Cailie

causa da morte: afogamento.

Feb 10th, 2017
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  1. Eu queria que você soubesse. Queria poder derramar todos meus sentimentos em cima de você, mas tenho medo que você se afogue e acabe fugindo. Eu fugiria. Eu correria o mais longe possível e gritaria a plenos pulmões. Mas você não gritou. Em todos esse tempo você não gritou. Você nadou e abraçou todo esse meu eu. Mas hoje, 24 de novembro de 2016, eu sinto que você soltou e você finalmente correu. E eu me afoguei. Eu me afoguei em mim mesma e não tinha ninguém lá. Era escuro, frio e nunca acabava e eu me afogava,ah como eu me afogava. Não pense que eu estou desesperada por seu toque, ou por todas as lindas mentiras que você me contava, e eu ainda me lembro da maior delas: “tudo vai voltar a ser como antes”. Ah, eu sorri e acreditei e hoje eu choro em cima do tumulo daquela antiga garota. Da SUA garota. A garota a qual você dedicava palavras e segredos, a garota que você fazia planos, e que você prometia o mundo. Eu lembro de cada abraço, eu lembro das nossas conversas ate tarde da noite, eu lembro de cada caminho que seus dedos faziam pra se entrelaçar nos meus, dos filmes que você me recomendava e eu nunca assistia, e hoje eu passo tardes sentada vendo por que você queria que eu os visse. Mas hoje, 24 de novembro de 2016, dói lembrar. É triste, é sufocante e me faz querer a voltar a ser a SUA garota. Eu quero voltar a te recomendar minhas musicas favoritas, quero voltar a usar uma linguagem só nossa, cheia de segredos e historias por trás de cada riso frouxo que a gente soltava juntos. Mas isso não passa de mais uma mentira, mas como eu amava esse grande circo que você armava e me fazia ser a atração principal. Hoje eu estou em um tipo diferente de espetáculo, um tipo mais triste, mas você não precisa saber disso. Você precisa acreditar que eu não penso mais em você, você precisa acreditar que eu segui em frente, você precisa acreditar que eu conheci pessoas novas, eu preciso acreditar em tudo isso ou eu vou voltar correndo ao seu circo de aberrações. E eu não sei se eu vou aguentar o peso daquelas barras de acrobacia de novo. Ah, querido, mas sempre foi lindo. Todas as luzes, toda aquela tinta branca no rosto e todas aquelas palmas que eu ouvia enquanto estava com você. Era o espetáculo perfeito e cada vez mais eu pedia bis daquele meu inferno particular, e você me dava com um grande sorriso no rosto me fazendo acreditar que eu amava aquilo. E eu amo. Nós estávamos em uma sintonia perfeita, o primeiro batimento cardíaco de alguém dado como morto, e o primeiro trovão que anuncia o começo de uma chuva de raios. Mas isso mudou. Hoje nos evitamos a todo custo, e cada interação obrigatória pesa no corpo e na alma. Cada olhar que se cruza sai faíscas, mas tão fracas que não acenderiam nem um fósforo. Antes eu sentia que podíamos incendiar uma cidade só por diversão . Ah eu tentei, eu tentei porque você tentava a um tempo atrás. Mas depois de 3 jogadas eu estava fora. Você me tirou do time e colocou alguém qualquer pra me substituir. E ela ganhou o jogo. Você me parece bem, escuto suas risadas do outro lado e elas parecem verdadeiras. Mas as vezes me pego perguntando se você sente falta, se dói em você como dói em mim. Eu espero que sim. Eu espero que algum dia sua dor se torne tão insuportável que faça você se curvar e quebrar. Mas eu não te garanto que eu vou estar la pra te reerguer como eu sempre faço. Eu espero não pensar mais em você quando isso acontecer, eu espero poder dizer o seu nome em voz alta sem parecer uma língua proibida, eu espero poder seguir em frente e dizer olhando nos seus olhos que eu te amei. Mas hoje, 24 de novembro de 2016, eu te amo.
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