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Untitled

Sep 13th, 2015
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  1. [quote=tancruz]Ao mostrar a sua visão sobre um tema, continuando o exemplo do teísmo, ao falar argumentos que vão contra o teísmo e no final ele falar, porém acredito em Deus causa uma controversia com o argumento. Mesmo sem intenção de fazer a frase se tornar um argumento corrente a critica perderia a confiança dos leitores que estavam torcendo pelo ateísmo.[/quote][spoiler]
  2. [quote=Michaelis]o.pi.ni.ão
  3. [b][i]sf[/i][/b] ([b][i]lat opinione[/i][/b]) [b]1[/b] Maneira de opinar; modo de ver pessoal; parecer, voto emitido ou manifestado sobre certo assunto. [b]2[/b] Asserção [color=red]sem fundamento[/color]; presunção. [b]3[/b] Conceito, reputação. [b]4[/b] Juízo ou sentimento que se manifesta em assunto sujeito a deliberação. [b]5[/b] Capricho, teimosia. [b][i]O. pública, Sociol[/i][/b]: juízo coletivo adotado e exteriorizado por um grupo ou, em sociedades diferenciadas e estratificadas, por diversos grupos ou camadas sociais.[/quote]Não pretendo debater a fundamentação da assertiva porque não houve provimento desta, nem vejo razão para inquirir tendo em vista o caráter opinativo. No exemplo que você citou há uma hipótese, implícita, de intenção ou objetivo de convencer. Do contrário, a exposição tem valor intrínseco, apesar da contradição.
  4.  
  5. Por exemplo, digamos que um matemático resolva “opinar” sobre 2 + 2 e, em que pese seja = 4, diga preferir que fosse = 5. Construções similares, conquanto estas [u]válidas[/u], existem por exemplo em aritmética de módulo. A mais famosa, pelo uso em computação, sendo “1 + 1 = 10”.
  6.  
  7. No momento que há tal fundamentação, seja lá aritmética de módulo ou qualquer outra, distingue-se o objeto do sujeito. Digite “machismo” no tópico de chat e verá algumas páginas minhas explicando como a razão pura é [b]neutra e impessoal[/b]. Ainda sobre fundamentação, o conhecimento do sujeito é tão dispensável quanto seu enunciado claro e explícito.
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  9. Razões para que 2 + 2 seja = 5 não existem – porque não é. Garantido pelos axiomas de Peano. De cabeça posso errar mas, salvo engano, está próximo à página 90 ([i]Principia Mathematica[/i]). Volume 3. Insisto no 2 + 2 = 5 porque não vejo explicação racional. Se usasse “1 + 1 = 10” como exemplo a aritmética de módulo brotaria como justificação possível. Seria “[b]fundamentado[/b] na aritmética módulo 2” quando, lá em cima, o Michaelis disse: “[color=red][b]sem[/color] fundamento[/b]”. Por isso o matemático pode fazê-lo. Não como matemático, menos como cientista, e não dentro da esfera racional. Como estética e ser humano, sim.
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  11. Por fim, há uma interessante consideração sobre uma idéia complementar, qual seja a fundamentação quando existe e é desconhecida. Se não for cognoscível, segue de forma trivial o porquê (de ser desconhecida). Do contrário, basta lembrar como crianças do primário conseguem responder 2 + 2 = 4 sem fazer a menor idéia de quem possa ter sido Giuseppe Peano.
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  13. [quote=tancruz]Pois uma critica é, [url=http://en.wikipedia.org/wiki/The_Critic_as_Artist]desde do início, de origem subjetiva[/url][/quote]Com isto eu concordo. Por motivos externos ao conteúdo citado, mas ainda concordo.
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  15. [quote=tancruz]“criticism is more creative than creation;highest criticism is that which reveals in the work of Art what the artist had not put there;[b]true critic is unfair, insincere, and not rational.[/b]”[/quote]Examine-se em maior detalhe o trecho supracitado. Ou a proposição em negrito tem um valor “absoluto-em-si” independente do contexto, ou não tem. Se tem, este é verdadeiro ou falso. Suponha-se o predicado “absoluto-em-si”. Então o crítico (ou a crítica “critique” em caso de erro tipográfico) é justo (false) ou não (true, the critic [u]is[/u] indeed unfair). Sendo falso o valor suposto objetivo da sentença, restará apenas o subjetivo – se e quando restar. Portanto, a afirmação de que críticos são injustos e irracionais ainda depende de fatores como contexto, porções anteriores do texto, e significação precisa dos termos empregados. Qualquer destes (e possívelmente outros) atesta o caráter relativo da proposição.
  16.  
  17. Mas caso seja verdadeiro, e esta é a parte irônica, é absoluto que críticos sejam irracionais. E que não sejam sinceros também. Como Wilde é um crítico e seu ensaio uma crítica, cobrindo as duas hipóteses possíveis sobre a grafia, ele não é sincero e nem racional. É possível que esteja omitindo ou de fato mentindo, por não ser, necessariamente, sincero. Contradiz que seja “absoluto-em-si” e, ao mesmo tempo, verdadeiro, porquanto carece de necessidade (e, note-se, também de universalidade). De forma análoga, a proposição não é mais, necessariamente, racional, ou que não decorre da faculdade da razão.
  18.  
  19. Adicione-se o contexto e todas as demais hipóteses à citação. A resposta segue a mesma, no sentido de não-universalidade/necessidade. Mais importante: a única maneira de admitir que alguém “pode” estar equivocado na confecção da crítica sobre [i]Charlotte[/i] é admitir, adicionalmente, que “possa” não estar. Assim, e somente assim, se dá sentido à citação de Wilde. O manifesto do Mydartz, opinião, é uma “crítica” ruim, rasa e tola por uma razão bem simples: não é nem teve pretensão de ser uma crítica. É apenas alguém dizendo que a Terra é plana ou que o céu é azul. Percepções fenomenológicas falsas e verdadeiras, facilmente verificadas usando o conhecimento e tecnologia dos dias atuais. Quanto a algo ser bom ou ruim, ou “um lixo”, isso é estética não-verificável de forma objetiva. Se discorda, boa sorte tentando provar. Baumgarten perdeu uns anos de vida aí.
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  21. [quote=tancruz]Então ao ver a crítica como[u]arte[/u] ela já é de inicio falsa, segundo Aristoteles uma imitação, evitar usar o "[b]é[/b]" só vai fazer o leitor da crítica se sentir inseguro do que está lendo[/quote]Eu sei. Você sabe. O [url=https://pt.wikipedia.org/wiki/R._R._Soares]R. R. Soares[/url] também sabe. Se não soubesse, talvez não abrisse o programa falando em “[b]patrocinar[/b] Jesus”.
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  23. Um recurso de peso na retórica, pouco ou nada relacionado à conclusão sobre a idéia exposta. Mentiras não se tornam verdades por serem mais ou menos convincentes.
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  25. Caso se use tal forma de expressar, assumindo implícito o caráter subjetivo e relacional acima descrito, não posso dizer que é crime, nem ofende a mim. Porém, uma réplica simples (“prove”) leva à exposição dos fatores subjetivos. Nenhum deles desprezado por sê-lo, é bom que se diga, pois são fatores dessa natureza, igualmente subjetivos, que virão a compor uma análise crítica. No entanto, haverá um momento em que será impossível “provar-que-é” apenas recorrendo. Teimosos serão respeitados e deixados em paz (por exemplo, respeito a opinião do Mydartz sobre [i]Charlotte[/i]), mas seu manifesto, do ponto de vista argumentativo, costuma ser o que chamamos [url=https://en.wikipedia.org/wiki/Beg_a_question]petição de princípio[/url][/spoiler]
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