que combatem. "Recebemos ordens e somos obrigados a combater", dizem nos interrogatórios, depois de aprisionados.
  549.  
  550. Diferente é o nosso soldado vermelho. Ele declara orgulhosamente ser um soldado da revolução; sabe que luta não pelos lucros dos capitalistas, mas pela libertação da Rússia; ele o sabe e se lança na batalha de olhos abertos. O desejo de ordem e de disciplina entre os soldados vermelhos é tal que não raro eles próprios punem os seus companheiros "desobedientes" e pouco disciplinados.
  551.  
  552.  
  553.  
  554. Stalin - O Muro Divisório
  555. Não duvidamos de que as possantes ondas revolucionárias da Rússia e do Ocidente varrerão sem piedade os sonhadores contra-revolucionários das regiões ocupadas. Não duvidamos de que já agora está próxima a época em que os "régulos" dessas regiões terão o mesmo fim que tiveram os seus "poderosos" protetores da Rússia e da Alemanha.
  556. ______________________
  557. Ameaçadora e poderosa avança no mundo a revolução proletária. Diante dela, baixam a cabeça, amedrontados e trêmulos, os ex-"senhores" do mundo no Oriente e no Ocidente, deixando cair as velhas coroas. As regiões ocupadas e os seus míseros "régulos" não podem representar uma exceção.
  558.  
  559.  
  560.  
  561. Stalin - A Revolução de Outubro e a Questão Nacional
  562. Assim se formou a união socialista dos operários e dos camponeses de toda a Rússia contra a união contra-revolucionáría dos "governos" nacionais burgueses das regiões periféricas da Rússia.
  563.  
  564. Algumas pessoas apresentam a luta dos "governos" periféricos como uma luta pela libertação nacional contra o "impiedoso centralismo" do Poder Soviético. Mas isso não é em absoluto verdade. Nenhum poder no mundo jamais admitiu uma descentralização tão ampla, nenhum governo no mundo jamais concedeu aos povos uma liberdade nacional tão plena como o Poder Soviético na Rússia. A luta dos "governos" periféricos foi e continua sendo uma luta dos contra-revolucionários burgueses contra o socialismo. Apenas para induzir em erro as massas se utiliza a bandeira nacional como bandeira do povo, destinada a encobrir os propósitos contra-revolucionários da burguesia nacional.
  565. ______________________
  566. Assim, a Revolução de Outubro, pondo fim ao antigo movimento de libertação nacional burguês, iniciou a era do novo movimento socialista dos operários e camponeses das nacionalidades oprimidas, dirigido contra qualquer opressão, mesmo contra a nacional, contra o poder da burguesia "patrícia" e outras, contra o imperialismo em geral.
  567. ______________________
  568. Dizem que os princípios da autodeterminação e da "defesa da pátria" foram anulados pelo curso dos acontecimentos, pela marcha da revolução socialista. Na verdade não se anularam os princípios da autodeterminação e da "defesa da pátria", mas foram anuladas suas interpretações burguesas. Basta considerar as regiões ocupadas que gemem sob a opressão do imperialismo e desejam a libertação, basta considerar a Rússia, que conduz uma guerra revolucionária pela defesa da pátria socialista e contra os saqueadores do imperialismo; basta refletir sobre os acontecimentos que anualmente se verificam na Áustria-Hungria; basta considerar as colônias e semi-colônias subjugadas que já organizaram soviets (Índia, Pérsia, China), basta considerar tudo isso para compreender plenamente o valor revolucionário do princípio de autodeterminação na interpretação que lhe dá o socialismo.
  569.  
  570.  
  571.  
  572. Stalin - Não Vos Esqueçais do Oriente
  573. Os imperialistas sempre olharam o Oriente como sendo a base da sua prosperidade. As imensas riquezas naturais daqueles países (algodão, petróleo, ouro, carvão, minérios) não têm sido sempre o "pomo de discórdia" para os imperialistas do mundo todo? Exatamente por isso se explica o fato de que, guerreando na Europa e tagarelando acerca do Ocidente, os imperialistas jamais deixaram de pensar na China, na Índia, na Pérsia, no Egito, em Marrocos, pois que, na verdade, sempre se tratava do Oriente. Assim se explica, sobretudo, o zelo com que os imperialistas sustentam a "ordem e a legalidade" nesses países; sem isso, a profunda retaguarda do imperialismo não estaria segura.
  574.  
  575. Mas os imperialistas não precisam apenas das riquezas do Oriente. Precisam do "dócil" "material humano" abundante naquelas colônias e semicolônias. Precisam de "braços operários" "condescendentes" e mal pagos dos povos do Oriente. Têm necessidade, ainda, dos "dóceis" "jovens" desses países, entre os quais recrutam os chamados exércitos "de cor", que não hesitam em lançar contra os "próprios" operários revolucionários. Eis por que os imperialistas consideram os países do Oriente sua "inesgotável" reserva.
  576.  
  577. É tarefa do comunismo despertar da secular letargia aqueles povos oprimidos, infundir nos operários e camponeses daqueles países o espírito libertador da revolução, arrastá-los à luta contra o imperialismo e desse modo privar o imperialismo mundial de sua "seguríssima" retaguarda, de sua "inesgotável" reserva.
  578.  
  579. Sem isto não se pode nem ao menos pensar no triunfo definitivo do socialismo, na vitória completa sobre o imperialismo.
  580.  
  581. A revolução russa foi a primeira a sublevar os povos oprimidos do Oriente, conduzindo-os à luta contra o imperialismo. Os soviets dos deputados na Pérsia, na Índia, na China, indicam precisamente que a letargia secular dos operários e dos camponeses do Oriente vem se transformando em recordação do passado.
  582.  
  583.  
  584.  
  585. Stalin - A Luz Vem do Oriente
  586. No centro de todos esses grandiosos acontecimentos se encontra, empunhando a bandeira da revolução mundial, a Rússia Soviética, que infunde nos operários e nos camponeses dos povos oprimidos a confiança na vitória e sustenta a sua luta de libertação em favor do socialismo mundial.
  587.  
  588. Naturalmente, também o outro campo, o campo dos imperialistas, não cochila. Seus agentes, açulados por todos os países, da Finlândia ao Cáucaso, da Sibéria ao Turquestão, reabastecem os contra-revolucionários, concluem pactos bandidescos, organizam a cruzada contra a Rússia Soviética, forjam cadeias para os povos do Ocidente. Não está acaso claro que a camarilha dos imperialistas já agora perdeu todo o prestígio aos olhos dos povos oprimidos, que foi privada para sempre da velha auréola de porta-estandarte da "civilização" e da "humanidade", que essa camarilha deve sua existência de banditismo à corrupção e a seus bandos mercenários, à escravidão e ao atraso das chamadas "tropas de cor" africanas?
  589.  
  590. Do Oriente vem a luz!
  591.  
  592. O Ocidente, com os seus canibais imperialistas, transformou-se num foco de ignorância e de escravidão. A tarefa consiste em destruir esse foco, o que proporcionará grande satisfação aos trabalhadores de todos os países.
  593.  
  594.  
  595.  
  596. Talin - Dois Campos
  597. A debilidade do imperialismo consiste na sua incapacidade de liquidar a guerra sem uma catástrofe, sem o aumento do desemprego em massa, sem uma nova espoliação dos seus próprios operários e camponeses, sem novas conquistas de terras estrangeiras. O problema não é acabar com a guerra e nem tampouco vencer a Alemanha, mas determinar quem deve pagar os bilhões gastos na guerra. A Rússia saiu renovada da guerra imperialista porque liquidou a guerra às expensas dos imperialistas, internos e externos, fez pagarem as despesas da guerra justamente àqueles que eram responsáveis diretos por ela, expropriando-os. Os imperialistas não podem agir assim, não podem expropriar a si mesmos, pois do contrário não seriam imperialistas. Para liquidar a guerra segundo os métodos imperialistas, estes são "obrigados" a condenar os operários à fome (desemprego em massa pelo fechamento das empresas "improdutivas", novos impostos indiretos e aumento alucinante dos preços dos gêneros alimentícios), são "obrigados" a saquear a Alemanha, a Áustria-Hungria, a Rumânia, a Bulgária, a Ucrânia, o Cáucaso, o Turquestão, a Sibéria.
  598.  
  599.  
  600.  
  601. Stalin - O Fuzilamento dos Vinte e Seis Camaradas de Baku, Obra dos Agentes do Imperialismo Inglês
  602. Agora, após a publicação dos documentos supracitados, deve-se julgar como provado que os nossos camaradas de Baku, os quais se haviam retirado voluntariamente da arena política e dirigiam-se a Petrovsk como fugitivos, foram efetivamente fuzilados sem processo e sem instrução pelos canibais da "civilizada" e "humana" Inglaterra.
  603.  
  604. Nos países "civilizados" costuma-se falar dos atos terroristas e dos horrores cometidos pelos bolcheviques. Os imperialistas anglo-franceses são, ao invés, pintados habitualmente como inimigos do terrorismo e dos fuzilamentos. Mas acaso não é claro que nunca o Poder Soviético se vingou dos seus adversários de maneira tão baixa e vil como fizeram os "civilizados" e "humanos" ingleses, e que só os canibais imperialistas, putrefatos até à medula e faltos de todo senso de moral, podem ter necessidade de assassinatos perpetrados sob a proteção da noite e de ataques bandidescos contra inimigos políticos inermes? Se ainda existem homens que duvidam disso, que leiam os documentos acima referidos e chamem as coisas pelo seu nome.
  605.  
  606.  
  607. Stalin - Carta da Frente Meridional a V. I. Lênin
  608. Em suma: o velho plano, já destruído pela própria vida, não deve em caso algum ser ressuscitado, pois isso seria perigoso para a República, e sem dúvida melhoraria a situação de Deníkin. É preciso substituí-lo por outro plano. As circunstâncias e as condições não só estão maduras para fazê-lo, como nos ditam imperiosamente essa substituição. Então, a distribuição dos regimentos será feita também de maneira nova.
  609.  
  610. Sem isso, meu trabalho na frente meridional torna-se destituído de sentido, criminoso, inútil, o que me dá o direito, ou melhor, me obriga a ir embora para qualquer lugar, inclusive para o diabo, contanto que não fique na frente meridional.
  611.  
  612.  
  613.  
  614. Stalin - Intervenções na IV Conferência do PC da Ucrânia
  615. Quais são os problemas relacionados com a tarefa da reconstituição da economia nacional, destruída pela guerra, que se apresentam diante de nós?
  616.  
  617. Na reconstituição da economia nacional a questão fundamental é a dos combustíveis, causa de todas as guerras imperialistas. Todas as manobras da Entente visavam a privar-nos do combustível.
  618.  
  619.  
  620.  
  621. Stalin - Discurso Pronunciado na Assembléia do Comitê de Moscou do PC (b) da Rússia Para Celebrar o Cinqüentenário de V. I. Lênin
  622. Após os discursos pronunciados e as recordações evocadas, bem pouco me resta dizer. Desejaria somente salientar um traço característico do camarada Lênin ao qual ninguém até agora aludiu, a sua modéstia e a sua coragem em reconhecer os próprios erros.
  623.  
  624. Recordo-me como Lênin, esse gigante do pensamento, reconheceu por duas vezes haver-se enganado.
  625.  
  626. O primeiro episódio refere-se à decisão de boicotar a Duma de Witte, tomada em Tammerfors na Finlândia, em dezembro de 1905, na conferência bolchevique de toda a Rússia[N103]. Apresentava-se então a questão do boicote da Duma de Witte. Sete homens próximos ao camarada Lênin, sete pessoas que nós, delegados das províncias, mimoseávamos com epítetos de toda a espécie, asseguravam que Ilitch era contrário ao boicote e favorável às eleições para a Duma. Isso, como se revelou depois, era exato. Abriu-se o debate; os boicotistas da província, os petrogradenses, os moscovitas, os siberianos, os caucasianos, partiram para o ataque e qual não foi a nossa surpresa quando no fim dos nossos discursos Lênin fez uma intervenção e declarou que fora fautor da participação nas eleições, porém que agora via que se tinha enganado e se unia aos delegados das províncias. Ficamos impressionados com isso. Seu discurso teve o efeito de uma descarga elétrica. Tributamos-lhe uma ovação.
  627.  
  628. Mais um episódio semelhante. Em 1917, no mês de setembro, sob o governo de Kerenski, no momento em que foi convocada a Conferência Democrática e quando os mencheviques e os social-revolucionários constituíram um novo organismo, o Anteparlamento, que devia preparar a passagem dos Soviets para a Assembléia Constituinte, naquele momento o C. C. de Petrogrado decidiu não dissolver a Conferência Democrática e prosseguir no caminho do fortalecimento dos soviets, de convocar o Congresso dos Soviets, de iniciar a insurreição e de declarar o Congresso dos Soviets órgão do poder estatal. Ilitch, que se encontrava então fora de Petrogrado, na clandestinidade, não concordou com o C.C. e escreveu que era preciso dissolver e prender imediatamente aquela súcia de canalhas (a Conferência Democrática).
  629.  
  630. Parecia-nos que a coisa não seria tão simples assim, porque sabíamos que a Conferência Democrática era composta, na metade, ou pelo menos num terço, de delegados da frente, que com a prisão e a dissolução não poderíamos fazer mais que estragar as coisas e piorar as relações com a frente. Parecia-nos que todos os precipícios, todos os fossos e todos os buracos em nosso caminho seriam mais visíveis a nós, práticos. Mas Ilitch é grande, ele não teme nem fossos nem buracos nem precipícios no seu caminho, não teme os perigos e diz: "Levanta-te, e vai direito ao objetivo". Nós, práticos, achávamos que não seria então conveniente agir assim, que seria preciso contornar esses obstáculos, para podermos depois pegar o touro pelos chifres. E, não obstante todos os pedidos de Ilitch, não lhe demos ouvidos, prosseguimos no caminho do fortalecimento dos soviets e arrastamos a coisa até o Congresso dos Soviets de 25 de outubro, até a insurreição vitoriosa. Então Ilitch já estava em Petrogrado. Sorrindo e olhando-nos com ar finório nos disse: "Bem, vocês tinham razão".
  631.  
  632. Isso de novo nos impressionou.
  633.  
  634. O camarada Lênin não temia reconhecer seus erros Essa modéstia e essa coragem ligavam-nos a ele de maneira particular.
  635.  
  636.  
  637.  
  638. Stalin - Como São Acolhidas as Tropas Vermelhas
  639. Quanto ao estado de ânimo dos camponeses bielorrussos que se encontram além da zona da frente, segundo as nossas informações, naqueles lugares as insurreições sucedem-se, operam destacamentos de guerrilheiros que lançam a confusão na retaguarda inimiga, queimando os depósitos e exterminando os latifundiários.
  640.  
  641. Pode-se dizer simplesmente que está se repetindo o que aconteceu na Sibéria com Koltchak.
  642.  
  643. Por toda a parte, quando nossas unidades se aproximam, a retaguarda do inimigo começa a desmoronar-se internamente.
  644.  
  645. Assistimos atualmente a uma verdadeira revolução camponesa contra os latifundiários poloneses na Bielorrússia.
  646.  
  647.  
  648.  
  649. Stalin - Discurso de Abertura na I Conferência dos Dirigentes da Inspeção Operário-Camponesa de Toda a Rússia
  650. Mas a Inspeção Operário-Camponesa não deve temer isso. Ela deve ater-se sempre ao imperativo fundamental: não dispensar atenções especiais a nenhum indivíduo, qualquer que seja o posto que ocupe, dispensar atenção especial somente à causa, somente aos interesses da causa.
  651.  
  652.  
  653.  
  654. Stalin - Prefácio a Uma Coletânea de Artigos Sobre a Questão Nacional
  655. Pode parecer estranho que o artigo rejeite decididamente a reivindicação da separação das regiões periféricas da Rússia, considerando-a uma intriga contra-revolucionáría. Mas na realidade não há nada de estranho. Somos favoráveis a que se separem da Entente a Índia, a Arábia, o Egito, Marrocos e outras colônias, porque, nesse caso, a separação significa para esses países oprimidos sua libertação do imperialismo, um enfraquecimento das posições do imperialismo, um fortalecimento das posições da revolução. Somos, porém, contrários a que se separem da Rússia as regiões periféricas, porque, nesse caso, a separação significa o jugo imperialista para as regiões periféricas, o enfraquecimento do poderio revolucionário da Rússia, o fortalecimento das posições do imperialismo. Justamente por esse motivo a Entente, opondo-se à separação da Índia, do Egito, da Arábia e das outras colônias, ao mesmo tempo luta para que se separem da Rússia as regiões periféricas. Justamente por esse motivo os comunistas, lutando para que se separem da Entente as colônias, não podem deixar de lutar ao mesmo tempo contra a separação das regiões periféricas, da Rússia. Evidentemente o problema da separação é resolvido levando-se em conta as condições internacionais concretas, os interesses da revolução.
  656.  
  657.  
  658.  
  659. Stalin - Três Anos de Ditadura do Proletariado
  660. Sabíamos teoricamente que o proletariado não poderia limitar-se a tomar a velha máquina estatal e pô-la em movimento. Esse nosso princípio teórico, enunciado por Marx, foi inteiramente confirmado pelos fatos, quando arrostamos um período inteiro de sabotagens por parte dos funcionários tzaristas, de empregados e de uma certa parte das camadas superiores do proletariado, período em que o Poder estatal estava completamente desorganizado.
  661.  
  662. O primeiro e o mais importante instrumento do Estado burguês, o velho exército e seus generais, foi demolido. Isso nos custou caro. Em conseqüência dessa demolição tivemos de ficar por um certo tempo sem nenhum exército e fomos obrigados a assinar a paz de Brest-Litovsk. Por outro lado, não tínhamos outra saída; a História não nos indicava nenhum outro caminho para a libertação do proletariado.
  663. ______________________
  664. No campo da direção da economia do país, a circunstância mais característica consistiu no fato de que foi tirado da burguesia o nervo fundamental da sua vida econômica, os bancos. Eles foram arrancados das mãos da burguesia e esta, por assim dizer, ficou sem alma. Veio depois o trabalho no sentido de demolir os velhos aparelhos da vida econômica e de expropriar a burguesia, o confisco das fábricas e das oficinas e sua entrega à classe operária. Enfim, a demolição dos velhos aparelhos de abastecimento e a tentativa de constituir novos, em condições de acumular o trigo e de distribuí-lo à população. Como conclusão, a liquidação da Assembléia Constituinte. Essas são pouco mais ou menos as medidas que a Rússia Soviética foi obrigada a tomar nesse período com o objetivo de destruir o aparelho estatal burguês.
  665. ______________________
  666. O segundo período teve início quando a coalizão anglo-franco-americana, após haver batido o imperialismo alemão, preparou-se para ajustar contas com a Rússia Soviética.
  667.  
  668. Do ponto de vista internacional, esse período pode ser definido como o período da guerra aberta entre as forças da Entente e as da Rússia Soviética. Se no primeiro período nos haviam ignorado, haviam zombado e escarnecido de nós, nesse período, pelo contrário, todas as forças obscurantistas empenharam-se a fundo a fim de porem termo à chamada "anarquia" da Rússia, que ameaçava desagregar todo o mundo capitalista.
  669. ______________________
  670. É preciso reconhecer que, de um modo geral, nesse período a edificação claudica, visto como a maior parte da energia construtiva, nove décimos, é empregada para criar o Exército Vermelho, uma vez que na luta de morte contra as forças da Entente está em jogo a própria existência da Rússia Soviética, que nesse período pode ser defendida somente com as forças de um poderoso Exército Vermelho. E é preciso dizer que os nossos esforços não foram em vão, uma vez que o Exército Vermelho, vencendo Iudénitch e Koltchak, já mostrou nesse período todo o seu poderio.
  671. ______________________
  672. Do ponto de vista das relações exteriores, internacionais, o terceiro período é caracterizado pelo fato de que não só cessou-se de ignorar a Rússia e não só se começou a combatê-la arrastando para a dança com todas as forças até os 14 Estados míticos com os quais Churchill ameaçava a Rússia, mas logo, após algumas derrotas, começou-se a ter medo da Rússia, a ter a sensação de que estava surgindo uma potência popular socialista muito grande, que não toleraria as ofensas.
  673. ______________________
  674. Quanto à política levada a efeito por nós em relação aos inimigos internos, deve ela permanecer e permanecerá tal como foi em todos os três períodos, isto é, uma política de repressão contra todos os inimigos do proletariado. Ela não pode naturalmente ser considerada como "uma política de "liberdade geral": na época da ditadura do proletariado, para a burguesia não pode haver, entre nós. nenhuma liberdade geral, isto é, nenhuma liberdade de palavra, de imprensa, etc. Nossa política interna visa a dar às camadas proletárias das cidades e do campo o máximo de liberdade, a fim de que os restos da classe burguesa não tenham nem um mínimo de liberdade.
  675.  
  676. Nisso está a essência da nossa política, que se baseia na ditadura do proletariado.
  677. ______________________
  678. Passando em revista o passado do Poder Soviético, meu pensamento volta-se involuntariamente para aquela noite de 25 de outubro de 1917, faz três anos, quando nós, pequeno grupo de bolcheviques, com o camarada Lênin à testa, dispondo do Soviet de Petrogrado (então bolchevique) e de uma Guarda Vermelha com poucos efetivos, e em tudo e por tudo de um Partido Comunista pouco numeroso e não coeso ainda, composto de 200 a 250.000 membros, quando nós, minúsculo grupo, arrebatamos o Poder aos representantes da burguesia e passamo-lo ao II Congresso dos Soviets dos Deputados Operários, Camponeses e Soldados.
  679.  
  680. Desde então transcorreram três anos.
  681.  
  682. E nesses três anos a Rússia, passando através do fogo e da tempestade, temperou-se e tornou-se uma potência socialista muito importante no mundo.
  683. ______________________
  684. Se então possuíamos uma pequena Guarda formada por operários petrogradenses, que sabiam fazer frente aos alunos da escola militar insurgidos em Petrogrado, mas não sabiam lutar contra o inimigo externo porque eram fracos, agora possuímos o glorioso Exército Vermelho que conta milhões de homens, que bate os inimigos da Rússia Soviética, que venceu Koltchak, Denikin e que agora, por meio do provecto chefe da nossa cavalaria, o camarada Budiónni, bate os últimos restos do exército de Wrángel.
  685.  
  686. Se então, há três anos, possuíamos um pequeno Partido Comunista ainda não totalmente coeso — ao todo 200 a 250.000 membros — agora, após três anos, após a tempestade e o fogo através dos quais passou a Rússia Soviética, possuímos um partido de 700.000 membros, um partido talhado no aço, um partido cujos membros a qualquer momento podem ser mobilizados e enviados às centenas de milhares para qualquer trabalho partidário, um partido que, sem ter medo de levar a confusão às suas fileiras, ao primeiro aceno do Comitê Central pode reorganizar suas fileiras e lançar-se contra o inimigo.
  687.  
  688.  
  689.  
  690. Stalin - O Congresso dos Povos do Daguestão
  691. O Poder Soviético sabe que a ignorância é o primeiro inimigo do povo. Por isso é necessário criar mais escolas e órgãos administrativos que se sirvam das línguas locais.
  692.  
  693.  
  694.  
  695. Stalin - O Congresso dos Povos da Região do Térek
  696. Camaradas! No passado as coisas geralmente se davam assim: os governos consentiam nestas ou naquelas reformas, em concessões a favor dos povos só nos momentos difíceis, quando, enfraquecidos, eram obrigados a cativar seus povos. Dessa maneira sempre se comportaram os governos tzaristas e, em geral, os governos burgueses. O governo soviético age de modo diferente; não vos concede a autonomia num momento difícil, mas no momento em que grandes êxitos lhe sorriem nos campos de batalha, no momento do triunfo completo sobre o último baluarte do imperialismo na Criméia.
  697.  
  698. A experiência ensina que aquilo que é dado pelos governos num momento crítico não é estável, não é seguro, porque pode sempre ser tirado de novo, uma vez superado o momento crítico. As reformas e as liberdades podem ser duradouras só no caso de serem concedidas não sob a pressão da necessidade contingente, momentânea, mas na plena consciência da utilidade da reforma, no florescimento das forças e do poderio do governo. Justamente assim age agora o governo soviético restituindo-vos as vossas liberdades.
  699.  
  700.  
  701.  
  702. Stalin - A Situação no Cáucaso
  703. Também na Armênia e na Geórgia as possibilidades de êxito da Entente diminuíram consideravelmente após a derrota de Wrángel. A Armênia dos dachnaki indubitavelmente foi vítima de uma provocação da Entente, que primeiro atiçou-a contra a Turquia e depois abandonou-a ignominiosamente, deixando-a ser estraçalhada pelos turcos. É difícil duvidar que para a Armênia não tenha restado senão uma única possibilidade de salvação: a união com a Rússia Soviética. Essa circunstância, não há dúvida, servirá de lição a todos os povos cujos governos burgueses não param de fazer rapapés diante da Entente, e sobretudo à Geórgia.
  704.  
  705. A catastrófica situação econômica e alimentar da Geórgia é um fato constatado até pelos atuais dirigentes da Geórgia. A Geórgia, que se emaranhou nas redes da Entente e portanto se privou do petróleo de Baku e do trigo do Kuban, a Geórgia, que se transformou, na principal base das operações imperialistas da Inglaterra e da França e por isso está em relações hostis com a Rússia Soviética, essa Geórgia vive hoje seus últimos dias. Não é por obra do acaso que o corrupto chefe da II Internacional moribunda, o senhor Kautsky, varrido da Europa por uma onda revolucionária, encontrou asilo na pútrida Geórgia, emaranhada nas redes da Entente, junto aos fracassados social-comerciantes georgianos. É quase certo que no momento das dificuldades a Geórgia será abandonada pela Entente como o foi a Armênia.
  706.  
  707.  
  708.  
  709. Stalin - Sobre as Tarefas Imediatas do Partido a Respeito do Problema Nacional
  710. baseados na propriedade privada e na desigualdade de classes, os novos Estados nacionais não podem subsistir:
  711. sem a opressão das suas próprias minorias nacionais (Polônia, que oprime os bielo-russos, judeus, lituanos e ucranianos; Geórgia, que oprime os ossetinos, abkbasianos e armênios; Iugoslávia, que oprime os croatas e bosnianos, etc.);
  712. sem o aumento dos seus territórios a expensas dos vizinhos, o que provoca conflitos e guerras (Polônia contra a Lituânia, Ucrânia e Rússia; Iugoslávia contra a Bulgária; Geórgia contra Armênia e Turquia, etc.);
  713. sem se submeterem às “grandes” potências imperialistas nos terrenos econômicos, financeiro e militar.
  714. ______________________
  715. Se a propriedade privada e o capital separam infalivelmente os homens, avivam a inimizade nacional e acentuam a opressão nacional, a propriedade coletiva e o trabalho aproximam com a mesma infalibilidade os homens, socavam a inimizade nacional e destroem a opressão nacional. A existência do capitalismo sem opressão nacional é tão inconcebível como o é a do socialismo sem a emancipação das nações oprimidas, sem a liberdade nacional. O chovinismo e a luta nacional são inevitáveis enquanto os camponeses (e em geral a pequena burguesia), cheios de preconceitos nacionalistas, acompanharem a burguesia, e, pelo contrário, a paz e a liberdade nacionais podem considerar-se asseguradas se os camponeses acompanharem o proletariado, isto é, se a ditadura do proletariado for assegurada. Por isso o triunfo dos Sovietes e a instauração da ditadura do proletariado constituem a condição fundamental para a abolição da opressão nacional, para o estabelecimento da igualdade nacional, para assegurar os direitos das minorias nacionais.
  716. ______________________
  717. A missão do Partido com respeito às massas trabalhadoras desses povos (além das mencionadas nos capítulos 1 e 2) consiste em unir os esforços deles com os das massas trabalhadoras da população local russa na luta pela libertação contra os culaques, em geral, e contra os rapaces culaques grande-russos, em particular; consiste em ajudá-los, com todas as suas fôrças e por todos os meios, a livrar-se dos culaques colonizadores e, deste modo, assegurar para eles o gozo das terras férteis indispensáveis a uma existência humana.
  718. ______________________
  719. Como resultado dos êxitos obtidos nas frentes de guerra, sobretudo depois da liquidação de Wrangel, em certas regiões atrasadas da periferia, que não têm, ou quase não têm, um proletariado industrial, acentuou-se a tendência dos elementos nacionalistas pequeno-burgueses a entrar no Partido para fazer carreira. Considerando a situação do Partido como a de uma fôrça dirigente real, esses elementos se vestem geralmente com as cores do comunismo e, não poucas vezes, afluem ao Partido em grupos inteiros, trazendo um espírito de chovinismo e de decomposição mal encoberto. Além disso, as organizações do Partido na periferia, débeis em geral, nem sempre se acham em condições de resistir à tentação de “ampliar” o Partido mediante a admissão de novos membros.
  720. ______________________
  721. Embora com o regime soviético já não existam na Rússia nem nas Repúblicas a ela ligadas nacionalidades dominantes nem nacionalidades despojadas dos seus direitos, nem metrópoles nem colônias, nem explorados nem exploradores, existe, contudo, na Rússia o problema nacional. O fundamento do problema nacional na RSFSR consiste em eliminar o atraso (econômico, político e cultural) das nacionalidades, atraso que herdamos do passado; em dar aos povos atrasados a possibilidade de alcançar a Rússia Central nos terrenos estatal, cultural e econômico. No antigo regime, o Poder czarista não procurava, e não podia procurar, o desenvolvimento da vida estatal da Ucrânia, do Azerbaidzhan, do Turquestão e de outras regiões da periferia; o Poder czarista lutava contra o desenvolvimento da vida estatal, como lutava contra o progresso cultural das mesmas, tendendo para a assimilação violenta da população nativa. Além disso, no antigo Estado, os aristocratas agrários e os capitalistas nos deixaram como herança povos tão oprimidos como os quirguizes, os tchetchenos e os ossetinos, cujas terras eram colonizadas pelos elementos cossacos e culaques da Rússia. Estavam esses povos condenados a suportar sofrimentos incríveis, a extinguir-se. Por outro lado, a situação da nacionalidade grande-russa, como nacionalidade dominante, deixou as marcas da sua influência até nos comunistas russos, que não sabem ou não querem aproximar-se mais intimamente das massas trabalhadoras nativas, compreender suas necessidades e ajudá-las a sair do seu atraso e na cultura. Refiro-me aos grupos, pouco numerosos, de comunistas russos, que desprezam no trabalho as particularidades da vida e da cultura das regiões periféricas e se desviam às vezes para o chovinismo russo de “grande potência”. Além disso, a situação das nacionalidades não-russas, que sofreram a opressão nacional, não deixou também de exercer influência sobre os comunistas nativos, que às vezes não sabem distinguir dos interesses de classe das massas laboriosas do seu povo os interesses chamados “comuns a todo o povo”. Refiro-me ao desvio que se faz notar no sentido do nacionalismo local, desvio que se observa ás vezes nas fileiras dos comunistas nativos e que no Oriente tem sua expressão no pan-islamismo e no pan-turquismo. Finalmente, é preciso salvar da extinção os quirguizes, basquires e certas tribos de montanheses e assegurar-lhes as terras necessárias a expensa dos culaques colonizadores.
  722.  
  723.  
  724.  
  725. Stalin - Exposição do Problema Nacional
  726. Na época da II Internacional, o problema nacional se limitava geralmente a um círculo reduzido de problemas, que afetavam unicamente as “nações civilizadas”. Irlandeses, tchecos, polacos, finlandeses, sérvios, armênios, judeus e algumas outras nacionalidades da Europa — tal era o círculo de nações que não gozam da plenitude de seus direitos e cuja sorte interessava à II Internacional. Dezenas e centenas de milhões de pessoas pertencentes aos povos asiáticos e africanos, que suportam a opressão nacional na forma mais brutal e mais cruel, ficavam comumente fora do campo visual dos “socialistas”. Não se atreviam a colocar no mesmo plano os brancos e os de pele escura, os negros “incultos” e os irlandeses “civilizados”, os hindus “atrasados” e os polacos “ilustrados”. Ainda que fosse necessário lutar pela emancipação das nacionalidades europeias que não gozam da plenitude dos seus direitos, não seria digno de um “socialista decente” — é o que se pressupunha tacitamente — falar a sério da emancipação das colônias, “indispensáveis” à “manutenção” da “civilização”. Esses socialistas — que me perdoem por assim chamá-los — não suspeitavam nem remotamente que a abolição do jugo nacional na Europa não é concebível sem a emancipação dos povos coloniais da Ásia e da África do jugo do imperialismo; que o primeiro se acha organicamente ligado ao segundo. Os comunistas foram os primeiros a pôr a descoberto a relação existente entre o problema nacional e o problema das colônias; deram-lhe um fundamento teórico e colocaram-na na base de sua prática revolucionária.
  727.  
  728.  
  729.  
  730. Stalin - A Questão da Estratégia e da Tática dos Comunistas Russos
  731. Existem também situações em que os êxitos táticos brilhantes pelos seus efeitos imediatos, mas não proporcionais às possibilidades estratégicas, criam uma situação “imprevista”, funesta para toda a campanha. Assim ocorreu com Deníkin em fins de 1919, quando, empolgado pelo êxito fácil de um avanço rápido e sensacional sobre Moscou, distendeu a sua frente do Volga ao Dniéper e desse modo preparou a derrota dos seus exércitos. Assim ocorreu em 1920, durante a guerra contra os poloneses, quando nós, subestimando a força que tinha o fator nacional na Polônia e empolgados pelo êxito fácil de um avanço espetacular, empreendemos a tarefa, superior às nossas forças, de irromper na Europa através de Varsóvia e levantamos contra as tropas soviéticas a enorme maioria da população polonesa, criando desse modo uma situação que anulava os êxitos obtidos pelas tropas soviéticas no setor de Minsk e Zhitômir e minava o prestígio do Poder Soviético no Ocidente.
  732. ______________________
  733. Existem, enfim, outras situações em que é necessário desdenhar o êxito tático e enfrentar conscientemente reveses e derrotas táticas para assegurar vitórias estratégicas no futuro. Assim ocorre freqüentemente na guerra, quando uma das partes beligerantes, ao querer salvar os quadros do próprio exército e subtraí-los aos golpes das forças superiores do inimigo, inicia uma retirada metódica e cede, sem combate, cidades e regiões inteiras com o objetivo de ganhar tempo e concentrar as forças para travar novas batalhas decisivas no futuro. Assim ocorreu na Rússia, em 1918, durante a ofensiva alemã, quando o nosso Partido foi obrigado a aceitar a paz de Brest-Litovsk – que no momento oferecia uma grande vantagem do ponto de vista do efeito político imediato – para conservar a aliança com os camponeses sedentos de paz, para obter uma trégua, para constituir um novo exército e assegurar, desse modo, futuras vitórias estratégicas.
  734. ______________________
  735. Dois planos estratégicos entraram, então, em conflito nos círculos políticos da Rússia: o plano dos contra-revolucionários, que atraíam para as suas organizações a parte ativa dos mencheviques e dos social-revolucionários, e o plano dos bolcheviques.
  736.  
  737. O plano dos contra-revolucionários, dos social-revolucionários e dos mencheviques ativos, objetivava unir num só campo todos os descontentes: os velhos oficiais na retaguarda e na frente de batalha, os governos nacionalistas burgueses das regiões periféricas, os capitalistas e os latifundiários expropriados pela revolução, os agentes da Entente que preparavam a intervenção, etc. Tinham em vista a derrubada do governo soviético por meio de insurreições ou da intervenção estrangeira e queriam restaurar na Rússia o regime capitalista.
  738.  
  739.  
  740.  
  741. Stalin - Os Fatores Nacionais na Construção do Partido e do Estado
  742. Já sabeis, camaradas, que nós, como Federação Soviética, constituímos atualmente, pela vontade dos destinos históricos, o destacamento de vanguarda da revolução mundial. Sabeis que fomos os primeiros a romper a frente geral do capitalismo, e, pela vontade do destino, nos encontramos à vanguarda de todos. Sabeis que no nosso movimento de avanço havíamos chegado até Varsóvia, retirando-nos logo e fortificando-nos nas posições que consideramos mais sólidas. Desde esse momento passamos à NEP, e desde esse momento tomamos em consideração a moderação do ritmo do movimento revolucionário internacional; desde esse momento nossa política deixou de ser ofensiva para transformar-se em defensiva. Não era possível continuar avançando depois de ter sofrido um revés (não vamos ocultar a verdade) nas proximidades de Varsóvia, pois corríamos o perigo de ficar separados da retaguarda, e a nossa era uma retaguarda camponesa; finalmente, corríamos o perigo de nos afastar demasiado das reservas da revolução, das reservas do Oriente e do Ocidente, que nos haviam sido proporcionadas pela vontade do destino. Eis aí porque demos uma reviravolta interior no sentido da NEP e uma reviravolta exterior no sentido de moderar o movimento de progressão, tendo decidido que era preciso fazer uma pausa, curar nossas feridas, as feridas dos destacamento de vanguarda do proletariado, estabelecer contacto com a retaguarda camponesa, continuar o trabalho com as reservas que haviam ficado atrás de nós, reservas do Oriente e do Ocidente, o grosso das reservas, que constituía a retaguarda básica do capitalismo mundial. Quando tratamos da questão nacional, referimo-nos precisamente a essas reservas, ao grosso das mesmas, às reservas orientais, que constituem ao mesmo tempo a retaguarda do imperialismo mundial.
  743. ______________________
  744. Desta maneira e em relação com a NEP, na nossa vida interior se engendra uma fôrça nova, o chovinismo grande-russo, que se aninha nas nossas instituições, que não só penetra nas instituições dos Sovietes como nas do Partido, que perambula por todos os rincões da nossa Federação e, se medidas resolutas não forem tomadas (as condições da NEP o favorecem), poderá fazer que corramos o risco de nos encontrarmos diante do fato de um rompimento entre o proletariado da antiga nação dominante e os camponeses das nações antes oprimidas, o que equivalerá a um debilitamento da ditadura do proletariado.
  745. ______________________
  746. Se pudéssemos instituir no seio do Comitê Executivo Central da União duas câmaras, a primeira das quais se elegesse no Congresso dos Sovietes da União, independentemente das nacionalidades, e a segunda fosse eleita pelas Repúblicas e pelas regiões nacionais (as Repúblicas teriam a mesma representação que as regiões nacionais) e confirmada pelo próprio Congresso dos Sovietes da União de Repúblicas, julgo que teríamos, refletidos na composição aos nossos órgãos superiores, não só os interesses de classe de todos os grupos proletários sem exceção, mas as exigências puramente nacionais. Teríamos nesse caso um órgão que refletiria os interesses particulares das nacionalidades, dos povos e das tribos que habitam o território da União de Repúblicas. Nas nossas condições, camaradas, quando a União agrupa pelo meno um total de 140 milhões de habitantes, dos quais 65 milhões não são russos, não se pode governar um Estado deste tipo sem levar em conta, aqui em Moscou, num organismo superior, os delegados dessas nacionalidades que representem, não só os interesses comuns a todo o proletariado, mas os interesses particulares, especiais, específicos, os interesses nacionais. Sem isso não se pode governar, camaradas. Sem ter à mão esse barômetro e os homens capazes de formular as necessidades particulares das diferentes nacionalidades, não se pode governar.
  747.  
  748.  
  749.  
  750. Stalin - XIII Conferência do P.C. (b) da Rússia
  751. Passo a outra questão: alguns camaradas e algumas organizações transformam em fetiche o problema da democracia, considerando-o como qualquer coisa de absoluto, fora do tempo e do espaço. Quero dizer com isso que a democracia não é algo dado de uma vez para sempre, para todos os tempos e condições, pois há momentos em que não é possível nem justo exercê-la. Para que ela, a democracia interna do Partido, se torne possível, são necessárias duas condições ou duas séries de condições externas e internas, sem as quais é inútil falar de democracia.
  752.  
  753. É necessário, em primeiro lugar, que a indústria se desenvolva, que não piore a situação material da classe operária, que a classe operária cresça numericamente, que o seu nível cultural se eleve e que ela se desenvolva também qualitativamente. É necessário que o Partido, como vanguarda da classe operária, também cresça, sobretudo qualitativamente e em primeiro lugar graças ao ingresso, nele, dos elementos proletários do país. Estas condições de caráter interno são absolutamente necessárias para que se possa levantar o problema da aplicação efetiva, e não formal, da democracia interna do Partido.
  754.  
  755. Mas estas condições, por si sós, não bastam. Já disse que há uma segunda série de condições, de caráter externo, sem as quais se torna impossível a democracia interna do Partido. Refiro-me a certas condições internacionais, que assegurem mais ou menos a paz, o desenvolvimento pacífico, sem o qual é inconcebível a democracia no Partido. Noutras palavras: se fôssemos atacados e tivéssemos de defender o país de armas na mão, não se poderia falar de democracia, posto que seria necessário limitá-la. O Partido seria mobilizado, provavelmente o militarizaríamos, e deixaria de existir por si mesma a questão da democracia no Partido.
  756. ______________________
  757. Creio, por isso, que a democracia deve ser considerada de acordo com as condições e que não deve haver fetichismo nas questões relativas à democracia interna no Partido, porque o exercício da democracia interna no Partido depende, como vedes, das condições concretas de tempo e de lugar em cada momento dado.
  758. ______________________
  759. Finalmente, existe um terceiro obstáculo no caminho da realização da democracia, e este é o baixo nível cultural de uma série de organizações nossas, das nossas células, particularmente nas regiões periféricas (não o tomem a mal), que impede as nossas organizações de aplicar conseqüentemente a democracia no seio do Partido. Sabeis que a democracia exige um mínimo de cultura dos membros da célula e de toda a organização e a existência de um mínimo disponível de militantes ativos, que possam ser eleitos e designados para os diversos cargos. Mas, se na organização não se conta com esse mínimo de militantes ativos, se o nível cultural da própria organização é baixo, que se deve fazer? Naturalmente, nestes casos, é preciso afastar-se da democracia, é preciso recorrer à nomeação dos dirigentes, etc..
  760. ______________________
  761. Tais são os obstáculos que surgem diante de nós, que continuarão a surgir e que devemos superar para exercer honesta e conseqüentemente a democracia interna do Partido. Relembrei-vos os obstáculos que surgem diante de nós, bem como as condições externas e internas sem as quais a democracia se torna uma vazia palavra demagógica, porque alguns camaradas fazem da democracia um fetiche, uma entidade absoluta, pensando que a democracia é possível sempre e sob todas as condições e que o único obstáculo à sua aplicação é a "má" vontade dos "burocratas do Partido". Para refutar este ponto-de-vista idealista, alheio a nós, não marxista, não leninista, relembrei, camaradas, as condições necessárias ao exercício da democracia e os obstáculos que surgem diante de nós no momento atual.
  762. ______________________
  763. Creio, camaradas, que, nessas intervenções, Trotski cometeu pelo menos seis erros graves, que levaram ao recrudescimento da luta no seio do Partido. Passo a analisá-los.
  764.  
  765. O primeiro erro de Trotski consiste no próprio fato de ter publicado o seu artigo no dia seguinte ao da publicação da resolução do Birô Político do Comitê Central e da Comissão Central de Controle, artigo que não pode ser considerado senão como uma plataforma contrária à resolução do C. C. Repito e friso que foi um artigo que não se pode considerar senão como uma nova plataforma contrária à resolução do C.C., que fora aprovada por unanimidade. Pensai um pouco, camaradas: certo dia se reúnem o Birô Político e o Presidium da Comissão Central de Controle para discutir a resolução sobre á democracia interna do Partido; a resolução é aprovada por unanimidade, e apenas um dia depois, independentemente do C.C., contra a vontade do C.C., passando por cima do C.C., é enviado às organizações distritais o artigo de Trotski, isto é, uma nova plataforma, que levanta mais uma vez a questão do aparelho e do Partido, dos quadros e da juventude, das frações e da unidade do Partido, etc., etc., plataforma que toda a oposição apóia e se contrapõe à resolução do C. C. Não se pode considerar isso senão como uma oposição ao Comitê Central. Assim Trotski se contrapõe aberta e bruscamente a todo o Comitê Central. Ao Partido se apresentou a questão: existe entre nós um Comitê Central, como órgão dirigente, ou já não existe? Existe um C.C. cujas decisões unânimes devem ser respeitadas pelos membros deste C.C. ou apenas existe um super-homem, que está acima do C.C. um super-homem para o qual não foram escritas leis, que pode permitir-se votar hoje pela resolução do C.C e amanhã publicar e apresentar uma nova plataforma contra esta resolução? Camaradas, não se pode pretender que os operários se submetam à disciplina do Partido quando um membro do C.C. ignora abertamente, aos olhos de todos, o Comitê Central e a sua resolução aprovada por unanimidade. Não pode haver duas disciplinas diversas: uma para os operários e outra para os grão-senhores. A disciplina deve ser uma só.
  766.  
  767. O erro de Trotski consiste justamente em ter oposto a sua própria pessoa ao C.C. em julgar-se um super-homem, acima do C.C. das suas leis, das suas decisões, dando assim pretexto a uma parte do Partido para desenvolver atividade tendente a minar a confiança no C.C
  768.  
  769. Certos camaradas manifestaram descontentamento, porque esse ato de Trotski, dirigido contra o Partido, foi denunciado em alguns artigos da "Pravda" e por alguns membros do C.C. Devo responder a estes camaradas que nenhum partido poderia respeitar um C.C. que, em semelhante momento difícil, não se revelasse capaz de defender a dignidade do Partido, quando um membro do C.C. procura colocar-se acima de todo o C.C. O C.C. cometeria um suicídio moral se deixasse passar em silêncio essa tentativa de Trotski.
  770. ______________________
  771. O terceiro erro cometido por Trotski consiste em ter contraposto, nas suas intervenções, o aparelho do Partido ao próprio Partido, lançando a palavra de ordem da luta centra os "burocratas do aparelho". O bolchevismo não pode aceitar a contraposição do Partido ao aparelho do Partido. De que se compõe, na realidade, o nosso aparelho de partido ? O aparelho do Partido se compõe do C.C., dos comitês regionais, dos comitês provinciais e dos comitês distritais. Esses comitês estão subordinados ao Partido? Certamente, pois noventa por cento dos seus membros são eleitos pelo Partido. Incorrem em erro os que dizem que os comitês provinciais são constituídos por nomeação. Não têm razão ao afirmá-lo. Sabeis, camaradas, que no nosso Partido os comitês provinciais são eleitos, do mesmo modo que os comitês distritais e o C.C. Estão subordinados ao Partido. Mas, uma vez eleitos, devem dirigir o trabalho: eis o nó da questão. De que modo se poderia conceber o trabalho de partido se, uma vez eleito o C.C. pelo Congresso, ou o comité provincial pela Conferência Provincial, o C.C. e o comité provincial não dirigissem o trabalho? Sem isso o nosso trabalho de partido seria inconcebível. É um modo de ver irresponsável, anarco-menchevique, que nega o próprio princípio da direção do trabalho de partido. Temo que Trotski, que não pretendo, certamente colocar no mesmo plano dos mencheviques, contrapondo desse modo o aparelho do Partido ao próprio Partido, anime certos camaradas menos experimentados a adotarem o ponto-de-vista do relaxamento anarco-menchevique e da desordem em matéria de organização. Temo que esse erro de Trotski exponha aos ataques dos membros menos experimentados do nosso Partido todo o aparelho do Partido, aparelho sem o qual não se pode conceber o Partido. O quarto erro cometido por Trotski consiste em ter contraposto os jovens aos quadros do nosso Partido, em haver lançado a acusação infundada de degeneração dos nossos quadros. Trotski pôs o nosso Partido no mesmo plano do Partido Social-Democrata alemão, citou exemplos de degeneração de alguns discípulos de Marx, velhos social-democratas, e daí tirou a conclusão de que também os nossos quadros de partido se acham diante de um semelhante perigo de degeneração. No fundo, faz rir este membro do C.C., que ainda ontem lutava contra o bolchevismo, de braço dado com os oportunistas e os mencheviques, e que hoje, no sétimo ano de existência do Poder Soviético, procura afirmar, embora de forma hipotética, que os quadros do nosso Partido, nascidos, desenvolvidos e fortalecidos na luta contra o menchevismo e o oportunismo, estão no caminho da degeneração. Causaria riso, repito, semelhante tentativa. Mas como esta afirmação se faz, não num período normal, mas durante a discussão, e como nos encontramos aqui diante de certa contraposição entre os quadros, que se achariam diante do perigo de degeneração, e os jovens que estariam imunes, ou quase imunes, em face de tal perigo, tal suposição, no fundo ridícula e destituída de seriedade, poderia assumir, e já assumiu, uma certa importância prática. Por isso, creio que nos devemos deter nesta questão. Diz-se, às vezes, que é preciso respeitar os velhos, porque viveram mais do que os jovens, sabem mais e podem aconselhar melhor. Devo dizer, camaradas, que esta opinião é inteiramente errónea. Nem todos os velhos merecem respeito e nem todas as experiências, são para nós importantes. A questão reside em saber de que espécie de experiência se trata. Os social-democratas alemães possuem os seus quadros, e muito experimentados: Scheidemann, Noske, Wels, etc., quadros por demais experimentados, adestrados na luta. Mas, na luta contra quê? Contra quem? De que gênero é a sua experiência? Eis o nó da questão. Ali, os quadros são formados na luta contra o que é revolucionário, na luta não pela ditadura do proletariado, mas contra a ditadura do proletariado. É uma enorme experiência, mas uma experiência negativa. A juventude, camaradas, tem o dever de combater essa experiência, de destruí-la, de repelir os velhos que a possuem. Na social-democracia alemã, onde a juventude está imune à experiência da luta contra o que é revolucionário, ali a juventude se acha mais próxima do espírito revolucionário, mais próxima do marxismo do que os velhos quadros, sobre os quais pesa a experiência da luta contra o espírito revolucionário do proletariado, sobre os quais pesa a experiência da luta pelo oportunismo contra o espírito revolucionário. E necessário combater esses quadros, e toda a nossa simpatia deve estar ao lado dos jovens, os quais, repito, estão livres dessa experiência de luta contra o espírito revolucionário e assimilam mais facilmente os novos modos e os novos métodos de luta pela ditadura do proletariado, contra o oportunismo.
  772. ______________________
  773. O quinto erro cometido por Trotski consiste em ter, nas suas cartas, dado o pretexto e lançado a palavra de ordem de se voltar para a juventude estudantil, para "o mais fiel barômetro do nosso Partido". "A juventude, o mais fiel barômetro do nosso Partido, reage mais decididamente do que ninguém contra o burocratismo no Partido" — diz ele no seu primeiro artigo. E para não deixar dúvidas quanto à juventude a que se refere, Trotski, na segunda carta, acrescenta:
  774.  
  775. "Como vimos, a juventude estudantil reage com particular sensibilidade ao burocratismo".
  776.  
  777. Se partíssemos de tal suposição, absolutamente errônea, teoricamente falsa, praticamente nociva, teríamos de ir mais longe e lançar a palavra de ordem: "O maior número possível de jovens estudantes no nosso Partido; abramos de par em par as portas do Partido à juventude estudantil".
  778.  
  779. Até agora nós nos orientávamos para o setor proletário do nosso Partido e dizíamos: abramos de par em par as portas do Partido aos elementos proletários, que cresça o nosso Partido com o aumento da sua parte proletária. Agora, Trotski põe esta fórmula de pernas para o ar.
  780.  
  781. O problema dos intelectuais e dos operários no nosso Partido não é novo para nós. Foi levantado já no II Congresso do nosso Partido, quando se procurava formular o primeiro artigo dos Estatutos sobre a qualidade de membro do Partido. E sabido que, então, Mártov pretendia estender a admissão no Partido aos elementos não proletários, contrariamente ao camarada Lênin, o qual exigia que se limitasse rigorosamente a admissão no Partido dos elementos não proletários. Em seguida, no III Congresso do nosso Partido, esse problema foi de novo levantado e com maior vigor. Recordo como o camarada Lênin situou francamente o problema dos operários e dos intelectuais no nosso Partido. Eis o que disse, então, o camarada Lênin:
  782.  
  783. «Assinalou-se que as cisões são em geral capitaneadas pelos intelectuais. Esta indicação é muito importante, mas não decide a questão... Creio que é necessário considerar a coisa de um ponto-de-vista mais amplo. Fazer com que os operários ingressem nos comitês é não somente uma tarefa pedagógica, mas também política. Os operários possuem o instinto de classe e quando adquirem uma pequena experiência política se tornam com rapidez social-democratas conseqüentes. Eu veria com grande simpatia que nos nossos comitês houvesse para cada dois intelectuais oito operários.»
  784.  
  785. Desse modo se colocava o problema, já em 1905. Desde então esse ensinamento de Lênin foi para nós a idéia diretriz na obra de edificação do Partido. Agora, Trotski propõe, no fundo, que se rompa com a linha do bolchevismo em matéria de organização.
  786. ______________________
  787. E, finalmente, o sexto erro de Trotski, que consiste em ter proclamado a liberdade de grupos. Sim, liberdade de grupos! Recordo como, já na subcomissão que elaborava o projeto de resolução sobre a democracia, discutimos com Trotski sobre grupos e frações. Trotski, embora não sendo contrário à proibição das frações, defendia resolutamente a idéia de se permitir a existência de grupos no seio do Partido. A oposição sustenta um ponto-de-vista idêntico. Essa gente não compreende, ao que parece, que, permitindo-se a liberdade de grupos, se abre uma brecha para a infiltração dos elementos miasnikovistas[N5], aos quais se oferece a possibilidade de enganar o Partido e de fazer passar uma fração por um grupo. Na verdade, que diferença existe entre um grupo e uma fração? A diferença é apenas aparente. Eis de que modo o camarada Lênin define a fração, incluindo-a na categoria de grupo:
  788.  
  789. «Mesmo antes de se iniciar no Partido a discussão geral sobre os sindicatos, já se manifestavam no Partido alguns indícios de fracionismo, isto é, surgiam grupos com as suas próprias plataformas e inclinados, até certo ponto, a isolar-se e a criar a sua própria disciplina de grupo.» (Vide Atas taquigráficas do X Congresso do P. C. (b) da Rússia, pág. 309).
  790.  
  791. Como vedes, não há, no essencial, diferença entre fração e grupo. Quando aqui, em Moscou, a oposição criou um birô especial, tendo à frente Serebriákov, e mandou os seus oradores para diferentes lugares com a incumbência de falar nessa ou naquela reunião, de fazer objeções por todos os modos possíveis; quando, no curso da luta, os oposicionistas, obedecendo à ordem recebida, resolveram recuar e modificar as suas resoluções, tratava-se, certamente, de um grupo e de uma disciplina de grupo. Não era uma fração, diz-se. Mas, que é, então, uma fração? Que o explique Preobrazhenski. As intervenções de Trotski, as suas cartas e os seus artigos sobre o problema das gerações e das frações tinham por objetivo levar o Partido a tolerar a existência de grupos no seu seio. Tratava-se de uma tentativa para legalizar as frações e, sobretudo, a fração de Trotski.
  792.  
  793. Afirma Trotski que os grupos surgem em conseqüência do regime burocrático instaurado pelo Comitê Central e que, se não existisse entre nós um regime burocrático, tampouco haveria grupos. Esta maneira de focalizar a questão não é marxista, camaradas. Os grupos surgem e continuarão a surgir no nosso Partido, porque existem no país as mais diversas formas de economia: desde as formas embrionárias do socialismo até as formas medievais. Isto, em primeiro lugar. Depois, temos a N.E.P., isto é, admitimos o capitalismo, o ressurgimento do capital privado e o ressurgimento das idéias a ele correspondentes, idéias que se infiltram no Partido. Isto, em segundo lugar. E, em terceiro lugar, três elementos compõem o nosso Partido: no nosso Partido há operários, há camponeses e há intelectuais. Eis, de acordo com a maneira marxista de colocar o problema, as razões que fazem surgir no Partido determinados indivíduos, em torno dos quais se criam grupos, que às vezes devemos extirpar com uma intervenção cirúrgica e outras vezes reabsorver ideologicamente, por meio de uma discussão.
  794. ______________________
  795. Se numa situação tão, complexa admitíssemos a existência de grupos, arruinaríamos o Partido, transformando-o, de organização coesa e monolítica, numa aliança de grupos e frações, que se poriam de acordo entre si para formar uniões e blocos temporários. Não seria o Partido, mas o desmoronamento do Partido. Jamais, nem por um instante, os bolcheviques conceberam o Partido senão como uma organização monolítica, esculpida num só bloco, dotada de uma só vontade e que une no seu trabalho todos os matizes do pensamento num só fluxo de atividade prática.
  796.  
  797. Ao contrário, o que Trotski propõe é profundamente errôneo, diametralmente oposto aos princípios bolcheviques de organização, e conduziria a uma desagregação inevitável do Partido, ao seu enfraquecimento, ao seu amolecimento, à transformação do partido único num conjunto de grupos. Nas condições do cerco capitalista em que vivemos, temos necessidade não só de um partido único, coeso, mas de um verdadeiro partido de aço, capaz de resistir ao ataque dos inimigos do proletariado, capaz de conduzir os operários à batalha decisiva.
  798. ______________________
  799. Conheceis a mentalidade de camaradas como os estudantes Martínov, Kazarian e outros? Lestes o artigo de Khodorovski na "Pravda", em que cita trechos dos discursos desses camaradas? Eis, por exemplo, o que diz Martínov (segundo parece, é membro do Partido) :
  800.  
  801. "A nossa tarefa consiste em tomar decisões, enquanto a tarefa do C.C. consiste em aplicá-las e em discutir o menos possível."
  802.  
  803. Trata-se, aqui, da célula do Instituto Superior, adjunto ao Comissariado do Povo das Vias de Comunicação. Mas, camaradas, temos, em conjunto, no Partido, nada menos de 50.000 células; se cada célula tratar o C.C. desse modo, declarando que a tarefa das células é decidir e a tarefa do C.C. é não discutir, receio que jamais cheguemos a alguma decisão. De onde emana este estado de espírito dos Martínov? Que há nele de proletário? Os Martínov apóiam a oposição, lembrai-vos disso. Há alguma diferença entre Martínov e Trotski? A diferença é somente que Trotski foi o iniciador do ataque contra o aparelho do Partido, enquanto Martínov lhe aplica o golpe de misericórdia.
  804.  
  805. Vejamos o que diz Kazarian, outro estudante, que, segundo parece, é também membro do Partido:
  806.  
  807. "Que temos — pergunta ele — ditadura do proletariado, ou ditadura do Partido Comunista sobre o proletariado?"
  808.  
  809. Quem diz isso, camaradas, não é o menchevique Mártov, mas o "comunista" Kazarian. A diferença entre Trotski e Kazarian é que, segundo Trotski, os quadros degeneram, enquanto segundo Kazarian é preciso expulsar os quadros, porque, segundo lhe parece, os quadros montaram às costas do proletariado.
  810.  
  811. E eu pergunto: Os Martínov e os Kazarian exprimem o estado de espírito de quem? Do proletariado? Certamente não. De quem, então? Dos elementos não proletários do Partido e do país. É por acaso que esses intérpretes de estados de espírito não proletários votam pela oposição? Não, não é por acaso.
  812. ______________________
  813. O segundo ato se abre com o Pleno do C. C. e da Comissão Central de Controle, realizado no mês de outubro. A oposição, com Trotski à frente, percebendo que a situação cheirava a deficiências no seio do Partido e que o C.C. já havia posto mãos à obra, havia criado comissões, e que — não o permitisse Deus! — a iniciativa ficaria nas mãos do C.C. tentou, propôs-se como objetivo, arrebatar a iniciativa ao C.C. e montar o cavalo de batalha da democracia, pois é um fogoso corcel, como se sabe, e com ele se poderia passar por cima do C.C. E nessa base foram compilados os documentos sobre os quais tanto se estendeu Preobrazhenski: o documento dos 46[N7] e a carta de Trotski. O próprio Trotski, que em setembro, dias antes da sua intervenção fracionista, calava no Pleno, ou, de qualquer modo, não fazia objeções às decisões do C. C. duas semanas depois descobria, de inopino, que o Partido e o país estavam a perecer e que ele, Trotski, este patriarca dos burocratas, não podia viver sem democracia.
  814. ______________________
  815. Era um tanto ridículo ouvir da boca de Trotski discursos sobre a democracia, do mesmo Trotski que no X Congresso do Partido exigia que os sindicatos fossem sacudidos de cima. Sabíamos, porém, que entre o Trotski do período do X Congresso e o Trotski dos nossos dias não há grande diferença, pois agora, como então quer sacudir os quadros leninistas. A única diferença é que no X Congresso ele sacudia os quadros leninistas de cima, no campo sindical, enquanto agora sacode os mesmos quadros leninistas de baixo, no campo do Partido. Precisa da democracia como cavalo de batalha, como manobra estratégica. Essa é toda a música.
  816. ______________________
  817. Numa das suas cartas ao C.C. Trotski escreve que o Pleno de outubro "foi a suprema expressão da orientação burocrática do aparelho." Não é porventura claro que esta declaração de Trotski representa uma calúnia contra o C.C? Somente uma pessoa que tenha perdido a cabeça e se deixado cegar pelo espírito de fração pode afirmar, depois do documento que li, que o Pleno de outubro foi uma expressão suprema de burocratismo.
  818.  
  819. Que decidiram, então, os Plenos do C.C. e da Comissão Central de Controle sobre as manobras "democráticas" de Trotski e dos 46? Eis o que decidiram:
  820.  
  821. «Os Plenos do C.C. e da Comissão Central de Controle, com a participação dos representantes de dez organizações do Partido, julgam que a intervenção de Trotski, em momento tão cheio de responsabilidades como o que ora atravessam a revolução mundial e o Partido, foi um profundo erro político, particularmente porque o ataque de Trotski ao Birô Político assumiu, objetivamente, o caráter de intervenção fracionista, que ameaça desferir um golpe contra a unidade do Partido e provoca uma crise no Partido. Os Plenos verificam, com pesar, que Trotski preferiu, para levantar os problemas por ele abordados, o caminho do apelo a estes ou àqueles membros do Partido, ao invés de escolher o único caminho admissível, o qual consiste em submeter previamente esses problemas ao exame dos organismos coletivos de direção de que Trotski participa.
  822.  
  823. O caminho escolhido por Trotski serviu de sinal para a formação de um grupo fracionista (a declaração dos 46).
  824. ______________________
  825. O terceiro ato, isto é, a terceira fase da história da questão, é o período que se segue ao Pleno de outubro. O Pleno de outubro decidiu propor ao Birô Político que tomasse todas as medidas necessárias para assegurar a harmonia no trabalho. Devo declarar, camaradas, que no período que se seguiu a outubro tomamos todas as medidas para trabalhar em harmonia com Trotski, embora, devo afirmar, a tarefa não fosse das mais fáceis. Tivemos duas reuniões privadas com Trotski, examinamos todos os problemas de caráter econômico e do Partido e chegamos a fixar certos critérios que não suscitavam nenhuma divergência. Em seguida a essas reuniões privadas e às tentativas para tornar possível um trabalho em harmonia no seio do Birô Político, criou-se, como já informei, ontem, uma subcomissão composta de três membros. Foi esta subcomissão encarregada de elaborar o projeto de resolução que posteriormente se tornou a resolução do C. C. e da Comissão Central de Controle sobre a democracia.
  826.  
  827. Assim se passaram as coisas.
  828.  
  829. Parecia-nos que, uma vez aprovada a resolução, por unanimidade, não haveria mais motivos de discussão, nem de luta interna do Partido. E assim foi, na realidade, enquanto Trotski não interveio de novo com o seu apelo às organizações distritais. Mas a intervenção de Trotski um dia após a publicação da resolução do C.C., intervenção feita independentemente do C.C. e passando por cima do C.C., lançou tudo por terra, mudou radicalmente a situação e fez o Partido recuar a novas discussões, a uma nova luta, mais áspera do que antes. Diz-se que o C.C. deveria ter proibido a publicação do artigo de Trotski. Não é certo, camaradas. Teria sido, de parte do C.C. um passo perigosíssimo. Como proibir o artigo de Trotski, se já havia sido dado a público nas organizações distritais de Moscou? O C.C. não poderia dar um passo tão irrefletido.
  830.  
  831. Esta é a história da questão.
  832.  
  833. De tudo o que foi dito se depreende que a oposição não estava tão interessada na democracia como em utilizar a idéia da democracia para abalar as bases do C.C; que esta oposição não é formada por homens dispostos a ajudar o Partido, mas por uma fração que procura colher o C.C. numa emboscada: "talvez erre, talvez não seja bastante vigilante, e assim nós lhe daremos um belo golpe." Uma fração é precisamente isto: um grupo de membros do Partido que fica de tocaia, contra os órgãos centrais do Partido, para aproveitar-se da má colheita, ou da baixa do "tchervonets",[N8] ou de outras dificuldades do Partido, e depois aparecer na curva da estrada, onde se acha oculto, a fim de golpear o Partido na cabeça. Sim, razão tinha o C.C. em outubro, camaradas oposicionistas, quando vos dizia que uma coisa é a democracia e outra, fazer intrigas contra o Partido: uma coisa é a democracia e outra aproveitar contra a maioria do Partido o barulho que se faz em torno da democracia.
  834. ______________________
  835. Para a oposição tornou-se regra exaltar o camarada Lênin como o gênio dos gênios. Temo que esses elogios não sejam sinceros e que também aqui se oculte uma astúcia estratégica: fazendo grande estardalhaço em torno da genialidade do camarada Lênin, querem dissimular que se afastam de Lênin e, ao mesmo tempo, sublinhar a debilidade dos seus discípulos. Naturalmente, não seremos nós, discípulos do camarada Lênin, que deixaremos de compreender que ele é o gênio dos gênios e que homens assim surgem apenas de século em século. Mas, permiti-me, Preobrazhenski, que vos pergunte por que assumistes uma posição contrária à desse homem genialíssimo na questão da paz de Brest-Litovsk? Por que abandonastes esse homem genialíssimo num momento difícil e não lhe destes ouvido? Onde, em que campo vos encontráveis, então?
  836. ______________________
  837. Preobrazhenski comete erro quando afirma que o nosso Partido, nos anos anteriores, não se deixou superar pelos acontecimentos. Errou porque esta afirmação peca contra a realidade dos fatos e é teoricamente falsa, Poderíamos citar vários exemplos. Tomemos, por exemplo, a paz de Brest-Litovsk. Porventura não nos decidimos com atraso em relação a Brest-Litovsk? Por acaso não foram precisos fatos como a ofensiva alemã e a debandada dos nossos soldados para que compreendêssemos finalmente a necessidade da paz? O desmoronamento do "front", a ofensiva de Hoffmann,[N10] a sua marcha sobre Petrogrado, a pressão dos camponeses: não foram, necessários porventura todos esses fatos para que compreendêssemos que o ritmo da revolução internacional era menos rápido do que desejávamos, que o nosso exército era menos forte do que supúnhamos, que os camponeses não eram tão pacientes como acreditávamos alguns de nós, que desejavam a paz e a conquistariam pela força?
  838.  
  839. Ou tomemos o exemplo da abolição do sistema de entrega dos excedentes de gêneros alimentícios. Por acaso não nos atrasamos na abolição de tal sistema? Acaso não foram necessários fatos como Kronstadt e Tambov[N11] para que compreendêssemos que era impossível continuar a viver nas condições do comunismo de guerra? Por acaso não reconheceu o próprio Ilitch que havíamos sofrido nessa frente uma derrota mais grave do que qualquer das derrotas nas frentes contra Deníkin e Koltchak?
  840.  
  841. É acidental o fato de que em todos esses casos o Partido ficou atrás dos acontecimentos, atrasando-se um pouco? Não, não é acidental. Isso ocorreu sistematicamente. É evidente que, como não se trata aqui de previsões teóricas gerais, mas da direção prática imediata, o Partido governante, que empunha o timão e está absorvido pelos acontecimentos do dia, não pode perceber e captar de súbito os processos que se desenvolvem na profundidade da vida, e se torna necessário um impulso exterior, é preciso que os novos processos alcancem certo desenvolvimento, para que o Partido os perceba e se oriente levando-os em consideração. Precisamente por isso o nosso Partido marchava um pouco atrás dos acontecimentos, no passado, e continuará marchando no futuro. O problema não reside em marchar a reboque dos acontecimentos, mas em compreender o seu sentido, o sentido dos novos processos para depois dirigi-los, com habilidade, segundo a tendência geral do desenvolvimento. Precisamente assim se coloca a questão, se encararmos as coisas com olhos de marxista, e não com olhos de fracionista, que procura culpados por todos os lados. Preobrazhenski se indigna porque os representantes do C.C. dizem que Trotski se desvia do leninismo. Indigna-se, mas ainda não apresentou objeção séria e, em geral, não procurou justificar a sua indignação, esquecendo-se de que indignação não é argumento. Sim, é verdade que Trotski se desvia do leninismo nas questões de organização. Temos afirmado isto e continuamos a afirmá-lo. Os conhecidos artigos publicados na "Pravda", intitulados "Abaixo o fracionismo", artigos devidos à pena de Bukharin, são inteiramente dedicados à questão dos desvios de Trotski em relação ao leninismo. Por que Preobrazhenski não fez nenhuma objeção substancial às idéias principais expostas nesses artigos? Por que Preobrazhenski não procurou corroborar a sua indignação com argumentos ou pelo menos com uma aparência de argumentos? Eu disse ontem, e devo repetir hoje que os atos de Trotski, como contrapor-se ao Comitê Central, fazer caso omisso da vontade de uma série de organizações, as quaís exigem de Trotski uma resposta clara, opor o Partido ao aparelho do Partido, opor a juventude aos quadros do Partido, orientar o Partido no sentido de apoiar-se na juventude estudantil e proclamar a liberdade de grupos, tais atos são incompatíveis com os princípios de organização do leninismo. Por que Preobrazhenski não tenta refutar esta minha afirmação?
  842.  
  843. Fala-se de perseguições contra Trotski. Sobre isso falaram Preobrazhenski e Radek, Camaradas, devo declarar que as afirmações desses camaradas sobre perseguições não correspondem à realidade. Vou recordar-vos dois fatos para que tenhais a possibilidade de julgar. O primeiro fato é o incidente ocorrido no Pleno do C.C., em setembro, quando Trotski, em resposta à declaração de Komárov, membro do C. C., de que os membros do C.C. não podem esquivar-se às decisões do C.C., se levantou de repente e abandonou a sessão do Pleno. Recordareis que o Pleno do C.C. enviou então a Trotski uma "delegação", rogando-lhe que voltasse à reunião. Recordareis que Trotski se negou a aquiescer ao convite do Pleno, demonstrando com isso que não tinha o menor respeito ao C.C.
  844.  
  845. Ou o caso em que Trotski se recusou decididamente a trabalhar nos órgãos centrais soviéticos, no Conselho do Trabalho e da Defesa e no Conselho de Comissários do Povo, não obstante a decisão, duas vezes tomada pelo C.C. de que Trotski começasse finalmente a trabalhar nos órgãos soviéticos. Sabeis que Trotski não moveu um dedo para cumprir a decisão do C. C. E, efetivamente, por que Trotski não poderia trabalhar no Conselho do Trabalho e da Defesa, no Conselho de Comissários do Povo? Por que Trotski, que tanto gosta de falar de planos, não poderia vez por outra aparecer na nossa Comissão Estatal de Planificação? Pode-se considerar normal uma situação em que um membro do C.C. faz caso omisso das decisões do C.C.? Não evidenciam todos esses fatos que o palavrório sobre perseguições não passa de mexerico e que, se há aqui um culpado, trata-se do próprio Trotski, cuja conduta não pode ser considerada senão como uma burla ao C.C?
  846.  
  847. Não têm fundamento algum as considerações de Preobrazhenski sobre a democracia. Preobrazhenski levanta a questão do seguinte modo: ou teremos grupos, e então haverá democracia, ou proibis os grupos e então não haverá democracia. Liberdade de grupos e democracia são para ele coisas indissolüvelmente ligadas entre si. Compreendemos de outro modo a democracia. Entendemos por democracia a elevação da atividade e da consciência das massas, a um nível mais elevado, para fazer com que as massas do Partido, não somente participem sistematicamente da discussão dos problemas, mas também da direção do trabalho. A liberdade de grupos, isto é, a liberdade de frações — pois se trata da mesma coisa — representa um mal que ameaça desintegrar o Partido e transformá-lo num clube de discussões. Estais desmascarado, Preobrazhenski, porque defendestes a liberdade das frações. A democracia, a massa do Partido a entende como criação das premissas para garantir a participação ativa dos membros do Partido na direção do nosso país, enquanto um punhado de intelectuais da oposição entende a coisa desse modo: haver a possibilidade de formar uma fração. Estais desmascarado, Preobrazhenski.
  848. ______________________
  849. E finalmente devo dizer algumas palavras sobre outra questão: que estado de espírito exprimem, nas suas intervenções, os camaradas da oposição? Devo voltar ao "caso" dos camaradas Kazarian e Martínov, alunos dos cursos do Comissariado do Povo das Vias de Comunicação. Este "caso" demonstra que numa parte dos estudantes, nem tudo vai bem, que o espírito de partido, neles, apodreceu há tempos, que no seu íntimo já romperam com o Partido e precisamente por isso votam com prazer em favor da oposição. Permiti-me que vos diga, camaradas, que gente dessa espécie, completamente apodrecida do ponto-de-vista de partido, não figura nem pode figurar entre aqueles que votaram em favor da resolução do C.C. Entre nós, não há gente dessa espécie, camaradas. Entre nós, nas nossas fileiras, não há pessoas que possam dizer: "Que temos: a ditadura do proletariado ou a ditadura do Partido Comunista sobre o proletariado?" Esta é uma frase de Mártov e de Dan. é uma frase dos "Dni"[N12] socialistas revolucionários, e se entre vós, nas vossas fileiras, tendes semelhantes defensores, que pode valer a vossa posição, camaradas da oposição? Ou, por exemplo, outro camarada, o camarada Martínov, que pensa que o C.C. deve calar e as células decidir. Vós, do C.C. diz ele, podeis cumprir o que nós, das células, tivermos decidido. Mas temos 50.000 células. Se tivessem de decidir, por exemplo, a questão do ultimato de Curzon, não alcançaríamos uma decisão em dois anos. Isso é anarco-menchevismo do mais puro. Se essa gente, que perdeu a cabeça e está apodrecida até a medula, apodrecida do ponto-de-vista de partido, figura na vossa fração, que pode valer a vossa fração?
  850.  
  851. — Uma voz: "Não somos membros do Partido?"
  852.  
  853. Sim, infelizmente, sois membros do Partido, mas estou disposto a tomar as medidas para que pessoas, dessa espécie deixem de sê-lo. (Aplausos.) Declarei que a oposição exprime o estado de espírito e as aspirações dos elementos não proletários no Partido e fora do Partido. A oposição, sem que tenha consciência do que faz, abre as portas as idéias e às aspirações pequeno-burguesas. A atividade fracionista da oposição leva água ao moinho dos inimigos do nosso Partido, ao moinho daqueles que querem enfraquecer, derrubar a ditadura do proletariado. Disse-o, ontem, e o repito hoje.
  854.  
  855. Mas, desejaríeis ouvir outros testemunhos? Bem, posso proporcionar-vos este prazer referindo-me, por exemplo, às declarações de S. Ivanóvitch, que bem conheceis. Quem é S. Ivanóvitch? É um menchevique, ex-membro do Partido, da época em que nós formávamos com os mencheviques um só partido. Depois de entrar em divergências com o C.C. menchevique, ele se tornou menchevique de direita. Os mencheviques de direita são um grupo de mencheviques intervencionistas, cujo objetivo atual consiste em derrubar o Poder Soviético, mesmo que seja com a ajuda das baionetas estrangeiras. O seu órgão é a "Zariá".[N13] O diretor desse órgão é S. Ivanóvitch. Qual a atitude deste menchevique em face da nossa oposição? Que mérito lhe reconhece? Ouvi:
  856.  
  857. «Devemos ser gratos à oposição por ter pintado com tão vivas cores o quadro da horripilante cloaca moral que se chama Partido Comunista Russo. Devemos ser-lhe gratos por ter desferido contra o Partido Comunista Russo um rude golpe moral e orgânico. Devemos ser-lhe gratos pelo fato de que a sua atividade facilita a obra de todos os que vêem na derrubada do Poder Soviético a tarefa do Partido Socialista»
  858.  
  859. Eis um reconhecimento dos vossos méritos, camaradas da oposição.
  860.  
  861. Ao concluir o meu discurso, desejaria exprimir aos camaradas da oposição o desejo de que esse beijo de S. Ivanóvitch não deixe neles marca indelével. (Prolongados aplausos.)
  862.  
  863.  
  864.  
  865. Stalin - O Problema Nacional
  866. Daí a necessidade de que o proletariado apoie enérgica e decididamente o movimento de libertação nacional dos povos oprimidos e dependentes.
  867.  
  868. Naturalmente isso não significa que o proletariado deva apoiar sempre e em toda parte, em todos os casos concretos, qualquer movimento nacional. Trata-se de apoiar aqueles movimentos nacionais encaminhados a debilitar, a vencer o imperialismo, e não a reforçá-lo ou mantê-lo. Costumam dar-se casos em que os movimentos nacionais de determinados países oprimidos se chocam com o interesses do desenvolvimento do movimento proletário. Entenda-se que, em tais casos, não se pode nem ao menos falar em prestar-lhes apoio.
  869. ______________________
  870. Outro tanto se pode dizer do que se refere ao caráter revolucionário dos movimentos nacionais em geral. O caráter indiscutivelmente revolucionário da imensa maioria dos movimentos nacionais é coisa tão relativa e particular quanto o é o possível caráter reacionário de alguns mementos nacionais concretos. O caráter revolucionário movimento nacional, sob as condições da opressão imperialista, não pressupõe de modo algum, obrigatoriamente, a existência de elementos proletários no movimento, a existência de um programa revolucionário ou republicano ao qual o movimento obedeça, a existência nele de uma base democrática. A luta que o emir do Afeganistão sustenta pela independência do seu país é uma luta objetivamente revolucionária, apesar das ideias monárquicas do emir e de seus correligionários, uma vez que essa luta debilita, decompõe, solapa os alicerces do imperialismo; por outro lado, a luta de democratas e “socialistas", de “ revolucionários” e republicanos tão “audaciosos” como, or exemplo, Kerenski e Tsereteli, Renaudel e Scheidsmann, Tchernov e Dan, Henderson e Clynes, durante a guerra imperialista, era uma luta reacionária, uma vez que tinha como resultado dourar a pílula do imperialismo, fortalecê-lo, dar-lhe a vitória. A luta dos comerciantes e dos intelectuais burgueses egípcios pela independência do Egito é, pelas mesmas razões, uma luta objetivamente revolucionária, apesar da origem burguesa e da condição burguesa dos líderes do movimento nacional egípcio e apesar de estarem contra o socialismo; por outro lado, a luta do governo trabalhista inglês por manter a situação de dependência do Egito é, pelo mesmo motivo, uma luta reacionária, apesar da origem proletária e da condição proletária dos membros desse governo e apesar de serem “partidários’ do socialismo. E não falemos do movimenta nacional de outros países coloniais e dependentes mais extensos, como a índia e a China, do qual cada passo no caminho da libertação, mesmo quando infrinja as exigências da democracia formal, representa um vigoroso golpe vibrado no imperialismo, isto é, um passo indiscutivelmente revolucionário.
  871.  
  872. Lênin tem razão quando diz que o movimento nacional dos países oprimidos não deve ser apreciado do ponto de vista da democracia formal, mas do ponto de vista dos resultados práticos no balanço geral da luta contra o imperialismo, isto é, que não deve ser focalizado “isoladamente, mas em escala mundial” (Lênin. t. XIX, pág.257, ed. russa).
  873.  
  874.  
  875.  
  876. Stalin - Sobre os Fundamentos do Leninismo
  877. A ditadura do proletariado surge não sobre a base da ordem burguesa, mas no processo da sua demolição, depois da derrubada da burguesia, no curso da expropriação dos latifundiários e dos capitalistas, no curso da socialização dos meios e dos instrumentos essenciais de produção, no curso da revolução violenta do proletariado. A ditadura do proletariado é um Poder revolucionário que se apóia na violência contra a burguesia.
  878.  
  879. O Estado é uma máquina nas mãos da classe dominante para esmagar a resistência dos seus inimigos de classe. Sob este aspecto, a ditadura do proletariado realmente não se distingue, em essência, da ditadura de qualquer outra classe, porque o Estado proletário é uma máquina para esmagar a burguesia. Há, porém, uma diferença essencial. Consiste esta diferença no fato de que todos os Estados de classe existentes até hoje eram a ditadura de uma minoria exploradora sobre a maioria explorada, enquanto a ditadura do proletariado é a ditadura da maioria explorada sobre a minoria exploradora.
  880. ______________________
  881. Os discursos de Kautsky e cia. sobre a igualdade universal, sobre a democracia "pura", sobre a democracia "perfeita", etc.. são uma cobertura burguesa do fato incontestável de que é impossível a igualdade entre explorados e exploradores. A teoria da democracia "pura" é a teoria da aristocracia operária domesticada e mantida pelos bandidos imperialistas. Foi criada para encobrir as chagas do capitalismo, para embelezar o imperialismo e dar-lhe força moral na luta contra as massas exploradas. Sob o capitalismo não existe nem podem existir "liberdades" verdadeiras para os explorados, além de outras razões pelo fato de que os locais, as oficinas gráficas, os depósitos de papel, etc., necessários para o exercício das "liberdades", constituem um privilégio dos exploradores. Sob o regime capitalista, não há nem pode haver uma efetiva participação das massas exploradas na direção do país, entre outros fatos, porque, sob o capitalismo, mesmo no regime mais democrático, os governos não são formados pelo povo, mas pelos Rotschild e os Stinnes, pelos Rockefeller e os Morgan. A democracia, no regime capitalista, é uma democracia capitalista, é a democracia da minoria exploradora, baseada na limitação dos direitos da maioria explorada e voltada contra esta maioria. Somente sob a ditadura do proletariado se tornam possíveis as verdadeiras liberdades para os explorados e uma verdadeira participação dos proletários e dos camponeses no governo do país. A democracia, sob a ditadura do proletariado, é uma democracia proletária, é a democracia da maioria explorada, baseada na limitação dos direitos da minoria exploradora e voltada contra esta minoria.
  882. ______________________
  883. Para o reformista, a reforma é tudo; o trabalho revolucionário, ao contrário, serve apenas, por assim dizer, para lançar poeira aos olhos dos outros. Por isso, com a tática reformista, enquanto existir o Poder burguês, uma reforma se converte inevitavelmente em instrumento de reforço deste Poder, em instrumento de desagregação da revolução.
  884.  
  885. Para o revolucionário, ao invés disso, o essencial é o trabalho revolucionário, não a reforma; para ele, a reforma não passa de produto acessório da revolução. Por isso, com a tática revolucionária, enquanto existir o Poder burguês, uma reforma se converte naturalmente em instrumento de desagregação desse Poder, em instrumento para reforçar a revolução, em ponto de apoio para o desenvolvimento do movimento revolucionário.
  886.  
  887. O revolucionário aceita a reforma com o fim de utilizá-la como ajuda para combinar o trabalho legal com o ilegal, cora o fim de servir-se dela como cobertura para o reforço do trabalho ilegal, que tem por objeto a preparação revolucionária das massas para a derrubada da burguesia.
  888.  
  889. Esta é a essência da utilização revolucionária das reformas e dos acordos nas condições existentes no período do imperialismo.
  890.  
  891. O reformista, ao contrário, aceita as reformas para renunciar a todo trabalho ilegal, para sabotar a preparação das massas para a revolução e repousar à sombra da reforma "concedida".
  892.  
  893. Esta é a essência da tática reformista.
  894.  
  895. Assim se apresenta o problema das reformas e dos acordos nas condições existentes no período do imperialismo.
  896.  
  897. As coisas mudam, porém, depois da derrocada do imperialismo, durante a ditadura do proletariado. Em certos casos, em certas condições, o Poder proletário pode ver-se obrigado a abandonar provisoriamente a via da reconstrução revolucionária da ordem de coisas existente e a tomar a via da sua transformação gradual, "a via reformista", como disse Lênin no seu artigo "A importância do ouro", a via dos movimentos envolventes, a via das reformas e das concessões às classes não proletárias, com o objetivo de desagregar essas classes e conceder à revolução uma trégua, com o fim de reunir as próprias forças e preparar as condições para uma nova ofensiva. Não se pode negar que esta via é, em certo sentido, uma via reformista. É necessário, porém, relembrar que nos achamos aqui diante de uma particularidade fundamental, que consiste no fato de que a reforma emana, neste caso, do Poder proletário, que ela reforça o Poder proletário, que ela lhe oferece a trégua necessária, que esta trégua se destina a desagregar, não a revolução, mas as classes não proletárias.
  898.  
  899. A reforma, nessas condições, se transforma, por conseguinte, no seu contrário.
  900. ______________________
  901. O Partido é o chefe político da classe operária. Já falei das dificuldades da luta da classe operária, da complexidade das condições da luta, da estratégia e da tática, das reservas e das manobras, da ofensiva e da retirada, Estas condições não são menos complexas, e talvez sejam mais complexas do que as condições de guerra. Quem pode orientar-se nestas condições, quem pode dar uma orientação justa a uma massa de milhões de proletários? Nenhum exercito em guerra pode prescindir de um Estado-Maior experimentado, se não quer condenar-se à derrota. Não é porventura claro que o proletariado, com maior razão ainda, não pode prescindir de um tal Estado-Maior, se não quer ficar a mercê dos seus inimigos jurados? Mas, onde encontrar esse Estado-Maior? Somente o Partido revolucionário do proletariado pode ser esse Estado-Maior. A classe operaria, sem um partido revolucionário, é um exercito sem Estado-Maior.
  902. ______________________
  903. A teoria da "superação" dos elementos oportunistas mediante a luta ideológica no seio do Partido, a teoria da "liquidação" desses elementos no quadro de um só partido urna teoria podre e perigosa, que ameaça condenar o Partido à paralisia e a uma enfermidade crônica, que ameaça deixar proletariado sem partido revolucionário, que ameaça privar o proletariado da arma principal na luta contra o imperialismo. O nosso Partido não teria podido tomar o caminho justo, não teria conquistado o Poder e organizado a ditadura do proletariado, não teria saído vitorioso da guerra civil, se tivesse nas suas fileiras os Mártov e os Dan, os Potressov e os Axelrod. Se o nosso Partido conseguiu criar uma unidade interna e uma coesão sem paralelo das suas fileiras, deve-se isto sobretudo ao fato de que soube livrar-se a tempo da podridão oportunista, soube expulsar do seu seio os liquidacionistas e os mencheviques. A via do desenvolvimento e da consolidação dos partidos proletários passa através da sua depuração dos elementos oportunistas e dos reformistas, dos social-imperialistas e dos social-chauvinistas, dos social-patriotas e dos social-pacifistas.
  904.  
  905. O Partido se reforça depurando-se dos elementos oportunistas.
  906.  
  907.  
  908.  
  909. Stalin - XIII Congresso do P.C. (b) da Rússia
  910. Quanto à influência comunista nos sindicatos, dispomos de dados relativos aos presidentes dos conselhos provinciais e distritais dos sindicatos. Quando do XII Congresso, entre os presidentes de sindicato, os comunistas inscritos no Partido em fins do período de clandestinidade representavam mais de 57%. Hoje, representam apenas 35%. Redução, portanto. Por outro lado, aumentou a percentagem daqueles que ingressaram no Partido depois de fevereiro de 1917. Isso se explica pelo fato de que o número dos sindicalizados aumentou e de que os camaradas do período de clandestinidade já não bastam, e em ajuda dos quadros surgem os jovens militantes do Partido. Desses presidentes, 55% eram operários, enquanto que agora os operários representam 61%. Melhorou a composição social dos organismos dirigentes.
  911. ______________________
  912. O número de membros do Partido nos organismos dirigentes centrais das cooperativas de consumo alcançava no ano passado 87% e hoje é de 86%. Diminuição, portanto. Nos organismos provinciais e distritais da Liga, os comunistas representavam 68%, enquanto agora representam 86%. Observamos um aumento da nossa influência. Mas, se, em lugar de nos determos nos "organismos dirigentes", tomarmos os funcionários que na verdade têm a responsabilidade de direção, encontraremos apenas 26% de comunistas entre todos os dirigentes que em geral ocupam cargos dessa natureza. Considero que esta cifra corresponde mais à realidade. Nas cooperativas agrícolas a composição dos organismos dirigentes revela os seguintes dados:
  913.  
  914. 46% de comunistas no ano passado e 55% este ano. Mas se analisarmos bem e considerarmos os dirigentes responsáveis veremos que entre eles os comunistas não representam mais de 13%.
  915.  
  916. Eis como alguns dos nossos estatísticos sabem adornar a fachada, o aspecto externo, ocultando à vista o que há de podre.
  917. ______________________
  918. Nos comitês executivos dos volost as mulheres representavam no ano passado 0,3% e, este ano, 0,5%. Aumento mínimo, do qual não vale a pena falar. Nos comitês executivos distritais as mulheres constituíam, no ano passado, cerca de 2% e, este ano, são pouco mais de 2% (cito os dados para a R.S.F.S.R., pois não há dados relativos a todas as repúblicas). Nos comitês executivos provinciais da R.S.F.S.R. havia, no ano passado, pouco mais de 2%, enquanto hoje há pouco mais de 3%. As mulheres inscritas nos sindicatos, representam, este ano, 26%; não há dados relativos ao ano passado. Membros de comitês de fábrica: 14%. Membros de seções provinciais: 6%. Nos comitês centrais de sindicatos: um pouco mais de 4%. No Partido, havia no ano passado cerca de 8% de mulheres e, hoje, cerca de 9%. Entre os candidatos, as mulheres representavam 9%, enquanto a cifra se eleva hoje a 11%. Tudo isso, antes da promoção leninista. Antes do XIII Congresso, nos comitês provinciais as mulheres constituíam 3% e nos comitês distritais, cerca de 6%. Nas principais associações femininas — as assembléias de delegadas — as mulheres comunistas formavam 10%, enquanto hoje constituem 8%. A diminuição se explica pelo aumento do número das delegadas sem partido. É necessário reconhecer que a metade da população da nossa União Soviética — as mulheres — está ainda à margem, ou quase à margem, da grande estrada da edificação soviética e do Partido.
  919. ______________________
  920. Pior estão as coisas quanto ao trabalho entre as mulheres. É verdade que as assembléias das delegadas operárias e camponesas aumentam de número e se estendem, mas o que conseguiram fazer no campo da agitação os que se ocupam do movimento feminino ainda não está consolidado, do ponto-de-vista da organização, e nem sequer se fez uma centésima parte do mínimo indispensável. A percentagem da participação das operárias e camponesas no trabalho dos Soviets, dos sindicatos, do Partido, o demonstra de modo inequívoco. O Partido deve tomar as providências necessárias para preencher esta lacuna em futuro próximo. Não se pode admitir uma situação em que a metade da população da União Soviética continua à margem da grande via do desenvolvimento dos Soviets e do Partido.
  921. ______________________
  922. Até hoje a formação e a organização dos trustes era a questão mais importante da edificação econômica. Agora, quando o centro de gravidade se transferiu para o campo do comércio, estão na ordem do dia os problemas da constituição de sociedades mistas. e por ações[N97] para o comércio interno e externo. A prática demonstrou que, se soubemos resolver a questão dos trustes, as nossas instituições coxeiam com as duas pernas quando se trata de decidir as questões das sociedades mistas e por ações. Há a tendência para organizar um tipo de instituição comercial que reduziria ao mínimo a importância do controle estatal neste importante ramo de atividade. Não testa dúvida que o Partido lutará com todos os meios ao seu alcance contra semelhante tendência.
  923. ______________________
  924. Segunda questão. O maior perigo, diz Trotski, consiste na burocratização do aparelho do Partido. Também isso é falso. O perigo não consiste nisso, mas na possibilidade de que o Partido se distancie realmente das massas sem partido. Podeis ter um partido com um aparelho democraticamente estruturado, mas, se este partido não estiver ligado à classe operária, a democracia será vã e o seu valor, nulo. O Partido existe para a classe. Enquanto estiver ligado à classe, mantiver contato com a classe, tiver autoridade junto às massas sem partido, merecer o seu respeito, poderá existir e desenvolver-se mesmo tendo defeitos burocráticos. Mas se faltar tudo isso, podereis ter a organização de partido que quiserdes — burocrática ou democrática — o Partido perecerá inevitavelmente. O Partido é a parte da classe, que existe para a classe e não para si mesmo.
  925.  
  926. Terceira questão, também errônea do ponto-de-vista dos princípios: O Partido, diz Trotski, não erra. Isto é falso O Partido erra com freqüência. Ilitch insistia em que devíamos ensinar o Partido a orientar-se de modo justo, aprendendo com os seus próprios erros. Se o Partido não cometesse erros, nada teríamos a ensinar ao Partido. A nossa tarefa consiste em descobrir os erros, pôr a nu as suas raízes e demonstrar ao Partido e à classe operária como erramos e como devemos evitar a repetição de semelhantes erros. De outro modo seria impossível o desenvolvimento do Partido. De outro modo, seria impossível a formação de chefes e de quadros do Partido, porque estes se formam e se educam na luta contra os próprios erros, para superar estes erros. Creio que a declaração de Trotski é, em certo sentido, uma lisonja, ligada a certa tentativa de escárnio, tentativa infeliz, para dizer a verdade.
  927.  
  928. E agora, passemos a Preobrazhenski. Ele falou da depuração. Preobrazhenski acha que a depuração é o instrumento da maioria do Partido contra a oposição e, segundo parece, não aprova os métodos da depuração. Esta é uma questão de princípio. Um profundo erro de Preobrazhenski consiste em não compreender que, sem uma depuração periódica dos elementos vacilantes, o Partido não se pode fortalecer. O camarada Lênin ensinava que o Partido só se pode fortalecer livrando-se, pouco a pouco, dos elementos vacilantes que se infiltram e continuarão a infiltrar-se ainda no Partido. Agiríamos contra o leninismo se assumíssemos uma atitude negativa em face da depuração em geral. Quanto à depuração de que se trata, que mal tem? Diz-se que foram cometidos alguns erros. É natural. Onde já se viu que numa grande obra não se cometam erros? Isto nunca se viu: Pode haver e é natural que haja alguns equívocos; mas, no fundamental, a depuração é justa. Contaram-me que alguns elementos não proletários, intelectuais e empregados, esperavam a depuração com temor e alarma. Contaram-me a seguinte cena: havia várias pessoas num escritório que deviam ser submetidas à depuração. Era a célula de um organismo soviético. Em sala vizinha estava reunida a comissão de depuração. Um membro da célula, depois de passar diante da comissão, saiu da sala em disparada, lavado em suor. Pediram-lhe que dissesse o que havia ocorrido. Respondeu: "Esperai, deixai-me respirar, deixai-me respirar, não consigo falar." (Risos.) Talvez a depuração não seja boa para pessoas que sofrem e suam em bicas, mas para o Partido é muito boa. (Aplausos.) Infelizmente, há ainda entre nós certo número de membros do Partido que, embora percebam mil ou dois mil rublos mensais, são membros do Partido e esquecem que o Partido existe. Conheço fatos relativos à célula de um Comissariado, onde trabalham membros do Partido desse tipo e onde há, entre outros, choferes. Esta célula encarregou um chofer da depuração, o que suscitou protestos deste gênero: um chofer não deveria depurar dignitários soviéticos. Tais coisas ocorreram aqui, em Moscou. Membros do Partido, evidentemente afastados do Partido, mostram-se indignados e não podem admitir que "um chofer qualquer" os depure. É necessário educar e reeducar semelhantes membros do Partido, às vezes também mediante a expulsão. O essencial na depuração é que tais pessoas sintam que existe um chefe, que existe o Partido, que pode pedir contas pelos pecados cometidos contra o Partido. Creio que às vezes, de quando em quando, o chefe deveria sem falta passar a vassoura nas fileiras do Partido. (Aplausos.)
  929. ______________________
  930. Por alguma coisa os mencheviques e os socialistas revolucionários simpatizam com a oposição. Será por acaso? Não, não é por acaso. Tal é a distribuição das forças em escala internacional, que toda tentativa para enfraquecer a autoridade do nosso Partido e a solidez da ditadura no nosso país será infalivelmente explorada a seu favor pelos inimigos da revolução, seja essa tentativa uma tarefa da nossa oposição ou dos socialistas revolucionários aliados aos mencheviques. Quem não compreendeu isto, não compreendeu a lógica da luta fracionista no seio do nosso Partido, não compreendeu que o êxito desta luta não depende de pessoas ou de desejos, mas dos resultados obtidos no balanço geral da luta entre os elementos soviéticos e os anti-soviéticos. Por isso, temos na oposição um desvio pequeno-burguês.
  931.  
  932. isse Lênin, certa vez, a propósito da disciplina do Partido e da coesão das nossas fileiras:
  933.  
  934. "Quem enfraquece, por pouco que seja, a disciplina férrea do Partido do proletariado (sobretudo no período da ditadura do proletariado) ajuda de fato a burguesia contra o proletariado." (Vide vol. XXV, pág. 190).[N103]
  935.  
  936. Será ainda necessário demonstrar que os camaradas da oposição, com os seus ataques contra a organização de Moscou e o Comitê Central do Partido, procuravam enfraquecer a disciplina do Partido e minar as bases da ditadura, pois o Partido é o núcleo fundamental da ditadura?
  937.  
  938.  
  939.  
  940. Stalin - Balanço do XIII Congresso do P. C. (b) da Rússia(1)
  941. Qualquer operário que tenha vindo ao país soviético e observado a nossa ordem de coisas proletária, terá podido ver o que representa o Poder Soviético e do que é capaz a classe operária, quando se encontra no Poder. É justamente esta a verdadeira propaganda, uma propaganda de fatos, que tem eficiência muito maior entre os operários do que a propaganda verbal e dos jornais. Acusam-nos de fazer propaganda no Oriente. Isto também são tolices. Não temos necessidade de propaganda no Oriente. Basta que qualquer cidadão de um país dependente ou de uma colônia venha ao país soviético e veja como os homens governam o nosso país, basta ver como negros, brancos, russos e não russos, homens de todas as raças e nacionalidades, impulsionam, estreitamente unidos, a obra do governo de um grande país, para convencer-se de que este é o único país onde a fraternidade dos povos não é uma frase mas uma realidade. Não temos necessidade de nenhuma propaganda oral ou de imprensa, pois dispomos para a propaganda de, uma realidade como a que oferece a União de Repúblicas Socialistas Soviéticas.
  942. ______________________
  943. Uma das tarefas importantes do Partido, na época da ditadura do proletariado, consiste em desenvolver o trabalho de reeducação das velhas gerações e de educação das novas, no espírito da ditadura do proletariado e do socialismo. Os velhos hábitos e costumes, tradições e preconceitos herdados da velha sociedade são um inimigo perigosíssimo do socialismo. Esses costumes e tradições pesam sobre massas de milhões de trabalhadores, submergem, às vezes, camadas inteiras do proletariado e criam, às vezes, um perigo gravíssimo para a própria existência da ditadura do proletariado. Por isso, a luta contra esses costumes e tradições, a necessidade de superá-los em todas as esferas da nossa atividade e, finalmente, a educação das novas gerações no espírito do socialismo proletário constituem tarefas imediatas do nosso Partido, sem cujo cumprimento é impossível a vitória do socialismo. O trabalho para melhorar o aparelho do Estado, o trabalho no campo, o trabalho entre as mulheres trabalhadoras, o trabalho entre os jovens: tais são as esferas principais da atividade do Partido para cumprir essas tarefas.
  944.  
  945.  
  946.  
  947. Stalin - Carta ao Camarada Deminan Biedni
  948. 1. Alegra-me que V. se sinta com "boa disposição de ânimo". A filosofia da "dor universal" não é a nossa filosofia. Deixemos que a tristeza se aposse dos que pertencem ao passado, dos que tiveram a sua época. A nossa filosofia foi definida de modo bastante feliz pelo americano Whitman: "Estamos vivos, ferve o nosso rubro sangue ao fogo de impávidas forças". É assim., Demian.
  949.  
  950. 2. Temo ofender aos outros, e não obstante sinto a necessidade de cuidar da saúde", escreve V. Vai aí o meu
  951. conselho: é melhor ofender a uns dois ou três visitantes do que deixar de tratar-se segundo todas as regras. Cure-se,
  952. cure-se, cure-se sem falta. Procurar não molestar os visitantes é um interesse passageiro. Deixar que se ofendam um
  953. pouco em benefício de uma cura séria é um interesse mais duradouro. Os oportunistas se distinguem dos seus
  954. antípodas justamente pelo fato de que antepõem os interesses do primeiro tipo aos do segundo. É desnecessário
  955. dizer que V. não deseja imitar os oportunistas.
  956.  
  957.  
  958.  
  959. Stalin - A Situação Internacional, 1924
  960. Saquear o mundo sem máscara é hoje perigoso. O Partido Trabalhista da Inglaterra e o bloco de esquerda da
  961. França devem cobrir a nudez do imperialismo. Esta é a origem do "pacifismo" e da "democracia".
  962. ______________________
  963. Em primeiro lugar, não é verdade que o fascismo seja apenas a organização de choque da burguesia. O fascismo não é apenas uma categoria técnico-militar. O fascismo é a organização de choque da burguesia, que conta com o apoio ativo da social-democracia. A social-democracia é, objetivamente, a ala moderada do fascismo. Não há razões para supor que a organização de choque da burguesia poderá obter êxitos decisivos nos combates ou no governo do país sem o apoio ativo da social-democracia. Tampouco há razões para supor que a social-democracia possa obter êxitos decisivos nos combates ou no governo do país sem o apoio ativo da organização de choque da burguesia. Estas organizações não se excluem, mas se completam. Não são antípodas, mas gêmeas. O fascismo é o bloco político tácito destas duas organizações fundamentais, que ainda não assumiu forma definitiva, bloco que surgiu na situação criada pela crise do imperialismo no após-guerra para lutar contra a revolução proletária. Sem esse bloco, a burguesia não pode manter-se no Poder. Por isso, seria errôneo crer que o "pacifismo" significa a liquidação do fascismo. O "pacifismo", na situação atual, é uma afirmação do fascismo, que põe em primeiro plano a sua ala moderada, a ala social-democrata.
  964. ______________________
  965. Em primeiro lugar, a conferência decidiu a questão da Alemanha sem contar com o senhor da situação, o povo germânico. Pode-se, naturalmente, "planejar" a transformação da Alemanha numa verdadeira colônia. Mas tentar transformar efetivamente numa colônia um país como a Alemanha, hoje, quando é necessário grande esforço para manter submissas até as colônias atrasadas, significa colocar uma mina debaixo da Europa.
  966. ______________________
  967. A única conclusão é que a Conferência de Londres não resolveu nenhuma das velhas contradições na Europa, mas em compensação arranjou novas, as contradições entre os Estados Unidos e a Inglaterra. Não há dúvida de que a Inglaterra procurará aprofundar, como ocorreu no passado, o antagonismo entre a França e a Alemanha para assegurar o seu próprio predomínio político no continente. Não há dúvida de que os Estados Unidos, por sua vez, procurarão aprofundar o antagonismo entre a Inglaterra e a França para assegurar para si a hegemonia no mercado mundial. E já não falamos das profundíssimas contradições entre a Alemanha e a Entente.
  968.  
  969. Os acontecimentos mundiais serão determinados por esses antagonismos e não pelos discursos "pacifistas" do biltre Hughes e do empolado Herriot. A lei do desenvolvimento desigual dos países imperialistas e da inevitabilidade das guerras imperialistas, hoje, mais do que nunca, continua em vigor. A conferência londrina não fez senão mascarar esses antagonismos, para criar novas premissas de um aguçamento sem precedente dos mesmos.
  970. ______________________
  971. Os Partidos Comunistas do Ocidente desenvolvem-se em Condições peculiares. Em primeiro lugar, a sua composição é heterogênea, pois estão formados de antigos social-democratas, que passaram pela velha escola, e de jovens militantes que ainda não têm tempera revolucionária suficiente. Em segundo lugar, os quadros não são inteiramente bolcheviques, pois em postos de responsabilidade se acham elementos procedentes de outros partidos, que ainda não tiveram tempo de romper em definitivo com as sobrevivências da social-democracia. Em terceiro lugar, têm diante de si um inimigo tão experimentado como a social-democracia, que passou por tudo o que se pode passar e que ainda é uma força política imensa nas fileiras da classe operária. E finalmente, enfrentam um inimigo tão poderoso como a burguesia européia, com o seu experimentado aparelho estatal, com a sua imprensa onipotente. Supor que esses Partidos Comunistas podem derrubar "de hoje para amanhã" o regime burguês europeu, significa incorrer em erro crasso. Por isso, na ordem do dia está a tarefa de transformar os Partidos Comunistas ocidentais em partidos verdadeiramente bolcheviques, de forjar no seu seio verdadeiros quadros revolucionários, capazes de reorganizar toda a atividade prática do Partido no espírito da educação revolucionária das massas, no espírito da preparação da revolução.
  972. ______________________
  973. Ainda mais difíceis e peculiares são as condições de desenvolvimento dos sindicatos no Ocidente.
  974.  
  975. Em primeiro lugar, têm um caráter, restrito, por causa da sua "provada" experiência corporativa e são hostis ao socialismo, porque, tendo aparecido antes dos partidos socialistas e se desenvolvido sem a sua ajuda, estão habituados a alardear a sua "independência", põem os interesses de categoria profissional acima dos interesses de classe e não querem ver nada além do ganho do "copeque cotidiano".
  976.  
  977. Em segundo lugar, os sindicatos são, por sua essência, conservadores e hostis a toda iniciativa revolucionária, porque à sua frente se encontra a antiga e venal burocracia sindical, que se deixa corromper pela burguesia e que está sempre disposta a pôr os sindicatos a serviço do imperialismo.
  978.  
  979.  
  980.  
  981. Stalin - As Tarefas Imediatas do Partido no Campo
  982. Para dar uma idéia de como é, às vezes, vazia de compreensão a atitude para com os camponeses, é preciso dizer alguma coisa sobre a propaganda anti-religiosa. As vezes, certos camaradas consideram os camponeses como filósofos materialistas, acreditando que basta fazer uma conferência sobre as ciências naturais para convencer o camponês da inexistência de Deus.
  983.  
  984. Não compreendem com freqüência que o camponês manterá uma atitude utilitarista diante de Deus, isto é, às vezes não seria contrário a voltar as costas a Deus; mas quase sempre deixa-se dominar pelas dúvidas:
  985.  
  986. "Quem sabe se Deus não existe? Talvez fosse melhor contentar tanto aos comunistas como a Deus, para que a minha propriedade esteja em segurança".
  987.  
  988. Quem não leva em consideração esta particularidade da psicologia do camponês, não compreendeu nada do problema das relações entre os membros do Partido e os sem-partido, não compreendeu que na propaganda anti-religiosa também é preciso uma atitude prudente em face dos preconceitos do camponês.
  989. ______________________
  990. Os inspiradores dessa nova luta no mercado e no campo, contra a política soviética de preços, são os kulaks, os especuladores e outros elementos anti-soviéticos. Procuram afastar da classe operária as massas de milhões de camponeses e, desse modo, minar as bases da ditadura do proletariado. Por isso, a nossa tarefa consiste em isolar os kulaks e os especuladores, em afastar deles os camponeses trabalhadores e em fazer com que estes camponeses participem da edificação soviética, dando de tal modo saída à sua atividade política. Podemos fazê-lo e já o estamos fazendo, pois as massas de camponeses trabalhadores e, sobretudo, dos camponeses pobres, estão interessadas na aliança com os operários, na manutenção da ditadura do proletariado e, por conseguinte, na manutenção também, das alavancas econômicas em que se apóia a ditadura.
  991. ______________________
  992. Recentemente, na conferência das células rurais, convidei os camaradas a criticar sem rodeios os defeitos do trabalho do nosso Partido no campo.(2) Tal convite suscitou certo descontentamento. Isso deixa claro que há comunistas que temem a crítica, que não querem pôr a nu os defeitos do nosso trabalho. Isso é perigoso, camaradas. Direi mais: o medo à autocrítica ou à crítica feita pelos sem-partido é, no presente momento, a doença mais perigosa. Das duas uma: ou nós mesmos nos criticamos e permitimos aos sem-partido criticar o nosso trabalho, e nesse caso poderemos esperar que o nosso trabalho no campo progrida; ou não permitiremos essa crítica e, então, sofreremos a crítica dos acontecimentos, como ocorreu no caso das insurreições de Kronstadt, de Tambov e da Geórgia. Creio que a crítica da primeira espécie é preferível à da segunda. Por isso, não devemos temer a crítica nem dos membros do Partido, nem tampouco dos sem-partido.
  993.  
  994.  
  995.  
  996. Stalin - Trotskismo ou Leninismo
  997. Camaradas:
  998.  
  999. Pouco me resta dizer depois do detalhado informe de Kamenev. Limitar-me-ei, portanto, a acabar com algumas lendas propaladas por Trotski e pelos seus correligionários sobre a insurreição de Outubro, sobre o papel desempenhado por Trotski na insurreição, sobre o Partido e a preparação de Outubro etc. Ademais, falarei do trotskismo, como uma ideologia peculiar, incompatível com o leninismo, e das tarefas do Partido em relação com os últimos escritos de Trotski.
  1000. ______________________
  1001. Isso não é um simples boato, camaradas. Disso fala no seu livro "Dez Dias..." o conhecido John Reed, que, estando muito longe do nosso Partido, não podia certamente saber a história da nossa reunião clandestina de 10 de outubro e por isso mordeu a isca das calúnias postas em circulação pelos Sukhanov. Essa lenda foi reproduzida e repetida numa série de folhetos saídos da pena dos trotskistas, entre eles um recente, da autoria de Sirkin, sobre Outubro. Tais boatos são persistentemente alimentados pelos últimos escritos de Trotski.
  1002. ______________________
  1003. Não creio que seja necessário demonstrar que todas essas lendas árabes e outras semelhantes não correspondem à realidade, que na realidade nada ocorreu nem poderia ocorrer de semelhante na reunião do CC. Sendo assim, bem poderíamos passar por cima desses tumores absurdos, pois são tantos os boatos inventados nos escritórios dos oposicionistas ou de indivíduos distanciados do Partido! E desse modo vínhamos agindo até agora, não dando importância, por exemplo, aos erros de John Reed, sem nos preocuparmos com a sua correção. Mas, depois dos últimos escritos de Trotski não mais podemos manter silêncio diante dessas lendas, pois com tais lendas se procura hoje educar a juventude e, infelizmente, nesse esforço já se colheram alguns resultados. Por isso, devo opor a estes boatos absurdos os fatos reais.
  1004. ______________________
  1005. Passamos agora à lenda sobre o papel particular de Trotski na insurreição de Outubro. Os trotskistas propalam com insistência rumores de que o inspirador e o único dirigente da insurreição de Outubro teria sido Trotski. Tais rumores, são postos em circulação, com particular insistência, por Lenzner, o assim chamado redator das obras de Trotski. O próprio Trotski, ignorando sistematicamente o Partido, o CC do Partido e o Comitê de Petrogrado, silenciando sobre o papel dirigente dessas organizações na insurreição e impingindo-se insistentemente como figura central da insurreição, contribui voluntária e involuntariamente para difundir os boatos sobre um papel particular que teria desempenhado na insurreição. Estou longe de negar o papel sem dúvida importante de Trotski na insurreição. Mas devo dizer que Trotski não teve nem podia ter nenhum papel particular na insurreição de Outubro e que, como presidente do Soviete de Petrogrado, não fez senão seguir a vontade das instâncias competentes do Partido, que guiavam todos os seus passos. Aos filisteus do tipo de Sukhanov tudo isso pode parecer estranho, porém os fatos, os fatos reais, confirmam por completo esta minha afirmação.
  1006. ______________________
  1007. Tomemos as atas da reunião seguinte do CC, realizada a 16 (29) de outubro de 1917. Estão presentes os membros do CC, além de representantes do Comitê de Petrogrado e de representantes da organização militar, dos comitês de fábrica, dos sindicatos e dos ferroviários. Afora os membros do CC, compareceram também Krilenko, Chotman, Kalinin, Volodarski, Chliapnikov, Lacis e outros. Ao todo, 25 pessoas. Discute-se a insurreição, do ponto de vista exclusivamente prático e de organização. Aprova-se a resolução de Lênin sobre a insurreição, por maioria de vinte contra dois votos, e três abstenções. Elege-se o centro prático para dirigir a organização da insurreição. Quem passa a integrar esse centro? São eleitos cinco camaradas: Sverdlov, Stálin, Dzerzhinski, Bubnov e Uritski. Tarefas do centro prático: dirigir todos os órgãos práticos da insurreição, de acordo com as diretivas do Comitê Central. Como vedes, nesta reunião do CC, ocorreu qualquer coisa de "horrível", isto é, no centro prático, incumbido de dirigir a insurreição, "estranhavelmente" não entrou o "inspirador", a "figura principal" o "único dirigente" da insurreição, Trotski. Como conciliar isso com a opinião difundida sobre o papel particular de Trotski? Não é verdade que tudo isso é um tanto "estranho", como diria Sukhanov, ou como diriam os trotskistas? Todavia, nada há de estranho nisso, pois, no fundo, Trotski, pessoa relativamente nova para o nosso Partido, no período de Outubro, não tinha nem podia ter papel particular algum; nem no Partido nem na insurreição de outubro. Como todos os dirigentes responsáveis, Trotski não passava de um executor da vontade do CC e dos seus órgãos. Quem conhece o mecanismo de direção do Partido bolchevique compreenderá, sem grande esforço, que não podia ser de outro modo: bastaria que Trotski deixasse de acatar a vontade do CC para perder toda influência sobre o curso dos acontecimentos. A tagarelice sobre o papel particular de Trotski não passa de lenda propalada por complacentes comadres "do Partido".
  1008. ______________________
  1009. Admitamos que seja assim, dizem-nos, porém não se pode negar que Trotski lutou bem no período de Outubro. Sim, é certo, Trotski lutou bem no período de Outubro. Mas no período de Outubro não só Trotski lutou bem; não combateram mal nem mesmo homens como os social-revolucionários de esquerda, que então marchavam ombro a ombro com os bolcheviques. Em geral, devo dizer que em período de insurreição vitoriosa, quando o inimigo está isolado e a insurreição em pleno desenvolvimento, não é difícil combater bem. Em semelhantes momentos até aqueles que andam sempre a reboque se tornam heróis.
  1010.  
  1011. Mas a luta do proletariado não representa uma ofensiva ininterrupta, uma cadeia ininterrupta de êxitos. A luta do proletariado tem também as suas duras provas, as suas derrotas. O verdadeiro revolucionário não é aquele que se revela corajoso no período da insurreição vitoriosa, mas o que, sabendo lutar bem durante a ofensiva vitoriosa da revolução, sabe também dar provas de coragem no período da retirada da revolução, no período da derrota do proletariado; aquele que não perde a cabeça nem se acovarda diante dos reveses da revolução, diante dos êxitos do inimigo: aquele que não se deixa tomar de pânico, nem se abandona ao desespero no período de retirada da revolução. Não combateram mal os social-revolucionários de esquerda no período de Outubro, apoiando os bolcheviques. Mas quem não sabe que esses "denodados" combatentes se deixaram dominar pelo pânico no período de Brest-Litovsk, quando a ofensiva do imperialismo alemão os fez cair no desespero e no histerismo? É muito lamentável, mas é incontestável o fato de que Trotski, que lutou bem no período de Outubro, não conseguiu, no período de Brest-Litovsk - no período dos reveses temporários da revolução, no momento difícil, dar provas de suficiente firmeza, e não seguir as pegadas dos social-revolucionários de esquerda. Não há dúvida, o momento era difícil, tornava-se necessário dar provas de grande coragem e de extraordinária serenidade, para não perder a cabeça, retirar-se a tempo, aceitar em tempo a paz, subtrair o exército proletário, aos golpes do imperialismo alemão, conservar as reservas camponesas e, obtida assim uma trégua, atacar em seguida o inimigo com novas forças. Mas, naquele momento difícil, faltaram a Trotski esta coragem e esta firmeza revolucionárias.
  1012. ______________________
  1013. Segundo a opinião de Trotski, a lição essencial da revolução proletária consistiu em "não deixar-se dominar pelo medo" em Outubro. Não é certo, pois esta afirmação de Trotski contém apenas uma partícula da verdade sobre os ensinamentos da revolução. Toda a verdade sobre os ensinamentos da revolução proletária consiste em "não deixar-se dominar pelo medo", não somente nos dias da ofensiva da revolução, mas também nos dias da sua retirada, quando o inimigo obtém vantagens e a revolução, sofre reveses. A revolução não se limita a Outubro. Outubro é apenas o começo da revolução proletária. É mau deixar-se dominar pelo medo na fase ascendente da insurreição. Pior ainda é acovardar-se no momento das duras provas da revolução, depois da tomada do Poder. Saber manter o Poder, logo após a revolução, não é menos importante do que conquistar o Poder. Se Trotski se tornou presa do medo, no período de Brest, no período das duras provas da nossa revolução, quando por pouco não se chegou à "entrega" do Poder deve ele compreender que os erros cometidos por Kamenev e Zinoviev, em outubro, nada tem a ver com isso.
  1014.  
  1015. Eis o que há quanto às lendas sobre a insurreição de Outubro.
  1016. ______________________
  1017. Havia, então, divergências no nosso Partido? Sim, havia. Mas se referiam exclusivamente a questões de caráter prático, contrariamente ao que afirma Trotski, que procura descobrir uma ala "direita" e uma ala "esquerda" no Partido. Eram dessas divergências sem as quais, em geral, não existe vida ativa de Partido nem trabalho autêntico de Partido.
  1018. ______________________
  1019. O trotskismo tem três particularidades, que o colocam em contradição inconciliável com a leninismo.
  1020.  
  1021. Que particularidades são essas?
  1022.  
  1023. Primeira. O trotskismo é a teoria da revolução "permanente" (ininterrupta). E que é a revolução permanente, tal como a entende Trotski? É a revolução que não leva em conta os camponeses pobres como força revolucionária. A revolução "permanente" de Trotski significa, como disse Lênin, "passar por cima" do movimento camponês, "brincar com a tomada do Poder". Por que é perigosa essa revolução? Porque a tentativa para levá-la a cabo desembocaria num fracasso inevitável, pois afastaria do proletariado russo o seu aliado, isto é, os camponeses pobres. Justamente isso explica a luta que o leninismo sustenta contra o trotskismo desde 1905.
  1024. ______________________
  1025. Segunda. O trotskismo é a falta de confiança no espírito bolchevique do Partido, no seu caráter monolítico, na sua hostilidade aos elementos oportunistas. No campo da organização o trotskismo é a teoria da convivência dos revolucionários com os oportunistas, com seus grupos e grupelhos no seio de um só partido. Conheceis provavelmente a história do Bloco de Agosto de Trotski, em que colaboraram em boa harmonia os martovistas e os otsovistas, os liquidacionistas e os trotskistas, fazendo-se passar por um "verdadeiro" partido. Sabe-se que esse "partido" feito de mosaicos perseguia o objetivo de destruir o Partido bolchevique. Em que consistiam, então as "nossas divergências"? No fato de que o leninismo via na destruição do Bloco de Agosto a garantia do desenvolvimento do Partido proletário, enquanto o trotskismo via nesse bloco a base para a criação de um "verdadeiro" partido.
  1026.  
  1027. De novo, como vedes, duas linhas opostas.
  1028.  
  1029. Terceira. O trotskismo é a desconfiança nos chefes do bolchevismo uma tentativa de desacreditá-los, de difamá-los. Não conheço nenhuma corrente no Partido que se possa comparar ao trotskismo em matéria de difamação dos chefes do leninismo ou dos organismos centrais do Partido. Que é senão isso, por exemplo, o "amável" juízo de Trotski sobre Lênin, ao caracterizá-lo como um "explorador profissional de todo atraso no movimento operário russo" (vide lugar citado)? E este ainda não é o juízo mais "amável" entre os mais "amáveis" juízos de Trotski.
  1030. ______________________
  1031. O fato é que o velho fardo do trotskismo, escondido no armário nos dias do movimento de Outubro, é agora retirado na esperança de pô-lo à venda, de vez que o nosso mercado está se ampliando. Não há dúvida de que os recentes escritos de Trotski são uma tentativa de retorno ao trotskismo, de "superar" o leninismo, de passar de contrabando, de difundir todas as peculiaridades do trotskismo. O novo trotskismo não é uma simples repetição do velho, pois está muito depenado e gasto, é de caráter incomparavelmente mais brando e mais moderado nas formas do que o velho trotskismo, mas indubitavelmente conserva, em essência, todas as suas peculiaridades. O novo trotskismo não se decide a tomar posição, como força combativa, contra o leninismo; prefere fazer os seus manejos sob a bandeira comum de leninismo; sob a palavra de ordem da interpretação e do aperfeiçoamento do leninismo. Age desse modo porque é débil. Não se pode considerar casual o fato de que a entrada em cena do novo trotskismo tenha coincidido com a morte de Lênin. Se Lênin vivesse, não teria ousado dar esse arriscado passo.
  1032. ______________________
  1033. O velho trotskismo procurava diminuir o prestígio de Lênin mais ou menos abertamente, sem temer as conseqüências. O novo trotskismo procede com maior cautela. Procura continuar a obra do velho trotskismo, apresentando-se, porém, como exaltação e incensamento de Lênin.
  1034. ______________________
  1035. Qual é o perigo do novo trotskismo? É que, o trotskismo, por todo o seu conteúdo interno, tem todas as probabilidades de se transformar no centro e no ponto de concentração de todos os elementos não proletários, que anseiam pelo debilitamento e pela decomposição da ditadura do proletariado.
  1036.  
  1037. E então - perguntaríeis - quais são as tarefas imediatas do Partido em face dos novos escritos de Trotski?
  1038.  
  1039. O trotskismo trabalha agora para desacreditar o bolchevismo e abalar os seus fundamentos. A tarefa do Partido consiste em sepultar o trotskismo como corrente ideológica.
  1040.  
  1041. Fala-se de represália contra a oposição e da possibilidade de cisão. São tolices, camaradas. O nosso Partido é forte, é poderoso. Não admitirá cisão de espécie alguma. Quanto às represálias, sou decididamente contrário a elas. Neste momento não precisamos de represálias, mas de uma ampla luta ideológica contra o trotskismo renascente.
  1042.  
  1043. Não queríamos nem procurávamos esta discussão literária. O Trotskismo no-la impôs com os seus escritos anti-leninistas. Pois bem, camaradas, estamos preparados.
  1044. ______________________
  1045. Eis o que diz Trotski, nesse Prefácio, sobre a "revolução permanente":
  1046.  
  1047. "Precisamente no período compreendido entre 9 de janeiro e a greve de outubro de 1905, se desenvolveram na mente do autor as concepções sobre o caráter do desenvolvimento revolucionário da Rússia que receberam o nome de teoria da "revolução permanente". Esta denominação abstrusa exprimia a idéia de que a revolução russa, diante da qual se levantam de imediato objetivos burguesas, não poderá, entretanto, limitar-se a eles.
  1048.  
  1049. A revolução não poderá cumprir as suas tarefas burguesas imediatas senão colocando no Poder o proletariado. E este último, ao tomar o Poder nas suas mãos, não poderá ficar nos limites burgueses da revolução. Ao contrário, e precisamente para assegurar a sua vitória, a vanguarda, proletária deverá, desde os primeiros dias do seu domínio, golpear profundamente não somente a propriedade feudal, mas também a burguesia. Este modo de proceder a levará a choques hostis não somente com todos os grupos da burguesia que a apoiaram nos primeiros momentos da sua luta revolucionária, mas também com as grandes massas camponesas, com a ajuda das quais chegou ao Poder. As contradições, na situação do governo operário de um país atrasado, em que a maioria esmagadora da população se compõe de camponeses, só poderão ser solucionadas em escala internacional, na arena da revolução mundial do proletariado".
  1050.  
  1051. Assim fala Trotski da sua "revolução permanente".
  1052.  
  1053. Basta comparar essa passagem com os trechos citados das obras de Lênin sobre a ditadura do proletariado, para compreender o abismo que separa a teoria leninista sobre a ditadura do proletariado da teoria da "revolução permanente" de Trotski.
  1054.  
  1055. Lênin fala da aliança do proletariado com as camadas de camponeses trabalhadores como sendo a base da ditadura do proletariado. Trotski, ao contrário, fala de "choques hostis" "da vanguarda proletária" com as "grandes massas camponesas".
  1056.  
  1057. Lênin fala da direção, pelo proletariado, das massas trabalhadoras e exploradas. Trotski, ao contrário, fala das "contradições", na situação do governo operário de um país atrasado, em que a maioria esmagadora da população se compõe de camponeses".
  1058.  
  1059. Segundo Lênin, a revolução recruta as suas forças sobretudo entre os operários e os camponeses da própria Rússia. Trotski, ao contrário, diz que as forças necessárias só podem ser reunidas "na arena da revolução mundial do proletariado".
  1060.  
  1061. Mas, que fazer se a revolução mundial chegar com atraso? Restará à nossa revolução algum raio de esperança? Trotski não nos deixa nenhum raio de esperança, porque "as contradições, na situação do governo operário.., só poderão encontrar a sua solução... na arena da revolução mundial do proletariado". Segundo esse plano, não restará à nossa revolução senão uma perspectiva: vegetar nas próprias contradições e apodrecer em vida, à espera da revolução mundial.
  1062.  
  1063. Que é, segundo Lênin, a ditadura do proletariado?
  1064.  
  1065. A ditadura do proletariado é um Poder que se apóia na aliança do proletariado com as massas trabalhadoras camponesas para a "derrubada completa do capital", para "a instauração e a consolidação definitiva do socialismo".
  1066.  
  1067. Que é, segundo Trotski, a ditadura do proletariado?
  1068.  
  1069. A ditadura do proletariado é um Poder que chega a "choques hostis" com "as grandes massas camponesas" e procura a solução das "contradições" somente "na arena da revolução mundial do proletariado".
  1070.  
  1071. Que é que distingue esta "teoria da revolução permanente" da conhecida teoria menchevique que nega a idéia da ditadura do proletariado?
  1072.  
  1073. Nada, em essência.
  1074.  
  1075. Não há dúvida: a "revolução permanente" não é uma simples subestimação das possibilidades revolucionárias do movimento camponês. A "revolução permanente" é uma subestimação tal do movimento camponês, que leva à negação da teoria leninista da ditadura do proletariado.
  1076.  
  1077. A "revolução permanente" de Trotski é uma variedade do menchevismo.
  1078. ______________________
  1079. Tomemos os trabalhos mais recentes de Trotski, posteriores à vitória da revolução proletária em um só país, na Rússia. Tomemos, por exemplo, o "Epílogo" de Trotski à nova edição do folheto "Programa de Paz", escrito em 1922. Eis o que ele escreve neste "Epílogo":
  1080.  
  1081. "A afirmação, várias vezes repetida, no "Programa de Paz", de que a revolução proletária não pode terminar vitoriosamente em âmbito nacional, parecerá, talvez, a alguns leitores desmentida pela experiência de quase cinco anos da nossa República Soviética. Mas semelhante conclusão seria infundada.
  1082.  
  1083. O fato de que o Estado operário resistiu contra o mundo inteiro num só país, e ademais num país atrasado, demonstra a potência gigantesca do proletariado, que em outros países, mais adiantados, mais civilizados, será capaz de realizar verdadeiros milagres. Mas, embora tenhamos resistido do ponto de vista político e militar, como Estado, não chegamos à criação de uma sociedade socialista e nem sequer nos aproximamos dela... Enquanto nos demais Estados europeus a burguesia se mantiver no Poder, seremos forçados, na luta contra o isolamento econômico, a procurar acordos com o mundo capitalista; ao mesmo tempo, podemos afirmar com certeza que esses acordos, no melhor dos casos, podem ajudar-nos a cicatrizar uma ou outra ferida econômica, a dar um ou outro passo à frente, mas um ascenso efetivo da economia socialista na Rússia não será possível senão depois da vitória(1) do proletariado nos principais países da Europa". Assim se exprime Trotski, pecando de modo evidente contra a realidade e obstinando-se a querer salvar a "revolução permanente" do naufrágio definitivo.
  1084.  
  1085. Resulta, por conseguinte, que, por mais que se diga e se faça, não somente "não chegamos" à criação de uma sociedade socialista, mas nem sequer nos aproximamos dela". Segundo parece, alguém depositava esperança nos "acordos com o mundo capitalista", mas também desses acordos, ao que tudo indica, nada sai, pois, por mais que se diga e se faça, "um ascenso efetivo da economia socialista" não será obtido enquanto o proletariado não tiver vencido "nos principais países da Europa".
  1086.  
  1087. Ora, como ainda não se alcançou a vitória no Ocidente, à revolução russa não resta senão um "dilema": ou apodrecer em vida, ou degenerar em Estado burguês.
  1088.  
  1089. Não é por acaso que há dois anos Trotski fala em "degeneração" do nosso Partido.
  1090.  
  1091. Não é por acaso que há um ano Trotski prognosticava a "ruína" do nosso país.
  1092.  
  1093. Como conciliar esta estranha "teoria" com a teoria de Lênin da "vitória do socialismo num só país"?
  1094.  
  1095. Como conciliar essa estranha "perspectiva" com a perspectiva de Lênin, segundo a qual a nova política econômica nos permitirá "lançar as bases da economia socialista"?
  1096.  
  1097. Como conciliar essa desesperação "permanente", por exemplo, com as seguintes palavras de Lênin?
  1098.  
  1099. "Hoje, o socialismo já não é um problema de futuro remoto, nem uma visão abstrata ou uma espécie de ícone. Dos ícones continuamos a ter a opinião de antes, uma opinião muito má. Introduzimos o socialismo na vida cotidiana, e é disso que nos devemos ocupar. Eis a tarefa dos nossos dias, eis a tarefa da nossa época. Permiti-me que termine manifestando a certeza de que, por mais difícil que seja esta tarefa e por mais nova que seja em relação às nossas tarefas anteriores, e por mais numerosas que sejam as dificuldades que nos traga, todos nós, juntos, não amanhã, mas em alguns anos, todos nós cumpriremos esta tarefa a qualquer custo, de modo que a Rússia da N.E.P. se torne a Rússia socialista". (Vide vol. XXVII, pág. 366).
  1100.  
  1101. Como, por exemplo, conciliar essa "permanente" falta de perspectiva de Trotski com as seguintes palavras de Lênin?
  1102.  
  1103. "Com efeito, todos os grandes meios de produção em poder do Estado e o Poder do Estado nas mãos do proletariado; a aliança deste proletariado com milhões e milhões de camponeses pobres e paupérrimos; a garantia da direção dos camponeses pelo proletariado, etc. não é acaso isto tudo aquilo de que se necessita para edificar a sociedade socialista completa, com a cooperação, somente com a cooperação, que antes considerávamos de alto a baixo como mercantilista e que agora, durante a N.E.P., temos ainda o direito, em certo sentido, de considerar do mesmo modo; não é acaso tudo isso aquilo de que necessitamos para levar a termo a construção de uma sociedade socialista completa? Esta não é ainda a construção da sociedade socialista, mas representa o necessário e suficiente para levar a cabo a construção". (Vide vol. XXVII, pág. 392).
  1104.  
  1105. É evidente que tudo isso não se concilia nem se pode conciliar. A "revolução permanente" de Trotski é a negação da teoria leninista da revolução proletária e, inversamente, a teoria leninista da revolução proletária é a negação da teoria da "revolução permanente".
  1106.  
  1107. A falta de confiança nas forças e na capacidade da nossa revolução, a falta de confiança nas forças e na capacidade do proletariado russo: tal é a essência da "revolução permanente".
  1108.  
  1109. Até agora costumava-se pôr em relevo apenas um lado da teoria da "revolução permanente": a falta de confiança nas possibilidades revolucionárias do movimento camponês. Agora, para sermos justos, precisamos juntar a esse lado um outro; a falta de confiança nas forças e na capacidade do proletariado da Rússia.
  1110.  
  1111. Em que difere a teoria de Trotski da teoria corrente do menchevismo, segundo a qual a vitória do socialismo num só país, e por sinal num país atrasado, é impossível sem a vitória prévia da vitória da revolução proletária "nos principais países da Europa Ocidental"?
  1112.  
  1113. Em nada, substancialmente.
  1114.  
  1115. Não há dúvida: a teoria da "revolução permanente" de Trotski é uma variedade do menchevismo.
  1116.  
  1117. Ultimamente, tem aparecido na nossa imprensa diplomatas apodrecidos, que se esforçam por fazer passar a teoria da "revolução permanente" como alguma coisa de compatível com o leninismo. Certamente, dizem eles, esta teoria revelou-se inútil em 1905. Mas o erro de Trotski consiste em ter-se adiantado, então, procurando aplicar à situação de 1905 o que naquele período não podia encontrar aplicação. Em seguida, porém, acrescentam em outubro de 1917, por exemplo, quando a revolução estava plenamente madura, a teoria de Trotski estava inteiramente no seu lugar. Não é difícil adivinhar que o principal desses diplomatas é Radek. Ouvi o que diz:
  1118.  
  1119. "A guerra abriu um abismo entre os camponeses, que aspiram a conquista da terra e da paz, e os partidos pequeno-burgueses; a guerra pôs os camponeses sob a direção da classe operária e da sua vanguarda, o Partido bolchevique. O que se tornou possível já não é a ditadura da classe operária e dos camponeses; mas a ditadura da classe operária apoiada pelos camponeses. O que Rosa Luxemburgo e Trotski defendiam, em 1905, contra Lênin (isto é, a "revolução permanente", J. St.) se transformou, com efeito, na segunda etapa do processo histórico".
  1120.  
  1121. Cada uma dessas palavras é uma falsidade. É falso que durante a guerra "o que se tornou possível já não é a ditadura da classe operária e dos camponeses, mas a ditadura da classe operária apoiada pelos camponeses". Na realidade, a revolução de fevereiro de 1917 foi a realização da ditadura do proletariado e dos camponeses, entrelaçada de modo original com a ditadura da burguesia.
  1122.  
  1123. É falso que a teoria da "revolução permanente", da qual Radek, envergonhado, não fala, tenha sido formulada em 1905 por Rosa Luxemburgo e por Trotski. Na realidade, essa teoria foi formulada por Parvus e por Trotski. Agora, dez meses depois, Radek se emenda e considera necessário censurar Parvus pela "revolução permanente". Mas a justiça exige que as censuras de Radek também alcancem Trotski, o parceiro de Parvus.
  1124.  
  1125. É falso que a "revolução permanente", refutada pela revolução de 1905, tenha se revelado justa "na segunda etapa do processo histórico", isto é, durante a Revolução de Outubro. Todo o curso da Revolução de Outubro, todo o seu desenvolvimento mostrou e demonstrou a inconsistência total da teoria da "revolução permanente", a sua incompatibilidade total com os princípios do leninismo.
  1126.  
  1127. Os discursos melífluos e a diplomacia apodrecida não conseguem fechar o abismo que separa a teoria da "revolução permanente" do leninismo.
  1128.  
  1129.  
  1130.  
  1131. Stalin - Carta ao Camarada M.
  1132. 4) Sou decididamente, contra a política de amputamento em relação a todos os camaradas heterodoxos. Sou contra uma tal política não porque tenha pena dos heterodoxos mas porque uma tal política origina no Partido o regime da atemorização e da intimidação, regime que sufoca o espírito de autocrítica e de iniciativa. Não é bom quando se teme mas não se respeita os chefes do Partido. Os chefes do Partido só podem ser chefes autênticos no caso em que não só sejam temidos mas também respeitados no Partido e a sua autoridade seja reconhecida. É difícil formar chefes desse tipo, trata-se de um problema de difícil solução e que exige tempo, mas é absolutamente indispensável que o consigamos porque sem essa condição o Partido não pode ser considerado um autêntico Partido bolchevique e a disciplina do Partido não pode ser uma disciplina consciente. Penso que os camaradas alemães não reconhecem essa verdade evidente por si mesma. Para se repudiar Trotski e seus partidários, nós, os bolcheviques russos, empreendemos uma intensa campanha de princípios e de esclarecimento das bases do bolchevismo contra as bases do trotskismo, embora, a se julgar pela força e pelo peso específico do CC do PC(b) da Rússia, poderíamos ter passado sem essa campanha. Foi necessária essa campanha? Sem dúvida que sim, porque através dela educamos centenas de milhares de novos membros do Partido (e não membros) no espírito do bolchevismo. É extremamente lamentável que nossos camaradas alemães não sintam a necessidade de preceder ou completar as medidas de repressão contra a oposição por uma ampla campanha de esclarecimento e de princípios, dificultando assim a solução do problema da educação dos membros do Partido e dos quadros do Partido no espírito do bolchevismo. É fácil expulsar Brandler e Talheimer — trata-se de uma questão simples. Superar, porém, o brandlerismo é uma tarefa complexa e séria e aqui unicamente se consegue estragar tudo com repressão apenas, sendo necessário que aremos o campo profundamente e iluminemos seriamente as cabeças. O PC (b) da Rússia sempre se desenvolveu através das contradições, isto é, em luta contra as correntes não comunistas e somente no processo dessa luta é que se fortaleceu e forjou autênticos quadros. Diante do Partido Comunista Alemão se apresenta o mesmo caminho de desenvolvimento através de contradições, através de uma luta real, séria e prolongada contra as correntes não comunistas e particularmente contra as tradições social-democratas, o brandlerismo, etc. Entretanto, para essa luta apenas as repressões não bastam. É por isso que penso ser necessário se tornar mais flexível a política interna do CC do PCA. Não duvido que o PCA saberá superar as deficiências que se apresentam nesse setor.
  1133.  
  1134. 5) Tendes toda razão quanto ao trabalho nos sindicatos. O papel dos sindicatos na Alemanha não é o mesmo que na Rússia. Na Rússia os sindicatos surgiram após o Partido e representavam, em essência, órgãos aiuxiliares do Partido. O mesmo não aconteceu na Alemanha e na Europa em geral. Ali o Partido surgiu dos sindicatos, estes faziam com êxito concorrência ao Partido no sentido da influência entre as massas e frequentemente representavam pesados grilhões presos aos pés do Partido. Se se indagar das amplas massas da Alemanha ou da Europa em geral qual é a organização que consideram mais próxima, o Partido ou os sindicatos, responderão, indubitavelmente, que os sindicatos lhes são mais próximos do que o Partido. Seja esta situação boa ou má, trata-se, porém de um fato que os operários sem Partido da Europa consideram os sindicatos como suas fortalezas básicas que os ajudam a lutar contra os capitalistas (salários, jornada de trabalho assistência social, etc.) ao mesmo tempo em que consideram o Partido como elemento auxiliar e de segunda categoria, embora necessário. É assim que se explica, que a luta direta contra os atuais sindicatos, travada de fora pelos «ultra-esquerdistas», seja considerada pelas massas operárias como uma luta contra as suas principais fortalezas que levaram dezenas de anos a construir e que agora os «comunistas» querem destruir. Não levar em conta essa particularidade significa deitar a perder toda a causa do movimento comunista no Ocidente. Do que precede, porém, chega-se a duas conclusões: Primeiro, no Ocidente não se pode ganhar as massas de milhões da classe operária sem se ganhar os sindicatos, e, segundo, não se pode ganhar os sindicatos sem se trabalhar dentro desses sindicatos e sem se fortalecer dentro deles a nossa influência. Isso explica porque é necessário que dediquemos uma atenção particular ao trabalho de nossos camaradas nos sindicatos.
  1135.  
  1136.  
  1137.  
  1138. Stalin - O Partido Comunista da Tcheco-eslováquia
  1139. 1.º) Por si mesma e por sua própria natureza, a passagem do ascenso à calmaria aumenta as probabilidades do perigo de direita. Se o ascenso dá origem a ilusões revolucionárias fazendo do perigo de esquerda o principal, já a calmaria, ao contrário, dá origem a ilusões social-democráticas, reformistas, fazendo do perigo de direita o fundamental. Em 1920, quando o movimento operário estava em ascensão, Lênin escreveu o folheto «A Doença Infantil do 'Esquerdismo'». Por que Lênin escreveu justamente um folheto desse tipo? Porque o perigo de esquerda era então o perigo mais sério. Penso que se Lênin estivesse vivo escreveria agora um novo folheto sobre «A Doença Senil do Direitismo», porque atualmente, no período de calmaria, quando as ilusões conciliadoras devem aumentar, o perigo de direita é o perigo mais sério.
  1140.  
  1141. 2.º) Como nos informou o camarada Chmeral, no Partido Comunista da Tcheco-eslováquia há nada menos de 70% de ex-social-democratas. Não é preciso demonstrar que as recaídas de tipo social-democrata são, não somente possíveis, mas inevitáveis em tal Partido. Não é preciso dizer que essa circunstância não pode deixar de agravar o perigo de direita.
  1142.  
  1143. 3.º) O Estado tcheco-eslovaco é um Estado que representa a vitoria nacional dos tchecos. Os tchecos já receberam seu Estado nacional como nação dominante, por enquanto os operários ali não vivem mal: não há desemprego e impera a embriaguês pelas idéias do Estado nacional. Tudo isso não pode deixar de criar entre as classes da Tcheco-eslováquia ilusões de paz nacional. Não é preciso dizer que essa circunstância origina e intensifica, por sua vez, o perigo de direita. É justamente aí que é preciso procurar a causa de as divergências entre os direitistas e os esquerdistas haverem surgido em torno da política nacional, sendo que os eslovacos e os alemães (nações oprimidas) se colocaram no flanco esquerdo e o tchecos no flanco oposto.. O camarada Chmeral referiu-se ao perigo dessa divisão — o que é, evidentemente, uma verdade. Entretanto, também é verdade que essa divisão é inteiramente compreensível se levarmos em conta as particularidades nacionais do Estado tcheco-eslovaco, acima mencionadas, e a situação dominante dos tchecos. Essas são as causas fundamentais que tornam particularmente sério o perigo de direita no Partido Comunista da Tcheco-eslováquia.
  1144. ______________________
  1145. 1. É fato que existe um artigo do camarada Kreibich a favor do trotskismo. É fato que esse documento é conhecido nos círculos partidários e passa de mão em mão. Seria necessário dar publicidade a esse documento e arrasar seu autor — arrasá-lo ideologicamente perante os operários, para dar ao Partido a possibilidade de compreender o perigo do trotskismo e educar os quadros no espírito do bolchevismo. Porque, que é o trotskismo senão a ala direita do comunismo, senão o perigo de direita? Como procedeu nesse caso o camarada Chmeral? Em vez de levar ao conhecimento de todo o Partido o problema do trotskismo do camarada Kreibich; dissimulou a questão, ocultou-a, transferiu-a para os bastidores do Partido, e, aí, «solucionou-a» como se solucionam habitualmente simples «mal-entendidos». Com isso ganharam o trotskismo e o camarada Kreibich. O Partido perdeu. Ao invés da luta contra os direitistas o que se fez foi protegê-los.
  1146. ______________________
  1147. 2. Sabe-se que alguns líderes de três sindicatos — dos trabalhadores em transportes, dos madeireiros e dos trabalhadores em construção civil — editaram certo documento em que exigiam a total independência dos sindicatos com relação ao Partido. Sabe-se que esse documento é um indício da existência de vários elementos direitas nos sindicatos da Tcheco-eslováquia. Seria necessário analisar esse documento perante todo o Partido e preveni-lo com relação ao perigo de os sindicatos se afastarem dele. Como procedeu nesse caso o camarada Chmeral? O que fez foi dissimular esse problema, retirando o documento de circulação e ocultando-o, assim, das massas do Partido. Desse modo os direitistas permaneceram ilesos e o «prestígio do Partido» foi salvaguardado. A isso se chama lutar contra os direitistas
  1148.  
  1149. 3. Sabe-se que entre a fração parlamentar comunista existem elementos direitistas. Sabe-se que esses elementos de quando em vez não se subordinam à direção do Partido, tentando contrapor-se ao Comitê Central do Partido, A luta contra esses elementos representa uma necessidade vital, particularmente agora, particularmente nas atuais condições de calmaria. Como o camarada Chmeral luta contra esse perigo? Ao invés de desmascararmos elementos de direita da facção comunista, ele os defende e salva com uma elástica resolução de acatamento à direção do Partido, resolução aprovada como resultado de uma luta interna, de bastidores, no quarto ano de existência do Partido. Novamente os direitistas ganharam, e o Partido perdeu.
  1150.  
  1151.  
  1152.  
  1153. Stalin - A Propósito dos Resultados da XIV Conferência do PC(b) da Rússia
  1154. O problema está em que o capitalismo não pode se desenvolver sem intensificar a exploração da classe operária, sem condenar a maioria dos trabalhadores a uma existência semi-faminta, sem intensificar a opressão dos países coloniais e dependentes, sem conflitos e choques entre os diferentes grupos imperialistas da burguesia mundial, ao passo que o regime soviético e a ditadura do proletariado só podem se desenvolver nas condições de um firme ascenso da situação material e cultural da classe operária, nas condições de um firme melhoramento da situação de todos os trabalhadores do país soviético, nas condições de uma progressiva aproximação e unificação dos operários de todos os países, nas condições da firme união dos povos oprimidos dos países coloniais e dependentes em torno do movimento revolucionário do proletariado.
  1155.  
  1156. O caminho do desenvolvimento do capitalismo é o caminho da pauperização e da existência semi-faminta da imensa maioria dos trabalhadores e em que se verifica o suborno por meio do pagamento de salários mais altos a uma insignificante camada destes trabalhadores.
  1157. ______________________
  1158. Mas, evidentemente, não são todos os camaradas que concordam com o leninismo. Eis o que, por exemplo, afirma Trotski quanto à questão das contradições entre o proletariado e o campesinato:
  1159.  
  1160. “As contradições na situação do governo operário num país atrasado, com uma esmagadora maioria de população camponesa, poderão encontrar sua solução somente (O grifo é meu — J. St.) em escala internacional, na arena da revolução mundial do proletariado.” (Vide o prefácio ao livro de Trotski “O ano de 1905”).
  1161.  
  1162. Em outros termos, não temos fôrças e não estamos em condições de, com as nossas próprias fôrças, superar e anular as contradições internas do nosso país, as contradições entre o proletariado e o campesinato, uma vez que é somente como resultado da revolução mundial e só na base da revolução mundial que poderemos, como já se explicou, pôr fim a estas contradições e construir, finalmente, o socialismo.
  1163.  
  1164. Não é preciso dizer que esta tese não tem nada de comum com o leninismo.
  1165.  
  1166. O mesmo Trotski continua:
  1167.  
  1168. “A classe operária da Rússia não poderá se manter no poder e transformar o seu domínio temporário em prolongada ditadura socialista, sem um apoio estatal direto do proletariado europeu. Disto não se pode duvidar nem um minuto” (Vide “A Nossa Revolução”, página 278).
  1169.  
  1170. Em outras palavras, enquanto o proletariado ocidental não tomar o poder e não nos prestar um apoio estatal não poderemos nem sonhar com a manutenção do poder por um período algo prolongado.
  1171.  
  1172. E Trotski continua:
  1173.  
  1174. “É inútil pensar,— ...que, por exemplo, a Rússia revolucionária possa se manter de pé perante a Europa conservadora”. (Vide Trotski. Obras, f.. III, parte I, pg. 90).
  1175.  
  1176. Em outros termos, nós, na realidade, não só não podemos construir o socialismo, mas não podemos até mesmo resistir, embora por um curto prazo, “perante a Europa conservadora”, embora todo o mundo saiba que não só nos mantivemos firmes mas também rechaçamos uma série de furiosos ataques da Europa conservadora contra o nosso país.
  1177.  
  1178. E, finalmente:
  1179.  
  1180. “Um autêntico ascenso da economia socialista na Rússia, — afirma Trotski — se tornará possível somente após a vitória (O grifo é meu — J. Stálin) do proletariado nos países mais importantes da Europa” (Vide a mesma fonte, pg. 93).
  1181.  
  1182. Está claro, ao que parece.
  1183.  
  1184. Fiz, camaradas, estas citações a fim de contrapô-las a citações das obras de Lênin e vos apresentar, desta forma, a possibilidade de captar a essência básica da questão da possibilidade da construção de uma completa sociedade socialista no país da ditadura proletária, cercada por países capitalistas.
  1185. ______________________
  1186. Antes de passar as resoluções da XIV Conferência que tratam da política do Partido no campo, desejaria dedicar algumas palavras ao barulho levantado pela imprensa burguesa em consequência da critica, feita pelo Partido, das nossas próprias debilidades no campo. A imprensa burguesa se embandeira em arco, apregoando por todos os lados que uma critica franca de nossas próprias debilidades constitui um indicio de fraqueza do Poder Soviético, um indicio de sua decomposição e ruína. Não é preciso dizer que todo este barulho é totalmente falso e mentiroso.
  1187.  
  1188. A autocrítica é um sinal de fôrça e não de fraqueza de nosso Partido, só um Partido forte que tem as suas raízes na vida e que marcha para a vitoria pode se permitir uma crítica tão impiedosa de suas próprias debilidades como a que se permitiu e sempre permitira, à vista de todo o povo. Um Partido que oculte a verdade do povo, um Partido que tema a luz e a crítica, não é um Partido, mas uma camarilha de charlatães condenados ao fracasso. Os senhores burgueses nos medem segundo os seus próprios padrões. Temem a luz e ocultam, cuidadosamente, a verdade ao povo, escondendo as suas debilidades sob o letreiro luminoso de um bem-estar fictício. E sem dúvida pensam que também nós, os comunistas, devemos ocultar a verdade ao povo. Temem a luz porque basta que permitam uma auto critica algo séria, uma critica um tanto que de seus próprios erros para que não reste do regime burguês pedra sobre pedra. E sem dúvida pensam que se nós, comunistas, permitimos a autocrítica, é sinal de que estamos acuados e pairamos no ar. Os respeitáveis burgueses e os social-democratas nos medem segundo os seus próprios padrões. Somente os Partidos que marcham para trás e estão condenados ao fracasso é que podem temer a luz e a crítica. Mas nós não tememos nem uma e nem outro, não tememos porque somos um Partido em ascensão, que marcha para a vitória. Eis porque a autocrítica que realizamos já há alguns meses constitui um indicio de fôrça grandiosa e não de fraqueza de nosso Partido, um meio do seu fortalecimento e não da sua decomposição.
  1189.  
  1190.  
  1191.  
  1192. Stalin - Sobre as Tarefas Políticas da Universidade dos Povos do Oriente
  1193. Refiro-me adiante à elevação da cultura nacional nas Repúblicas Soviéticas do Oriente. Mas que é a cultura nacional? Como associar essa cultura à cultura proletária? Porventura não dizia Lênin, já antes da guerra, que temos duas culturas, uma cultura burguesa e uma cultura socialista, que a palavra de ordem da cultura nacional é uma palavra de ordem reacionária da burguesia, que procura envenenar a consciência dos trabalhadores com o veneno do nacionalismo? Como tornar compatível a construção de uma cultura nacional, o desenvolvimento de escolas e cursos na língua materna e a formação de quadros integrados por homens do país, com a construção do socialismo, com a construção de uma cultura proletária? Não há aqui porventura uma contradição insuperável? Naturalmente não! Nós construímos uma cultura proletária. Isso é inteiramente certo. Mas ainda é certo que a cultura proletária, socialista por seu conteúdo, adota diversas formas e maneiras diferentes de expressão nos diversos povos incorporados à construção socialista, com relação às diferenças de idioma, de condições de vida, etc. Proletária por seu conteúdo, nacional por sua forma: tal é a cultura humana universal para a qual marcha o socialismo. A cultura proletária não suprime a cultura nacional, mas lhe dá conteúdo. E, ao contrário, a cultura nacional não suprime a cultura proletária, mas lhe dá forma. A palavra de ordem da cultura nacional era uma palavra de ordem burguesa, enquanto o Poder se encontrava nas mãos da burguesia, enquanto a consolidação das nações se realizava sob a égide da ordem burguesa. A palavra de ordem da cultura nacional converteu-se em palavra de ordem proletária no momento em que o Poder passou às mãos do proletariado e a consolidação das nações começou a realizar-se sob a égide do Poder Soviético. Quem não haja compreendido essa diferença de princípio existente entre essas duas situações diversas, não compreenderá nunca o leninismo nem a essência do problema nacional do ponto de vista do leninismo.
  1194.  
  1195. Alguns falam (Kautsky, por exemplo) da criação de um idioma único, comum a toda a humanidade, com a extinção de todos os demais idiomas, na época do socialismo. Não acredito muito nessa teoria do idioma único universal. Em todo o caso, a experiência não está pró, mas contra tal teoria. Até o presente, as coisas correram de tal modo que a revolução socialista não reduziu, mas aumentou o número de idiomas, uma vez que a revolução, sacudindo os alicerces mais profundos da humanidade e atirando-os à cena política, desperta para uma vida nova toda uma série de nacionalidades novas, antes desconhecidas ou quase não conhecidas. Quem poderia pensar que na velha Rússia czarista existiam, pelo menos' 50 nacionalidades e grupos étnicos? Entretanto, ao romper as velhas cadeias e ao trazer a cena toda uma série de povos e nacionalidades esquecidas, a Revolução de Outubro deu- lhes uma vida nova e um novo desenvolvimento. Agora se fala da Índia como de um todo único. Mas não resta dúvida alguma de que, no caso de um abalo revolucionário na Índia, aparecerão dezenas de nacionalidades antes desconhecidas, com seu idioma particular, com sua cultura particular. E se se trata da incorporação das diversas nacionalidades à cultura proletária, apenas cabe duvidar de que essa incorporação não se realize sob formas que estejam em correspondência com o clima e as condições de vida dessas nacionalidades.
  1196. ______________________
  1197. Ao mesmo tempo, é necessário ter-se em mente a existência de dois desvios na prática dos ativistas do Oriente soviético, contra os quais é preciso lutar no recinto desta Universidade, com o objetivo de educar verdadeiros quadros e verdadeiros revolucionários para o Oriente soviético.
  1198.  
  1199. O primeiro desvio consiste no simplismo, na simplificação das tarefas a que me referi anteriormente, no intuito de transplantar mecanicamente os modelos de construção econômica, inteiramente compreensíveis e aplicáveis no centro da União Soviética, mas completamente inadaptáveis às condições do desenvolvimento da chamada periferia. Os camaradas que se deixam levar por esse desvio não compreendem duas coisas. Não compreendem que as condições no centro e na “periferia” não são as mesmas, que se acham longe de ser idênticas. Não compreendem, além disso, que as Repúblicas Soviéticas do Oriente não são do mesmo tipo, que entre elas algumas, como, por exemplo, a Geórgia e a Armênia, se encontram em grau superior de formação nacional, enquanto outras, como, por exemplo, a Tchetchênia e Kabarda, se encontram em grau inferior de formação nacional, e finalmente outras, como, por exemplo, a Quirguízia, ocupam uma posição intermediária entre os extremos. Esses camaradas não compreendem que, sem adaptar-se às condições locais, sem levar minuciosamente em consideração todas as particularidades de cada país, não é possível construir nada de sério. Os resultados desse desvio são: afastar-se das massas e degenerar-se em charlatães de esquerda. A missão da Universidade dos Povos do Oriente consiste em educar os quadros num espírito de luta intransigente contra esse simplismo.
  1200. ______________________
  1201. A campanha de calúnias desencadeada a propósito da insurreição na Estônia, a baixa incitação contra a União Soviética a propósito da explosão em Sofia, a campanha geral da imprensa burguesa contra o nosso país, todos esses fatos constituem a etapa preparatória da ofensiva. É a preparação ardilosa da opinião pública, com o objetivo de habituar o homem da rua aos ataques contra a União Soviética e de criar as premissas morais para a intervenção. Ainda nos resta ver qual vai ser o resultado de toda essa campanha de mentiras e calúnias e se os imperialistas se arriscarão a empreender uma ofensiva séria. Mas há poucos motivos para duvidar de que esses ataques não prognostiquem coisa muito boa para as colônias. Por isso, o problema da preparação do contragolpe das fôrças unidas da revolução ao provável golpe do imperialismo constitui um problema ineludível do momento.
  1202.  
  1203.  
  1204.  
  1205. Stalin - Perguntas e Respostas 1925
  1206. A ditadura do proletariado não é uma finalidade. É apenas um meio, o caminho que leva ao socialismo. Ora, o que é socialismo? É uma etapa entre a ditadura do proletariado e a sociedade sem Estado. Mas para percorrer essa etapa, é necessário renovar o mecanismo estatal, a fim de assegurar a transformação efetiva da sociedade sob a ditadura do proletariado em sociedade sem Estado, em sociedade comunista. Por isso, queremos dar maior vitalidade aos soviets, queremos realizar a democracia soviética na cidade e na aldeia e devemos confiar a gestão dos negócios do Estado à elite operária e camponesa. Corrigir o mecanismo do Estado, renová-lo verdadeiramente, libertá-lo da burocracia e dos fatores de decomposição, aproximá-lo das massas e torná-lo simpático a elas é impossível sem a colaboração efetiva dessas mesmas massas. Mas essa colaboração constante e ativa também será irrealizável sem que os melhores elementos operários e camponeses participem da administração, sem uma ligação direta entre o mecanismo do Estado e as camadas profundas dos trabalhadores.
  1207.  
  1208. Qual a diferença que existe entre o mecanismo de Estado Soviético e o mecanismo do Estado burguês?
  1209.  
  1210. O mecanismo do Estado burguês está colocado acima das massas, e separado da população por uma barreira intransponível; pelo seu próprio espírito, ele é estranho às massas populares, enquanto que o mecanismo soviético confunde-se com as massas e perde seu caráter quando se afasta delas, pois não poderá contar com os trabalhadores se não lhes for acessível. Esta é uma diferença essencial entre o mecanismo do Estado burguês e o mecanismo do Estado soviético.
  1211. ______________________
  1212. Não se deve pensar que a noção de ditadura do proletariado se reduza à noção de violência. A ditadura do proletariado não é unicamente a violência, mas também a direção das classes não proletárias pelas massas trabalhadoras; a realização progressiva da economia socialista, mais perfeita do que a economia capitalista e superior a esta última pela produtividade do trabalho. A ditadura do proletariado é:
  1213.  
  1214. A violência juridicamente não limitada para com os capitalistas e proprietários rurais;
  1215. A direção dos camponeses pelo proletariado;
  1216. A realização progressiva do socialismo para toda a sociedade.
  1217. Não é possível desprezar um só destes três aspectos sem deformar a noção de ditadura do proletariado.
  1218.  
  1219. A nova tática de democracia soviética é desfavorável à ditadura do proletariado?
  1220.  
  1221. Absolutamente não.
  1222.  
  1223. A nova diretriz que tomamos, ao contrário, só pode consolidar a ditadura do proletariado. No que diz respeito ao elemento violência da ditadura, violência da qual o exército vermelho é a expressão, é supérfluo demonstrar que a realização da democracia soviética no campo só pode ser-lhe útil, pois torna ainda mais íntimos os laços existentes entre o poder soviético e o exército vermelho, já que este, na sua maioria, é composto de camponeses. Sobre o que diz respeito ao elemento direção, a vivificação dos soviets facilitará ao proletariado esta direção, pois ela só poderá consolidar a confiança que os camponeses depositam na classe operária. Quanto à realização do socialismo, não é necessário demonstrar que a nova diretriz do partido só poderá facilitá-la, pois ela consolidará o bloco operário-camponês, sem o qual a edificação do socialismo é de todo impossível.
  1224. ______________________
  1225. Só com o tempo, com o trabalho diário, com o rejuvenescimento dos soviets e com a organização da cooperação será possível recrutar tal contingente na massa rural. E para chegar a um resultado satisfatório, é preciso que o comunista trate o sem partido de igual para igual, que demonstre confiar nele, que mantenha com ele relações fraternais. Não poderemos exigir a confiança dos sem partido se os tratarmos com desconfiança. Lenin dizia que a confiança mútua deve ser a base das relações entre os comunistas e os sem partido. Não devemos esquecer estas palavras. Criar uma atmosfera de confiança mútua entre comunistas e os elementos sem partido é imprescindível para preparar a formação de um numeroso contingente de camponeses ativos agrupados em torno do partido.
  1226.  
  1227. E como se cria esta confiança? Progressivamente e não por meio de ordens. Ela só se pode formar, como dizia Lenin, pelo controle mútuo e amigável dos comunistas e dos sem partido no decurso do trabalho prático. Por ocasião da primeira depuração do partido, os comunistas foram controlados pelos sem partido, o que deu os melhores resultados e criou uma atmosfera de confiança em torno do partido. As lições da primeira depuração, dizia então Lenin, demonstraram que o controle mútuo dos comunistas e dos sem partido deve estender-se a todos os setores da nossa atividade. Creio que já é tempo de relembrar estas palavras de Lenin e de pô-las em prática.
  1228.  
  1229. Portanto, é pela crítica e pelo controle mútuos no decurso do trabalho diário, que será possível criar a confiança entre os comunistas e os sem partido. É o caminho que o partido deve seguir se ele quer impedir que os sem partido se afastem dele e se pretende criar um forte contingente de camponeses ativos em torno de suas organizações rurais.
  1230.  
  1231.  
  1232.  
  1233. Stalin - Em Torno dos Problemas do Leninismo
  1234. "O leninismo é o marxismo da época do imperialismo e da revolução proletária, ou mais exatamente: o leninismo é a teoria e a tática da revolução proletária em geral a teoria e a tática da ditadura do proletariado em particular".
  1235.  
  1236. Será exata esta definição?
  1237.  
  1238. Creio que sim. É exata, em primeiro lugar, porque indica com acerto as raízes históricas do leninismo, caracterizando-o como o marxismo da época do imperialismo, em oposição a alguns críticos de Lenine que, erradamente, entendem ter o leninismo surgido depois da guerra imperialista. Em segundo lugar, é exata, porque assinala acertadamente o caráter internacional do leninismo, em oposição à social-democracia, que pensa o leninismo só ser aplicável às condições nacionais da Rússia. Em terceiro lugar, é exata, porque mostra com fidelidade a ligação orgânica existente entre o leninismo e a doutrina de Marx, caracterizando o leninismo como sendo o marxismo da época do imperialismo em oposição a alguns críticos do marxismo, que não vêem no leninismo um novo desenvolvimento do marxismo, mas apenas a restauração do marxismo e sua aplicação à realidade da Rússia.
  1239. ______________________
  1240. No folheto Sobre os Fundamentos do Leninismo, considera-se a ''teoria da revolução permanente" como uma "teoria" que subestima o papel dos camponeses. Eis o que está nesse folheto:
  1241.  
  1242. "A luta de Lenine contra os partidários da revolução "permanente" não girava em torno do problema da continuidade da revolução, pois o próprio Lenine sustentava o ponto de vista da revolução ininterrupta, mas em torno do fato de que aqueles partidários menosprezavam o papel dos camponeses, que formam a reserva mais importante do proletariado".
  1243.  
  1244. Até estes últimos tempos, gozava de aceitação geral esta caracterização dos "permanentistas" russos. Embora seja certa, entretanto, de modo geral, não pode essa caracterização ser considerada como completa. A discussão de 1924, de um lado, e o estudo minucioso das obras de Lenine, de outro, demonstraram que o erro dos "permanentistas" russos não consistia apenas em menosprezar o papel dos camponeses, mas também em subestimar a força e a capacidade do proletariado para arrastar atrás de si os camponeses, ou, seja, na falta de confiança na idéia da hegemonia do proletariado.
  1245.  
  1246. Por isso, em meu folheto "A Revolução de Outubro e a tática dos comunistas russos" (dezembro de 1924), ampliei esta caracterização e substitui-a por outra mais completa. Eis o que diz esse folheto a respeito dos "permanentistas".
  1247.  
  1248. "Até agora, costumava-se assinalar somente uma face da teoria da "revolução permanente": a falta de confiança nas possibilidades revolucionárias do movimento camponês. Agora, para se fazer justiça, deve-se completar essa face com a outra: a falta de confiança nas forças e na capacidade do proletariado da Rússia".
  1249.  
  1250. Isto não significa, naturalmente, que o leninismo tenha estado ou seja contrário à idéia da revolução permanente, sem aspas, como foi proclamada por Marx, na década dos 40 do século passado. Lenine, ao contrário, foi o único marxista que soube compreender e desenvolver de modo acertado a idéia da revolução permanente. A diferença entre Lenine e os "permanentistas", nesta questão, consiste em que os "permanentistas" falseavam a idéia da revolução permanente de Marx, convertendo-a em sabedoria inerte, livresca, enquanto que Lenine a tomou em sua forma pura e a converteu num dos fundamentos de sua teoria da revolução. Convém recordar que a idéia da transformação da revolução democrático-burguesa em socialista, que Lenine já esboçara em 1905, é uma das formas por que aparece a teoria marxista da revolução permanente. Eis o que Lenine escrevia, já em 1905, sobre esse assunto:
  1251.  
  1252. "Da revolução democrática começaremos a passar, imediatamente, e de acordo com a medida de nossas forças, das forças do proletariado consciente e organizado para a revolução socialista. Nós somos partidários da revolução ininterrupta. (sublinhado por Stálin) Não haveremos de parar na metade do caminho...
  1253.  
  1254. "Sem cair no aventureirismo, sem trair nossa consciência científica sem pretender a popularidade barata, podemos afirmar, e de fato afirmamos uma coisa somente: ajudaremos, com todas as nossas forças, a todos os camponeses, a fazer a revolução democrática, para que, a nós, o partido do proletariado, seja mais fácil passarmos, o mais depressa possível, a enfrentar a tarefa nova e superior — a revolução socialista" (Lenine, t. VIII, págs. 186-187, A Atitude da Social-Democracia Frente ao Movimento Camponês).
  1255. ______________________
  1256. A diferença entre a revolução proletária e a revolução burguesa poderia resumir-se em cinco pontos fundamentais:
  1257.  
  1258. A revolução burguesa começa geralmente pela existência de formas mais ou menos delineadas do sistema capitalista, formas que surgem e amadurecem no seio da sociedade feudal mesmo antes de estalar a revolução, enquanto que a revolução proletária começa com a ausência total ou quase total de formas definidas do sistema socialista.
  1259. A missão fundamental da revolução, burguesa consiste em tomar o poder e ajustá-lo à economia burguesa existente, enquanto que a missão fundamental da revolução proletária consiste em construir, uma vez tomado o poder, uma economia nova, socialista.
  1260. A revolução burguesa termina, geralmente, com a tomada do poder, enquanto que, para a revolução proletária, a tomada do poder não é senão o começo, além de que, nesse caso, o poder é utilizado como alavanca para transformação da velha economia e a organização da nova.
  1261. A revolução burguesa limita-se a substituir, no poder, um grupo de exploradores por outro grupo de exploradores, razão por que não precisa destruir a velha máquina do Estado, enquanto que a revolução proletária expulsa do poder todos os grupos exploradores e coloca em seu lugar o chefe de todos os trabalhadores e explorados, a classe dos proletários, razão pela qual não pode deixar de destruir a velha máquina do Estado e de substituí-la por outra nova.
  1262. A revolução burguesa não pode agrupar em torno à burguesia, por um período mais ou menos longo, os milhões de homens das massas trabalhadoras e exploradas, precisamente porque se trata de trabalhadores explorados, enquanto que a revolução proletária pode e deve unir ao proletariado esses milhões de homens numa aliança duradoura, justamente por se tratar de massas trabalhadoras e exploradas, se é que a revolução proletária deseja cumprir sua missão fundamental de consolidar o poder do proletariado e de construir a economia nova, socialista.
  1263. ______________________
  1264. Donde se conclui serem estes os três aspectos fundamentais da ditadura do proletariado:
  1265.  
  1266. Utilização do poder do proletariado para esmagar os exploradores, para a defesa do país, para consolidar as relações com os proletários de outros países, para o desenvolvimento e a vitória da revolução proletária em todos os países.
  1267. Utilização do poder do proletariado para desligar definitivamente, da burguesia, as massas trabalhadoras e exploradas, para consolidar a aliança entre o proletariado e estas massas, para fazer com que estas massas participem na obra de construção socialista, para a direção estatal destas massas pelo proletariado.
  1268. Utilização do poder do proletariado para organizar o socialismo, para suprimir as classes, para alcançar a sociedade sem classes, a Sociedade sem Estado.
  1269. ______________________
  1270. A ditadura do proletariado tem seus períodos, suas formas especiais, seus diversos métodos de trabalho. Durante o período da guerra civil, o que salta a nossos olhos é, sobretudo, o aspecto da violência da ditadura. Mas disso não se depreende, de modo algum, que, durante o período da guerra civil, não se leve a cabo nenhum trabalho construtivo. Sem trabalho construtivo é impossível sustentar a guerra civil. Pelo contrário, durante o período da construção do socialismo, ressalta sobretudo o trabalho pacífico, organizador e cultural da ditadura, a legalidade revolucionária, etc. Mas daí não se conclui, também, do mesmo modo, que o aspecto de violência da ditadura tenha desaparecido ou possa desaparecer durante o período da construção. Os órgãos de repressão, o exército e outras organizações, continuam sendo necessários agora, no período da construção, da mesma maneira que na guerra civil. Sem esses órgãos, a ditadura não poderia realizar trabalho construtivo mais ou menos garantido. Não se deve esquecer que, por enquanto a revolução não triunfou senão num só país. Não se deve esquecer que, enquanto existir o cerco capitalista, o perigo de intervenção, com todas as conseqüências derivadas do mesmo, continuará existindo.
  1271. ______________________
  1272. Donde provem o erro de Zinoviev? Onde está a origem de seu erro?
  1273.  
  1274. A causa de seu erro reside, a meu ver, na segurança de Zinoviev sobre o fato do atraso técnico de nosso país ser obstáculo insuportável para a construção da sociedade socialista completa, de que o proletariado não pode construir o socialismo devido ao atraso técnico de nosso país. Zinoviev e Kamenev tinham procurado, certa vez, expor este argumento numa das sessões do C.C. do Partido, nas vésperas da Conferencia celebrada pelo Partido em abril. Mas lhes foi dada a réplica oportuna e viram-se obrigados a retroceder, submetendo-se formalmente ao ponto de vista oposto, ao ponto de vista da maioria do C.C. Mas, apesar de ter-se submetido formalmente, Zinoviev prosseguiu durante todo o tempo sua luta contra a maioria. Eis o que diz, a propósito desse "incidente", ocorrido no C.C. do P.C. (b) da URSS, o Comitê de Moscou de nosso Partido, em sua Resposta à carta da Conferencia do Partido da região de Leningrado:
  1275.  
  1276. "Não faz muito tempo, Zinoviev e Kamenev mantiveram no Bureau Político o ponto de vista de que não poderemos, segundo eles, vencer as dificuldades internas, por causa de nosso atraso técnico e econômico, se não nos vier salvar a revolução internacional. Mas nós, com a maioria do C.C., entendemos que podemos construir o socialismo, que o estamos construindo, e que o construiremos completamente, apesar de nosso atraso técnico e a despeito dele. Entendemos que esta construção irá, naturalmente, muito mais devagar do que iria sob as condições de um triunfo mundial, mas que, não obstante, avançamos e continuaremos avançando. Achamos também que o ponto de vista de Kamenev e de Zinoviev exprime a falta de confiança nas forças internas de nossa classe operária e das massas camponesas que a acompanham. Cremos que este ponto de vista significa desviar-se das posições leninistas". (Veja-se a Resposta citada).
  1277. ______________________
  1278. Diz-se que os camponeses de nosso pais são, por sua situação, contrários ao socialismo, e, devido a isso, são incapazes de desenvolver-se num sentido socialista. É exato, naturalmente, que os camponeses, por sua situação, são contrários ao socialismo. Mas isso não é argumento contra o desenvolvimento das explorações camponesas pela via do socialismo, uma vez que já ficou assentado que o campo segue a cidade e nesta impera a indústria socialista. Durante a Revolução de Outubro, os camponeses também não eram socialistas por sua situação e não queriam, de modo algum, implantar o socialismo em nosso país. Tratavam de conseguir, principalmente, a liquidação do poder dos latifundiários, pôr fim à guerra, e impor a paz. Naquele momento, entretanto, seguiram o proletariado socialista. Por que? Porque a derrocada da burguesia e a tomada do poder pelo proletariado socialista era, então, o único caminho para sair da guerra imperialista, o único caminho para impor a paz. Porque naquela hora não havia, não podia haver outros caminhos. Porque o nosso Partido conseguiu então sondar, encontrar o grau de unificação e subordinação dos interesses especificos dos camponesas (a derrubada dos latifundiários, a paz), aos interesses gerais do país (ditadura do proletariado), o que se tornou vantajoso e aceitável para os camponeses. E, apesar de seu caráter contrário ao socialismo, os camponeses seguiram então o proletariado socialista.
  1279.  
  1280. O mesmo se deve dizer quanto à construção socialista em nosso país e à incorporação dos camponeses às bases dessa construção. Os camponeses não são socialistas por sua situação. Mas têm de adotar, e forçosamente adotarão, o caminho socialista, pois fora da aliança com o proletariado, fora da aliança com a indústria socialista, fora da incorporação das explorações camponesas ao sentido geral do desenvolvimento socialista mediante a incorporação em massa dos camponeses ao regime cooperativo, não há nem pode haver outro caminho para salvar o camponês da miséria e da ruína.
  1281. ______________________
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