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- Entre os diversos meios termos que nos deparamos, talvez “liberdade” seja o
- mais complicado de entender. Afinal, o que é “liberdade”? Uma condição ou uma
- ilusão?
- De um aspecto amplo ao pé da letra, “liberdade” significa ausência de
- submissão, servidão, regras, entre outros. Mas isso é, de fato, liberdade?
- Talvez sim, talvez não. Digo, aceitamos diversas regras e ignoramos outras
- para o bem estar como uma forma de ter controle de nossos atos, mas isso não
- é apenas mais uma maneira de seguir um limite posto por nós mesmos? Dentre
- todas as teorias filosóficas, temos:
- Para Spinoza, a liberdade possui um elemento de identificação com a natureza
- do "ser". Nesse sentido, ser livre significa agir de acordo com sua natureza.
- É mediante a liberdade que o Homem se exprime como tal e em sua totalidade.
- Esta é também, enquanto meta dos seus esforços, a sua própria realização.
- Para Leibniz, o agir humano é livre a despeito do princípio de causalidade
- que rege os objetos do mundo material. "A ação humana é contingente,
- espontânea e refletida. Ou seja, ela é tal que poderia ser de outra forma
- (nunca é necessária) e por isso, contingente. É espontânea porque sempre
- parte do sujeito agente que, mesmo determinado, é responsável por causar ou
- não uma nova série de eventos dentro da teia causal. É refletida porque o
- homem pode conhecer os motivos pelos quais age no mundo e, uma vez
- conhecendo-os, lidar com eles de maneira livre."
- Para Schopenhauer, a ação humana não é absolutamente livre. Todo o agir
- humano, bem como todos os fenômenos da natureza, até mesmo suas leis, são
- níveis de objetivação da coisa-em-si kantiana que o filósofo identifica como
- sendo puramente Vontade.
- Para Jean-Paul Sartre, a liberdade é a condição ontológica do ser humano. O
- homem é antes de tudo livre.
- Para Carlos Bernardo González Pecotche, a liberdade é prerrogativa natural do
- ser humano, já que nasce livre, embora não se dê conta até o momento em que
- sua consciência o faz experimentar a necessidade de exercê-la como único meio
- de realizar suas funções primordiais da vida e o objetivo que cada um deve
- atingir como ser racional e espiritual. Como princípio, assinala ao homem e lhe
- substancia sua posição dentro do mundo.
- Influenciado por Hegel, nos Manuscritos Econômico-filosóficos e em A Ideologia
- Alemã, Karl Marx entende a liberdade humana como a constante criação prática
- pelos indivíduos de circunstâncias objetivas nas quais despontam suas faculdades,
- sentidos e aptidões (artísticas, sensórias, teóricas...). Ele, assim, critica as
- concepções metafísicas da liberdade. Para ele, não há liberdade sem o mundo
- material no qual os indivíduos manifestam na prática sua liberdade junto com
- outras pessoas, em que transformam suas circunstâncias objetivas de modo a criar o
- mundo objetivo de suas faculdades, sentidos e aptidões. Ou seja, a liberdade
- humana só pode ser encontrada de fato pelos indivíduos na produção prática das
- suas próprias condições materiais de existência.
- Desse modo, se os indivíduos são privados de suas próprias condições materiais de
- existência, isto é, se suas condições objetivas de existência são propriedade
- privada (de outra pessoa, portanto), não há verdadeira liberdade, e a sociedade se
- divide em proletários e capitalistas. Sob o domínio do capital, a manifestação
- prática da vida humana, a atividade produtiva, se torna coerção, trabalho
- assalariado; as faculdades, habilidades e aptidões humanas se tornam mercadoria,
- força de trabalho, que é vendida no mercado de trabalho, e a vida humana se reduz
- à mera sobrevivência.
- Marx diz que as várias liberdades parciais que existem no capitalismo - por exemplo,
- a liberdade econômica (de comprar e vender mercadorias), a liberdade de expressão ou
- a liberdade política (decidir quem governa) - pressupõem que a separação dos homens
- com relação as suas condições de existência seja mantida, pois, caso essa separação
- seja atacada pelos homens em busca de sua liberdade material fundamental, todas essas
- liberdades parciais são suspensas (ditadura) para restabelecer o capitalismo. Mas se
- a luta dos indivíduos privados de suas condições de existência (proletários) tiver
- êxito e se eles conseguirem abolir a propriedade privada dessas condições, seria
- instaurado o comunismo, que ele entende como a associação livre dos produtores.
- A relevância de Philip Pettit reside em sua construção de uma Teoria da Liberdade que
- traz consigo implicações práticas para a consecução das finalidades de uma Democracia
- e que explica sua estrutura em sua “melhor luz”.
- Para iniciar sua empreitada filosófica Pettit resgata dois pontos importantes do debate
- filosófico acerca da liberdade:
- (i) O tratamento simbiótico imprimido a liberdade da vontade e liberdade política;
- (ii) A tradição republicana de conceptualização da liberdade como não-dominação,
- posteriormente substituída pela percepção liberal desta enquanto não-interferência.
- Baseando-se nessas teorias, é quase inevitável não questionar-se sobre a verdadeira
- liberdade, seja ela política, econômica, de expressão, emocional e afins. Ser livre é
- uma coisa intrigante, pois ao mesmo tempo em que subjugamos estar “livres”, estamos
- presos, é inevitável. A questão é: Equilibrar todos os tipos de liberdade, é ser livre
- verdadeiramente? O que aconteceria em um mundo em que fossemos totalmente livres de
- tudo? É claro que isso é uma questão utópica de um ponto de vista. Segundo Einstein,
- em termos filosóficos, a liberdade do homem não existe visto que todos agem, não
- apenas sob um constrangimento exterior, mas também de acordo com uma necessidade
- interior. Neste aspecto, é notável perceber que a liberdade em si, não existe.
- Apenas temos um conceito do que ela seja, não temos ela propriamente dita. Seja uma
- sociedade democrata, socialista, capitalismo, anarquista, entre outras, será que
- temos realmente algum tipo de liberdade? Ou simplesmente vivemos uma mera ilusão
- apegada a um conceito de algo inexistente?
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