AnonFUEL

Liberdade: condição ou ilusão?

Oct 6th, 2014
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  32. Entre os diversos meios termos que nos deparamos, talvez “liberdade” seja o
  33. mais complicado de entender. Afinal, o que é “liberdade”? Uma condição ou uma
  34. ilusão?
  35.  
  36. De um aspecto amplo ao pé da letra, “liberdade” significa ausência de
  37. submissão, servidão, regras, entre outros. Mas isso é, de fato, liberdade?
  38. Talvez sim, talvez não. Digo, aceitamos diversas regras e ignoramos outras
  39. para o bem estar como uma forma de ter controle de nossos atos, mas isso não
  40. é apenas mais uma maneira de seguir um limite posto por nós mesmos? Dentre
  41. todas as teorias filosóficas, temos:
  42.  
  43. Para Spinoza, a liberdade possui um elemento de identificação com a natureza
  44. do "ser". Nesse sentido, ser livre significa agir de acordo com sua natureza.
  45. É mediante a liberdade que o Homem se exprime como tal e em sua totalidade.
  46. Esta é também, enquanto meta dos seus esforços, a sua própria realização.
  47.  
  48. Para Leibniz, o agir humano é livre a despeito do princípio de causalidade
  49. que rege os objetos do mundo material. "A ação humana é contingente,
  50. espontânea e refletida. Ou seja, ela é tal que poderia ser de outra forma
  51. (nunca é necessária) e por isso, contingente. É espontânea porque sempre
  52. parte do sujeito agente que, mesmo determinado, é responsável por causar ou
  53. não uma nova série de eventos dentro da teia causal. É refletida porque o
  54. homem pode conhecer os motivos pelos quais age no mundo e, uma vez
  55. conhecendo-os, lidar com eles de maneira livre."
  56.  
  57. Para Schopenhauer, a ação humana não é absolutamente livre. Todo o agir
  58. humano, bem como todos os fenômenos da natureza, até mesmo suas leis, são
  59. níveis de objetivação da coisa-em-si kantiana que o filósofo identifica como
  60. sendo puramente Vontade.
  61.  
  62. Para Jean-Paul Sartre, a liberdade é a condição ontológica do ser humano. O
  63. homem é antes de tudo livre.
  64.  
  65. Para Carlos Bernardo González Pecotche, a liberdade é prerrogativa natural do
  66. ser humano, já que nasce livre, embora não se dê conta até o momento em que
  67. sua consciência o faz experimentar a necessidade de exercê-la como único meio
  68. de realizar suas funções primordiais da vida e o objetivo que cada um deve
  69. atingir como ser racional e espiritual. Como princípio, assinala ao homem e lhe
  70. substancia sua posição dentro do mundo.
  71.  
  72. Influenciado por Hegel, nos Manuscritos Econômico-filosóficos e em A Ideologia
  73. Alemã, Karl Marx entende a liberdade humana como a constante criação prática
  74. pelos indivíduos de circunstâncias objetivas nas quais despontam suas faculdades,
  75. sentidos e aptidões (artísticas, sensórias, teóricas...). Ele, assim, critica as
  76. concepções metafísicas da liberdade. Para ele, não há liberdade sem o mundo
  77. material no qual os indivíduos manifestam na prática sua liberdade junto com
  78. outras pessoas, em que transformam suas circunstâncias objetivas de modo a criar o
  79. mundo objetivo de suas faculdades, sentidos e aptidões. Ou seja, a liberdade
  80. humana só pode ser encontrada de fato pelos indivíduos na produção prática das
  81. suas próprias condições materiais de existência.
  82.  
  83. Desse modo, se os indivíduos são privados de suas próprias condições materiais de
  84. existência, isto é, se suas condições objetivas de existência são propriedade
  85. privada (de outra pessoa, portanto), não há verdadeira liberdade, e a sociedade se
  86. divide em proletários e capitalistas. Sob o domínio do capital, a manifestação
  87. prática da vida humana, a atividade produtiva, se torna coerção, trabalho
  88. assalariado; as faculdades, habilidades e aptidões humanas se tornam mercadoria,
  89. força de trabalho, que é vendida no mercado de trabalho, e a vida humana se reduz
  90. à mera sobrevivência.
  91.  
  92. Marx diz que as várias liberdades parciais que existem no capitalismo - por exemplo,
  93. a liberdade econômica (de comprar e vender mercadorias), a liberdade de expressão ou
  94. a liberdade política (decidir quem governa) - pressupõem que a separação dos homens
  95. com relação as suas condições de existência seja mantida, pois, caso essa separação
  96. seja atacada pelos homens em busca de sua liberdade material fundamental, todas essas
  97. liberdades parciais são suspensas (ditadura) para restabelecer o capitalismo. Mas se
  98. a luta dos indivíduos privados de suas condições de existência (proletários) tiver
  99. êxito e se eles conseguirem abolir a propriedade privada dessas condições, seria
  100. instaurado o comunismo, que ele entende como a associação livre dos produtores.
  101.  
  102. A relevância de Philip Pettit reside em sua construção de uma Teoria da Liberdade que
  103. traz consigo implicações práticas para a consecução das finalidades de uma Democracia
  104. e que explica sua estrutura em sua “melhor luz”.
  105.  
  106. Para iniciar sua empreitada filosófica Pettit resgata dois pontos importantes do debate
  107. filosófico acerca da liberdade:
  108.  
  109. (i) O tratamento simbiótico imprimido a liberdade da vontade e liberdade política;
  110. (ii) A tradição republicana de conceptualização da liberdade como não-dominação,
  111. posteriormente substituída pela percepção liberal desta enquanto não-interferência.
  112.  
  113. Baseando-se nessas teorias, é quase inevitável não questionar-se sobre a verdadeira
  114. liberdade, seja ela política, econômica, de expressão, emocional e afins. Ser livre é
  115. uma coisa intrigante, pois ao mesmo tempo em que subjugamos estar “livres”, estamos
  116. presos, é inevitável. A questão é: Equilibrar todos os tipos de liberdade, é ser livre
  117. verdadeiramente? O que aconteceria em um mundo em que fossemos totalmente livres de
  118. tudo? É claro que isso é uma questão utópica de um ponto de vista. Segundo Einstein,
  119. em termos filosóficos, a liberdade do homem não existe visto que todos agem, não
  120. apenas sob um constrangimento exterior, mas também de acordo com uma necessidade
  121. interior. Neste aspecto, é notável perceber que a liberdade em si, não existe.
  122. Apenas temos um conceito do que ela seja, não temos ela propriamente dita. Seja uma
  123. sociedade democrata, socialista, capitalismo, anarquista, entre outras, será que
  124. temos realmente algum tipo de liberdade? Ou simplesmente vivemos uma mera ilusão
  125. apegada a um conceito de algo inexistente?
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