Kustapassaessa

Citações Stalin 3

Mar 22nd, 2021
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  1. Stalin - Encontro com Stálin no Executivo Ampliado 1926
  2. Bordiga: No momento em que o companheiro Stálin se serve como argumento político do erro cometido em 1917 por um grupo de companheiros, por que razão, quando o companheiro Trótski recordou também estes fatos, se organizou uma campanha contra ele?
  3.  
  4. Stálin: Trótski não foi combatido por isto, mas porque detinha e sustentava a sua velha convicção acerca das relações entre o proletariado e os camponeses, segundo a qual, se não houver a revolução nos outros países da Europa, não se pode desenvolver a revolução na Rússia. Esta é uma concepção social-democrática e por essa razão Trótski vem sendo combatido.
  5.  
  6. Bordiga: Está claro, porém, que Trótski fez um confronto entre o Outubro russo e o outubro alemão e criticou as falhas destes companheiros que hoje estão na nova oposição. Naquela ocasião se disse que Trótski tomava posição contra a velha guarda. Hoje, ao contrário, as mesmas acusações são sustentadas pelo CC contra a oposição.
  7.  
  8. Stálin: A diferença está nisto: o companheiro Trótski começava com uma comparação e com base nela construía toda a sua crítica. Qual era sua finalidade? Ele queria mudar a direção dos cavalos durante a corrida sem levar em conta o essencial. Mas não se pode construir em cima de uma comparação. Se se começa com uma comparação deve-se terminar com uma comparação. E isso é fazer literatura, e não trabalho político.
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  10. Acontece porém, freqüentemente, que um homem digno tome uma posição errada e que, vice-versa, um homem indigno se encontre na posição correta. Em política se deve seguir a linha das posições e não a das pessoas.
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  12. Bordiga: Com a finalidade de precisar a questão das perspectivas, pergunta-se ao companheiro Stálin se ele pensa que o desenvolvimento da situação russa e dos problemas internos do partido russo está ligado ao desenvolvimento proletário internacional
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  14. Stálin: Esta pergunta nunca me foi formulada. Não acreditaria nunca que um comunista me pudesse fazê-la. Deus o perdoe por tê-la feito.
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  16. Bordiga: Peço, então, agora ao companheiro Stálin que diga o que acontecerá na Rússia se não se verificar dentro de um certo período de tempo a revolução proletária na Europa.
  17.  
  18. Stálin: Se soubermos organizar bem a economia russa, ela está destinada a se desenvolver e, com ela, é a revolução que se desenvolve. O programa do nosso partido diz — por outro lado — que nós temos o dever de difundir a revolução no mundo de qualquer maneira e nós o faremos. Não está absolutamente excluído que, se a burguesia não nos atacar primeiro, nós seremos obrigados a atacá-la. Certamente a burguesia deixou passar o momento propício para nos atacar, quando éramos fracos. Hoje estamos mais fortes. Temos, na grande indústria, dois milhões de operários e sete milhões na indústria média e a sua capacidade produtiva e a sua cultura continuam sempre aumentando. A marcha sobre Varsóvia foi um erro de tática, mas não um erro de princípio.
  19. ______________________
  20. Afirma-se que o poder Soviético é o poder mais sólido entre todos os governos existentes no mundo. Isso é verdade. E como se explica isso? Explica-se pelo fato de que a política do poder Soviético é a única política justa.
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  22. Não se pode julgar que o camponês seja estúpido, como às vezes o imaginam certas pessoas que se julgam sabichões. Não, camaradas, o camponês é mais inteligente do que muitos sabichões da cidade.
  23. ______________________
  24. É preciso explicar as diretrizes do Partido e do Poder Soviético, explicá-las de maneira paciente e atenciosa para que compreendam o que o Partido quer e em que sentido encaminha o pais. Se não compreenderem hoje — explicar mais claramente amanhã. Se não compreenderem amanhã — explicar mais claramente depois de amanhã. Sem isso não haverá e não pode haver atualmente nenhuma direção.
  25.  
  26. Isto não quer dizer, evidentemente, que se deva deixar de dirigir. Não, não é disso que se trata. A massa não pode respeitar o Partido se este abandona a direção, se deixa de dirigir. As próprias massas querem que sejam dirigidas e as massas procuram uma direção firme. as massas, porém, querem que a direção não seja formal, burocrática mas real, compreensível. E justamente por isso que se torna necessário explicar pacientemente os objetivos e as tarefas, as diretrizes e as indicações do Partido e do Poder Soviético. Não se pode abandonar a direção da mesma forma como não se pode enfraquecê-la. Pelo contrario, a direção deve ser reforçada. Porém, para se reforçar a direção é necessário que a própria direção se torne mais flexível e o Partido se arme do máximo de sensibilidade em relação às exigências das massas.
  27.  
  28.  
  29.  
  30. Stalin - Sobre a Questão do Governo Operário-Camponês
  31. Tomai, por exemplo, a questão do nosso Estado. É claro que o nosso Estado é, tanto por sua natureza de classe como por seu programa, por suas tarefas fundamentais, por seus atos, por sua obra — um Estado proletário, um Estado operário, é verdade que com uma certa "deformação burocrática". Lembrai-vos da definição de Lênin:
  32.  
  33. "O Estado operário é uma abstração. E, na realidade, temos o Estado operário, em primeiro lugar com a particularidade de que não predomina no país a população operária, e sim camponesa; e, em segundo lugar, um Estado operário com deformação burocrática"(4).
  34.  
  35. Disto só podem duvidar, talvez, os mencheviques, os social-revolucionários e um ou outro dos nossos oposicionistas. Lênin esclareceu muitas vezes que o nosso Estado é o Estado da ditadura proletária, e a ditadura proletária é o poder de uma classe, o poder do proletariado. Tudo isto conhecido há muito tempo. Entretanto, existem muitos "leitores" que apresentaram e ainda apresentam reclamações a Lênin, porque Lênin, ás vezes, chamava o nosso Estado, Estado "operário-camponês", embora não seja difícil compreender que, nisto, Lênin não tinha em vista a definição da natureza de classe do nosso Estado e, ainda menos, a negação da natureza proletária deste Estado, tinha em vista que a natureza proletária do Estado soviético conduz à necessidade da união do proletariado com as massas fundamentais do campesinato e, por isto, a política do governo soviético devia ser orientada no sentido de reforçar essa união.
  36.  
  37. Tomai, por exemplo, os tomos: XXII, página 174; XXV, páginas 50 e 80; XXVI, páginas 40, 67, 207 a 216; XXVII, página 47. Em todos estes trabalhos, como também em algumas outras obras, Lênin qualifica o nosso Estado como Estado "operário-camponês". Mas seria estranho não compreender que Lênin, em todos estes casos, não tinha em vista a característica da natureza de classe do nosso Estado, e sim a definição da política de reforçamento da união, que decorre da natureza proletária e das tarefas socialistas do nosso Estado nas condições do nosso país camponês. Neste sentido condicional e limitado, mas somente neste sentido, pode-se falar sobre, o Estado "operário-camponês", o que Lênin faz, em seus trabalhos, nos lugares assinalados.
  38.  
  39. Quanto à natureza de classe do nosso Estado, já disse acima que Lênin deu, a propósito, a fórmula mais precisa, que não permiti nenhuma interpretação má: Estado operário com deformação burocrática num país com predominância da população camponesa. Parece que está claro. Entretanto, alguns "leitores" que sabem "ler" a letra mas não desejam compreender o que leram, ainda continuam a queixar-se de que Lênin os “atrapalhou" na questão da natureza do nosso Estado, e os "discípulos" não querem "desembrulhar" a "trapalhada". É um pouco ridículo...
  40.  
  41. Perguntais: onde está a saída dos "mal-entendidos"?
  42.  
  43. Em minha opinião, a saída é uma só: estudar Lênin, não em citações isoladas e sim na essência, estudá-lo "seriamente e meditando, sem cessar. Não vejo outra saída.
  44.  
  45.  
  46.  
  47. Stalin - Tese Para os Propagandistas 1927
  48. O GOLPE de Chiang Kai-Shek significa por si mesmo o afastamento da burguesia nacional da revolução, o nascimento de um centro da contra-revolução nacional e o acordo dos direitistas do Kuomintang com os imperialistas contra a revolução chinesa.
  49.  
  50. O golpe de Chiang Kai-Shek significa que haverá doravante no sul da China, dois campos, dois governos, dois exércitos, dois centros — o centro da revolução em Wu Han e o centro da contra-revolução em Nanquim.
  51.  
  52. O golpe de Chiang Kai-Shek significa que a revolução penetrou na segunda etapa do seu desenvolvimento, que se iniciou a passagem da revolução da frente unificada da nação em geral para a revolução das massas de milhões de operários e camponeses, para a revolução agrária que fortalece e amplia a luta contra o imperialismo, contra a gentry(2) e os latifundiários feudais, contra os militaristas e o grupo contra-revolucionário de Chiang Kai-Shek.
  53.  
  54. Isso significa que a luta entre os dois caminhos da revolução, entre os partidários do seu desenvolvimento posterior e os partidários de sua liquidação se aguçará dia a dia, enchendo consigo mesma toda a etapa atual da revolução.
  55.  
  56. Isto significa que o Kuomintang revolucionário em Wu Han, ao travar uma luta decisiva contra o militarismo e o imperialismo, se transformará, de fato, em órgão da ditadura revolucionária e democrática do proletariado e do campesinato, e o grupo contra-revolucionário de Chiang Kai-Shek em Nanquim, ao se afastar dos operários e camponeses e ao se aproximar do imperialismo, terá, no final das contas, a sorte dos militaristas.
  57.  
  58. Mas segue-se daí que a política de manutenção da unidade do Kuomintang, a política de isolamento dos direitistas dentro do Kuomintang e de utilização dos mesmos para os objetivos da revolução já não corresponda às novas tarefas da revolução. Esta política deve ser substituída pela política de expulsão decidida dos direitistas do Kuomintang, pela política de luta decidida contra os direitistas até à sua total liquidação zzzpolítica, pela política de concentração de todo o poder no país nas mãos do Kuomintang revolucionário, do Kuomintang, sem os seus elementos direitistas, do Kuomintang como bloco dos esquerdistas do Kuomintang e os comunistas.
  59.  
  60. Daí se segue, ainda, que a política de cooperação estreita dos esquerdistas e dos comunistas dentro do Kuomintang adquire em determinada etapa uma força particular e uma significação particular, que esta cooperação reflete a união dos operários e dos camponeses que se processa fora do Kuomintang e que sem uma tal cooperação é impossível a vitória da revolução.
  61.  
  62. Daí se segue, ainda, que a fonte fundamental da força do Kuomintang revolucionário é constituída pelo desenvolvimento posterior do movimento revolucionário dos operários e dos camponeses e pelo fortalecimento de suas organizações de massa — os Comitês revolucionários de camponeses, dos sindicatos dos operários de outras organizações revolucionárias de massas, como elementos preparatórios dos futuros soviets; que a principal garantia da vitória da revolução é o crescimento da atividade revolucionária das massas de milhões de trabalhadores e o principal antídoto para a contra-revolução é o armamento dos operários e dos camponeses.
  63.  
  64. Daí se segue, finalmente, que, ao lutar nas mesmas fileiras juntamente com os elementos revolucionários do Kuomintang, o Partido Comunista deve manter, mais do que nunca, a sua independência, como condição necessária para assegurar a hegemonia do proletariado na revolução democrático-burguesa.
  65. ______________________
  66. O ERRO fundamental da oposição (Radek e companhia) está na incompreensão do caráter da revolução na China, na incompreensão da espécie de etapa que atravessa atualmente esta revolução e na incompreensão da situação internacional do momento.
  67.  
  68. A oposição exige que a revolução chinesa se desenvolva mais ou menos com o mesmo ritmo da Revolução de Outubro. A oposição se acha descontente pelo fato de que os operários de Changai não empreenderam um combate decisivo contra o imperialistas e seus esbirros.
  69.  
  70. Mas a oposição não compreende que a revolução na China não pode se desenvolver a um ritmo acelerado, entre outras coisas, por que a situação internacional atualmente é menos favorável do que em 1917 (não há uma guerra entre imperialistas).
  71.  
  72. Não compreende que é impossível empreender um combate decisivo em condições desfavoráveis, quando as reservas ainda não se acham preparadas, da mesma forma que, por exemplo, os bolcheviques não empreenderam o combate decisivo nem em abril e nem em julho de 1917.
  73.  
  74. A oposição não compreende que não evitar o combate decisivo em condições desfavoráveis (quando se pode evitá-lo) — significa facilitar a tarefa dos inimigos da revolução.
  75. ______________________
  76. A oposição considera inconveniente a participação do Partido Comunista no Kuomintang. A oposição considera, portanto, conveniente a saída do Partido Comunista do Kuomintang. Mas o que significa o afastamento do Partido Comunista do Kuomintang agora, quando toda a matilha imperialista com todos os seus laçais exige a expulsão dos comunistas do Kuomintang? Isto significa abandonar o campo da luta e abandonar os seus aliados do Kuomintang para alegria dos inimigos da revolução. Significa enfraquecer o Partido Comunista, minar o Kuomintang revolucionário, facilitar a tarefa dos Kaveniak de Changai e entregar a bandeira do Kuomintang, a mais popular de todas as bandeiras da China, às mãos dos direitistas do Kuomintang.
  77.  
  78. É isto precisamente o que os imperialistas, os militaristas e os direitistas do Kuomintang exigem atualmente.
  79.  
  80. Dessa forma se conclui que, ao se manifestar pela retirada do Partido Comunista do Kuomintang no momento atual, a oposição faz o jogo dos inimigos da revolução chinesa.
  81.  
  82. O recente pleno do Comitê Central do nosso Partido procedeu, por isso, de maneira inteiramente certa, ao repudiar, decididamente, a plataforma da oposição.
  83.  
  84.  
  85.  
  86. Stalin - Encontro com Stálin no Executivo Ampliado
  87. Já não falo sobre o fato de que não há nada ofensivo para Bukarin ou Stálin em que pessoas do gênero de Trotski e Zinoviev, por terem sido pilhados em flagrante pelo VII pleno ampliado do Comitê Executivo em desvio social-democrata, insultem sem motivo algum os bolcheviques. Pelo contrário, seria para mim a mais profunda ofensa se semi-mencheviques do tipo Trotski e Zinoviev me elogiassem e não me insultassem.
  88. ______________________
  89. Não me alongarei também em indagações no sentido de saber se a oposição infringiu ou não, com as suas atuais manifestações fracionistas as obrigações assumidas por ela em 16 de outubro de 1926. Trotski afirma que, segundo a declaração da oposição de 16 de outubro de 1926, ele tem o direito de defender os seus pontos de vista. Isto é verdade, sem dúvida, mas se Trotski pensa afirmar que com isso se esgota aquela declaração então só se pode chamar a isso de sofisma.
  90.  
  91. Na declaração da oposição de 16 de outubro, fala-se não somente a respeito dos direitos da oposição em defender os seus pontos de vista mas também sobre o fato de que esses pontos de vista poderão ser defendidos dentro dos limites partidariamente permissíveis, que o fracionismo deve ser afastado e liquidado, que a oposição é obrigada "a se submeter incondicionalmente" à vontade do Partido e às resoluções do CC, que a oposição deve não somente se submeter a essas resoluções mas também "pô-las em prática" conscienciosamente.
  92.  
  93. Não é preciso ainda demonstrar depois de tudo isso que a declaração da oposição de 16 de outubro de 1926 foi por ela violada e rasgada da maneira mais estúpida.
  94. ______________________
  95. O erro fundamental de Trotski está em que ele não compreende o significado e o caráter da revolução chinesa. O Komintern parte do princípio de que as sobrevivências do feudalismo são, no momento atual, o fator predominante da opressão na China que estimula a revolução agrária. O Komintern parte de que as sobrevivências do feudalismo na aldeia chinesa e toda a super-estrutura militarista e burocrática que corresponde a essas sobrevivências com todos os seus dziudziuns, governadores, generais, Tchan Tso-Lin, etc, — constituem a infra-estrutura sobre cuja base surgiu e se desenvolve a atual revolução agrária.
  96. ______________________
  97. Tal é o ponto de partida das concepções de Trotski.
  98.  
  99. Tal é o ponto de vista de Trotski quanto ao caráter da revolução chinesa.
  100.  
  101. Permití-me observar que este ponto de vista é o ponto de vista do conselheiro civil de "sua alteza" Tchan Tso-Lin.
  102.  
  103. Se o ponto de vista de Trotski é acertado então é preciso reconhecer que estão certos Tchan Tso-Lin e Chiang Kai-Shek que não desejam nem a revolução agrária, nem a revolução operária e que só se esforçam no sentido de anular os acordos injustos e estabelecer a autonomia alfandegária da China.
  104.  
  105. Trotski rolou até o ponto de vista dos burocratas de Tchan Tso-Lin e Chiang Kai-Shek.
  106. ______________________
  107. O erro fundamental de Trotski (o que quer dizer também da oposição) está na subestimação da revolução agrária na China, na subestimação do caráter democrático-burguês desta revolução, na negação das premissas de um movimento agrário na China do qual participam milhões e na subestimação do papel do campesinato na revolução chinesa.
  108.  
  109. Este erro de Trotski não é novo. Constitui o traço característico de toda a linha de Trotski durante todo o período de sua luta contra o bolchevismo.
  110.  
  111. A subestimação do papel do campesinato na revolução democrático-burguesa é o erro que Trotski comete desde 1905 e que se manifestou de maneira particularmente clara antes da revolução de fevereiro de 1917 e que ele não abandonou até hoje.
  112. ______________________
  113. Trotski na realidade ajuda aos políticos operários liberais da Rússia, os quais entendem por "negação" do papel do campesinato a relutância em levantar os camponeses para a revolução!
  114.  
  115. Eis que esta particularidade do esquema de Trotski, que se manifesta no fato de que ele vê a burguesia, vê o proletariado, mas não nota o campesinato e não compreende o seu papel na revolução democrático-burguesa — é precisamente o que constitui o erro fundamental da oposição quanto à questão chinesa.
  116.  
  117. É aí precisamente que se encontra o "semi-menchevismo" de Trotski e da oposição quanto à questão do caráter da revolução chinesa.
  118.  
  119. Deste erro fundamental decorrem todos os demais erros da oposição e de toda a confusão nas teses da oposição relativas à questão chinesa.
  120. ______________________
  121. Trotski considera a questão de maneira inteiramente diferente. Ele considera Wu-Han uma "ficção" e não um centro do movimento revolucionário. À indagação do que seja atualmente o Kuomintang de esquerda Trotski responde: "Por enquanto ainda não é nada, ou quase nada".
  122.  
  123. Admitamos que Wu-Han seja uma ficção. Mas se Wu-Han é uma ficção, por que Trotski não exige uma luta decisiva contra esta ficção? Desde quando os comunistas começaram a apoiar uma ficção, participar de uma ficção, chefiar uma ficção, etc? Não é fato que os comunistas devem lutar contra as ficções? Não é fato que a recusa da luta contra as ficções da parte dos comunistas significa enganar o proletariado e o campesinato? Por que Trotski, portanto, não propõe a luta contra as ficções, embora por meio da saída imediata dos comunistas do Kuomintang de Wu-Han e do governo de Wu-Han? Porque Trotski propõe a permanência nesta ficção e não sair de lá? Portanto, onde está a lógica?
  124.  
  125. Essa incongruência "lógica" não se explica pelo fato de que Trotski, após haver levantado as mãos contra Wu-Han e após denominá-lo ficção, se acovardou depois e não se decidiu a tirar a conclusão correspondente, nas suas teses?
  126. ______________________
  127. O que revela tudo isso? Revela que a oposição se perdeu em contradições. Perdeu a capacidade de pensar logicamente e perdeu todas as perspectivas.
  128. ______________________
  129. V - Duas Linha
  130. Assim, acham-se diante de nós duas linhas inteiramente diferentes quanto à questão chinesa — a linha do Komintern e a linha de Trotski e de Zinoviev.
  131.  
  132. Linha do Komintern. As sobrevivências feudais e a super-estrutura burocrática e militarista que se assenta sobre as mesmas, apoiada por todas as formas pelos imperialistas de todos os países, constituem o fato fundamental da realidade chinesa atual.
  133.  
  134. A China passa no momento atual pela revolução agrária dirigida tanto contra as sobrevivências feudais como contra o imperialismo.
  135.  
  136. A revolução agrária constitui a base e o conteúdo da revolução, democrático-burguesa na China.
  137.  
  138. O Kuomintang de Wu-Han e o governo de Wu-Han, formam o centro do movimento revolucionário democrático-burguês.
  139.  
  140. Nanquim e o governo de Nanquim representam o centro da contra revolução nacional.
  141.  
  142. A política de apoio à Wu-Han é ao mesmo tempo a política de desenvolvimento da revolução democrático-burguesa com todas as consequências que daí decorrem. Daí a participação dos comunistas no Kuomintang de Wu-Han e no governo revolucionário de Wu-Han, participação que não exclui mas supõe a crítica, em todos os sentidos, dos comunistas às indecisões e vacilações dos seus aliados do Kuomintang.
  143.  
  144. Esta participação dos comunistas deve ser utilizada para facilitar ao proletariado o papel hegemônico na revolução democrático-burguesa na China e aproximar o momento da passagem para a revolução proletária.
  145.  
  146. No momento em que a revolução democrático-burguesa se aproximar da vitória completa e quando no decorrer da revolução burguesa se delinearem os caminhos para a passagem à revolução proletária — nesse momento é preciso se criar os Soviets de deputados operários, camponeses e soldados como fatores de duplo poder, como órgãos de luta por um novo poder, como órgãos de um novo poder, do poder dos Soviets.
  147.  
  148. Nessa ocasião o bloco dos comunistas dentro do Kuomintang deve ser substituído pelo bloco fora do Kuomintang, e o Partido Comunista deve se tornar o único dirigente da nova revolução na China.
  149.  
  150. Propor agora, como o fazem Trotski e Zinoviev, a formação imediata dos Soviets de deputados operários e camponeses e a criação imediata de um duplo poder, quando a revolução democrático-burguesa ainda se encontra na fase inicial de seu desenvolvimento, quando o Kuomintang constitui a forma de organização da revolução nacional-democrática mais adequada e que melhor corresponde às particularidades específicas da China — significa desorganizar o movimento revolucionário, enfraquecer Wu-Han, facilitar a sua queda e prestar ajuda a Tchan Tso-Lin e à Chiang Kai-Shek.
  151. ______________________
  152. O Kuomintang de Wu-Han e o governo de Wu-Han ou são uma "ficção" (Trotski) ou o kemalismo (Zinoviev).
  153.  
  154. Por um lado, é preciso criar um duplo poder para a derrocada do governo de Wu-Han por meio da formação imediata dos Soviets (Trotski). Por outro lado, é necessário fortalecer o governo de Wu-Han, é indispensável uma ajuda enérgica e por todas as formas ao governo de Wu-Han, também, sem dúvida, por meio da formação imediata dos Soviets (Zinoviev).
  155.  
  156. Como regra, seria melhor que os comunistas saíssem imediatamente desta "ficção", do governo de Wu-Han e do Kuomintang de Wu-Han. E, aliás, seria melhor que eles permanecessem nesta mesma "ficção", isto e, tanto no governo de Wu-Han como no Kuomintang de Wu-Han. E para que vão ficar no Wu-Han, se o Wu-Han é uma "ficção" — isto, de fato, somente Deus sabe. E quem não concordar com isto, — é um apóstata e traidor.
  157.  
  158. Tal é a chamada linha de Trotski e Zinoviev.
  159.  
  160. É difícil se poder apresentar algo mais incongruente e confuso do que esta pretensa linha.
  161.  
  162. Tem-se a impressão de que não estamos tratando com marxistas, mas com certos burocratas afastados da vida ou, ainda melhor — com turistas "revolucionários" que viajaram de Seca à Meca, deram uma espiada pelo VII pleno ampliado do Comitê Executivo do Komintern que apresentou os princípios fundamentais da revolução chinesa, souberam depois pelos jornais que na China de fato havia uma certa revolução, não se sabe se agrária ou anti-alfandegária, e decidiram que é necessário compor todo um monte de teses — em abril as primeiras teses em princípios de maio outras teses, no fim de maio as terceiras teses e, após haverem composto todo um monte de teses, atirá-las contra o Comitê Executivo do Komintern, evidentemente supondo que a abundância de teses confusas e contraditórias constitui o meio principal de salvação da revolução chinesa.
  163.  
  164. Tais são, camaradas, as duas linhas relativas às questões da revolução chinesa.
  165.  
  166. Vocês terão que escolher uma dessas duas linhas.
  167.  
  168. Termino, camaradas.
  169.  
  170. Ao terminar desejaria dizer algumas palavras sobre o sentido político e a significação dos discursos fracionistas de Trotski e Zinoviev no momento atual. Eles se queixam de que não se lhes permite a necessária liberdade para lançar insultos e impropérios sem precedentes contra o CC do PC (b) da URSS e o CE. da IC. Queixam-se do "regime" vigente no Komintern e no PC (b) da URSS. Querem, em suma, liberdade para a desorganização do Komintern e do PC (b) da URSS. Querem, em suma, transplantar para o Komintern e o PC (b) da URSS os costumes e hábitos de Maslov & Cia..
  171.  
  172. Devo dizer, camaradas, que Trotski escolheu um momento demasiadamente impróprio para os seus ataques contra o Partido e o Komintern. Acabo de receber a notícia de que o governo conservador inglês decidiu romper relações com a URSS. Não há necessidade de demonstrar que agora se desencadeará em toda parte uma campanha contra os comunistas. Esta campanha já começou. Alguns ameaçam o PC (b) da URSS com a guerra e a intervenção. Outros — com a cisão. Forma-se uma espécie de frente única que vai de Chamberlain a Trotski.
  173.  
  174. É possível que queiram nos amedrontar com isto. Mas duvido que seja necessário demonstrar que os bolcheviques não são crianças que se deixam atemorizar. A história do bolchevismo conhece muitas "frentes" desse gênero. A história do bolchevismo demonstra que essas "frentes" foram invariavelmente destroçadas pela decisão revolucionária e pela bravura sem precedentes dos bolcheviques.
  175.  
  176.  
  177.  
  178. Stalin - Comentários Sobre Temas Atuais 1927
  179. O fato de que a iniciativa nessa obra, na obra da criação da frente única dos imperialistas contra a URSS, foi tomada pela burguesia inglesa e seu estado maior de combate, o Partido Conservador — não deve ser, para nós, algo inesperado. O capitalismo inglês sempre foi, e o será o mais rancoroso estrangulador das revoluções populares. Começando pela grande revolução burguesa francesa do fim do século XVIII e terminando pela revolução chinesa, que se desenrola atualmente, a burguesia inglesa sempre esteve e continua a estar nas primeiras fileiras dos esmagadores do movimento libertador da humanidade. Os homens soviéticos jamais esquecerão as violências, pilhagens e invasões militares, que o nosso país sofreu anos atrás, devido aos capitalistas ingleses. Que há, pois, de estranho se o capital inglês e o seu Partido Conservador pretendem dirigir, novamente, a guerra contra o foco mundial da revolução proletária, contra a URSS?
  180.  
  181. Mas a burguesia inglesa não gosta de lutar com as próprias mãos. Sempre preferiu travar a guerra com as mãos alheias. E, às vezes, conseguiu, realmente, encontrar idiotas, prontos a tirar, para ela, as castanhas do fogo.
  182.  
  183. Assim aconteceu durante a grande revolução burguesa francesa, quando a burguesia inglesa conseguiu criar uma aliança de Estados europeus contra a França revolucionária.
  184.  
  185. Assim se passou depois da Revolução de Outubro na URSS quando a burguesia inglesa, atacando a URSS, tentou criar "a aliança de 14 Estados" e quando, apesar disto, foi empurrada para fora das fronteiras da URSS.
  186.  
  187. Assim sucede, atualmente, na China, onde a burguesia inglesa tenta criar uma frente única contra a revolução chinesa.
  188.  
  189. É muito compreensível que o Partido Conservador, preparando a guerra contra a URSS, há alguns anos faça um trabalho de preparação para criar uma "santa aliança" de grandes e pequenos Estados contra a URSS.
  190. ______________________
  191. Quais as nossas tarefas?
  192.  
  193. A tarefa consiste em dar o alarma, em todos os países, em todos os países da Europa, sobre a ameaça de uma nova guerra, elevar a vigilância dos operários e soldados dos países capitalistas e preparar as massas, prepará-las incansavelmente para acolherem com todas as armas da luta revolucionária, todas e quaisquer tentativas dos governos burgueses para organizarem uma nova guerra.
  194.  
  195. A tarefa consiste em pregar ao pelourinho todos os líderes do movimento operário que "consideram" uma "invencionice" a ameaça de uma nova guerra, embalam os operários com a mentira pacifista e fecham os olhos ao fato de que a burguesia prepara uma nova guerra, pois esses indivíduos querem que a guerra pegue de surpresa os operários.
  196.  
  197. A tarefa consiste em que o Governo continue a fazer, firme e inabalavelmente, uma política de paz, uma política de relações pacíficas, apesar dos ataques provocadores dos nossos inimigos, apesar das alfinetadas sobre o nosso prestígio.
  198.  
  199. Os provocadores, do campo inimigo, procuram e procurarão irritar-nos, afirmando que a nossa política de paz se explica pela nossa debilidade, pela debilidade do nosso exército. Às vezes, isto faz explodir um ou outro dos nossos camaradas, inclinados a deixar-se levar pela provocação e exigem que sejam tomadas medidas "decisivas". Isto é fraqueza de nervos. É falta de firmeza. Não podemos e não devemos tocar segundo a partitura de nossos inimigos. Devemos seguir o nosso caminho, defendendo a causa da paz, demonstrando a nossa vontade de paz, desmascarando as intenções espoliadoras dos nossos inimigos e apresentando-os como atiçadores de guerra.
  200.  
  201. Pois só esta política poderá dar-nos a possibilidade de congregar as massas trabalhadoras da URSS num só campo de combate, se o inimigo nos impuser ou, mais exatamente, quando o inimigo nos impuser a guerra.
  202.  
  203. Quanto à nossa "debilidade" ou à "debilidade" do nosso exército, não é pela primeira vez que os nossos inimigos se enganam a respeito. Oito anos atrás, quando a burguesia inglesa empreendeu a intervenção contra a URSS e Churchill ameaçava com a campanha dos "quatorze Estados", a imprensa burguesa também lançava gritos sobre a "debilidade" do nosso exército. Entretanto o mundo inteiro sabe que os intervencionistas ingleses e seus aliados foram varridos vergonhosamente para fora do país, pelo nosso exército vitorioso.
  204.  
  205. Não seria inconveniente lembrar isto aos senhores incendiários de uma nova guerra.
  206.  
  207. A tarefa consiste em elevar a capacidade de defesa do nosso país, levantar a nossa economia nacional, melhorar a nossa indústria, militar e não militar, elevar a vigilância dos operários, camponeses e soldados vermelhos, do nosso país, retemperando neles a vontade de defender a pátria socialista e liquidando o relaxamento que, infelizmente, ainda está longe de ter sido liquidado.
  208.  
  209. A tarefa consiste em reforçar a nossa retaguarda e limpá-la do que é mau, não recuando diante da repressão contra os "mais luminosos" terroristas e incendiários de nossas fábricas e usinas, pois a defesa do nosso país é impossível sem uma sólida retaguarda revolucionária.
  210. ______________________
  211. Quanto ao fuzilamento de vinte "luminosos", saibam os inimigos internos e externos da URSS, que a ditadura proletária na URSS vive, e o seu punho é firme.
  212. ______________________
  213. Depois de tudo isto, que dizer sobre a nossa infeliz oposição, em ligação com seus novos ataques ao Partido, diante da ameaça de uma nova guerra? Que dizer sobre o fato de que essa mesma oposição achou preferível reforçar seus ataques ao Partido, por ocasião da ameaça de guerra? Que pode haver de bom no fato de que, em lugar de congregar-se em torno do Partido contra a ameaça externa, ela achou preferível utilizar as dificuldades da situação da URSS para novas agressões ao Partido? Será possível que a oposição seja contrária à vitória da URSS nos futuros combates contra o imperialismo, seja contrária à elevação da capacidade de defesa da União Soviética seja contrária ao reforçamento da nossa retaguarda? Ou, talvez, seja covardia diante das novas dificuldades, deserção, desejo de escapar à responsabilidade, encoberto pelo estridor de frases de esquerda?
  214. ______________________
  215. Teria sido justa a política bolchevique do bloco revolucionário com os social-revolucionários da esquerda, em Outubro e depois de Outubro, até a primavera de 1918? Penso que ainda ninguém ousou negar a justeza deste bloco. Como terminou este bloco? Com a insurreição dos social-revolucionários de esquerda contra o Poder Soviético. Pode-se afirmar, sobre esta base, que a política de bloco com os social-revolucionários, era errônea? É claro que não.
  216.  
  217. Teria sido justa a política do bloco revolucionário com o Kuomintang de Wu-Han, na segunda etapa da revolução chinesa? Penso que ainda ninguém ousou negar a justeza deste bloco, durante a segunda etapa da revolução. A própria oposição afirmava, então, (abril de 1927), que este bloco era justo. Como é possível, agora, depois que a direção do Kuomintang de Wu-Han abandonou a revolução, sobre a base deste abandono, afirmar que o bloco revolucionário com o Kuomintang de Wu-Han era errôneo ?
  218.  
  219. Não é claro que só indivíduos sem caráter poderão recorrer a tais "argumentos"?
  220.  
  221. Será que alguém afirmou que o bloco com o Kuomintang de Wu-Han era um bloco eterno, interminável? Será que existem na natureza blocos eternos, intermináveis? Não é claro que a oposição nada, absolutamente nada compreendeu do segundo princípio tático do leninismo, sobre o bloco revolucionário do proletariado com as classes e os grupos não proletários?
  222.  
  223. "Somente é possível obter a vitória sobre um adversário mais poderoso, empregando todas as forças e utilizando obrigatoriamente com solicitude, com minúcia, prudência e habilidade, a menor "brecha" entre os inimigos, toda contradição de interesses entre a burguesia dos diversos países, entre os diferentes grupos ou diferentes categorias burguesas no interior de cada país; é preciso igualmente aproveitar as menores possibilidades de obter um aliado de massas, mesmo que seja temporário, vacilante, instável, pouco firme, condicional. Quem não compreender isto não compreende, uma só palavra de marxismo ou socialismo científico contemporâneo em geral (sublinhado por mim — J. St.). Quem não houver demonstrado na prática, durante um período de tempo bastante longo e em situações políticas bastante variáveis, sua habilidade para aplicar esta verdade à realidade, ainda não aprendeu a ajudar a classe revolucionária em sua luta para libertar da exploração toda a humanidade trabalhadora. E isto se aplica tanto ao período anterior à conquista do poder político pelo proletariado, como ao posterior."
  224. ______________________
  225. Eis como Lênin formula este princípio tático:
  226.  
  227. "É impossível triunfar apenas com a vanguarda. Lançar apenas a vanguarda na batalha decisiva, quando toda a classe, quando as grandes massas ainda não adotaram uma posição de apoio direto a esta vanguarda, ou ao menos de neutralidade benevolente em relação a ela, que as incapacitem por completo para defender o adversário, seria não só uma estupidez, como, mais do que isso, um crime. E para que na realidade toda a classe operária, as grandes massas dos trabalhadores e dos oprimidos pelo capital, cheguem a ocupar semelhante posição, a propaganda e a agitação somente são insuficientes. Para isso é necessário a própria experiência política destas massas (grifado por mim — J. St.). Esta é a lei fundamental de todas as grandes revoluções, hoje confirmada com uma força e um relevo surpreendente, não só na Rússia como também na Alemanha. Não somente as massas incultas, em grande parte analfabetas, da Rússia, como também as massas muito cultas, sem analfabetos, da Alemanha, necessitaram experimentar em sua própria pele toda a impotência, toda a falta de caráter, toda a debilidade, todo o servilismo ante a burguesia, toda a infâmia do governo dos cavalheiros da Segunda Internacional, toda a inevitabilidade da ditadura dos ultra-reacionários (Kornilov na Rússia; Kapp e companhia na Alemanha) como única alternativa diante da ditadura do proletariado, para orientar-se decididamente rumo ao comunismo.
  228.  
  229. A missão atual da vanguarda consciente do movimento operário internacional, isto é, dos Partidos, grupos e correntes comunistas, consiste em saber levar às amplas massas (ainda hoje, em sua maior parte, sonolentas, apáticas, rotineiras, inertes, adormecidas) a esta sua nova posição, ou, mais exatamente, em saber dirigir não só o próprio Partido, como também essas massas na marcha de sua aproximação, de sua passagem para a nova posição."(3).
  230.  
  231. O erro fundamental da oposição consiste em que ela não compreende o sentido e a importância deste princípio tático do leninismo, não o reconhece, viola-o sistematicamente.
  232.  
  233. A oposição (os trotsquistas) violou este princípio tático no começo de 1917, quando tentou "saltar" por cima do movimento agrário ainda não terminado (ver Lênin).
  234.  
  235. A oposição (Trotski—Zinoviev) violou-o quando tentou "saltar" por cima do caráter reacionário dos sindicatos, não reconhecendo a conveniência do trabalho dos comunistas nos sindicatos reacionários e negando a necessidades de blocos temporários com eles.
  236.  
  237. A oposição (Trotski—Zinoviev—Radek) violou-o quando tentou "saltar" por cima das particularidades nacionais do movimento revolucionário chinês (Kuomintang), por cima do atraso das massas populares chinesas, exigindo, em abril de 1926, que os comunistas saíssem imediatamente do Kuomintang, e lançando, em abril de 1927, a palavra de ordem de organização imediata dos Soviets, nas condições de uma fase de desenvolvimento ainda não terminada, ainda não ultrapassada, a fase do Kuomintang.
  238.  
  239. A oposição esquece que a "nossa" compreensão está longe de bastar para que os comunistas chineses possam conduzir as massas. A oposição esquece que, para isto, é necessário, ainda mais; que as próprias massas reconheçam, na base da própria experiência, a insegurança, o caráter reacionário, o caráter contra-revolucionário da direção do Kuomintang.
  240.  
  241. A oposição esquece que "fazem" a revolução não somente o grupo avançado, não somente o Partido, não somente certas "personalidades", embora "elevadas", como também, antes de tudo e sobretudo, as massas de milhões do povo.
  242.  
  243. É estranho que a oposição esqueça o estado, a compreensão, a preparação dos milhões das massas populares, para as ações decisivas.
  244. ______________________
  245. Sabíamos nós, o Partido, Lênin, em abril de 1917, que se teria de derrubar o Governo Provisório de Miliukov—Kerenski, que a existência do Governo Provisório era incompatível com a atividade dos Soviets e que o poder devia passar para as mãos dos Soviets? Sim, sabíamos.
  246.  
  247. Por que, então, Lênin estigmatizou como aventureiros o conhecido grupo de bolcheviques de Petrogrado, com Bagdatiev à frente, em abril de 1917, quando este grupo lançou a palavra de ordem "abaixo o Governo Provisório, todo o poder aos Soviets", e quando ele tentou derrubar o Governo Provisório?
  248.  
  249. Porque as amplas massas trabalhadoras, certa parte dos operários, os milhões do campesinato, as amplas massas do exército, finalmente os próprios Soviets ainda não estavam prontos para perceber essa palavra de ordem como palavra de ordem do momento.
  250.  
  251. Porque o Governo Provisório e os partidos pequeno-burgueses dos social-revolucionários e dos mencheviques, ainda não tinham tido tempo para esgotar-se, para desacreditar-se bastante aos olhos das massas de milhões de trabalhadores.
  252.  
  253. Porque Lênin sabia que, para derrubar o Governo Provisório e estabelecer o Poder Soviético, não bastava unicamente a compreensão, a consciência do grupo avançado do proletariado, do Partido do proletariado — para isto era necessário, ainda mais, que as massas mesmas se convencessem, na base da própria experiência, da justeza dessa linha.
  254.  
  255. Porque era necessário passar através de toda a bacanal da coligação, através do renegamento e da traição dos partidos pequeno-burgueses em junho, julho e agosto de 1917, era necessário passar através da ofensiva vergonhosa na frente, em junho de 1917, através da coligação "honesta" dos partidos pequeno-burgueses com Kornilov e Miliukov, através da insurreição de Kornilov, etc, a fim de convencer as massas de milhões de trabalhadores, da inevitabilidade da derrubada do Governo Provisório e do estabelecimento do Poder Soviético.
  256.  
  257. Porque só em tais condições a palavra de ordem do Poder Soviético como perspectiva podia ser transformada na palavra de ordem de Poder Soviético como palavra de ordem do momento.
  258.  
  259. A desgraça da oposição consiste em que ela, freqüentemente, comete o mesmo erro que, outrora, o grupo de Bagdatiev cometeu, e ela, deixando o caminho de Lênin, prefere "marchar" pelo caminho de Bagdatiev.
  260.  
  261. Sabíamos nós, o Partido, Lênin, que a Assembléia Constituinte era incompatível com o sistema do Poder Soviético, quando tomamos parte nas eleições à Assembléia Constituinte e quando a convocamos em Petrogrado? Sim, sabíamos.
  262.  
  263. Para que, então, a convocamos? Como pôde suceder que os bolcheviques, inimigos do parlamentarismo burguês, construindo o Poder Soviético, não somente tomassem parte nas eleições como também convocassem eles próprios a Assembléia Constituinte? Isto não teria sido "reboquismo", retardamento em face dos acontecimentos, "refreamento das massas", violação da tática de "longo alcance"? Certamente, não.
  264.  
  265. Os bolcheviques deram este passo a fim de facilitar que as massas atrasadas do povo se convencessem, com os próprios olhos, da inutilidade da Assembléia Constituinte, de seu caráter reacionário, de seu caráter contra-revolucionário. Só por esse meio era possível chamar a si as massas de milhões e milhões do campesinato e tornar fácil a dissolução da Assembléia. Constituinte.
  266.  
  267. Eis o que Lênin escreve a respeito:
  268.  
  269. "De setembro a novembro de 1917 participamos das eleições ao Parlamento burguês da Rússia, da Assembléia Constituinte. Nossa tática era ou não justa?... Não será que nós, os bolcheviques russos, tínhamos mais direito do que quaisquer outros comunistas do Ocidente, a considerar, naquele período de setembro a novembro de 1917, que o parlamentarismo havia caducado politicamente na Rússia? Naturalmente que tínhamos, mas a questão não é a da idade grande ou pequena dos parlamentos burgueses, e sim da preparação (ideológica, política, prática) das grandes massas trabalhadoras para aceitar o regime soviético e dissolver ou admitir a dissolução do parlamento democrático-burguês. Trata-se de que na Rússia, de setembro a novembro de 1917, a classe operária das cidades, os soldados e os camponeses estavam, em virtude de uma série de condições específicas, excepcionalmente dispostos a aceitar o regime soviético e a dissolver o mais democrático dos Parlamentos burgueses; este é um fato histórico absolutamente indiscutível e plenamente demonstrado. E apesar disso os bolcheviques não boicotaram a Assembléia Constituinte; ao contrário, participaram das eleições tanto antes como depois da conquista do poder político pelo proletariado...
  270.  
  271. A conclusão que se tira disso é absolutamente indiscutível: está provado que, mesmo algumas semanas antes do triunfo da República Soviética, mesmo depois deste triunfo, a participação em um parlamento democrático-burguês, não somente não prejudica o proletariado revolucionário, como, ao contrário, facilita a possibilidade de mostrar às massas atrasadas porque semelhantes parlamentos merecem ser dissolvidos, facilita o êxito de sua dissolução, facilita a "eliminação política" do parlamentarismo burguês."
  272.  
  273. Eis como os bolcheviques aplicaram, de fato, o terceiro princípio tático do leninismo.
  274. ______________________
  275. Quando a oposição exigia que os comunistas saíssem imediatamente do Kuomintang, em abril de 1926, era uma tática de vôos largos, pois a própria oposição foi obrigada a reconhecer, depois, que os comunistas deviam ficar no Kuomintang.
  276.  
  277. Quando a oposição declarou que a revolução chinesa era uma revolução pela autonomia alfandegária, era uma tática de vôo rasteiro, pois a própria oposição foi obrigada, depois, a abandonar, sorrateiramente, sua própria fórmula.
  278.  
  279. Quando a oposição, em abril de 1927, declarou ser um exagero falar sobre sobrevivências feudais na China, esquecendo a existência do movimento agrário de massas, era uma tática de vôo rasteiro, pois a própria oposição foi obrigada, depois, a reconhecer, silenciosamente, seu erro.
  280.  
  281. Quando a oposição em abril de 1927, lançou a palavra de ordem de formação imediata de Soviets, era uma tática de vôo largo, pois os próprios oposicionistas foram obrigados, então, a reconhecer as contradições em seu campo, um deles (Trotski) exigia uma orientação no sentido de derrubar o governo de Wu-Han, ao passo que o outro (Zinoviev), pelo contrário, exigia que o mesmo governo de Wu-Iian recebesse "auxilio por todos os modos". Mas, desde quando, entre nós, passaram a proclamar como tática de "longo alcance" a tática de divagação, a tática de eternos vôos largos e vôos rasteiros?
  282.  
  283.  
  284.  
  285. Stalin - Sobre o Problema da China
  286. ______________________
  287. Falemos agora das etapas da revolução chinesa. A oposição enredou-se até o ponto de agora negar a existência de qualquer etapa no desenvolvimento da revolução chinesa. Mas existe porventura alguma revolução sem etapas determinadas em seu desenvolvimento? A nossa revolução não teve então as suas etapas de desenvolvimento? Tomai as Teses de Abril, de Lênin, e vereis que Lênin reconhecia duas etapas em nossa revolução: a primeira etapa era a da revolução democrático-burguesa, com um movimento agrário como eixo principal; a segunda etapa, a da Revolução de Outubro, com a conquista do poder pelo proletariado como eixo principal. Quais são es etapas da revolução chinesa? A meu ver, têm de ser três: a primeira etapa é a da revolução da frente única nacional geral, o período de Cantão, quando a revolução dirigia seus golpes fundamentalmente contra o imperialismo estrangeiro, enquanto a burguesia nacional apoiava o movimento revolucionário; a segunda etapa é a da revolução democrático- burguesa, após a chegada das tropas nacionais ao rio Yang-Tse, quando a burguesia se afastou da revolução, enquanto o movimento agrário se desenvolveu até converter-se em poderosa revolução de dezenas de milhões de camponeses (a revolução chinesa encontra-se atualmente na segunda etapa de seu desenvolvimento) ; a terceira etapa é a da revolução soviética, à qual ainda não se chegou, mas se chegará. Quem não tenha compreendido que não pode haver uma revolução sem determinadas etapas de seu desenvolvimento, quem não tenha compreendido que a revolução chinesa tem três etapas em seu desenvolvimento, não compreendeu nada do marxismo nem do problema chinês.
  288. ______________________
  289. A autodeterminação política dos comunistas chineses se desenvolverá na luta contra dois desvios igualmente nocivos: contra o liquidacionismo de direita, que despreza as tarefas de classe independente do proletariado chinês e conduz a uma fusão amorfa com o movimento democrático nacional geral, e contra as tendências de extrema esquerda, que procuram saltar a etapa democrático-revolucionária do movimento e passar diretamente às tarefas da ditadura proletária e do Poder Soviético, esquecendo-se dos camponeses(12), esse fator fundamental e decisivo do movimento de libertação nacional na China” (v. obra citada).
  290. ______________________
  291. A oposição exigia naquele momento a formação imediata de Sovietes de deputados operários e camponeses. Mas isso representava, um espírito aventureiro, uma antecipação aventureira, uma vez que a formação imediata de Sovietes teria significado então, saltar a fase do desenvolvimento correspondente ao Kuomintang de esquerda. Por que? Porque o Kuomintang de Wu-Tchang, que mantinha aliança com os comunistas, ainda não havia tido tempo de desacreditar-se e desmascarar-se aos olhos das grandes massas de operários e camponeses, ainda não havia tido tempo de esgotar suas possibilidades como organização burguesa revolucionária; porque lançar a palavra de ordem dos Sovietes e da derrocada do governo de Wu-Tchang, no momento em que as massas ainda não se haviam convencido, por sua própria experiência, da inutilidade desse governo, da necessidade de sua derrocada, significava antecipar-se, isolar-se das massas, privar-se do apoio das massas e fazer fracassar, desse modo, a obra iniciada. A oposição considera que, se compreendeu a insegurança, a instabilidade e o insuficiente espírito revolucionário do Kuomintang de Wu-Tchang (coisa fácil de compreender para qualquer militante politicamente qualificado), é capaz de fazer que também as massas compreendam tudo isso, é capaz de substituir o Kuomintang pelos Sovietes e arrastar as massas consigo. Mas esse é o habitual erro ultra-esquerdista da oposição, que toma sua própria consciência e compreensão pela consciência e compreensão das massas de milhões de operários e camponeses. A oposição tem razão quando diz que o Partido deve marchar para diante. Essa á uma tese corrente do marxismo, e sem observância dela não existe nem pode existir um verdadeiro Partido Comunista. Mas isto não é mais que uma parte da verdade. A verdade inteira consiste em que o Partido não apenas deve marchar para diante, mas também arrastar consigo as grandes massas. Marchar para diante sem arrastar as grandes massas significa, de fato, ficar-se para trás do movimento, ficar-se à retaguarda do movimento. Marchar para diante separando-se da retaguarda, não sabendo levar consigo a retaguarda, significa cometer um erro capaz de fazer fracassar o movimento de avanço das massas durante determinado período. A direção leninista consiste precisamente em que a vanguarda saiba arrastar atrás de si a retaguarda, em que a vanguarda marche para diante sem se separar das massas. Mas para que a vanguarda não possa separar-se das massas, para que a vanguarda possa conduzir efetivamente atrás de si as grandes massas, para isso se requer uma condição decisiva, e essa é exatamente que as próprias massas se convençam, por sua própria experiência, do acerto das indicações, diretivas e palavras de ordem da vanguarda. A infelicidade da oposição consiste exatamente em que não reconhece essa simples regra leninista de direção das grandes massas, não compreendendo que o Partido sozinho, o grupo de vanguarda sozinho, sem o apoio das grandes massas, não se acha em estado de fazer a revolução, que a revolução "se faz", afinal, pelas massas de milhões de trabalhadores.
  292.  
  293. Por que, em abril de 1917, nós, os bolcheviques, não lançamos a palavra de ordem prática de deposição do Governo provisório e do estabelecimento do Poder Soviético, apesar de estarmos convencidos de que, em futuro próximo, nos encontraríamos diante da necessidade de depor o Governo provisório e instaurar o Poder Soviético? Porque as grandes massas trabalhadoras, tanto na retaguarda como na frente, e mesmo os próprios Sovietes não estavam ainda em condições de assimilar essa palavra de ordem, acreditavam ainda no caráter revolucionário do Governo provisório. Porque o Governo provisório não havia tido tempo de comprometer-se e desacreditar-se pelo apoio à contrarrevolução na retaguarda e na frente. Por que, em abril de 1917, em Leningrado, estigmatizou Lênin o grupo de Bogdátiev, que havia lançado a palavra de ordem da deposição imediata do Governo provisório e da instauração do Poder Soviético? Porque a tentativa de Bogdátiev constituía uma antecipação perigosa, que ameaçava isolar o Partido bolchevique das massas de milhões de operários e camponeses.
  294.  
  295. Aventurismo em política, bogdatievismo nos problemas referentes à revolução chinesa: eis o que mata hoje em dia a nossa oposição trotskista.
  296.  
  297.  
  298.  
  299.  
  300. Stalin - Caráter Internacional da Revolução de Outubro
  301. A Revolução de Outubro se caracteriza, antes de tudo, por haver rompido a frente do imperialismo mundial, por haver derrubado a burguesia imperialista num dos maiores países capitalistas e por haver colocado no Poder o proletariado socialista.
  302.  
  303. A classe dos assalariados, a classe dos perseguidos, a classe dos oprimidos e dos explorados elevou-se pela primeira vez na história da humanidade à posição de classe dominante, contagiando com o seu exemplo o proletariado de todos os países.
  304.  
  305. Isto significa que a Revolução de Outubro abriu uma nova época, a época das revoluções proletárias nos países do imperialismo.
  306.  
  307. Despojou os senhores de terra e os capitalistas dos instrumentos e meios de produção, convertendo-os em propriedade coletiva e contrapondo deste modo a propriedade socialista à propriedade burguesa. Com isso, tornou evidente a mentira dos capitalistas de que a propriedade burguesa é inviolável, sagrada, eterna.
  308.  
  309. Arrancou o Poder da burguesia, privou a burguesia dos direitos políticos, destruiu a máquina do Estado burguês e entregou o Poder aos Soviets, contrapondo deste modo ao parlamentarismo burguês, como democracia capitalista, o Poder socialista dos Soviets como democracia proletária. Tinha razão Lafargue ao dizer, já em 1887 que, no dia seguinte à revolução, "todos os antigos capitalistas seriam privados dos direitos eleitorais". Com isso, a Revolução de Outubro evidenciou a mentira dos social-democratas de que hoje é possível a transição pacífica para o socialismo pela senda do parlamentarismo burguês.
  310.  
  311. Mas a Revolução de Outubro, não se deteve nem podia se deter aí. Depois de destruir o velho, o burguês, empreendeu a construção do novo, do socialista. Os dez anos transcorridos desde a Revolução de Outubro são dez anos de edificação do Partido, dos sindicatos, dos Soviets, da cooperação, das organizações culturais, do transporte, da indústria, do Exército Vermelho. Os êxitos indiscutíveis alcançados pelo socialismo na URSS, na frente da construção demonstraram claramente que o proletariado pode governar o país com êxito sem burguesia e contra a burguesia, pode construir a indústria com êxito sem burguesia e contra a burguesia, pode dirigir toda a economia nacional com êxito sem burguesia e contra a burguesia, pode construir o socialismo com êxito, a despeito do cerco capitalista. A velha "teoria" de que os explorados não podem arranjar-se sem os exploradores, do modo que a cabeça e as outras partes do corpo não podem se arranjar sem o estômago, não é patrimônio exclusivo de Menenio Agripa, o célebre senador romano de que nos fala a história antiga. Esta "teoria" é hoje a pedra angular da "filosofia" política da social-democracia em geral e da política social-democrata de coalizão com a burguesia imperialista em particular. Esta "teoria", que se revestiu do caráter de um preconceito, é atualmente um dos obstáculos mais sérios com que tropeça o desenvolvimento revolucionário do proletariado dos países capitalistas. Um dos resultados mais importantes da Revolução de Outubro é o fato de haver assestado o golpe de misericórdia nesta falsa "teoria".
  312. ______________________
  313. Antes, "costumava-se" acreditar que o mundo estava dividido desde tempos imemoriais em raças inferiores e superiores, em negros e brancos, dos quais os primeiros não são aptos para a civilização e estão condenados a ser objeto de exploração, enquanto que os segundos são os únicos expoentes da civilização, destinados a explorar os primeiros. Hoje é preciso considerar esta lenda como destruída e desfeita. Um dos resultados mais importantes da Revolução de Outubro é o fato de haver assestado o golpe de misericórdia, nesta lenda, demonstrando na prática que os povos não europeus libertados e atraídos ao caminho do desenvolvimento soviético são capazes de impulsionar uma cultura realmente avançada e uma civilização realmente avançada, não inferior, de modo algum, à dos povos europeus.
  314.  
  315. Antes, "costumava-se" acreditar que o único método para libertar povos oprimidos era o método do nacionalismo burguês, o método de separar as nações umas das outras, o método de desuni-las, o método de acentuar a hostilidade nacional entre as massas trabalhadoras de diferentes nações. Hoje é preciso considerar como refutada esta lenda. Um dos resultados mais importantes da Revolução de Outubro é o fato de haver assestado o golpe de misericórdia nesta lenda, demonstrando na prática a possibilidade e a conveniência do método proletário, internacional, de libertação dos povos oprimidos, como o único método acertado, demonstrando na prática a possibilidade e a conveniência de uma aliança fraternal entre os operários e os camponeses dos mais diversos povos sobre os princípios do livre consentimento e do internacionalismo. A existência da União de Repúblicas Socialistas Soviéticas, protótipo da futura unificação dos trabalhadores de todos os países numa só economia mundial, só pode servir de prova direta disto.
  316. ______________________
  317. A Revolução de Outubro não é somente uma revolução no campo das relações econômicas e político-sociais. É, ao mesmo tempo, uma revolução nos cérebros, uma revolução na ideologia da classe operária. A Revolução de Outubro surgiu e se consolidou sob a bandeira do marxismo, sob a bandeira da idéia da ditadura do proletariado, sob a bandeira do leninismo, que é o marxismo da época do imperialismo e das revoluções proletárias, Representa, portanto, a vitória do marxismo sobre o reformismo, a vitória do leninismo sobre o social-democratismo, a vitória da Terceira sobre a II Internacional.
  318.  
  319. A Revolução de Outubro abriu uma abismo intransponível entre o marxismo e o social-democratismo, entre a política do leninismo e a política do social-democratismo. Antes, até a vitória da ditadura do proletariado, a socialdemocracia podia fazer alarde com a bandeira do marxismo, sem negar abertamente a idéia da ditadura do proletariado, mas tampouco sem nada fazer, absolutamente nada, por aproximar a realização desta idéia, pois esta atitude da socialdemocracia não implicava em ameaça alguma para o capitalismo. Então, naquele período, a socialdemocracia se contundia formalmente, ou quase se confundia, com o marxismo. Hoje, depois da vitoria da ditadura do proletariado, quando todos viram com clareza meridiana aonde conduz o marxismo e o que pode significar sua vitória, a socialdemocracia já não pode fazer alarde com a bandeira do marxismo, já não pode namorar com a idéia da ditadura do proletariado, sem criar um certo perigo para o capitalismo. Depois de haver rompido há muito tempo com o espírito do marxismo, viu-se obrigada a romper também com a bandeira do marxismo, lançando-se aberta e francamente contra o fruto do marxismo, contra a Revolução de Outubro, contra a primeira ditadura do proletariado que houve no mundo, sem travar uma luta revolucionária contra a burguesia mesma, sem criar as condições para a vitória da ditadura do proletariado no próprio país. Entre a socialdemocracia e ao marxismo abriu-se um abismo. Desde agora, o único portador e baluarte do marxismo é o leninismo, o comunismo.
  320.  
  321.  
  322.  
  323. Stalin - Sobre os Problemas da Política Agrária na URSS
  324. Ao decretar a nacionalização da terra, partimos, entre outras coisas, das premissas teóricas contidas no terceiro tomo de O Capital, na conhecida obra de Marx intitulada Teoria sobre a Mais-valia e nos trabalhos agrários de Lênin, que constituem riquíssimo arsenal de pensamentos teóricos. Em dizendo isto, refiro-me à teoria da renda do solo em geral e à teoria da renda absoluta do solo em particular. Hoje, é evidente para todos que as teses teóricas contidas nestas obras foram brilhantemente confirmadas pela experiência prática de nossa edificação socialista na cidade e no campo.
  325.  
  326. A única coisa que não se compreende é o porquê dessa teoria anticientífica dos economistas "soviéticos" do tipo de Chayanov circular livremente em nossa imprensa e os geniais trabalhos de Marx, Engels e Lênin sobre a renda do solo e sobre a renda absoluta do solo não se popularizarem e destacarem em primeiro plano, mas permanecerem arquivados.
  327. Talvez vos recordeis do conhecido opúsculo de Engels sobre O Problema Camponês. Recordai-vos, sem dúvida, com que cuidado aborda Engels o problema da passagem dos pequenos camponeses para o caminho da economia cooperativa, o caminho do regime coletivo. Permiti-me que cite a passagem do opúsculo de Engels que se refere ao assunto:
  328.  
  329. "Estamos decididamente do lado do pequeno camponês: faremos tudo o que nos for possível para que a este seja mais tolerável a existência, para facilitar-lhe a passagem à cooperação, se se resolver a isto; mas, no caso de não se encontrar em condições de tomar esta decisão, procuraremos conceder-lhe o maior tempo possível para que possa meditar sobre isso relativamente ao seu pedaço de terra" (Grifado por mim, Stálin).
  330.  
  331. Vedes com que cuidado aborda Engels o problema da canalização da economia camponesa individual pela senda do coletivismo. Como explicar essa cautela de Engels, que, à primeira vista, poderia parecer exagerada? De que premissa parte, ao argumentar assim? É indubitável que parte do fato da existência da propriedade privada da terra, do fato de que o camponês possui "seu pedaço de terra", do qual lhe é extremamente difícil desprender-se. Assim é o camponês dos países ocidentais. Assim é o camponês dos países capitalistas, nos quais existe a propriedade privada da terra. Compreende-se que, nestes países, é preciso proceder com um cuidado especial. Mas pode-se afirmar que em nosso país, na URSS, existe a mesma situação? Não, não se pode afirmar. E não se pode afirmar pela simples razão de que na URSS não existe propriedade privada da terra, que é o que faz com que o camponês sinta apego à sua economia individual. Não se pode afirmar pela simples razão de que na URSS existe a nacionalização da terra, que facilita ao camponês individual abraçar o coletivismo.
  332.  
  333. Esta é uma das causas da facilidade e rapidez relativas com que em nosso país se desenvolve, nestes últimos tempos, o movimento kolkosiano.
  334.  
  335.  
  336.  
  337. Stalin - Sobre o Materialismo Dialético e o Materialismo Histórico
  338. O fracasso dos utopistas, incluindo entre eles os populistas, os anarquistas e os social-revolucionários, explica-se entre outras razões, porque não reconheciam a importância primária das condições da vida material da sociedade quanto ao desenvolvimento desta, motivo pelo qual, caindo no idealismo, erigiam toda a sua atividade prática, não sobre as exigências do desenvolvimento da vida material da sociedade, mas, independentemente delas e contra elas, sobre "planos ideais" e "projetos universais", desligados da vida real da sociedade.
  339. ______________________
  340. Isto quer dizer que a ciência histórica, se pretende ser uma verdadeira ciência, não deve continuar reduzindo a história do desenvolvimento social aos atos dos reis e dos chefes militares, aos atos dos "conquistadores" e "avassaladores" de Estados, mas deve ocupar-se, antes de tudo, da história dos produtores dos bens materiais, da história das massas trabalhadoras, da história dos povos.
  341.  
  342. Isto quer dizer que a chave para o estudo das leis da história da sociedade não se deve procurar nas cabeças dos homens, nas idéias e concepções da sociedade, mas no modo de produção aplicado pela sociedade em cada um de seus períodos históricos, isto é, na economia da sociedade.
  343.  
  344. Isto quer dizer que a tarefa primordial da ciência histórica é o estudo e o descobrimento das leis da produção, das leis do desenvolvimento das forças produtivas e das relações de produção, das leis do desenvolvimento econômico da sociedade.
  345.  
  346. Isto quer dizer que o Partido do proletariado, para ser um verdadeiro partido, deve, antes de tudo, conhecer completamente as leis do desenvolvimento da produção, as leis do desenvolvimento econômico da sociedade.
  347.  
  348. Isto quer dizer que, em política, para não se equivocar, o Partido do proletariado deve, antes de tudo, tanto no que se refere à formação de seu programa como no que toca à sua atuação prática, partir das leis do desenvolvimento da produção, das leis do desenvolvimento econômico da sociedade.
  349.  
  350.  
  351.  
  352. Stalin - Discurso Perante uma Assembléia do Soviet de Moscou e Representantes de Outras Organizações
  353. A defesa de Leningrado e de Moscou, onde nossas tropas aniquilaram, não faz muito, três dezenas de divisões escolhidas alemãs, demonstra que, ao calor da guerra na defesa da pátria, forjam-se, como já se forjaram, novos soldados e chefes, aviadores, artilheiros, lança-minas, tanquistas, soldados de infantaria e marinheiros que amanhã se converterão numa tempestade para o exército alemão. Não há dúvida de que todas estas circunstâncias, tomadas em conjunto, predeterminaram a inevitabilidade do fracasso da "guerra relâmpago", no Oriente.
  354.  
  355. Tudo isto, naturalmente, é certo. Mas é verdade também que, ao lado dessas condições favoráveis ao Exército vermelho, há uma série de condições desfavoráveis que nos obrigam a ceder ante a pressão inimiga, a suportar revezes temporários, a retroceder, entregando ao inimigo uma série de regiões do nosso país. Quais são essas condições desfavoráveis? Em que residem os motivos dos revezes militares temporários do Exército Vermelho?
  356.  
  357. Um dos motivos consiste na falta de uma segunda frente na Europa, contra as tropas fascistas alemãs. Atualmente, no continente europeu, não há nenhum exército da Grã-Bretanha ou dos Estados Unidos que lute contra as tropas fascistas, de forma que Hitler seja obrigado a lutar em duas frentes: no oriente e no ocidente. Isso faz com que os alemães, considerando segura sua retaguarda no ocidente, possam lançar suas tropas e as de seus aliados na Europa, contra o nosso país. A situação é tal, que nosso país combate sozinho nesta guerra, sem ajuda militar de ninguém, contra as forças unidas alemãs, finlandesas, romenas, italianas e húngaras.
  358.  
  359. Os alemães se jactam de seus êxitos temporários e gabam desmesuradamente o seu exército, afirmando que este pode sempre vencer o Exército Vermelho. Mas as afirmações alemãs não são mais do que pura fanfarronice, pois não se compreende por que, se assim fosse, teriam os alemães de recorrer à ajuda dos finlandeses, romenos, italianos e húngaros, para lançá-los contra o Exército Vermelho, que luta exclusivamente com suas forças, sem qualquer ajuda militar de fora.
  360.  
  361. Sem dúvida alguma, a não existência de uma segunda frente na Europa, alivia consideravelmente a situação do exército alemão. Não há dúvida, pois, de que a criação de uma segunda frente no continente europeu — o que deve acontecer em futuro próximo — melhorará sensivelmente a situação de nosso exército, em prejuízo dos exércitos alemães.
  362. ______________________
  363. Quem são os nacional-socialistas, inimigos de nossa pátria? Em nosso país chamamos habitualmente os hitleristas, isto é, os invasores alemães, de fascistas. Os hitleristas, ao que parece, consideram que isto não é justo e insistem em denominar-se "nacional-socialistas". Por conseguinte, os alemães querem fazer-nos acreditar que o partido hitlerista, o partido dos invasores fascistas, que assola a Europa e organizou a canalha agressão ao nosso Estado socialista, é um partido socialista.
  364.  
  365. Será possível isso? Que pode haver de comum entre socialismo e os selvagens opressores hitleristas que saqueiam e oprimem os povos de toda a Europa? Pode-se considerar nacionalistas os hitleristas? Não é possível.
  366.  
  367. Na realidade, os hitleristas já não são nacionalistas, mas sim imperialistas. Enquanto os hitleristas procuravam unificar as terras alemãs com a anexação do Reno, da Áustria, etc., poderiam ser chamados nacionalistas com certo fundamento. Mas, depois que se apoderaram dos territórios alheios e escravizaram outras nações européias, submetendo ao seu jugo os tchecoslovacos, os polacos, os noruegueses, os holandeses, os belgas, os franceses, sérvios, gregos, ucranianos, bielorrussos, povos bálticos, etc., começando assim a lutar pelo domínio do mundo, o partido hitlerista deixou de ser nacionalista, pois desde esse momento converteu-se em invasor, opressor, quer dizer, imperialista. O partido hitlerista é, assim, o partido dos imperialistas, o partido dos imperialistas mais rapaces e salteadores de todo o mundo.
  368.  
  369. Pode-se considerar socialistas aos hitleristas? Não é possível. Na realidade, os hitleristas são inimigos jurados do socialismo, reacionários furiosos, que se parecem com os Cem Negros, que despojaram a classe operária e os povos da Europa das mais elementares liberdades democráticas.
  370.  
  371. Para ocultar sua essência reacionária, os hitleristas acusam o regime anglo-americano de regime plutocrático. Mas na Inglaterra e nos Estados Unidos há elementares liberdades democráticas, existem sindicatos de operários e empregados, existem partidos operários, existe um Parlamento; enquanto que, na Alemanha, o regime hitlerista aboliu todas essas instituições. É suficiente contrapor estes dois fatos para compreender toda a essência reacionária do regime hitlerista, toda a falsidade charlatanesca dos fascistas alemães a respeito do regime plutocrático anglo-americano.
  372.  
  373. No fundo, o regime hitlerista é uma cópia do regime reacionário que existia na Rússia sob o domínio tzarista. É sabido que os hitleristas arrebatam os direitos aos operários e aos intelectuais, tal como fazia o tzarismo; e que organiza também, com satisfação, as matanças de judeus, próprias da Idade Média, tal como o regime tzarista. O partido hitlerista é o partido inimigo das liberdades democráticas, o partido reacionário medieval, o partido dos pogroms, próprio dos Cem Negros. E quando esses imperialistas recalcitrantes e reacionários consumados se apresentam sob o rótulo de "nacionalistas" e "socialistas", fazem-no para enganar o povo, para idiotizar os cândidos e para encobrir sua essência imperialista. São gaviões disfarçados em pombas. Mas, por maior que seja o número de penas de pombas que ponha o gavião, este nunca deixará de ser gavião...
  374.  
  375. "É necessário, por todos os meios — escreve Hitler — conseguir para os alemães o domínio do mundo. Se quisermos criar o nosso grande império alemão, devemos, antes de tudo, eliminar os povos eslavos: russos, polacos, tchecos, eslovacos, búlgaros, ucranianos, bielorrussos. E não há motivo algum para que não o façamos".
  376.  
  377. "O homem — diz Hitler — é pecador inato: só pode ser conduzido pela força. Qualquer método é permitido para tratá-lo. É preciso mentir, atraiçoar e até matar, se a política assim o exige".
  378.  
  379. "Matai diz Goering — matai todo aquele que se manifestar contra nós. Matai, matai, que o único responsável sou eu. Por isso, matai".
  380.  
  381. "Eu quero emancipar o homem — diz Hitler — da humilhante quimera que se denomina consciência. A consciência, tal como a instrução, mutila o homem. Eu, por mim, não me detenho diante de nenhuma consideração de ordem moral ou teórica".
  382.  
  383. Numa ordem do comando alemão, dada ao 489.° regimento de infantaria, a 25 de Setembro, e que foi encontrada nos bolsos de um suboficial morto, lia-se o seguinte:
  384.  
  385. "Ordeno que façam fogo sobre qualquer russo que apareça a uma distância de 600 metros".
  386.  
  387. A Alemanha tem a insolência de pregar a destruição da Grande Rússia, a pátria de Plekhanov, Lênin, Byelinsky, Chernoshevsky, Puchkin, Tolstoy, Glynka, Chaikowsky, Gorky, Chekov, Sichenov, Pavlov, Retin, Surikov, Suvorov e Kutuzov. Os invasores alemães pretendem fazer uma guerra de extermínio contra os povos da União Soviética. Devemos fazer-lhes a vontade. De agora em diante, a tarefa de todos os povos da URSS, a tarefa dos combatentes e instrutores políticos de nosso exército e de nossa marinha, deverá consistir no extermínio, até o último homem, de todos os alemães que penetraram no território de nossa pátria como invasores. Não deverá haver piedade para os invasores germanos.
  388.  
  389. Somente os hitleristas, loucos e enfatuados, não conseguem compreender que a chamada "nova ordem" da Europa é um vulcão prestes a crepitar e cobrir com seus escombros o castelo de cartas de imperialismo fascista.
  390.  
  391. Os alemães acham que Hitler procede da mesma forma que Napoleão, mas não devem esquecer-se do que aconteceu a este. A verdade é que Hitler se parece tanto com Napoleão, como um gato com um leão. Napoleão lutou contra as forças reacionárias, apoiando-se nas forças progressistas; enquanto que Hitler, apoiado pelas forças reacionárias, faz a guerra contra as forças progressistas. Somente os hitleristas de Berlim não conseguem compreender que os povos subjugados da Europa lutarão e levantar-se-ão contra a opressão hitlerista. Quem pode duvidar de que a União Soviética, a Grã-Bretanha e os Estados Unidos darão seu mais amplo apoio aos povos da Europa em sua luta contra a tirania de Hitler?
  392.  
  393. Enquanto estiveram entregues à tarefa de unificar novamente a Alemanha, que havia sido cortada em pedaços pelo tratado de Versalhes, os hitleristas contaram com o apoio do povo alemão, animado pelo ideal de restaurar seu país; quando, porém, Hitler abandonou o caminho do idealismo e iniciou a anexação de terras estrangeiras, subjugando outros países, produziu-se uma profunda corrente de opinião contrária à prolongação desta guerra sangrenta, que já dura dois anos, e cujo fim não se vislumbra ainda.
  394.  
  395. Os milhões de vítimas humanas, a fome, a pobreza e as epidemias criaram, por toda parte, uma atmosfera de hostilidade contra á estúpida política de Hitler. Os hitleristas são os únicos que não se apercebem de que a retaguarda das tropas alemãs constitui um enorme vulcão, cuja erupção sepultará todos os aventureiros fascistas.
  396.  
  397. A Grã-Bretanha, os Estados Unidos e a União Soviética foram colocadas dentro do mesmo campo de ação e propuseram-se a derrotar os imperialistas nazistas e seus exércitos invasores.
  398.  
  399. A guerra moderna é uma guerra de máquinas e será ganha por aquele que conseguir uma esmagadora superioridade na produção das referidas máquinas. Se somarmos o que podem produzir os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e a União Soviética, obteremos uma produção que será, pelo menos, três vezes maior que a da Alemanha. Esta é uma das razões fundamentais da sentença de morte que pesa sobre a rapacidade do imperialismo nazista.
  400.  
  401.  
  402.  
  403. Stalin - Discurso aos Eleitores da Circunscrição Eleitoral "Stalin"
  404. Antigamente os comunistas olhavam para os sem-partido e encaravam com certo receio o fato de não pertencerem ao Partido. Isto se explica porque sob a bandeira dos sem-partido frequentemente se encontravam diferentes grupos burgueses, aos quais não convinha apresentar-se sem máscara ante os eleitores.
  405.  
  406. Isto foi no passado. Agora vivemos novos tempos. Os sem-partido estão separados da burguesia por uma barreira que se chama sistema social soviético. Esta mesma barreira une os sem-partido e os comunistas numa coletividade comum de homens soviéticos. Vivendo numa mesma coletividade, lutaram juntos pelo fortalecimento do poderio de nosso país, juntos combateram e verteram seu sangue nas frentes de batalha em honra da liberdade e grandeza de nossa Pátria, juntos forjaram e temperaram a vitória sobre o inimigo de nosso país. A diferença entre eles consiste unicamente em que uns militam no Partido e outros não. Mas esta diferença é formal. O importante é que uns e outros realizam uma obra comum. Eis aí porque o bloco de comunistas e sem-partido é natural e necessário (aplausos tempestuosos).
  407.  
  408.  
  409.  
  410. Stalin - Carta a Tito, Kardelj e ao Comitê Central do Partido Comunista Iugoslavo
  411. É perfeitamente compreensível que, com uma tal situação no partido, quando não há eleições dos órgãos dirigentes, mas apenas designações vindas de cima, a questão da democracia interna inexiste no partido, e menos ainda a crítica e a autocrítica. Sabemos que os membros do partido têm medo de dar a sua opinião, temem pronunciar uma palavra de crítica sobre a situação no partido e que preferem calar-se para evitar as represálias. Não se pode considerar como fortuito o fato de que o ministro da segurança do Estado seja, ao mesmo tempo, secretário administrativo do Partido Comunista da Iugoslávia. É evidente que os membros e os quadros do partido estão colocados sob vigilância do ministro da segurança do Estado, o que é inadmissível e inaceitável. Basta que, por exemplo, o camarada Juyovitch exprima numa reunião do CC do PCI seu desacordo com o projeto de resposta do CC do PCI à carta do CC do PC (bolchevique) para ser imediatamente excluído do CC. Como se vê, o Birô Político do CC do PCI considera o partido não como um organismo independente que tem o direito de dar a sua opinião, mas como um destacamento guerrilheiro cujos membros não têm o direito de discutir, mas de executar sem objeção tudo que o "chefe" ordena. Isto se chama, entre nós, estimular os métodos militares no partido, o que não se coaduna com os princípios de democracia interna num partido marxista.
  412.  
  413. Como é sabido, Trotsky ensaiou igualmente, em seu tempo, introduzir no PC (bolchevique) métodos militares de direção, mas o partido, dirigido por Lênin, os condenou. Os métodos militares foram rejeitados e a democracia interna instaurada, enquanto princípio extremamente importante de construção do partido.
  414.  
  415. Consideramos que esta situação anômala no partido comunista iugoslavo constitui um seríssimo perigo para a vida e o desenvolvimento do partido. Quanto mais rapidamente se ponha fim a este regime sectário-burocrático no partido, melhor será tanto para o partido como para a República popular democrática da Iugoslávia.
  416.  
  417.  
  418.  
  419. Stalin - Entrevista ao Jornal "Pravda", 17 de Fevereiro de 1951
  420. PERGUNTA — Como considerais a resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) proclamando agressor à República Popular Chinesa?
  421.  
  422. RESPOSTA — Considero-a uma resolução vergonhosa,
  423.  
  424. Na verdade, é preciso ter perdido até os últimos restos de consciência para afirmar que os Estados Unidos da América que se apoderaram de um território chinês, a Ilha de Taiwan, e invadiram a Coreia até às fronteiras da China, são os que se defendem enquanto que a República Popular Chinesa, que defende suas fronteiras e se esforça por recuperar Taiwan invadida pelos norte-americanos, seja o agressor.
  425.  
  426. A Organização das Nações Unidas, criada para ser o baluarte da paz, se transforma em um instrumento de guerra, em um meio para desencadear uma nova guerra mundial. O núcleo agressor da ONU está constituído por dez países: os membros do Pacto de agressão do Atlântico-Norte (Estados Unidos da América, Grã-Bretanha, França, Canadá, Bélgica, Holanda, Luxemburgo, Dinamarca, Noruega, Islândia) e por vinte países da América Latina (Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, República Dominicana, Equador, Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai, Venezuela). Os representantes desses países decidem atualmente, na ONU, da guerra e da paz. Foram eles que fizeram a ONU adotar a vergonhosa decisão que declara agressora a República Popular Chinesa.
  427.  
  428. Fato característico do atual estado de coisas na ONU, é, por exemplo, que a pequena República Dominicana, que tem apenas dois milhões de habitantes, tenha aí, atualmente, o mesmo peso que a Índia e bem mais do que a República Popular Chinesa, privada do direito de voto na ONU.
  429.  
  430. Desse modo, a ONU, transformando-se em instrumento de uma guerra de agressão deixa, ao mesmo tempo, de ser uma organização mundial de nações iguais em direitos; na realidade, a ONU é atualmente menos uma organização mundial do que uma organização para os norte-americanos, que age segundo os caprichos dos agressores norte-americanos. Não somente os Estados Unidos da América e o Canadá aspiram o desencadeamento de uma nova guerra, mas este caminho é igualmente seguido pelos vinte países da América Latina, onde os latifundiários e os negociantes anseiam por uma nova guerra em qualquer parte da Europa ou da Asia, a fim de vender aos países beligerantes mercadorias a preços exorbitantes e ganhar milhões neste negócio sangrento. Não é segredo para ninguém que os vinte representantes dos vinte países latino-americanos representam atualmente o exército mais unido e mais obediente dos Estados Unidos da América na ONU.
  431.  
  432. Desse modo a Organização das Nações Unidas enveredou pelo caminho inglório da Sociedade das Nações. Com isso, enterra sua autoridade moral e se condena à desagregação.
  433.  
  434.  
  435.  
  436. Stalin - Sobre a Organização
  437. O que quer dizer escolher bem os quadros?
  438.  
  439. Escolher bem os quadros não é rodear-se de adjuntos, de suplentes, montar uma chancelaria e lançar daí toda a espécie de directivas. Não é também abusar do poder, mudar, sem mais nem menos, dezenas e centenas de pessoas dum lado para o outro e vice-versa e proceder a intermináveis «reorganizações».
  440. ______________________
  441. SOBRE A ATITUDE PARA COM OS QUADROS
  442. Enfim, ainda uma questão. Quero falar da atitude formalista e francamente burocrática de alguns dos nossos comunistas perante o destino dos camaradas, perante as exclusões do Partido ou a reintegração dos excluídos nos seus direitos de membros do Partido.
  443.  
  444. A verdade é que alguns membros do nosso Partido pecam por uma grande falta de atenção pelos homens, pelos membros do Partido, pelos militantes. Mais ainda: não procuram conhecer os membros do Partido, não sabem como vivem nem como trabalham; duma maneira geral não conhecem os militantes. Por isso na sua maneira de abordar os membros do Partido, os militantes do Partido, não têm em conta o factor individual. E justamente porque, ao julgar os membros do Partido, não têm em conta o factor individual, agem à sorte: ou os elogiam em bloco e exageradamente ou os excluem do Partido por milhares e por dezenas de milhar, ou os censuram em bloco e também com exagero.
  445.  
  446. Esta atitude de seca indiferença em relação às pessoas, em relação aos membros e militantes do Partido cria artificialmente o descontentamento e a irritação de certos contingentes do Partido; e os traidores fascistas aproveitam-se habilmente destes camaradas irritados e arrastam-nos sabiamente para o lamaçal da sabotagem trotskista.
  447. ______________________
  448. Um certo número das nossas escolas de Partido soviéticas sofrem principalmente do facto da educação estar precisamente organizada em moldes escolares. Um bolchevique não é um aluno de escola, mas sim está a ser treinado politicamente e a sua aprendizagem escolar devia ser combinada com a luta política e prática de cada dia. Ele deve ser apetrechado ideologicamente quer na escola quer nas reuniões do Partido. Daí, como já sem dúvida observaram, o projecto de regulamento não falar somente de treino, mas também de apetrechamento ideológico dos comunistas. Todos os membros do Partido se devem armar com os princípios do marxismo- leninismo.
  449. ______________________
  450. Não podemos contudo negar que podíamos ter feito muito mais se tivéssemos conseguido combinar o trabalho dos organizadores e propagandistas, isto teria elevado a um novo estádio o apetrechamento ideológico marxista-leninista dos comunistas. Casos há em que as reuniões de Partido são realizadas de uma maneira rotineira, sem preparação séria. As pessoas são reunidas e é-lhes dito: camaradas, temos tarefas, devemos cumpri-las, etc. Ou discute-se uma dada campanha ou um aniversário. Em tais casos, sem dúvida tudo o que há é um mero rufar de tambores ou então mera análise rotineira dos assuntos e, naturalmente, tais reuniões não ajudam a educar os membros de Partido. E contudo cada reunião do Partido devia ajudar a elevar o nível ideológico dos comunistas. A discussão das questões internas do Partido, das questões referentes ao lado político e ao lado prático da edificação do socialismo, elevam a compreensão dos membros do Partido ao nível da compreensão do papel de vanguarda dos bolcheviques, como os organizadores das massas. O membro do Partido desenvolve-se, educa-se e endurece-se nas condições de democracia interna do Partido, no meio da discussão livre e objectiva de todas as questões de política partidária. Ao mesmo tempo endurece-se e educa-se na luta contra todos os que se afastam dos problemas fundamentais de política partidária, os que querem tirar vantagem da discussão destes problemas a fim de sabotar esta política, a fim de minar a direcção do Partido e a fim de abalar as suas fileiras de aço. A experiência da nossa vida interna de Partido mostra- nos que as fileiras do nosso Partido se desenvolveram, se tornaram mais fortes e se endureceram na luta contra todos aqueles que se afastam da política do Partido, do Leninismo, na luta pela unidade e reforço das fileiras do nosso Partido.
  451. ______________________
  452. A teoria revolucionária é a experiência totalizada, generalizada, do movimento revolucionário. Os comunistas devem utilizar cuidadosamente nos seus países não só a experiência do passado mas também a da luta actual de outros destacamentos do movimento operário internacional. Porém o utilização correcta dessa experiência não quer dizer de forma nenhuma transposição mecânica de formas e métodos de luta de um conjunto de condições para outro, de um país para outro, como tantas vezes acontece nos nossos Partidos.
  453.  
  454. A pura imitação, a simples cópia de métodos e formas de trabalho, mesmo do Partido Comunista da União Soviética, em países onde domina ainda o capitalismo, pode, apesar da todas as boas intenções, ser não útil mas prejudicial, como se tem visto frequente mente na realidade. É precisamente a partir da experiência dos bolcheviques russos que devemos aprender a aplicar, de maneira viva e concreta, às particularidades de, cada país, a linha internacional única na luta contra o capitalismo; que devemos aprender a afastar sem piedade, a estigmatizar, a ridicularizar perante as massas toda a actividade dos fraseadores, o uso das fórmulas feitas, o pedantismo e o doutrinarismo.
  455.  
  456. É necessário aprender, camaradas, aprender sempre, a cada passo, no decorrer da luta, em liberdade e na prisão. Aprender e lutar, lutar e aprender. É preciso saber ligar a grande doutrina de Marx, Engels, Lénine e Stáline com a firmeza stalinista no trabalho e na luta, Com a intransigência stalinista nas questões de princípio em relação ao inimigo de classe de e aos desvios da linha bolchevique, com a audácia stalinista em face das dificuldades, com o realismo revolucionário stalinista.
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